quarta-feira, 29 de julho de 2009

O estranho reconhecimento


Dizem que os bêbados são verdadeiros em suas palavras, um determinado rival, um certo adversário, compartilhava de um mesmo ambiente festivo que eu, estávamos bebendo na mesma mesa e nesse dia ele ofendeu-me agressivamente por questões que não vêm ao caso, e curiosamente nesse dia, mesmo ele se opondo a mim, o "miserável" fez questão de enumerar e dar destaque ao meu talento com jogador de futebol, no meu blog nunca mencionei as minhas aptidões como boleiro, talento atípico que desenvolvi com duros treinamentos ministrado pelo meu irmão mais velho, porém esse recente episódio que envolveu esse bêbado revoltado obrigou-me a verbalizar de modo mais apropriado as palavras de louvor que ele atribuiu as minhas característcas nos gramados e nas quadras, segue portanto de modo mais retórico o que esse belo homem me disse:

"Correia Bluesman dispõe de uma técnica apurada, ele soma sutileza com agressividade, é detentor de uma elegância similar a de Ademir da guia. Tem a serenidade e a astúcia de um zagueiro sacana, malandro, seguro e convicto com a bola no chão, dribles curtos, lentos e desconcertantes. Regula e tranquiliza a saída de bola. A sua cadência envolvente desmancha o marcador. Não é um artilheiro, mas o seu arremate é venenoso. Zidane, Alex dentre outros são tão engenhosos e de fino trato quanto ele, decisivo com suas cortantes estratégias e ligeiras catimbas, um volúpio mago da bola".

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Eu amo esse camarada

video

Que todos me perdoem e podem me considerar um blasfemo por referir-me a Ele, a Buddy Guy, o melhor guitarrista dos universos paralelos.

Homem de guitarra preponderante e arrogante, virtuosismo incalculável, há eternidade na sustentação de seus bends, tênue, explosivo na progressão mentirosamente ascendente que decai em sentimento verbalizado na sua preta de bolinhas. um guitar player que ensina a essência do ser amante no palco que o revela, que mostra e se mostra, um monstro, devora o tempo em ação; ação de um vocal tenebroso, esse cabra é bom, cabra da peste, misericordioso e fraterno para com seu público, Buddy Generoso. Pilantra, tem sempre uma carta na manga, confiem em Buddy Guy.

No show chega e não tem hora pra parar, se lhe recair a palavra e lhe sobrevir o clamor, ele lá estará entoando o lamento, estará vibrando, ecoa a comemoração sem saber que o fim está próximo, Buddy não é cronológico, ouve o ruído do relógio de areia e o observa.

Aparição impactante, aparições impactantes, é necessário ser político e respeitar as palavras que saem de sua guitarra, pois se elas caírem no esquecimento e forem desrespeitadas com palavras torpes, Buddy Guy aparecerá como um ladrão da noite e surpreenderá a todos, aparecerá diante da black sweety little angel acompanhada de seu demônio.

Buddy Guy eu vi, o xero viu o seu cheiro, Buddy we love you.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

A big-legged woman ain't got no soul.

Misericordiosa, piedosa, move-se para os seus não moverem-se a perdição.

Invado seu castelo inesperadamente, ela manda-me subir, é como se estivesse no vale das bruxas, um vale arejado onde o vento não sopra, lá não encontro os meus bens esquecidos.

Ela é a luz para os bonzinhos, ela condiciona-se a fofura do menininho.

É a senhora maldade, alimenta a escuridão que não me pertence, pelo menos não deveria ser direcionada a mim.

É a senhora luz, leva luz a quem precisa.

Amaldiçoa os que desafiam o perigo, suas maldições refletem em si, os vilões que duelam com o mal e contra os maus rebatem os encantos da principiante bruxa.

Uma bela bruxa, imperou com várias cores de cabelo, detém certo desequilíbrio mental que deteriora o meio ambiente, perfeita em cálculos, é cénica, não é cínica, no executivo pode ser prefeita, ou uma perfeita presidenta, mas isso, só no futuro quando desvincular-se do desgoverno temperamental, afinal os grandes chefes estatais são brandos, eles machucam em tom tênue, palavras torpes e chulas aparecem em tom figurativo nunca em sinal de nervosismo.

Ela não tem alma, ela tem pernas, que pernas meu Deus!

Afugenta-se na estupidez alheia, bem próxima de seu travesseiro.

Moça delgada em seus desvios imprecisos e talvez desnecessários, afinal isso sim é vencer a luta vã.

Tenham-na como campeã, pois a força de sua respiração é a justificativa dessas eternas referências, essa mulé incita a questão do "eterno ou o não dá", pois os caracteres que justificam o "não dá" são solúveis, já os componentes que contribuem para "o eterno" são rígidos.
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Não fujo dessa maga mística do Piauí, desconheço a covardia, não esquivo-me dessa boa moça, pois sei do bem que faço e do mal que ela me faz, mas como estou do lado do mal posso fazer um bem para essa que está má e que é má, meu bem.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Caminhos de uma motocicleta sem setas.

O sistema está em constante variação, a incapacidade de prever declínios e contratempos futuros sugere que se tenha sempre uma carta na manga, ter um plano B, afinal, as oscilações humanas contribuem para o desandamento de planos e projetos, se há tempo hábil para retificar os erros cometidos no desenvolvimento de tais intentos, corra contra o tempo para honrar com os compromissos assumidos, considerando isso e sapiente do caótico trânsito de São Paulo uma motocicleta seria de grande utilidade por sua mobilidade e rapidez, e foi a rapidez de uma motocicleta sem setas que possibilitou que reparássemos dentro de um intervalo curto de tempo os danos causados nos atuais empreendimentos.

Por rodovias, avenidas, ruas, vielas e até mesmo em becos sem saída, encontramos destroços passionais, vimos o refugo do desconsolo, deparamos com a consolação etílica, novas faces, umas de fácil entendimento, outras de face difícil, projetamos os impasses do viver de modo ativo, a cada face visitada um encontro diferente, bons e maus, na rua da tristeza derrapamos na felicidade da feliz, na radiante avenida iluminada colidimos com a amargura da indecisa, fomos alcançados e ultrapassados pela destreza das estradeiras de plantão e assim mantivemos velocidade equivalente, nos becos éramos acuados pela obscuridade, mas o farol aceso revelava que aquela escuridão era falsa e assim prosseguíamos rumo ao alvo, assimilávamos cada caminho, cada endereço, o mapa dos algures estava anexado na mente, muitos foram os pontos de referência, no fim dessa rota houve um ligeiro ar de hipnose promovido pela arquitetura vegetariana, a flora manifesta nas paredes conduzia olhares, a ilusória hostilidade fora justificada por timidez e mesmo inadepto aos místicos ares que rondava aquele cerco, fui enganado pelo sorriso maligno, esse sorriso driblou as tropas de defesa, confundiu as sentinelas da madrugada, habilmente infiltrou-se em minha fortaleza e de modo solene aplicou o golpe de misericórdia no imponente Rei, foi um impiedoso xeque mate, esse sorriso extinguiu com o aparato do nobre rei e saiu vitorioso desse duelo desleal, no final desse "genjutsu" prossegui para o próximo endereço sangrando a face, assimilando a sujeição anterior causada pela menina das meninas.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Eu a chamo de menina


O baterista da "Traditional Jazz Band" fez uma referência ao jazz perfeitamente cabível dizendo que 98% das letras jazzeiras dispõem de palavras como "baby", "darling" e "women", essa é a prova de que um jazzeiro é intensamente linkado e viciado na figura "mulher" (De fato os jazzeiros são viciados nelas).

Uma amiga disse-me que as grandes composições poéticas e as grandiosas canções são referências à mulher, é a prova da causa e efeito que as mulheres submetem os homens, isso no blues pode ser posto num sentido literal (verdadeiramente um bluesman não pensa em nada que não vá levar à elas).

Um amigo meu artista plástico, autor, ator, figurinista, não conhecia grandes nomes do blues, em função disso eu o apresentei grandes músicos como Robert Johnson, Muddy Waters, Sonny Boy Williamson, Jonh Lee Hoocker, Son House dentre outros mestres, em uma semana ele disse-me: "Meu caro, afaste-me disso que você chama de blues ou eu irei me tornar um verdadeiro heterossexual, amante incondicional do ser feminino, que letras maravilhosas e extremamente - surpreendentemente bem feitas em sua construção, quisera eu entender o poder que essas mulheres exercem sobre vocês homens do blues, definitivamente tenho que creditar à elas o mérito dessas maravilhosas composições".

Eu compus um blues para uma moça e essa canção está em plena difusão no nosso meio, e esses conceitos me veio à memória por ter me encontrado com ela ontem e entender através de seus olhos os porquês que me inspiraram a criar essa grandiosa música, entendi o poder que uma moça especial pode causar no lado artísitco de um jazzeiro, conforme é dito no meio dos diplomatas do blues: "precisamos delas em nossas canções", por mais que as letras agreguem valores políticos ou manifestantes, saibam que sempre há uma mulher por trás que move a revolução do compositor do blues.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Criança vingativa

A artéria pulsante proclama o desejo, um desejo que jamais existiu, foi apenas um gesto de vingança infantil, brincadeiras indevidas.

Não busque a desforra através de um ser alheio aos seus desvarios, busque sim naquele que te entortou, vingue-se sim, mas não vitime o inocente em troca de satisfação vingativa, afinal no final tudo volta a ser como era, mesmo com a vingança instituída a insolência passiva é retomada e maquiada pela inexplicável obsessão mútua de ambos personagens, personagens compostos por igualdades, eles são iguais em seus vergonhosos desejos implícitos, eles gritam internamente e mostram-se incapazes de se desprenderem pela eminente compatibilidade, magoam-se desnecessariamente pois a quentura da paixão resfria-se pelos ventos novos que sopram em seus novos e curiosos semblantes, em sumo crescimento deslumbram-se e machucam petulantemente os seus verdadeiros parceiros, escondem, mas, mostram que o amor está alí revelado na tolerância dos pecados cometidos entre si, sempre se perdoando em respeito à bela infância vivida juntos, carregada de risos e configurada por desrepeito que é humanamente compreensível e naturalmente condenado, o valor de tudo isso está na liberdade arbitrária que é judicial e divinamente lícita, então para nós que estamos de fora eles nos dizem "malmequer", eles se aquecem nesse inverno e que tudo mais vá para o inferno, principalmente aquele que fora vítima dessa linda vingança urbana.