sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Imaginário.


Beto no auge dos trinta em seus 1.80 metros de altura mostra em seu visual eclesiástico cabelos longos, pele pálida e barba lisa, é comum nessa idade a camisa substituir camisetas, o desconfortável sapato é justificado pela elegância, a vaidade é pouca, porém necessariamente elegante conforme exigido pela cultura porn adquirida ao longo dos anos.

Enquanto Beto aguarda por sua dose de uísque, Miguel escapa por entre a brutamonte dupla de zaga, mata no peito e de queixo erguido carimba o travessão, de um lado gritos de alívio, moleque filho da puta, de outro lado mãos desesperadas sobre a cabeça em sinal de lamento, apito final, jogo perdido, um a zero, Miguel segue rumo ao vestiário com a derrota no peito e a camisa na mão, maldito moleque, emocionando senhoras e senhores com futebol safado, com apenas 17 anos umedecendo senhoras e meninas com seus dribles rápidos. A pele escura de sol  do Jovem craque é castigada pelo forte calor de verão, marias e mariazinhas miram o suor que escorre pelo musculoso corpo magro do menino prodígio, ansioso por um banho, Miguel sequer percebe o clamor das fãs através do alambrado.

A água fria do chuveiro escorre sobre as reflexões de Miguel no instante em que o quente uísque escoa pela gorja de Beto, Beto movido pelo efeito da primeira ingestão percebe enfim a bela configuração do ambiente, ele então se posiciona de maneira pra melhor contemplar o presente mulheril, essa contemplação dura por algumas horas após doses e mais doses, Miguel então surge no mesmo ambiente que Beto, é aclamado pelos fãs e viola a lei ao lhe servirem doses de tequila e cerveja malzibier, a ordem do bar é restabelecida e a sofreguidão das fãs é contida, Miguel enfim pode relaxar e lenir a dor da derrota, Beto sequer percebe a presença do craque e pede mais uma dose e percebe enfim a altivez da menina, uma menina inabalável, antes de notá-la Beto pôde observar a grande competição travada entre as moças presente, todas muito belas, claramente duelando entre si através da indumentária, das gargalhadas, duelam ao moverem os cabelos, duelam de todas as maneiras possíveis, Beto entende então a postura indiferente dessa menina, ela com grande gracejo está alheia a essa guerra estética, ela permanece em meio as amigas-rivais de modo friamente doce, do outro lado Miguel então percebe uma menina, a única dentre as tantas presentes que não se ouriçou com sua chegada, assim, Miguel passa então a observá-la com afinco, se trata da mesma menina que cativou Beto, de um lado o galã e do outro o craque, a doce menina se torna objeto de admiração, o menino se encanta pela a delicadeza enquanto o homem se apaixona pela sutileza, o menino repara no lindo rostinho enquanto o homem observa o belo sorriso, contudo, o jovem craque bem como o nobre galã são os maiores objetos de cobiça das moças presentes, porém, é como se elas não estivessem lá, ambos focados no mesmo propósito, focados na contemplação da doce menina, no entanto, quase que sincronizadamente, tanto Beto quanto Miguel se levantam, deixam algumas notas na mesa e se retiram do bar, eles optam pelo não antes mesmo que ele viesse, cientes de que o não da incerteza caberia melhor do que o verdadeiro não. 

Optaram então pela imaginação.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Mulher brasileira.



 A maior agência de advocacia do Rio de Janeiro indicou seu advogado mais jovem para cuidar dos negócios locais do senhor Edmundo, de volta à cidade maravilhosa Edmundo se encontra com seu novo advogado na famosa rede de fast food Cheesechickens Hermanos, eles se acomodam junto às janelas em uma mesa que lhes permite uma visão privilegiada da turística praça fluminense:

- Olha lá jovem doutor, olha aquela mulher, de certo ela é brasileira, brasileiríssima! É por isso que eu digo que essa é uma terra abençoada!

- Perdão senhor, mas estamos no Brasil, por que ela não seria brasileira?

- Eu que te pergunto, por que ela não seria brasileira? Poderia ela não ser brasileira? Seria possível haver no mundo terra tão fértil capaz de germinar fruto tão doce?

- Não me entenda mal senhor...

- Me responda moleque! O que te faz pensar que aquela moça logo adiante parada do outro lado da rua não seja brasileira? Observe o desenho daquelas pernas, a sinuosidade... 

- Boa tarde, meu nome é Renata, bem vindos ao Cheesechicken! Posso ajudá-los?

- Um conhaque, e pra ele uma limonada, muito obrigado!

- Veja moleque! A perfeita sinuosidade entre cintura, quadris e coxas, veja que linda pele branca castigada por esse sol tropical...

- Ela realmente é muito linda...

- Sim! Consegue ver? Olha só a corpulência!

- Senhor, a maioria das mulheres que passam por essa praça são brasileiras, afinal estamos no Brasil, boa parte delas não correspondem ao nível de beleza da moça do outro lado da rua, considerando que aquela moça do outro lado da rua poderia facilmente ser confundida com uma turista estrangeira em meio as tantas brasileiras que aqui estão, isso por estarmos em um cidade turística e por ela possuir pele branca e cabelos loiros, o fato dela estar vestida com a camisa do tricolor paulista não a torna brasileira, ser brasileira não é sinônimo de padrão de beleza, logo, seu ufanismo por essa pátria no que tange as mulheres não se justifica.

- Menino, antes de considerar seu ponto de oposição às mulheres dessa nação, considere a diversidade étnica espalhada pelo globo terrestre, considere as regiões mais remotas desse planeta, os idiomas mais complexos, os ritos e comportamentos, a diversidade cultural; agora imagine a fusão de tudo isso, a união dessas raças, a junção de todos os costumes culturais existentes nesse planeta, ao imaginar isso, o cenário mais próximo dessa imaginação seria a república federativa do Brasil, ao visualizarmos a união de todos os povos o cenário mais provável seria algum lugar aqui no Rio de Janeiro, não obstante a essa hipotética representação, o Brasil é o país com a maior diversidade cultural e racial do mundo, é conhecido como o país da miscigenação, existe portanto aqui no Brasil a fusão genética de todas as mulheres do mundo, aqui nesse país existe o privilégio de contemplar a junção da nata racial, seja de modo distribuído ou até mesmo em uma única mulher, e são nesses motivos que reside a graça desse país, apenas na mulher brasileira é possível encontrar todas as qualidades estéticas numa tacada só, resta agora entender o porquê desse seu desprezo pela mulher brasileira.

- Não Senhor, não seja injusto, não estou desprezando, não se trata de desprezo, apenas não compartilho da idéia de um padrão que regule a beleza dos seres, pois o conceito de beleza é algo bem particular...

- É bom deixar claro que a conversa iniciada aqui é especificamente sobre a mulher, mas já que tu levas a conversa pra outro caminho, não vou mais me prender nos valores estéticos, porém, antes de tratarmos dos negócios, continuaremos a falar da mulher.

- Eu assim prefiro, falar de beleza estética é algo irrelevante.

- Pois bem menino, olhe novamente para aquela bela loira, já que você prefere ignorar os belos traços daquela moça vamos tentar nos desprender daquelas pernas, tentemos ignorar o desenho daquela boca, pois mesmo dessa distância é possível perceber a força de seus traços.

- Sim, o que tem de mais naquela menina além de um corpo e um rosto bonito?

- Com licença senhores! -A garçonete interrompe o diálogo e serve as bebidas-

- Veja bem meu jovem, para que eu não lhe desfira um tapa na cara com lado de fora da mão, permita-me antes dar um gole nesse conhaque para privá-lo dessa desnecessária agressão, pense no que acabei de dizer acerca da diversidade racial e cultural difusa aqui no Brasil, pois bem, da mesma maneira que aquela moça foi abençoada esteticamente por ter uma ascendência multirracial ela também pode ser considerada abençoada por herdar valores e costumes de múltiplas culturas...

- Me parece que agora o senhor irá falar de algo que realmente valha a pena...

- Acredite meu jovem não há tema mais valioso do que o tema inicial dessa nossa conversa, devo dizer que a vontade de desferir o tapa está voltando, mas não se preocupe prometo que vou me conter, então pra evitar a barbárie voltemos a considerar a grandeza daquela bela saopaulina logo adiante, aquela moça ali claramente goza de um privilégio comportamental raro de se encontrar fora desse país...

- O senhor diz isso baseado na idéia da brasilidade inerente àquela mulher?

- Isso! Exatamente isso, o trato da brasileira é profundamente singular, de uma sensualidade incomum, há um verdadeiro calor na interação com a mulher brasileira, é algo vivo, elas são munidas de um cinismo poderoso, um feeling acima do comum, o jargão “jeitinho brasileiro” se justifica em várias frentes, pois das brasileiras podemos esperar desde o mais profundo altruísmo a eficácia da vigarice... Receio que essa rara capacidade da mulher brasileira se sustente nos tantos hábitos culturais e comportamentais herdados em virtude da miscigenação.

- É um teoria inegavelmente válida, cheia de sentidos, contudo...

- Chega de poréns! Irei te dar um exemplo prático pra justificar a verdade sobre tudo isso... Pegue sua limonada e a beba levemente em um único gole, em seguida me descreva a sensação.

- A sensação refrescante é a mais marcante, seguida de uma agradável e sutil acidez adocicada, delicioso!


- Essa sensação sentida é como beijar uma argentina, mesmo com um ligeiro azedume não deixa de ser deliciosa, é como lamber uma inglesa, ainda que fria não menos doce, bem como as italianas e colombianas, tão ácidas quanto sutis...

- Moça por gentileza me traz mais um suco de limão...

- Não senhorita, não traga nada, traga a conta por gentiliza.

- Sim senhor!

- Como assim “traga a conta”? Acabamos de chegar, não definimos nada ainda...

- Agora beba esse conhaque numa golada só e descreva a sensação.

- Aarrrgh! A única coisa que tenho a dizer é que isso é muito forte e tem um gosto horrível!

- Errado, esse conhaque é igual a mulher brasileira, macio, tantos são os sabores inerentes a essa bebida, sabores que vão sendo descobertos ao longo de sua apreciação, quem não está preparado pra um bom conhaque certamente será queimado pela sua força, assim como a mulher brasileira, esteja pronto ou ela lhe será seu maior terror, todavia, aqueles que souberem apreciar os prazeres ligados a ela sentirão a verdadeira embriaguez, sentirão o poderoso elixir feminino capaz de embriagar até Deus no alto de sua onipotência.

- Perdão senhor, mas não entendo onde queres chegar...

- Jamais esperei que fosse entender, não há mais nada a dizer, me perdoe, mas não posso mais me conter.

Edmundo se levanta defronte pro jovem doutor Lucas: 

SNAP!!! (com o lado de fora da mão) e em retirada finaliza:

 - Tenha uma boa tarde! Fique com a conta e mande saudações ao doutor Saul.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Nunca vi "menino" ter querer


Mr. Waters, semente para gerações futuras, foi falando brasileiro que Zeca aprendeu a embolar, a nova safra de malandros entristece Buarque, o pouco rock aqui encontrado repele Belchior, esses aí não migram em volkswagens, vão de Cadillacs, vão em caminhões de zepelim, no último pau de arara Gonzaga trovejou acordes dissonantes em alento aos passageiros, Dixon produziu com sua poesia estrelas do rock, o Crossroads Center recupera os perdidos, Buddy Guy compôs o poderoso time da Chess, Dio canta o caminho, Page encanta o caminho, Ray Vaughan desencanta e caminha, Wolf uiva, Raimundo Nonato não meche com carneiro,  Little Walter fez coisas proibidas, o Hoochie Coochie man conquistou a trilha de John o conquistador.

Muddy Waters eletrificou o blues, Zeca embalou o coco, Buarque bateu uma bola, Belchior alforriou ricos acordes, Gonzaga saracoteou a casa do Zé, Dixon orquestrou o time, Buddy Guy provocou os tímidos, Dio emancipou o fogo, Page disse não ao cinema, Stevie invocou a morte, Howling Wolf conheceu a morte, Raimundo Nonato rasgou o cachorro preto, Walter Jacobs largou a Pepsi cola.

Todo esse jogo de bola Mané, tem que ser de coração, livre com a bola no pé, vejo um ataque de cão, olho para o seu José, lanço para o meu irmão, ele domina olé, deixa o zagueiro no chão.

Isso tudo dá fim ao ócio, dá fim à prazerosa preguiça, já não se pode mais repousar na emoção, o caminho tem que ser mostrado para as novas gerações, frente a frente com os pequenos discípulos, há um tabuleiro que mostra os caminhos, com endereços, indicações, tais preceitos ensinarão aos bons meninos as coordenadas, os becos, os caminhos mais remotos, os atalhos mais próximos, depois de doutrinados, se depararão com o rock de doer cacunda, nessa dor eles serão aprovados, aceitos e promovidos,por fim, conforme o ciclo, serão removidos pelos novos prodígios.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Vem pra misturar.


Em 73 a.C a casa de Batiatus possuiu grande fama na comuna de Cápua, conhecida por ser uma casa que proporcionava a seus convidados e hóspedes grandes prazeres, Batiatus tinha em seus domínios os melhores gladiadores da península Itálica, isso no campo do entretenimento permitia a Batiatus dar a seus convidados o melhor espetáculo que se poderia ter na época, sua adega comportava os vinhos mais nobres cultivados na região da Campânia, os aposentos de seu palácio foram confeccionados a fim de criar um ambiente lascivo, dando assim o devido conforto aqueles que buscavam os deleites da carne.

Em 1920 Aleister Crowley fundou a Abadia de Thelema, os moradores dessa abadia cultivavam os seus desejos, faziam tudo o que queriam, praticavam todos os anseios, procediam conforme a lei de Thelema, "Fazes o que tu queres pois é tudo da lei", de tal modo, os discípulos de Mr. Crowley dispunham de total liberdade filosófica e religiosa nas mediações da abadia, tais princípios foi a razão da construção da Abadia de Thelema no sul da Itália a fim de propiciar a seus discípulos a liberdade proposta em seus ensinamentos.

Diversas celebridades que compartilham da amizade de Chico Buarque de Holanda, de pessoas que dividiram o convívio com o grande Chico, relatam sobre a grande espirituosidade que envolve a casa onde chico foi criado, "lá se respira o futebol clássico, as artes plásticas configuram o cenário de modo espontâneo", amigos de infância falam acerca dos ensinamentos transmitidos pelo historiador Sérgio Buarque, pai de Chico, das experiências de grande valor cultural assimilados no ambiente onde Chico Buarque foi educado, permitindo assim que o talentoso e boêmio Chico pudesse desenvolver suas grandes obras. 

Os princípios morais e éticos que são transmitidos hereditariamente não são os únicos responsáveis pela formação do ser, tanto a educação acadêmica, quanto o convívio em outras casas, com outras famílias de valores comportamentais diferentes também contribuem com a formação moral e comportamental dos seres, os preceitos familiares assimilados em outros lares gozam de grande força de influência por se tratar de algo novo, de um novo conhecimento, com isso é possível dizer que a capacidade dos seres dependem necessariamente das experiências que tiveram ao longo da vida, dos lugares por onde andaram, das personalidades com as quais conviveram, afinal do novo ambiente, da nova companhia nascem as possibilidades de se aprender algo novo, pois distintos ambientes dão distintas lições.

terça-feira, 11 de junho de 2013

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Guerra Santa.

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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Bem x Mal


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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Chapadão de Glória.



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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Força Arbitrária.




 É possível julgar e condenar aquele que decidiu se embriagar e dirigir e que através de tal ato, vidas foram tiradas, é possível culpar o estuprador que violentou a menor de idade impingindo à vítima uma gravidez indesejada, todavia, a culpa atribuída aos infratores é invalida de acordo com determinadas crenças, ora, se considerarmos a definição de destino e a concepção daqueles que no destino crê, toda a ação seja ela falha ou honrada é desmerecida, pois tais ações foram determinadas antecipadamente por uma força maior, prendendo assim o agente do delito ou da boa ação a algo já fadado a acontecer, no caso do estupro, antes mesmo da fundação do mundo, o Deus revelado no livro dos Gênesis já chamava essa criança fruto do estrupo pelo nome, antes mesmo que a criança se formasse no ventre de sua mãe esse Deus já sabia de sua futura existência, o mesmo vale para o pai da criança (o estuprador) que antes mesmo do seu nascimento num berço de ouro em um nobre palácio, antes mesmo da fundação do mundo, Deus já o chamava de filho, esse exemplo dado, mostra que crenças ligadas à profecias, calcadas no conceito de predestinação, livram todos os seres de suas culpas, retiram o mérito de heróis, ao passo que, os acontecimentos já estavam escritos e determinados, permitindo dizer que os acontecimentos são de responsabilidade dos autores, pois os personagens componentes desse universo escrito por uma força maior são incapazes de mudar o curso da realidade da qual eles foram forjados, logo, são imunes de culpa.

 Haverão aqueles que de modo desconexo irão justificar suas crenças na teoria do livre arbítrio,  entretanto, o Deus que concedeu aos seus subordinados o poder de decidir por si mesmo, de escolher o próprio caminho, é o mesmo Deus que sabe do futuro, que por ser onisciente sabe das tragédias, dores, felicidades e prosperidades que recairão sobre suas criaturas, seja um fim de felicidade ou de dor, esse Deus através de sua onipotência tem a ciência absoluta de tudo o que aconteceu, acontece e acontecerá, logo, o suposto livre arbítrio nunca foi concedido, nunca existiu, pois de modo incontestável, onde há predestinação não há livre arbítrio, portanto, se existe um ser superior capaz de ver o futuro, por uma questão óbvia e exata, impossibilita a capacidade de escolha, pois o que passou, o que se passa e o futuro já estão escritos.

 Cabe então decidir, crer no destino e admitir que tragédia ou glória, sejam elas presentes ou futuras, não dependem das próprias forças para que elas venham, ou cabe pensar no Acaso e saber que glória e tragédia virão, não se sabe como, e a beleza da dúvida é que faz do jogo mais interessante.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Mama!




  A concepção de que a mulher é o sexo frágil diverge com o papel ao qual ela foi incumbida, considerem a importância da figura materna, a imprescindível presença fundamental pra formação do ser, presença de caráter protetor, proteção transmitida ao filho lhe assegurando dos males reais e irreais, o afã materno em amar seus filhos transcende inspirações, é maior que a máxima adrenalina, puramente instintivo de profundeza animal. Incondicional.

  Rhea conhecida como a mãe dos deuses, mãe de Hades, Démeter, Héstia, Hera, Poseidon e Zeus, se opôs ao seu marido Cronos em favor da vida de seus filhos, Maria de Nazaré, conhecida como a virgem Maria, mesmo sabendo que seu filho Jesus era um Deus ainda que menino, ficou profundamente angustiada e preocupada com o desaparecimento do menino Jesus durante as festividades da páscoa em Jerusalém.  Mães ainda que “frágeis” movem-se em proteção aos filhos, mesmo que estes sejam suficientemente fortes ou até mesmo deuses, é mais que incondicional é sobrenatural.

Mães ainda que tenham seus filhos submetidos ao relativo fracasso, inexplicavelmente desenvolvem orgulho verdadeiro baseado nas desconhecidas virtudes de seus filhos, ainda que não haja virtudes, certamente haverá algo que justifique tamanha apreciação.

 O famoso sinal feito com as mãos, símbolo do rock, foi instituído e popularizado no Heavy Metal através da avó de Ronnie James Dio, a Grande Mama preocupada com a proteção de seu neto, o ensinou a fazer tal movimento a fim de repelir o mau olhado, é recomendável então as futuras mães que solicitem consultoria as mães do rock, seria sensato indagar à Senhora Page quais eram os elementos que ela acrescentava na comida de seu menino, talvez ali estejam os ingredientes que permitiu a Jimmy Page invocar raios e trovões através de sua poderosa guitarra, seria sábio as futuras mães copiarem os métodos pedagógicos da senhora Young, progenitora de filhos enérgicos, os irmãos Malcom e Angus controlam a eletricidade através de seus reefs, talvez tenha sido o severo método pedagógico da mãe Young que tenha conduzido seus meninos ao grandioso sucesso.

 Basta Imaginar a mãe de Zinedine Zidane no instante do golaço de voleio que ele fez na final da champions league de 2002, possivelmente ela não se conteve, possivelmente tomada por uma euforia desenfreada, desse ponto,  tanto a destreza de Zidane como os tenebrosos solos em penta-blues-menor dedilhados pelos sofridos dedos de Tommy Iomi, são resultados de talento somado com trabalho duro, e é bem possível que essa dureza tenha sido adquirida no seio materno.

 Portanto, às mães que militam e pelejam pelos seus filhos, lhes dou meus sinceros parabéns por serem instintivamente animais e incondicionalmente sobrenaturais na luta por seus descendentes, devemos a vocês todo o talento que há por aí nesse mundo transmitido através de suas crias.

Parabéns mamães!

terça-feira, 30 de abril de 2013

Boteco, a verdadeira rede social




 Muitos empreendimentos perderam mais de 70% de suas receitas, alguns até caíram em obsolescência a partir da força difusora da Web, podemos citar a indústria cinematográfica que tem atualmente seu faturamento baseado apenas nas bilheterias das salas de cinema, a eficiência, qualidade e a facilidade ligada ao download, destruiu a indústria de mídias compactadas em discos, não haverá quem ouse nos dias de hoje investir por exemplo em uma vídeo locadora, é improvável que um músico contemporâneo sobreviva apenas com a venda de discos, esses sãos práticos exemplos daqueles que foram lesados pelo magistral benefício propiciado pela World Wide Web, podemos também considerar o grande prejuízo que escolas de idiomas, conservatórios de música, dentre tantas outras instituições de ensino técnico que outrora faturavam fortunas através do serviço que essas prestavam a peso de ouro, hoje contudo, os usuários internautas optam por uma nova alternativa mais prática e gratuita, pois esses têm disponíveis gratuitamente no You Tube, o maior site de compartilhamento de vídeos do mundo, vídeo aulas de diversos segmentos, vídeo aulas eficazes capazes de formar escultores, luthiers, mecânicos e até terroristas, desse ponto, é possível afirmar que a força da internet igualou condições aos interessados e sedentos por conhecimento.

 Podemos também louvar o grande benefício das redes sociais, elas aproximaram os hemisférios, através de suas ferramentas multimídias pôde estreitar as relações sociais, uma grande ferramenta de entretenimento e interação coletiva, eficaz em diversos sentidos, todavia, o grande vilão das redes sociais é exatamente sua qualidade, pois suas funções são tão dinâmicas que restringe o usuário ao seu uso abusivo, de modo que a obsessão causada em seus usuários os afasta da real e verdadeira relação social, criam personas virtuais incapazes de interagirem de modo humanamente palpável.

 Na tela do Facebook usuários postam belas fotografias artisticamente editadas, capazes de denotarem a beleza Intrínseca a eles, já no balcão do bar, contemplamos a profunda timidez ligada a esses mesmos usuários, timidez essa que diverge com a imponência de suas fotografias, tais fotografias demostram personagens admiráveis dignos de louvor pelo caráter demonstrado através das belas paisagens que os envolvem, já as mesas de bar contrariando o clima promovido pelas paisagens virtuais, revelam que a presença desses seres carecem de qualidades para embelezarem o agradável ambiente do botequim, por assim ser, grandes personagens das redes sociais fazem jus a condição virtual que lhes qualifica, pois na órbita do real, do palpável, onde o tato e o olfato se fazem necessário a fim de promoverem o verdadeiro prazer, esses seres virtuais certamente causarão decepção na real relação social.

 Por assim ser, a melhor maneira de escapar das fraudulentas personalidades existentes nas redes sociais, é trocar as relações virtuais pelas relações reais, trocar os teclados pela pele, trocar web-cams por lábios, trocar mouses por mãos, trocar os fones de ouvido pela música ao vivo, trocar fotografias pela profundidade do olhar, trocar o diálogo escrito pelo cheiro de mulher, trocar os games pela embriaguez, trocar a troca de arquivos pela troca de idéias “face to face”, afinal, a verdadeira essência do ser é impossível de ser transmitida através de informações documentadas nos mecanismos multimídia das redes virtuais, porém, sem desconsiderar a magia do virtual, vale dizer que a beleza de toda ficção surge de relações carnais, apenas através do abraço que é possível sentir a grandeza da menina, só através do toque que se sente a sagacidade, só através da troca de experiências que se aprende algo novo, no entretenimento coletivo surgem competições através da qual nascem ódio e altruísmo, onde é necessário ter aceitação e arrogância, se trata de muitos ingredientes que temperam novas idéias, onde dentro do clima que a verdadeira rede social produz, surgem inesperados encontros que apimentam a sensação de que tudo isso é real e que portanto, mesmo em meio a tragédia, surge a impressão de que algo bom vai acontecer. 

terça-feira, 5 de março de 2013

Quarta-Feira



 Irremediavelmente todo fevereiro tem seu fim, é o fim da folia, é também o fim da ilusão.

 Já em março, tomado pela doentia percepção do real, aquela textura metafísica do todo é diluída pelo ruído do despertador, é o fim da batucada, é hora de pendurar os adereços, mostrar a cara, dar a cara pra bater, nesse confronto com a realidade briosas alegorias são substituídas por perigosos andaimes, o harmônico repicar dos tamborins dão lugar ao perturbador estalar dos teclados, a efusão e o altruísmo coletivo cantado em blocos são esquecidos em assembléias onde vizinhos se atacam discutindo razões egoístas.

 Em um mês de escárnio, de idolatria ao ócio, regido pela boemia, pela pesada maratona carnavalesca, muitas lições são apreendidas, lições essas que só podem ser percebidas em cenário fantasiado, sob enredo fantasioso, uma vez que, a atmosfera de fevereiro contamina pulmões sedentos, seus ares são respirados por pulmões enrustidos que por sua vez se libertam e distribuem ao organismo substâncias que elevam as percepções sensoriais, os sentidos são aguçados em um nível tão alto, que eles captam apenas sensações que conduzem ao prazer, o mês de fevereiro portanto, permite ao vivente sentir o verdadeiro deleite do corpo humano, suas funções motoras e toda complexidade que nele há, não foram projetadas apenas para funções rudimentares de necessidades diárias pregadas pela convenção social, o verdadeiro potencial intelectual do corpo humano só é acionado em meio ao carnaval, contudo, ao fim da estação do primeiro bimestre, a forte abstinência recai sobre os sobreviventes, uma sufocante abstinência que é curada gradativamente pelas boas lembranças vividas no emblemático fevereiro.

 Enfim, nas cinzas é possível perceber, perceber o valor do enredo, dos enredos que confeccionam o ambiente, que trilham e cadenciam a dança daquela morena em seus braços, que remexe, que balança até o sol raiar, raiar do sol que ilumina as cores do olhar, olhar ingênuo de brilho fixo e sagaz, que revela todo o mal que o fim do Fevereiro traz.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Embaixador da saudade




O personagem da canção "como nossos pais", exorta seu ente antecessor quanto às boas coisas da contemporaneidade no trecho:

"Mas é você que ama o passado 
E que não vê
Que o novo sempre vem"

Onde subentende-se que seu ente mais velho se opõe à novas idéias demonstrando apego ao clássico e resistência ao novo, tal exortação se faz valer sob a noção do contínuo surgimento de soluções para problemas do passado superados no presente graças ao surgimento do novo, da nova idéia, todavia, nem o maior dentre os saudosistas se contentaria apenas com o canto do galo, com a cela do cavalo e com os arpejos do alaúde, certamente tal saudosista estaria em melhores condições ao despertar com a chiada sintonia da vinheta da rádio novela matinal, pegar o bonde com destino ao centro da cidade a fim de apreciar a peça de metais e percussão, tal exemplo, justifica o caráter saudosista do ser humano independentemente da época, afinal, as rádios novelas sucumbirão diante do cínico cinema áudio e Visual, os passeios de bonde serão substituídos por Cadillacs e aviões, os pequenos concertos serão abrigados em majestosas salas de acústica eclesiástica e os modestos salões de becos serão eletrificados por poderosa amplificação, se trata da natural mutação do todo, pois holograma e teletransporte dispõem de maior eficácia em relação à cavalos, ônibus e celulares, pois possuem características incontestáveis de grande utilidade e bem público, entretanto, ainda assim, serão criticados pelos saudosistas da época vindoura.

Contudo, é possível observar que o saudosista descontente com o novo, assume tal postura por possuir boas experiências com o que caiu em desuso, ele lamenta com grande pesar pela obsolescência da barbearia do simpático seu Manoel, nobre velhinho que cuidou em ornar seu aconchegante salão com artefatos campestres, salão trilhado por boleros, de iluminação mercúrio bem tênue e com cheiro de talco, um bom ambiente derrotado por luxuosos e ofuscantes salões intitulados de estúdios da beleza. 


A boa experiência com o que passou é rememorada durante o garimpo de caixas empoeiradas, onde se encontram antigos panfletos de sapatarias, bicicletarias, botões e parafusos de vídeo games, anúncios de lojas de segmentos especiais hoje extintas e vencidas por hipermercados e lojas virtuais. O confronto com elementos e acessórios de épocas antigas permite ao saudoso  voltar no tempo, enquanto ele divaga sobre o fôlder encontrado no fundo da caixa,  lhe vem à memória o chegar da noite que traz consigo o estalar das lâmpadas mal conectadas ao bocal e seu marcante ruído de eletricidade escapando por entre os fios, da configuração circular das mesas que favorecia o flerte entre os futuros casais, do cardápio com capa de madeira que favorecia o batuque durante as canções de Jovelina Pérola Negra, da estrutura modesta, porém agradável do charmoso restaurante mineiro, hoje transformado em uma loja de fast food pelos herdeiros da finada dona Delfina .

Nessa tônica do dia da saudade, vale destacar a existência daqueles que pouco se lembram do que passou, isso demonstra pouco impacto e pouca relevância aos dias vividos, a ausência de saudade aponta um triste hiato nos dias passados e que portanto, pouco se tem para se trazer a memória.

Quanto ao que tem de ruim no dia presente, devemos atribuir isso à composição do que havia de bom no passado,  quanto ao que tem de bom nos dias de hoje, é a soma do que havia de ruim em épocas atrás, sendo assim, é possível dizer que o presente é refém de ações passadas, o que pela lei do tempo faz com que o presente do futuro sempre tenha os seus representantes saudosistas, os embaixadores da saudade.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Childs in time




Não se trata de sucesso ou fracasso, se trata de sorte, a fortuna está por conta da boa vontade da casualidade, pois bendito foi o dia no qual Johan Cruyff implantou no time catalão o fino toque de bola setentista da seleção canarinho, abençoado foi o dia quando o pequeno Lionel embarcou rumo à Catalunha em busca de um sonho, ora, a combinação dessas duas circunstâncias deu origem ao mito "Messi", quatro vezes melhor do mundo, "La Pulga", o rei do maior time do planeta Barcelona F.C, podemos citar também a fim de mostrar a onipotente vontade da casualidade, a banda de rock britânica "Led Zeppelin",  que graças à sorte pôs John, Jimmy, Robert e John Paul no mesmo caminho, tal união gerou um extraordinário fenômeno, gerou a maior banda de rock de todos os tempos, poderíamos também citar inúmeros exemplos da força da casualidade que ao longo da existência reuniu seres compatíveis em terrenos férteis, realizando através desses encontros harmônicos grandes personalidades políticas, milhares de artistas, admiráveis obras e grandiosos feitos decorrentes desses felizes encontros. 

Ao considerarmos que acontecimentos dependem de uma força inconcebível, impalpável e indissolúvel, pois essas são as características do acaso, admitimos que toda preparação e investimento são insuficientes diante da grandeza da casualidade, pois será ela quem determinará  as regras do jogo, a desconhecida vontade do acaso irá ditar a velocidade do vento, a temperatura da luz, o volume da massa, a altura do som , o relevo do ambiente e as peças que irão compor o tabuleiro, o resultado desse jogo e o desfecho desse acontecimento, serão frutos da combinação de tudo o que foi concedido pelo acaso durante o período desse jogo, com isso, em meio a tantos episódios, é possível que surjam, Newtons e Einsteins, Pelés e Maradonas, Jobins e Jacksons, Marxs e Lulas, bem como, Hitlers e Mussolines.

Tudo isso extingue a determinação de fogo, a insuficiência da determinação dará lugar ao ventura, ventura com "ve" maiúsculo, pois esse Ventura hora é bom, hora é mal, naquele dia o Ventura bendito foi, pôs no centro do tabuleiro o radiante sorriso da bela capoeirista maestra de bateria, nos concedeu também a presença de duas entidades protetoras, Pai de fogo e Iemanjá a rainha do mar, incluiu o vasto conhecimento hindu através do nova-delhino jogador de basquete e dançador do baião de Bombaim, não raro, as consagradas cordas do bandolim do Xingu sucumbiram diante do cantar da mamãe Lúcifer, houve riso e deleite por parte das presentes hermanas que foram acalentadas pelas aterrorizantes barbas nordestinas da Al Qaeda, em contrapartida, não houve despedida digna da grandeza dos presentes, contudo, conforta saber que na estrada não há despedidas, afinal, há muitos oceanos para serem desbravados, muitos relevos a serem explorados e contemplados do alto do farol ou a bordo de um bote em morena companhia.

Em tempo, realizações virão, resta saber pra onde a sorte nos levará.     

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Blues Escarlate



Desembainho o meu punhal de dois gumes e aponto pro norte, parto sem sorte, o costume de pescar em mares com peixes grandes é insuficiente qualificação para tamanha missão, a encomenda descrita na cartilha exigirá qualidade de um excelente desbravador, será uma árdua expedição, espero não ter que enfrentar o escaldante sol de Caxemira, sei da perdição reservada a conquistadores, John the conqueroot que o diga, foi um dos que sentiu o amargo sabor da navalha na carne, as trilhas que levam aos anciões de raça gentil são severamente barrentas, obstruídas por minerais ásperos, uma estrada perigosa que protege valiosos conselhos, é sábio então seguir por um caminho mais brando, considerar atalhos e não ignorar a hora do repouso, as despedidas são sempre tristes no instante do agradecimento, tantos foram os agradecimentos pelas agradáveis estadias, todavia, cedo ou tarde sempre chega a hora de partir, o cheiro da chuva nas tardes de outono e as tantas embarcações produziam enorme desânimo pela dificuldade da busca, como se fosse uma busca vã, no porto dos lírios foram muitos os boatos acerca da presença da tão procurada personagem, contudo, foram apenas boatos, na ilha do frade a sorte também passou longe, as tantas cidadelas mostraram briosas personagens, algumas com belas cabeleiras, muitas de elegante caminhar, outras com altivez no olhar, outras de puerilidade no ar, mesmo contudo, tais qualidades eram insuficientes. 

A cada aterrissagem a chama da fé diminuía, a bordo de um sofrido zepelim era possível avistar babilônias, contemplava a imensidão territorial e pensava por onde ela poderia estar, tentava ouvir as melodias de suas cantigas através do vento, nas trilhas a pé divagava atento, nas janelas de adeus por cima dos trilhos imagina qual seria seu paradeiro, as inanimadas figuras eclesiásticas presentes na sala do trono zombavam de mim com sorrisos estáticos, tal fenômeno me inspirou a abortar a missão, motivou a renúncia à busca pela menina mulher, aquela que vestiria a sacra veste, logo assim, o referido manto sagrado permanece imaculado nos subterrâneos do sub céu, à espera daquela que irá profaná-lo, permanece à espera daquela que irá envergá-lo em prol do deleitoso féu blues escarlate.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Indivíduo.



Elementos abstratos e concretos, sob uma  noção abrangente, no sentido de valores no geral, são quem identificam o homem,  essas identificações são quem o protegem, protegem da grandeza do todo, do concorrente universo de possibilidades, diante de tantas alternativas o homem se agarra à essas identificações em busca de refúgio  e justifica através delas a grandeza que corre na contra mão das alternativas que não o identificam, com isso, é extremamente angustiante quando essas identificações que qualifica o homem são classificadas de modo inferior, pois a perda dessas identificações o lançam fora da zona de conforto na qual ele repousava, com isso, com a intenção de  voltar ao confortável refúgio o homem busca uma nova fortaleza e contribuiu com a inferiorização das identificações que outrora lhe abrigava, se opõe a si mesmo a fim de ocultar o passado feliz, porém agora vergonhoso, esse ciclo contínuo de cuspir no prato no qual se comia em função de novos banquetes que continuamente surgem, decorre das sedutoras novas alternativas, boas alternativas que substituem as anteriores, entretanto, o ato de condenar o passado vivido também nasce da incapacidade de assumir a singularidade, não é só fruto da constante evolução, isso também provém da incapacidade de se responsabilizar pelas próprias aptidões e interesses, onde a própria identidade é suprimida, ocorre a renúncia do próprio prazer em prol de um movimento coletivo padrão, liderado por regras cultas entendidas como boas referências a serem seguidas, ora, esses padrões coletivos possivelmente e certamente dispõem de boas alternativas para o um, contudo, por serem padronizados, apreciados de modo maciço e por não garantirem os anseios de todos os adeptos, carregam o risco de divergirem com a essência da singularidade de parte dos seres que os seguem, sob essa ótica, é fundamental que o homem priorize a sua singularidade  a fim de evitar arrependimentos, isso evitaria perdas, a perda do tempo, evitaria a lamentação pelos cuspidos pratos.

Mirem e priorizem a singularidade, se inventem através dela, a partir dela, pois essa singularidade é que trará as reais identificações que lhe alienará com verdadeiro prazer.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Santo Pecado




Conforme o cristianismo a definição da palavra pecado  é, "violação de preceitos religiosos", pecar significa "errar o alvo", segundo esses preceitos a essência humana é naturalmente pecaminosa, antes mesmo da fundação do mundo e da existência do homem, todos os seres que viriam a povoar a terra já estavam fadados a viver pecaminosamente, por assim ser, o potencial particular de cada ser, sejam eles talentosos ou débeis é o que determinará o tamanho da transgressão, a humanidade é instintivamente apta a cometer erros, homens e mulheres foram projetados para violar regras independentemente do embasamento religioso, a condição racional do homem o torna uma criatura maleável de modo a desenvolver suas próprias leis e razões, sendo assim, ao passo que o ser humano é naturalmente transgressor, é importante  medir e avaliar o estilo de pecado que cada ser de baixo do sol pode cometer, essa avaliação não tem o intento de fazer juízo de valor ou de divagar sobre questões morais, mas sim diferenciar através de exemplos mostrados por essa avaliação o potencial artístico entre os seres, calcular seus delitos e através deles considerar o valor que os distingue de acordo com a beleza do crime, conforme a criatividade do pecado e  níveis de infrações no geral.

Seja na pré história ou na história contemporânea, na mitologia grega ou em contos de fábulas infantis, em ficções científicas ou no alto escalão da ciência em si, os grandes personagens e personalidades que protagonizaram e se destacaram foram perfeitos transgressores, as grandes figuras públicas que ascenderam  ao governo de um estado ou de uma nação, burlaram regras para sobreviverem à pecaminosa estrada trilhada até  a conquista de seus ideais, os principais militantes da história, tendo com exemplo, Tiradentes,  Bento Gonçalves, Che Guevara,  tiveram que driblar a ética e passear por um caminho torto a fim de garantir o sucesso da causa pela qual lutavam. 

Considerando a arte, grandes mitos abençoaram o mundo com maravilhosas obras, nesse meio dificilmente  a santidade servirá de inspiração para esses astutos gênios, na arte plástica regras são violadas a fim de ilustrarem a plenitude intrínseca ao espírito da obra, nas artes cênicas os componentes  são escravizados pelo viciante poder da imagem, na música crimes são discutidos, paixões são diluídas e toda a dor oriunda da lascívia humana é expurgada no canto e no toque, são todos guiados pelo toque carnal que produz e conduz a composição do egoísta amor, do amor bem e mal correspondido, certamente a tão mencionada elegância de Nelson Cavaquinho não era guiada por hipocrisia e castidade, a poderosa guitarra de Hendrix carregava um tenebroso fardo de males vividos e personificados na emissão de suas notas, o canto da rainha contemplado por seus súditos no samba da vela promovia a embriaguês já pelo amanhecer, Elvis não assumiria o fajuto título de rei do rock se não tivesse afanado as canções de Dixon, Berry, Morganfield e Cia.

Virgulino Ferreira da Silva foi contemplado por Sinhô Pereira capitão do bando do qual Virgulino fazia parte a ter seu próprio bando e levar adiante o legado que eles defendiam, Virgulino se dissociava dos demais soldados cangaceiros, era criador das próprias regras, possuía força e liderança, posteriormente viria a se tornar o maior cangaceiro da história, conhecido como Lampião, o rei do cangaço, amado e temido por todas as extensões do nordeste, seus marcantes feitos ecoaram por boa parte da imprensa internacional,  tal mito não teria nascido não fosse a grandeza de sua ousadia, pois ainda menino já ambicionava grandes caminhos e se sobrepunha aos mais velhos movido por seu olhar agudo, Lampião é apenas um exemplo que mostra que as grandes personalidades e personagens em destaque na história, seja na música, no mundo dos negócios, na vida pública, ou em qualquer área da vida, são aqueles que não se diminuem diante da oportunidade de transgredir, veja, não se trata de uma apologia à transgressão, mas sim da busca pela cura do doentio hábito do "politicamente correto", pois os seres que ascendem para além do imaginado, são aqueles que misturam juízo e carnaval, que sabem mesclar o lado bom do  mal. Amém!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Saravá!



Feito um pé de senrigueira em meio a ventania eram seus movimentos, um dançar leve com sinuosos movimentos cadenciados pelo próprio e solo cantar, um cântico de fantástica afinação, vocês tinham que ver e ouvir o fino movimento no instante do refrão, aquilo certamente era de nascimento, de nascença, de pulsar o coração. 

E aquela que não dançou, mas cantou, foi Layla, ou Help talvez, soprou o canto, cruzou o oceano e agora canta em outros cantos.

Mais quente que o quente abraço entre os corpos, do que a laçada, foram os gritos de adeus, daquela distância iluminada por pomares e estátuas, os braços movimentavam-se em ritmo de despedida, as pernas partiam guiadas pelos calcanhares até o horizonte enfim tragá-la. 

Pior do que o horizonte que leva é o vento que trás, levada tão "infarenta" e pequena, trazida altiva e serena, com claros olhos que julgam e sentenciam, sem canto, sem dança, sem despedida, apenas um curto sorriso magneto.

O caso é andar por este país e por aqueles países e torcer por reencontro, se é samba que elas querem aqui tem, é ser tinhoso e não ficar de fora na dança do cossaco, acertar as umbigadas, sem horror, com terror, seja de salgueiro a Bodocó, de Itabóca à Rancharia, tantos são os destinos, onde ir depende do formato da arte e da forma do artesão, por enquanto lhes mando um abraço daqui minhas meninas, da terra do frio.  

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Além do que se vê



O ausente texas blues motivou a decepção, decepção essa superada pela convincente e triste justificativa de sua ausência, tal justificativa envergonhou-me pois as razões eram  fortes, não bastasse a decepção precedida pela vergonha, surge uma nova notícia, a notícia produtora de nova vergonha e tristeza, notícia em pleno domingo ensolarado que escureceu-se pela chama que se apagou, se apagou precocemente revelando a eminente fragilidade do corpo em vida, vida que partiu subitamente, arrebatada pelo nada, apenas se extinguiu, essa atividade natural mostra a irrelevância dos atos e fatos, pois até fatos estão a mercê da extinção, assim, não há razão para medir dimensões, a vida por ser tão fugaz quanto a paixão que governa o coração humano coloca todos os anseios e diversidades no mesmo grau de futilidade, é meio fatalista e cruel mas talvez seja aí onde resida a beleza, a graça de desenvolver uma realidade paralela á realidade dominante, imperceptivelmente todos criam mundos paralelos diante das adversidades diárias. 

Adversidades que parecem não existir no Pelô baiano, pelo menos não sob a ótica turista, pois o turismo ali praticado trilhado aos batuques é sentido intensamente por almas forasteiras, pois inconscientemente sabem que tanto o universo astral quanto o universo subjetivo ali criado possuem o mesmo valor quântico, incapazes de serem calculados.

Não conheço a luz de Frankfurt e suas lendárias cervejas, assim como a loira do lado de lá não conhece a escuridão de São Paulo e seus lendários alambiques, contudo,  ela assim como eu personificamos o chão, o teto, as paredes, personalizamos a mobilia, ajustamos o ar para assim simularmos a graça do imaginário, ela conhece o esplendor de Munique e seus sofisticados banners luminosos que antagonizam harmonicamente com a tombada estrutura clássica, mas ainda assim não terá tempo para desbravar Marte, eu de cá conheço os pólos quentes da maravilhosa mãe Brasil mas não terei tempo para me congelar nos iglus e ser contemplado com a curiosa recepção esquimó. 

Os picos solares explodem enquanto aplausos estouram em prol do universo que eclodiu naquele infinito palco renascentista, onde novamente o imaginário se fez valer como realidade, não foi ilusão, não foi magia, mas sim a construção de um cenário quântico e mensurável, admirável, que em meio ao caos e mesmo simulando o caos produz entretenimento  em dias difíceis.

Não há esconderijo para alma, cedo ou tarde ela será capturada, seja num domingo ensolarado em meio ao riso, ou num escuro domingo sangrento em meio ao rancor, a alma não se afugenta, enquanto ela aguenta, sobrevive e inventa, essa capacidade a torna onipresente no espaço e no tempo, ainda que espaço e tempo sejam curtos, esse poder de invenção da fugaz alma humana reúne os cinco elementos da natureza e produz seu próprio universo, universo repleto de sombra e luz, onde vento, fogo, terra, água se misturam e originam ambientes, criam ondas que dão forma e ritmo, ondas que determinam instantes, pois definir vida é tarefa falha, afinal é isso que ela é, falha, a vida é instantes, isso tudo justifica o poder da ficção, pois é isso que  fazem os gênios, eles tornam a realidade em uma bela e alegórica ficção, onde essa maravilhosa criação assim como a vida dura apenas instantes, isso equilibra o real e o imaginário, é isso que iguala a vida à uma maldita e prazerosa ficção.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Energia volátil


O monstro da bateria Neil Peart líder e poeta da progressiva banda canadense experimentou o doloroso instante da morte, experenciou a perda de sua filha, viveu uma desastrosa calamidade, foi submergido assim a intensa dor, tais circunstâncias propôs a Neil o caminho da busca, lançou-lhe à Odisséia, lhe pôs na estrada rumo ao incerto, essa fuga trilhada nas gélidas e briosas estradas do hemisfério norte ao norte do Canadá fez de Neil um ser anonimo, sem nome, sem identidade, ele e sua venenosa Harley que cortava ventos e folhas, montado em sua moto feito um cavaleiro sem sela e sem camisa, um cavaleiro que cavalga por entre as estações em busca de respostas, o pranto de Neil causado pela casualidade que levou-lhe o amor de sua filha foi quem roubou Neil de seus fãs durante esse longo período de encontro consigo mesmo, mas ele voltou, voltou forte, a dor sangrou, cicatrizado, foi medicado por distintas atmosferas respiradas pelos cantos e barrancos por onde sua motocicleta esteve, o bom baterista não se manteve estático, partiu em busca da cura, mirou a cura e foi curado pela diversidade alquimista, pela simplória espirituosidade, pelo amor, pela quente paixão de cidadelas que ardem sob  chamas lunares, curado, voltou para retomar o Rush que o aguardou pacientemente, esse retorno revelou um poeta mais firme, um percussionista mais leve, as escolhas e adesões de Neil por onde esteve lhe deram nova identidade, esse caminho de liberdade, de livres escolhas, lhe embelezou, a mesma beleza adquirida apenas em lugares onde se chega de barco, talvez nas circunstâncias do século XV o tempo de cura para Neil teria sido maior ou talvez poderia não ter encontrado essa conquistada paz, pois não haveria motor para transladá-lo sobre  rodas em velocidade sonora, certamente o artista do século XV em cima de seu cavalo no ato da fuga  dispunha de obstáculos distintos aos de hoje, porém dispunha da mesma liberdade existencial que lhe permite escolher o que é proposto pelo meio externo a ele, escolhas ruins e boas que no acúmulo vão dando forma ao caráter do personagem, opções lançadas, opções soberanas e independentes à existência do ser ao qual são propostas, opções que caracterizam continuamente a mutante identidade do artista, poderia então o personagem se mover por trilhos a bordo de uma fúnebre maria fumaça ou voar com classe em um fino jato, compete a ele decidir o meio de locomoção de acordo com  seu propósito durante a viagem,  se trata do passageiro que hora opta pela nave, hora opta pela locomotiva, em momentos se entrega à paixão, em momentos se condena ao rancor, nesse caso o único fenômeno arbitrário é não poder escapar dos tantos encontros que a superfície e suas casualidades lhe submete, encontros que lhe apresentam novos modelos e novas formas, novas opções a serem assimiladas e novamente reformular a identidade em constante e infinita mutação, com isso, a força circunstancial de eventos que ocorrem das mais variadas formas, sejam elas catastróficas ou prósperas, é o que determinará o tom da beleza, a velocidade da motocicleta, se será barco a remo ou à vela, é o que formará a identidade do ser, seja ele gênio ou bobo, pois se hoje ela se foi, amanhã Neil partirá, mas se hoje ele for fogo, amanhã se apagará.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Musa Magnética






O ácido riff de guitarra timbrado com sombria sutileza, marcado por fluentes ondas pesadas justifica o porquê da guitarra ser o instrumento que conota, denota e simboliza a força do Rock and Roll.


O terno clássico do Jazz é composto por piano, baixo e bateria, contudo, o agudo ataque do trompete de  tão penetrante na sensação e na mensagem proposta pelo jazz tornou o trompete o símbolo que traz o jazz à memória, há quem pense que seja o saxofone pelo seu formato similar ao da letra "jota" cuja a qual se inicia a escrita da palavra jazz, no entanto, basta sentir o estrago que as notas entoadas a partir do trompete causam na acústica do sofisticado ambiente no qual ele impera.

O samba é memorável pela geniosa percussão que lhe torna peculiar, logo, o pandeiro é subentendido como o responsável pela ilustração que leva a mensagem do samba, mas o samba não é apenas uma magnífica batucada, ele é simpaticamente trivial, poderosamente difuso na aliteração rimada aos devaneios da paixão, é necessário portanto harmonia, um instrumento com o poder de harmonizar, assumir a melodia e ritmar percussivamente, essa exigência é perfeitamente notada nos arpejos do cavaco, do bom e necessário cavaquinho.

O rap tem em si infindos elementos para sua peculiar sonoplastia, samplers, elementos eletrônicos que simulam efeitos audiovisuais indispensáveis na transmissão da sua mensagem que é seu maior instrumento, recado esse levado pelo poder da palavra, da rima, da voz, da boca, basta então um microfone para ter o perfeito rap, pois essa boca, essa voz que leva a palavra inserida no rap também é capaz de simular pick-ups, melodias de contra baixo e até a alegórica bateria, desse ponto, aponto o microfone com principal simbolo do rap.

O Blues distingue-se dos demais por ser o mais elementar, o mais traumático, o que originou todos os gêneros citados aqui, seu papel no rock é estrutural, no rap basta ouvirem o álbum Electric Mud e entenderão as palavras do líder do Public Enimy ditas no documentário de Martin Scorsese (Godfathers and Sons) da série "Nothing but the Blues; no jazz e no samba o blues está emaranhado a eles por possuírem as mesmas raízes, mas é o blues o consolidador, pela sua particular intromissão onipresente em tudo que se vê e se ouve nos dias atuais, o poder de sua falsa modéstia escolheu o seu menor instrumento pra representá-lo, escolheu a harmônica, a gaita, conhecida também como gaita blues, quanto ao porquê, é melhor não dizer.

Os gêneros citados a cima de tão ricos, são capazes de disporem de qualquer instrumento musical, por mais improvável que seja não há limite para a experimentação, porém eles têm em particular um instrumento que melhor os representa e expurgam suas sensações.

Os gêneros musicais citados também se particularizam  através de suas musas. O samba é comumente inspirado por robustas morenas, morenas altivas no swingado sorriso em comunhão com a ginga do desejado corpo.

O rap tem em suas musas a inspiração calcada na rebeldia do ideal, seja ele vão ou efetivo, a inspiradora do rap não tem a estética como sua principal arma, mas sim a adesão da causa.


O jazz por mais contemporâneo que seja, não perdeu o sentido elegante que retrata suas musas, dos anos vinte aos anos quarenta e até aos dias de hoje, o luxo  de seus ambientes, seja em prostíbulos do século passado, em salões undergrounds que embaçam corpos bêbados, ou em casas de shows da atualidade, a vaidade ostentada em finos adornos e a delicadeza vista apenas nas componentes do clima jazzeiro é o que motiva o estalar dos trombones

O blues dispõe de um padrão menos rigoroso, onde sua musa é posta em um grandioso pedestal, a musa é personificada divinamente sem uma razão que justifique isso, logo, definir um rótulo para a inspiradora do blues não faria muito sentido pelos tantos sentidos representativos que a musa do blues tem para seus músicos.

Quanto a musa do rock and roll, o papel assumido por ela é simplesmente esmagador, pois para que ela assuma o posto de musa ela terá que dispor de adjetivos raramente encontrados no padrão feminino, esses requisitos exigem consistência revolucionária, é necessário que haja frieza na sensualidade, calor e principalmente altivez em sua beleza estética, onde o músico é submetido diante da fina beleza que o reduz, que o seduz e assim produz a necessária centelha que irá inspirar clássicos e mais clássicos.

Por vivermos em uma época carente de boas obras musicais, onde não se cria mais nada de grande valor, sugiro aos herdeiros que legaram a missão de dar continuidade à música, que desenvolvam um novo gênero  com enfoque na guitarra, cavaco, trompete, gaita e que sejam afiados no recado dado, que se atentem nas musas que irão lhes inspirar, pois as musas de hoje em dia deixam muito a desejar, basta olharmos para o atual cenário, sendo assim, pelo o bem da música que virá, busquem musas cruéis e blindadas à chulas tendências, que disponham de fina beleza, pois assim motivarão futuros clássicos através da sutil sensualidade essencial para inspirar a criação de boas obras musicais.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Os subterrâneos do Subbar.



O êxtase e o frenético ritmo do alto pico traz consigo o consequente cansaço mesmo aos eletrificados, o sossego da monotonia e a calmaria  produz mesmo nos pacatos gana  e excitação, mundos opostos, mundos de faz de conta, no silêncio ou no estrondo o intenso ataque desferido no coração é frio e curto, a dureza do golpe é dilaceradora, o terror mira metrópoles, o horror mira vilarejos, a violência política extermina o sonho cidadão, a investida maligna invade o sonho do plebeu, naturalmente o mau que pratica o mal ronda as ruas da cidade,  sobrenaturalmente o mal invocado pelos maus flutuam pelos  ares da vila, existem corajosos militantes que combatem o abuso de poder, terminam portanto inanimados em homenagens póstumas, existem corajosos guerreiros que duelam contra a escuridão, terminam portanto forjados no fogo.

A civilização testemunha a Direta que governa legalmente à luz do sol e a Esquerda que impera ilegalmente à luz da lua, pois a Direita à noite pratica ilegalidades e a Esquerda ao dia simula a legalidade, no mesmo tom a plebe contempla os males causados pelo alto escalão do bem que é antagonizado por revolucionários do mal em busca do bem maior, quer seja sob às luzes da cidade luminosa ou sob às candeias do bucólico vilarejo, saibam que o bem também pode ser mal e o mal tão mal pode ser bem, tal princípio se aplica também ao demoníaco e ao divino, ambos os lados têm propósitos que justificam suas práticas e intentos.

Há quem milite por altruísmo, há quem lute em egoísmo, opositores do bem e partidários do mal, isso tudo é comum, o diferencial está na unificação entre o ódio e o amor, a coragem está naqueles que mesclam mal e bem, divino e maligno, a verdadeira coragem está naqueles que trarão êxtase e agitação à monotonia campestre, naqueles que levarão paz à violência metropolitana, o grande feito não é tomar partido, mas sim atenuar o cansativo rush e agitar o sonolento tédio, essa utópica busca inexiste por ser fantasiosa, contudo, tal concepção não inibirá a audácia do terrorismo do blues, não intimidará o fervor da dança do frevo, existem alguns cientistas atrevidos que pretendem criar esse choque, será um choque de épocas, de verdades, de culturas, o resultado chocante de tal experiência se mostrará em um cínico e místico cenário britânico, onde o tempo não corre, clássico e eclesiástico, levaremos pra lá o glamour de Chicago e o ardente tempero do agitado nordeste brasileiro, corações bons serão corrompidos diante do horror,  corações cruéis serão submetidos ao amor, a beleza alegrará a tristeza, a alegria entristecerá a beleza , um hostil e confortável ambiente indissolúvel que de tão arriscado necessitará da força dos cinco elementos, de mentes sábias para manipular o poder que será gerado e concedido por tamanha experiência. 

Assim, brotará desse lascivo sub mundo legiões que levarão o poderoso legado do tenebroso Baião do Mississipi. 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Natureza noturna



Aquele estreito carrega marcas, manchas que denunciam o injusto holocausto que nos concedeu o feliz caminho hoje percorrido, houve ali a queda do tolo, do tolo absolutista ufanista da violência, violento que sacia sua imperfeição com deliberada crueldade, houve ali a ruína do inocente, do ingênuo submetido a uma causa que lhe é alheia e que portanto causadora de profunda amargura, houve também quem se regojizasse com a pintura do solo em tom escarlate, vermelhidão proveniente do sacrifício que legou o triunfo dos indignos vindouros, a eminente carnificina estimulou a arte dos partidários da morbidez, estimulo esse que impeliu-lhes ao caminho da canção pintada com rubro líquido promotor da atual bem sucedida máquina orçamentária. 

Disso nasce o grito, o brado, o poderoso e irônico simbolismo corporal dos lesados e descontentes, nasce a fúria de falsos tímidos de pensamento grandioso, surge a iminência do ataque letal da usuária de véu tênue, é o fim da plenitude da alma e o começo da triste lucidez.

 Assim toda a concepção da presente e ativa crueldade revela a grandiosidade da única e comprovada entidade, cujo o nome é conhecido por Natureza, insensível Natureza que de tão difusa mostra-se autêntica apenas nos sonhos, Ela movimenta-se de modo alegórico, concede livremente todos os desejos de seus componentes, impõe também o tormento em suas ilusões que por tal ação otimiza o verdadeiro caráter da arte após o despertar de sua ludibriada vítima.  

Movido pelas concessões de reais experiências subconscientes, o mero membro que compõe a essência e os predicados da unidade da Natureza percebe que o sobre natural existe e se revela através de um fenômeno natural (o sonho pelo qual a Natureza se revela) e que por isso perde suas características de "super" e toma forma cognoscível.

Essa noção que comprova o sobre natural inserido no natural nos dá a liberdade de divagar, de investigar, de divagar e de permanecer a investigar o "todo",  todavia, causa também em corações mansos a revelação, o efeito apocalíptico de que o refúgio está apenas na própria habilidade de distinguir o prazer da dor, o rancor do amor, a luz das trevas, pois em tal conceito o termo "certo" bem como o termo "errado" está apenas para aqueles que ainda estão sob a venda dessa enganosa Natureza.

Então meu bem, não culpe essa necessária bebida narcotizante que qualifica a sátira do sábio, pois não há mácula, há apenas desejo, muito desejo, há apenas vaidade, há muita verdade.