segunda-feira, 14 de abril de 2014

Aero Mulher


Caiu a par, eu mato a ímpar, mas caiu a par e não adianta dizer que foi por culpa do taco, dizer que ele espirrou, de fato espirrou, já nem me lembro mais se mato as azuis ou as amarelas, pouco importa as cores agora, joga o jogo que tá tudo certo, mas antes, desce outro Campari, ora, não há aqui quem repare nesse jogo, nem nós estamos reparando, na verdade não passa de uma boa justificativa pra falarmos daquela boca sorridente que jamais beijei, pra divagarmos sobre os verdes olhos que voam por esse céu azul, olhos que maquinam o mal a cada capital, a cada pouso, até mesmo na hora do repouso. 

Receio que essas tantas e sucessivas tacadas erradas sejam intervenções da magia que se ativa durante a pronúncia do nome dela, uma mágica do mal mais forte que o voodoo do bem, se é que existe voodoo do bem, bem sei que pra ganhar esse amor a mandinga tem que ser da boa, não haveria água ardente, pimenta e arruda suficiente, até nas mãos que bateriam o tambor faltaria fulgor, mesmo que houvesse as melhores especiarias ainda assim muito faltaria, sendo assim, assim como esse jogo de bilhar, o importante não é ganhar, joga o jogo e vamos lá.


segunda-feira, 7 de abril de 2014

Futebol no Salão


 A uma lisa quadra de concreto com duas balizas deram o nome de salão, nesse salão é praticado um tipo de futebol reduzido, reduzido em número de atletas, reduzido na extensão do campo de jogo e no tamanho das traves, ao pensar em salão, pensa-se em um ambiente espaçoso de teto alto, bem ventilado e capaz de comportar algumas centenas de pessoas que se reúnem ali para diversos fins em comum, ao pensar na diversidade de atividades que podem ser desenvolvidas em uma sala grande, em um salão, certamente as atividades de cunho artístico serão as mais consideradas. Em um salão vazio é possível visualizar pessoas entretidas com a cênica trilha brasileira que leva a dança e ao canto conjunto, vê-se ali olhos embriagados e brindes espalhafatosos, surge então a idéia de levar o futebol pra esse ambiente, admito no entanto que não me atentei em buscar elementos acerca da origem do futsal e nem tampouco buscarei tais informações, ficarei com essa teoria fantasiada, certamente se essa teoria fantasiosa fosse verdadeira o futsal teria um número maior de adeptos, as quadra seriam circundadas por arquibancadas estruturadas com mesas e com espaço para o livre trânsito de garçons, cada degrau das arquibancadas  funcionaria como pisos ou estágios de um bar, a quadra de jogo seria literalmente um palco visualizado de cima para baixo onde a bola por muitas vezes derrubaria as bebidas das mesas dando graça maior ao espetáculo, a tensão dos atletas em meio ao prélio da partida seria lenida pelas canções tocadas pelos grupos musicais presentes em um palco superior acima do gol, onde os músicos seriam protegidos por uma tela de modo que a música não fosse interrompida mantendo assim o ambiente sempre harmônico.

 É bom destacar contudo que esse ambiente perderia o seu sentido sem bons jogadores do futsal de rua, o ingrediente principal desse ambiente primoroso seria o espetáculo dado pelos atletas amadores e amantes do futsal, no futsal amador surgem manobras, lances, improvisos, rusgas e polêmicas possíveis apenas dentro dessa conjuntura cultural, as brigas e vaidades dentro de quadra fogem do padrão profissional e portanto gozam de verdadeira essência dando assim vida ao drama vivido nos quarenta minutos de bola rolando.

O exibicionismo alegórico dos atletas  encheriam os olhos dos expectadores, não somente pela estética mas sim com principal objetivo de abreviar o caminho do gol.

Na quadra o coro come enquanto a gafieira come solta nos habilidosos pés fora de quadra, os habilidosos pés dentro de quadra condecoram musas com gols enquanto essas mesmas musas cantadas no palco superior agraciam os presentes com enorme gracejo.

Mudar o nome do esporte mais praticado no Brasil foi um erro.

Futsal para os mansos, mas aos folgados malandros de fino trato, Futebol de Salão.


quarta-feira, 2 de abril de 2014

Inútil magia.


Considerem um eunuco cujo suas experiências profissionais são provenientes de barracões de escola de samba e suítes luxuosas de cruzeiros de primeira classe, se trata de um mordomo de fino trato que passou a fase adolescente em rigoroso treinamento, estudando idiomas, bons modos no atendimento, treinado na arte de servir, se trata de um fino artista que conquistou fama e reconhecimento ao abortar a função de serviçal e assumir o enrustido papel de artista, um sensível artista nato que concedeu aos amantes da arte incríveis obras plásticas, um criador de fantásticas alegorias e fantasias.

Poderia este mencionado eunuco com apenas 29 anos, com seu frágil-alto e leve corpo de 49 quilos ser nomeado ministro da defesa? Poderia esse singelo artista liderar o exército russo? Poderia esse nobre rapaz que jamais matou uma mosca assumir frias decisões? Orquestrar genocídios? Certamente não, nitidamente esse admirável carnavalesco não dispõe das qualidades necessárias para a barbárie, o grandioso poder que emana desse artista é inútil para os propósitos de guerra.

Seria como edificar uma casa sobre dunas de areia, em dias de tempestade tal edificação ruiria, seria como preparar um sexagenário com osteoporose pro campeonato mundial de muay thay e condenar seus ossos de vidro ao espatifamento.

Todavia, se o poder de decisão em nomear o ministro da guerra da extinta união soviética estivesse nas mãos dos comandantes da Sociedade Esportiva Palmeiras,  esse cenário hipotético mencionado  acima não seria um absurdo, nomear uma "bixinha" (com o perdão do uso do termo) seria algo bem possível para os ufanista da herança italiana, Tirone, Paulo Nobre e porque não mencionar também Eu, Ronaldo Correia, encontraríamos argumentos por não enxergarmos os fatos, pois assim como diz o famoso clichê, onde os fatos são ignorados os argumentos reinam, o que significa que certamente encontraríamos bons argumentos (embora vazios) pra justificar vergonhosa decisão.

Por se tratar de uma crônica direcionada, não haverá a necessidade de revelar o sentido dessa metáfora, mas pra não deixar tão vazio caso um dos destinatários tenha dificuldade em assimilar essa DIRETA, finalizo com o seguinte provérbio:

A força de um exército é o reflexo de seu comandante, já as conquista e a fama de um exército depende dos fatos construídos por seu Rambo (camisa 10), pois a metralhadora que trará a vitória depende do bom condicionamento, habilidade e desempenho do dedo que puxará o gatilho.