terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Eu tenho o verde!

O Alviverde imponente surgiu dia 26 de agosto de 1914, é reconhecido por todos rivais como um clube de fino trato, goza de encanto único não encontrado em outras academias, tenham a seleção brasileira como exemplo para entenderem o charme que cerca o escudo palestrino ostentado pelos maiores craques que o futebol já concedeu, em todos os cantos do planeta o Brasil é visto como a maior potência do futebol, fábrica de atletas genuínos de maestria ímpar, quando os rivais do futebol deparam-se diante da amarelinha o tremor e o temor tomam conta de seus corações, caso semelhante ocorre quando um Palmeirense ultraja seu manto verde nas ruas brasileiras, é incrível o rumor que é causado nos opositores, é a única camisa que ofende através de sua inexplicável plenitude, quem já vestiu sabe o que estou dizendo, quem nunca vestiu e viu, também sabe do que estou falando, não é em vão que o Verdão foi o único clube no mundo que conseguiu reunir em sua volta milhões de torcedores alviverdes, alvinegros, alvirrubros, tricolores e etc, foi a compensação pela perda do título mundial em pleno maracanã da seleção brasileira para o Uruguai, onde no ano seguinte o Palmeiras venceria a seleção uruguaia para a alegria do povo brasileiro que chorara no ano anterior, o único que vestiu a camisa da seleção brasileira de modo supremo, o maior clube expresso na maior seleção.

A partir daqui, iremos tratar a Sociedade Esportiva Palmeiras não como uma instituição esportiva anônima e sim com um ser animado, detentor de corpo, alma, espírito e vontades próprias, não vamos pô-la na condição de humano, iremos conotá-lo como uma entidade suprema possuidora de poderes únicos.

Vejam, o Palmeiras conhecido também por Palestra Itália é um ser provido de grandes aptidões, louvado pela sua determinação e grandes glórias, a beleza do Palmeiras transcende os padrões convencionais estéticos do meio que o cerca, seu grande concorrente dispõe de popularidade em massa e é essa a fonte da graça de tal rival, seu outro grande rival é reconhecido por dispor de caracteres sublimes dentro das tendências o que lhe conduz a grandes conquistas, são três grandes seres que formam o trio de ferro paulista, todavia, dou destaque ao Palmeiras positiva e negativamente, pois as condições que só ele dispõe poderia pô-lo no topo dessa guerra, contudo de modo inexplicável ele divide as conquistas com seus rivais, mas vale destacar que nos últimos anos o Palmeiras não tem sido feliz diante de seus adversários, assim portanto, cultivo a incompreensão acerca dos tropeços do grande Alviverde Imponente, serei sintético na descrição de minha visão, o primeiro título que vi o palmeiras conquistar com percepção de torcedor lúcido foi o tri campeonato brasileiro em 1993, feliz pela conquista porém sem a comoção ideal por não ter suficiente maturidade, sobretudo por ainda não ter desenvolvido rivalidade com os antagonistas, o último grande título que vi o Palmeiras ganhar foi a Taça Libertadores de 1999, foi um deleite único, naquele ano a crítica colocara o Palmeiras como um time imbatível em todos os cantos do mundo, é incrível a força magnética produzida quando o Palmeiras traz a tona seu poder e o nível de empolgação que contagia os verdadeiros amantes do futebol, isso não é visto nas conquistas dos nossos opositores, contudo excepcionalmente no meu caso que sou um jovem Palmeirense, venho sofrendo desde 1999 com a estranha oscilação do grandioso Palmeiras, desde então o Palmeiras apenas assistiu de camarote os triunfos de seus concorrentes, eu diria, grandes triunfos, e isso muito me aborrece, afinal se trata de dez anos na fila, em dez anos muita coisa acontece, o mundo está em plena evolução e em suma decomposição ambiental, é um castigo aos Palmeirenses passar tanto tempo sem se alegrar com seu time, é difícil de entender como o Palmeiras o nosso amado Porco permite que os vermes roubem as pérolas que lhe são jogadas, os anos se passando, as glórias ficando para trás e mesmo assim o conformismo se faz presente, isso não é algo que condiz com um ser de incrível talento, é como ver um prodígio renunciar ao seu talento por falta de cultivo, o nosso grandioso Palmeiras tem se comportado feito a Portuguesa, com práticas torpes se contentando com o pouco, temendo dar grandes passos e se esquecendo de seu verdadeiro potencial, concedendo seu valioso amor à clubes de baixa patente, participando de copinhas ao lado de Arapiracas e recusando-se a participar de competições supremas ao lado de Reais de reconhecimento internacional.

Assim pois então, rogo aos verdadeiros Palmeirenses que manifestem-se de alguma maneira para o despertar do nosso grandioso Palestra, logo mais estarei morto e deixarei meu legado aos meus herdeiros de sangue e parceiros, o Palmeiras por ser um ser imortal sempre estará convosco, que ele surja novamente para que eu também possa contemplar a mística do futebol que só ele consegue conferir, meus caros Palmeirenses, não se aborreçam comigo por essa manifestação clara e autêntica desprovida do romantismo proveniente de fanatismo banal, sou Palmeirense de coração amante do futebol, portanto rogo novamente aos Palmeirenses que se acham atilados a entrarem nessa missão de vivificar o maior clube de futebol que o futebol já criou.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Corrente alternada / Corrente contínua

O cansaço e a tristeza podem durar pela manhã e por uma tarde inteira, mas a alegria vem pela noite quando AC/DC entra no palco.

Aproximadamente três meses atrás foi confirmada a integração do Brasil na Black Ice tour, notícia que inflou os ânimos dos fãs de AC/DC por toda América do sul, a partir de então, fãs ansiavam pela divulgação da data do show e da abertura das bilheterias, a venda dos ingressos para o tão sonhado show iniciou-se no dia primeiro de outubro, dia em que se esgotaram todos os ingressos, ingressos disputados com unhas e dentes, aos que conseguiram assegurar ingressos para o show ficou a angustiante espera pelo dia vinte e sete de novembro, aos que não conseguiram ficou a frustração e a tristeza por tamanha perda.

Cariocas, mineiros, pernambucanos, curitibanos, gente de todo Brasil e alguns amigos do MERCOSUL, partiram na véspera desse grandioso evento que contemplaria uma das maiores banda de rock and roll de todos os tempos, partiram rumo ao Panetone mais famoso de São Paulo onde seria realizado esse show histórico na maior metrópole da América do sul.

A mística de prestigiar o Power trio composto por Malcolm Young, Cliff Williams, Phil Rudd e contemplar a double trouble, Angus Young e Brian Johnson consumia e guiava a gigantesca fila de espera para o show, AC/DC reúne fãs com facetas incomuns, em sua maioria verdadeiros amantes da música, nessa árdua agradável longa espera ocorreu episódios dignos da peculiaridade da situação, curitibanos dizendo que o coxa é o maior time do Brasil com alegações ilógicas e nada convincentes, gaúchos gremistas e colorados debatendo com saopaulinos em seu pleno lar quem é o time mais simpático do Brasil, cariocas apreciando o saboroso cachorro quente paulistano, pernambucanos vítimas de escárnio público por não disporem de ultraje “ao rigor do show”, havia até um polonês que chorava em alemão a morte de seu lindo cão, argentinas de linguajar castelhano que sorriam-me em português, cristo também fazia-se presente nessa maratona de espera abençoando os presentes com sua simpatia, o impacto do vai e vem dos fura filas e da necessidade de álcool gelado para se abastecer nessa dura disputa por um lugar privilegiado nas lindas gramas do Morumbi fizeram-me perder minha harmônica preferida, considerem uma perda coletiva, pois através dela seria entoado o ruído do trem de “Rock n' Roll Train”, em suma, por mais dura que tenha sido essa disputa, todos saíram ganhando, pois o show começou ainda na fila através do espetáculo dos diversos personagens presentes, dou destaque a um segurança astuto que enriqueceu-se de modo corrupto ao vender lugares na fila e por sua falta de profissionalismo em causar risos na multidão com piadas desconcertantes e espírito sagaz.

Finalmente abrirão os portões, o brado da galera era ensurdecedor, a equipe de apoio juntamente com a polícia militar perturbava-se ao tentar controlar o descontrole eufórico da multidão, em poucos minutos o panetone estava cheio de amantes de verdadeiro rock and roll (sem querer ofender a RadioHead company), as arquibancadas completamente preenchidas e a imensidão do campo tomada por um público brasileiro digno de aplauso, definitivamente somos a melhor platéia do planeta, restavam apenas quatro horas para o início do grandioso show, nesse curto intervalo de tempo, o céu brasileiro prestou uma nobre homenagem ao público que fora castigado pelo fervoroso sol, ele mandou uma chuva sonora que cadenciava o público que esperava por AC/DC, para amenizar a ansiedade que assolava os expectadores inclusive eu, organizei um campeonato brasileiro de truco, reuni mineiros, paranaenses, cariocas, gaúchos e paulistas para matarem o tempo jogando baralho numa bela confraternização, foi uma medida feliz, pois a saudável rivalidade que criei distante de sintomas chauvinistas distraiu a imensa galera que estava comigo, definitivamente estava armado um perfeito cenário de espera pelos virtuosos velhinhos australianos do AC/DC, tão perfeito que essa jogatina interestadual era trilhada pelo maior guitarrista que a música já produziu, a produção do evento foi extremamente feliz ao fazer-nos esperar por esse grande show ouvindo Buddy Guy, entretanto, havia uma galera de gaúchos que estavam atrás da roda onde acontecia o campeonato de truco, esses gaúchos blasfemavam contra o nome de Buddy Guy, instantaneamente larguei minhas cartas e fui repreendê-los:

- Hello, de que lugar do Brasil os senhores são?

- Somos de Porto Alegre! (Disse um gaúcho com pinta de galã).

- Prazer em conhecê-los, sejam bem-vindos à São Paulo, terra de todos!

- Obrigado! (o coro de três vozes, dois homens e uma linda loura mulher).

Contudo esses três gaúchos tinham em sua companhia uma maravilhosa morena com olhar de fogo, notei que essa moça que estava no clã dos sulistas observava-me atentamente com ligeira cobiça, observei isso e disse:

- Quando vocês voltam para o sul?

- Iremos sábado às 18h. (Disse o outro gaúcho).

- Oh! É uma pena, domingo agora haverá um grande evento de curadoria da Telefônica, (Telefônica Open Jazz) esse festival que será realizado no parque da independência, trará Dianne Reeves uma excepcional cantora de jazz contemporâneo, trará também Buddy Guy, o maior guitarrista que a música já produziu, palavras de Angus Young, guitarrista da nossa amada banda AC/DC.

- Infelizmente não poderemos, o nosso vôo já está agendado para sábado. (estava nítido o lamento nas palavras da linda gaúcha).

Logo em seguida aquela morena que até então apenas observava-me com um lindo sorriso insinuante disse:

- Qual é o seu nome?

- Meu nome é Ronaldo, embora eu prefira que me chamem de Correia, pois meu nome fatalmente foi banalizado pelos alienados amantes de Pânico na TV.

-Te compreendo, prazer em conhecê-lo Correia, meu nome é Bruna! (apertou minha mão acintosamente fisgando-me com a ilusão de sua poderosa técnica ocular).

- Prazer em conhecê-la Bruna, a senhorita me permite repreendê-la?

- Fique a vontade!

- Esse guitarrista que irá se apresentar no Ipiranga no evento da Telefônica é o mesmo guitarrista que você está ouvindo agora, é o mesmo guitarrista que tu desdenhaste agora pouco!

- Não me entenda mal Correia, porém eu não considero esse momento propício para se ouvir blues!

- Você gosta de blues?

- Não muito!

- Oh Baby! Saiba que AC/DC junto com Led Zeppelin são bandas essencialmente blues.

- Não vamos entrar nesses méritos, você mostrou-se bastante simpático, fale mais de você, de onde você é?

- Eu sou natural do estado do Piauí, vim pra são Paulo com três anos de idade, e você de onde é?

- Sou daqui de São Paulo mesmo.

- Logo vi que você não era gaúcha, o seu olhar comunicava-se comigo em dialeto paulista.

- Nossa! Então rapaz, quanto a esse show que acontecerá no parque da independência eu pretendo participar, vamos manter um contato para vermos esse show juntos, assim, no dia desse show você poderá me falar melhor sobre o meu olhar paulista pois falta poucos minutos para começar o show e por mais que eu queira continuar conversando contigo, suponho que o show será mais interessante.

- Sim baby, agora pois irei entrar no clima do show, antes que ele termine pegarei seu telefone para mantermos o contato, o meu celular está na mochila daquele garoto alto de olhos verdes e não estou em condições de decorar seu telefone pelas altas doses de Green Label que ingeri.

- Ok Correia! Espero que me perdoe pelas palavras mal proferidas, não tinha a intenção de blasfemar contra o maior guitarrista do mundo.

- Ganhaste o seu perdão no instante em que olhaste pra mim com enorme graciosidade, sinta-se exclusiva por dispor dessa poderosa arma de sedução.

- Obrigada!

O silêncio instaurou-se no momento em que eu e a maravilhosa bruna conversávamos, enquanto estávamos em perfeita harmonia meu irmão Renato interrompeu-me para dar-me uma antártica sub-zero, no ato dessa interrupção a música de Buddy Guy cessou e as luzes se apagaram, era o anúncio do início do show, nesse instante o brado dos presentes ecoavam por todas as dimensões do universo, posicionei-me para contemplar a fina flor do Rock n’ Roll, quando finalmente o show começou com a animação no telão, a loira linda gaúcha aproximou-se de mim, apoiou-se por detrás do meu ombro com o queixo encostado no meu trapézio e disse abraçando-me por trás:

- Posso assistir o show aqui contigo, juntinhos?

Olhei paro o palco, na sequência olhei para as luzes do palco refletidas nos olhos da bela loira e atendi o gentil pedido, afinal se tratava de uma representante exemplar da nobreza feminina, os olhos dela estavam na mesma altura dos meus, moça alta para os padrões femininos, seus cabelos molhados pela chuva liberavam um aroma fascinante, pensei rapidamente em ceder a linda bruna para meu irmão Renato, todavia, o primeiro acorde de Angus Young derrubou todos que estavam no Morumbi, o frenesi tragou a sanidade de todos presentes, a voracidade do público da pista era tamanha que imediatamente me aproximei do meu irmão para não perdê-lo de vista, estava ciente de que se me afastasse dele não iria encontrá-lo facilmente no meio daquela loucura, quando olhei pra trás a loira e a morena que disputavam-me já não estavam ao alcance de minha vista, fato que não me perturbou, pois estávamos submergidos na tenebrosa força emanada pelo supremo rock ACDICIANO, sentimos na alma a força da corrente alternada e contínua proveniente do vocal de Brian e das baquetas de Phil Rudd, após a quinta música “Dirty Deed’s” eu vi o quão privilegiado eram todos os que testemunhavam esse espetáculo singular, um verdadeiro tributo ao rock, à música e um prêmio impagável aos que pagaram pelo ingresso, essa súbita percepção obrigou-me agradecer ao meu irmão que presenteou-me com esse ingresso, um show enérgico de força sobrenatural capaz de mover o céu e o inferno, o meu gesto de gratidão não foi com palavras, foi com uma ação prática, coloquei-o em meu ombro para melhor visualização do palco, colocava-o em meu ombro quando a banda tocava suas músicas preferidas, não estava em condições físicas para tanto em razão do cansaço adquirido na dura maratona para show, mas utilizei da força que restava em meus mocotós para fazer esse gesto de gratidão, o show progredia com violenta intensidade de comoção, uma comoção mútua entre banda e público, tal evolução castigou o público com o excepcional desfecho, nos deram o duro castigo de saber que esse foi o último show da banda no Brasil e de que a banda está à beira da aposentadoria, uma verdadeira penitência aos fãs que fatalmente viram um glorioso show acabar.

Não obstante a essa célebre experiência de ver AC/DC na sexta-feira, teria também Buddy Guy no domingo, um sério risco de lesão emocional para um amante do Blues, mesmo ciente do perigo que seria o show do mestre Buddy, me atrevi a vê-lo, ouvi-lo, mesmo ainda me recuperando da contusão na alma adquirida na sexta-feira, fui novamente ferido ao presenciar o último brado e sorriso de Buddy Guy no Parque da independência, ele com sua guitarra estendida proclamou a libertação das vinte e cinco mil pessoas que lhe cultuavam nos gramados às margens plácidas do Ipiranga.

Eu Estava ferido de modo mortal, com poucas chances de recuperação, com isso fui em busca da cura perfeita, busquei refúgio na minha harmônica, mesmo medicado por ela ainda permanecia doente pela surra aplicada pelos arranjos talhantes de Malcolm Young e Cliff Williams, detonado pelas fábulas manifestas nos solos de Angus Young e arruinado pela supremacia de Buddy Guy, já sem esperança de recuperar-me por completo surgiu inesperadamente a cura para o meu mal, o alívio sobreveio-me quando ainda estava no Ipiranga, encontrei a cura para minha enfermidade nos movimentos pré-fabricados de uma moça de charme espontâneo, ela notou minha dor e curou-me, utilizou de sua misericórdia e concedeu-me um medicamento natural, para minha sorte a naturalidade do magnetismo atrativo daquela sublime jovem trouxe de volta minha lucidez, já curado e lúcido pude sentir a franqueza de seu semblante envolvente, confirmei a espontaneidade da paz transmitida por essa amável “paraense”, portanto, já que não pude pagar por esse tratamento, irei dedicar o meu blues-carimbó (Boneca de Olinda) à senhorita Sena que amistosamente me guiou ao entendimento da força de AC/DC e ao poder de Buddy Guy, AMÉM!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Não há vencedor sem perdedor.

Hoje foi caracterizado o fracasso, a derrota, não absorvam a palavra fracasso no sentido pejorativo, mas sim na sua real definição, hoje, São Marcos do Palestra Itália sabiamente jogou a toalha e efetivou a perda do quinto título brasileiro, diz Camelo que, quem sempre quer vitória perde a glória de chorar, essa dita glória fica de consolo para os autênticos palestrinos, houve também um lendário personagem que também dedicou-se por um ano inteiro e não obteve a tão almejada vitória, ele ritmado por três surdos e um tamborim ensaiou o ano inteiro para ver sua cabrocha desfilar, ela prometeu-lhe um desfile exclusivo, mas quando finalmente chegou o carnaval, acreditem, ela não desfilou, pobre rapaz, chorou na avenida incrédulo, ele não pensou que a cabrocha que ele tanto amou lhe mentia, vitimado por promessas vãs, assim, o amor dele pela passista acabou junto com a ilusão, na triste quarta feira o rapaz voltou para o barracão cansado de ser glorificado pelo choro, revoltado com o samba vão que ele fez em louvor ao nome de sua passista, deitou-se em sua rede feita de retalhos de cetim e disse calado para si mesmo: “Atormentado pelo meu samba que é dela, ela nem, nem, amaldiçôo-te samba maldito, és alento para a multidão nas arquibancadas, mas és tormento à quem foi dedicado, mesclei-te com batuque recifense, mas esse tempero serviu apenas para arder os ouvidos dessa maldita cabrocha, irei te por em blues a fim de adequar-te”.

Houve também Mr. Clapton que abençoou o mundo com uma diversidade de boleros movido pela sua linda loura, ela porém foi expectadora de outros compositores, apreciando peças aborrecíveis distantes de seu esplendor expresso nas bossas de Clapton, Little Walter foi duramente derrotado quando lhe tiraram seu amplificador, Walter Jacobs é o mestre da harmônica detentor de um vocal vibrante, isso requer uma harmônica carregada de drive e vibrante bem como seu vocal, arrancar-lhe o amplificador foi como tirar-lhe a vida, entendam, intentos são traçados, projetos são desenhados, entretanto, não existe previsão de sucesso ou vitória, com isso digo: Vitória aos vencedores e derrota aos fracassados, a cerne de um Palmeirense jamais será idealizada por quaisquer outro amante do futebol que não seja essencialmente palmeirense, portanto meus bons palestrinos, tendem bom ânimo, estais na condição suprema inimaginável por alheios, fomos derrotados por vitoriosos, eles terão a glória que não podemos, parabenizem-nos de pé, o Alviverde com toda sua glória e tamanho verá um time menor feliz ao lado de sua grande conquista. Até a nossa próxima conquista então, até o próximo carnaval.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Canção em vão.

Os altivos guerreiros mitológicos avançavam com profunda antipatia em sentido a batalha dos deleites, eles moviam-se em velocidade sonora, contudo, como um trovão, a Senhora do tempo surgiu de fronte para esses guerreiros interrompendo a progressão dos mesmos, ela pousou num pico ponte agudo equipada de uma gigantesca espada, fitou-lhes e disse:

- A partir daqui apenas os mansos de coração irão prosseguir, os demais serão bem vindos em ficar por aqui esperando, é o fim da linha, quanto aos endinheirados e aos que renunciaram ao ego e a honraria de ter uma identidade gloriosa também estarão autorizados a prosseguirem, saibam portanto, límpidos, vocês que estão munidos de sua maior arma, o choro, o pranto, que estou lhes concedendo esse privilégio unicamente por entender que com essa poderosa arma vocês estarão aptos para atenderem os meus desejos e realizarem minhas vontades, quanto aos demais, dispenso suas oferendas, rejeito seus louvores manifestos por esses alaúdes vintages, saibam que se tentarem avançar não terei piedade em dizimá-los.

Dentre os sete guerreiros presentes, apenas um não atendia aos requisitos da Senhora do tempo, já os outros seis avançaram para o próximo estágio da guerra com a benção daquela guerreira divina, todavia, o único guerreiro que permaneceu sabia que os outros seis seriam facilmente derrotados no calor da batalha dos deleites, mas sabia também que se tentasse avançar aquela bela mulher iria derrotá-lo com um simples movimento, ele portanto, propôs à Senhora do tempo que lhe concedesse uma oportunidade de provar à ela que mesmo não atendendo os seus requisitos, poderia tentar cativá-la com uma última tentativa de louvor ao seu nome:

- Oh senhora do tempo, permita-me tributar a ti um último soneto? Dedicar-lhe a última canção?

- Permito pobre guerreiro, mas se tal canção não soar bem aos meus ouvidos irei reduzi-lo ao pó da terra!

- Pois bem, aceito o desafio, eu não posso chorar ou pedir por misericórdia numa batalha tão sangrenta, não posso perder minha identidade me submetendo a vontade dos lascivos carnais, estou prosseguindo rumo a um alvo, sendo assim, utilizarei da minha última arma para conquistar esse intento, sem temer a morte, saiba que no dia em que aqueles homens renunciaram a si mesmo para atenderem os requisitos impostos por ti, eles assinaram um passaporte para o inferno, caso eu falhe na minha canção também estarei no inferno, mas o inferno para o qual eu irei será após a morte e não durante a vida, pois não há nada pior do que ser vítima do inferno da ilusão.

- Acredite homem, não existe nada pior do que a morte real, eles estarão melhores de baixo de minhas concessões ilusórias, felizes e presos às minhas vontades, mas chega de conversa fiada, vamos guerreiro, comece a tocar! Cante para mim!

A fadiga e as feridas adquiridas nas batalhas antecedentes contribuíram para a profunda lástima expressiva na canção do “selvagem” guerreiro, cada nota expressa em seu alaúde desenhava as pedras que a senhora do tempo deixou em seu caminho, o longo e envolvente solo substituía as lágrimas jamais derramadas, a força de seu vocal etílico tragava o ar transformando-o em um brado carregado de feeling , por fim, todo o louvor sincero manifesto na canção que objetivava elucidar a senhora do tempo, foi finalizado com o encaixe de sua espada no abdômen do guerreiro enquanto ele ainda progredia para o refrão principal:

- Oh bendito guerreiro, me perdoe pela minha incapacidade de ouvir sua canção, não posso arriscar perder minha divindade em troca do cultivo dessa canção apaixonante, tenho objetivos maiores nessa guerra dos deleites, se eu permitisse que concluísse essa maravilhosa canção, certamente eu iria sucumbir diante de tamanho talento, renunciaria a minha divindade para ouvi-lo sempre que possível, portanto, irei ao encontro dos outros guerreiros para ajudá-los a vencer a batalha final, pois sem mim eles são incapazes, eles dependem do meu poder e eu dependo do choro e da submissão deles, sem eles não sei viver, aqueles belos guerreiros são o ar que eu respiro, agora pois, você já não me atrapalhará nesse guerra sangrenta – Dito isto, a senhora do tempo removeu sua espada do corpo do guerreiro, deitou-lhe cuidadosamente no chão ao lado de seu alaúde e partiu rumo ao seu objetivo de vencer a guerra ao lado daqueles frágeis combatentes.

A última canção do lendário guerreiro fora interrompida por um golpe impiedoso, tal guerreiro morreu em prol da ambição da senhora do tempo que o suprimiu até a morte para concretizar suas vontades, ela no entanto, venceu a guerra ritmada pelas notas do finado trovador que de modo afinado e terno gravou em seu coração as notas daquela última canção.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A veste venêrea.

Pronto para comemoração do vigésimo terceiro ano da senhorita Kimmi Yamamoto, o ponto de partida era um ponto de táxi situado num hotel na av. Oscar Porto, já dentro do táxi avistei através do retrovisor central um belo vestido prateado ultrajando uma robusta chinesa abrasileirada, ela desceu de seu carro para informar-se com o manobrista, nesse ato desci do táxi e fui auxiliá-la com meu “chinglês-aportugueisado”, ao me aproximar notei que na verdade era a bela Vanessa retirando os seus convites da confraternização para a qual eu me dirigia, da mesma maneira que eu não a reconheci por tamanho glamour, ela também não me reconheceu por ver meus sapatos reluzentes refletindo a minha longa barba, tal situação promoveu um encontro que a muito não ocorria, o taxímetro ficou ligado enquanto eu partia acompanhado da doce chinesa rumo ao local do evento situado numa travessa da Alameda Santos, nesse curto intervá-lo de distância pouco falei com a bela Vanessa, aquelas pernas grossas deixaram meus olhos ocupados e a boca inativa para verbalizar quaisquer pensamentos que não fossem referentes àquelas coxas bronzeadas. Já no local da festa, fomos recebidos por um curto vestido dourado que se projetava até as visões através de um pequeno corpo da fina beleza oriental, o brilho dos caracteres que ornavam aquele vestido prendia as belas moças que contemplavam essa esplendorosa veste, todavia, a diminuta proporção de tecido desse vestido permitia aos homens presentes que desvalorizassem o nobre trabalho do estilista para apreciarem o excelente trabalho do criador daquela bela japonesa, seu decote era demasiado sugestivo para perder para um simples pedaço de pano, com a sorte que me ocorreu, fiquei num ângulo privilegiado de fronte para as lindas moças que compunham esse evento, nelas vi e percebi o quão triste é para nós homens a correria da Grande São Paulo, essa correia contribui para que essas belas mulheres abstenham-se de ultrajar no cotidiano vestidos como aqueles que eu testemunhei naquela referida noite, vestidos que valorizam e realçam a sensualidade de tais moças, vejam, a correria das grandes metrópoles, por exemplo, metrô, trem, táxi, ônibus e até trechos a pé não colaboram para o conforto feminino, pois assim como dizia uma amiga estilista: "Vestidos sugerem sandálias ou salto alto, o que seria impraticável na correria do dia a dia", Portanto, cabe aos amantes da beleza feminina lamentarem e esperarem por ocasiões peculiares para contemplarem o efeito embelezador que o vestido causa, desse efeito decorre o desejo de querer despi-las, considerem assim o poder venêreo e irônico da veste que incita a despe.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Não force o tempo alheio.

Não cabe desenvolver leis que visam punir os que tentam roubar minha identidade, eles não roubam o meu show, roubam o meu nome, e até o sujam de modo banal, mas os perdôo, afinal eles deveriam escolher outro mais talentoso para se assemelharem ou copiar, entretanto, mesmo vos concedendo o meu perdão, não busquem em mim refúgio ou consolo, busca proveniente da falta de criatividade e sagacidade de espírito, tentem por si só se achegarem às minhas práticas, aos meus hábitos, mas se forem fazê-lo façam de modo nobre para que não confundam os maus interpretadores, por favor, poupem os meus jargões intimidadores, ao menos se privem de utilizarem meus decretos, é lúcido dizer que forçar o espírito é como encaixar um dromedário no fundo de uma agulha, a sanidade sugere a cada componente do organismo em funcionamento a ter a incumbência de desempenhar sua função adequada às suas características, poderia acaso um par de olhos inalar o aroma do campo? Ou os ouvidos saborearem um sorvete de baunilha recheado de granulado? Pois bem, não há mais razões para inibir a ação dos ínvidos, antes digo, deleitem-se no reflexo de um pobre bluesman analfabeto que carrega um fardo pesadíssimo revelado em sua face barbada, maculem-se naquele que se absteve de sua onipresença perseguidora, por ter perdido a fé e a coragem, afinal, este alforriou o tempo que não lhe fora concedido, permitindo assim que os privilegiados cultivem os seus méritos conquistados, em resumo, a verdade supostamente manifesta aqui diz que as grandes parcerias calham da afinidade que flui essencialmente, portanto, não tentem se encaixarem onde não são bem-vindos, pois a plenitude de um comprometimento ou pacto é algo que a razão dificilmente justificaria.

Sendo assim, eu na condição de Porco, provável penta campeão brasileiro de 2009, não me iludo mais com as pérolas que me são jogadas, afinal a avaliação do meu joalheiro diagnosticou que esses diamantes que me foram jogados na verdade não passam de bijuterias baratas, as verdadeiras jóias estão guardadas cuidadosamente para o lindo carrasco das doces madrugadas, portanto, para honrar o contrato social que assinei no dia em que minha mãe deu a luz, eu permito que os tolos permaneçam a me copiar e me retiro do caminho selvagem que leva ao frenesi e a conquista de sonhos, permanecerei na estrada da hipocrisia onde confronto-me com a dissolução do blues. É meu povo, the Blues follows me.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Bendita customização!


O rei do submundo, líder das potestades surgiu obscuramente radiante e afinou as cinco primeiras palhetas de minha harmônica, ele surgiu enquanto eu estava próximo ao tanque da lavanderia me preparando para banhar, isso, me banhar no tanque, relembrar a infância, enquanto eu jogava minhas roupas sujas dentro do rebolo invertido, esse senhor sobrenatural surgiu equipado de diminutas ferramentas afiadas, aproximou-se do rebolo e de seu interior pegou minha calça onde estava minha Marine Band e com ligeira destreza customizou minha harmônica em poucos segundos, ele disse-me:


- As cinco primeiras palhetas estão prontas para o seu brado no palco, toque como nunca para a nobre big mama.


- Ok, thank’s devil!


Ele sumiu.
Na seqüência, eu a inaugurei com, “I can’t be satisfied”.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Planeta azul, Planeta Blues.

Cortando a densidade do universo com minha máquina quente pilotando-a à centenas de quilômetros desviando de tempestades cósmicas que castigavam aquele trecho galático, avistei a alguns anos luz de distância um astro envolto por belos anéis, uma poeira rochosa enfeitava aquele diminuto planeta, dirigi minha nave em sentido àquela galáxia que detinha aquele curioso planeta ornamental e ao me aproximar desse astro não senti a presença de vida naquele lugar, mas nesse mesmo sistema que era governado por uma enorme estrela senti através de meus sensores a presença de vida num planeta azul, captei a sintonia e o ritmo dos habitantes e me teletransportei pra lá almejando explorá-lo, já nesse planeta senti a adaptação do meu corpo para inalar o gás natural que formava sua atmosfera, quis conhecer os anciões que gorvenavam aquele belo reino, eu estava num alto pico, fiz uma leitura ótica do raio de alcance da minha visão e tomei uma forma curiosa, era a transformação do meu corpo para a forma de humano, humano é o nome que os nativos desse referido planeta atribuem a sua espécie governante, do alto desse pico me teletransportei para o lugar mais quente e agitado desse mundo, a minha leitura ótica sugeriu-me que fosse ao Brasil, para lá fui, surgi de modo radiante num ambiente litorâneo onde haviam muitos da espécie humana, estava eu andando pelos trechos desse planeta, vi um enorme complexo com cinco homens em cima emitindo sons através de instrumentos estranhos, alguns emitiam seus sons através de cordas com amplificação sonora, outro através do sopro num pequeno aparelho, outros de modo mais rude através de cruas batidas em caixas circulares, meu sensor explicou-me esse fenômeno sonoro, traduziu essa prática terrestre como "música", essa progressão sonora era extremamente envolvente, agitava e conduzia uma grande multidão, no fim desse "show musical" projetei uma situação para interagir com aquele grupo de humanos que executavam aquele bendito som, percebi que para eu falar com eles e preservar minha verdadeira identidade eu deveria incorporar o próximo humano que fosse falar com eles, de tal modo assumi o formato de um "jornalista entrevistador" e me dirigi para o local desse encontro, no local dessa entrevista, num salão fechado repleto de câmeras de video eu era o próximo jornalista a falar com os líderes desse grupo musical que em seu idioma original são chamados de "banda", a pergunta que pretendia fazer seria para entender qual era a técnica utilizada para emitir aquelas harmoniosas frequências sonoras, queria levar esse fenômeno para meu planeta natal:

- Olá senhores, digam-me, o que move e qual é a técnica utilizada para a execução desse som maravilhoso? Essa frequência sonora que vocês manifestaram através desses instrumentos é extremamente marcante, envolvente, produz estranhos movimentos no corpo, gera uma inquietação nos órgãos internos, quero saber de onde vem esse poder, por favor, digam-me!

- Garoto, acalme-se, recupere seu fôlego, lhe ensinarei qual é a fonte da nossa inspiração, lhe direi de onde vem essa técnica, a origem dessa poderosa transmissão musical não é mérito nosso, não é mérito meu, toda expressão que testemunhaste naquele palco, todo feeling que sentiste nessa bela noite, os maravilhosos arranjos que contemplaste hoje são frutos da ação de uma mulher, são provenientes do efeito que essa doce moça me causou, é a interpretação e liberação do sentimento através da música, respeite esse conceito, guarde essas palavras que vos digo e você aprenderá a essência dessa citada frequência sonora.

- Obrigado pelo ensinamento senhor!

Eu sai daquela sala em busca dessa referida mulher, fui atrás dela para que ela me concedesse essa receita e me ensinasse sobre a música, fiz uma breve leitura da situação e meu sensor apontou a localização dessa moça, quando cheguei em seu lar bucólico e me deparei com a pureza de sua beleza compreendi as palavras daquele homem, aquele músico revelou-me a fonte de sua força, fui reduzido diante do olhar daquela moça, perdi minhas forças e não me atrevi, recuei e entendi que minha espécie não seria capaz de confrontar com a soberania daquela Mulher, teletransportei-me para minha nave e voltei ao meu planeta, quando eu atingir um nível de evolução equivalente irei ao encontro dessa mulher para aprender sobre ela e a música.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Maldito ontem!

A diminuta mesa de concreto centralizada na divisão das principais avenidas da vila provinciana foi o palco da dupla lamentação de Reginaldo e Pedro, o sol do meio dia se manifestava derretendo-lhes a nuca, todavia, a frustração proveniente da noite anterior permitiu-lhes que resistissem ao fervoroso sol que lhes castigava esquentando a cerveja, mas em compensação contribuindo com as minúsculas saias femininas que desfilavam saudando os olhos perturbados, nesse ritmo de ingestão desenfreada de álcool onde Pedro e Reginaldo contemplavam o Blues que promovia a necessária consolação, surgiu o estimado Douglas a fim de repreendê-los:

- Homens, o que vos trazem aqui? Disseram-me que os senhores estão aqui a mais de cinco horas, digam amigos o que se passa? Por que vocês não me chamaram pra essa confraternização?

- Eu não chamei o Pedro e nem tão pouco ele me chamou, cheguei aqui às seis horas da manhã, quinze minutos depois ele apareceu tomado por uma fúria incontrolável e assentou-se aqui em torno dessa mesa.

- Sim Reginaldo! Quando cheguei percebi seu semblante transtornado, mas pode ficar tranqüilo meu bom Douglas, já estamos anestesiados do mal que nos consumia, se assente e festeje conosco.

- Sim, já estou sentado, me contem o que aconteceu de tão trágico a ponto de vocês chegarem nesse calamitoso estado de embriaguês?

- Me permite começar Pedro?

- Sim Reginaldo, tenha a bondade de justificar ao sublime Douglas os porquês dessa trilha sonora lasciva e dessas 37 garrafas de cerveja que estão debaixo dessa áspera mesa, não obstante ao litro de conhaque que quebrou antes de seu término.

- Pois bem, semana passada encontrei-me com a bela Madalena numa cervejaria situada no centro da cidade, tanto ela quanto eu estávamos sozinhos, essa rara oportunidade nos permitiu constituir uma agradável e longa interação, interação essa que culminou na tragédia de ontem.

- Tragédia? Quem é esse diabo de Madalena?

- Descrever os adjetivos da desgraçada Madalena é uma prática que requer critério, talvez se eu me atrevesse a relatar os atributos que a tornam notória e idolatrada por mim certamente você iria se escandalizar com tal descrição amável Douglas, principalmente o senhor, um bom homem que eu não consigo imaginar com mulheres, mesmo ciente de sua beleza e do quão cortejado tu és por elas.

- Não se restrinja Reginaldo, Mr. Douglas tem potencial, ele irá conceber bem seus relatos.

- Pois bem, então irei te falar do mal que a mística Madalena me submeteu na noite de ontem.

- Antes que você continue Reginaldo, peço a vocês dois que parem de beber por hoje, vocês já estão além dos limites, isso pode resultar num coma alcoólico, mesmo vocês transmitindo lucidez e segurança, sinto que esse excesso possa repercutir negativamente.

- Antes que você continue Reginaldo, peço a você Douglas que ouça com atenção o que irei lhe dizer agora -“há coisas que foram feitas para fumar, há coisas que foram feita para comer e há coisa que foram feitas para beber”- pode continuar agora Reginaldo.

- Obrigado Pedro, antes que eu prossiga lhe farei uma pergunta querido Douglas, “posso beber com calma”?

- Sim senhores, bebam em paz, não irei mais interromper, juro!

- Onde eu estava mesmo? Perdi a linha do raciocínio, sugiro que o Pedro conte primeiro sobre sua gana de ontem, assim que eu lembrar do ponto em que estava continuarei.

- Ok Reginaldo, agora pois Douglas, tu irás compreender a fúria que conduziu-me na noite de ontem, nessa referida noite estava tomado por uma volúpia incomum, o boteco composto por jovens universitários aborrecia-me pelo quão tendenciosos esses discentes são.

- Se a companhia desses jovens lhe era desagradável, por que se manteve no meio dos mesmos?

- Oh Douglas! Consigo vê-lo encaixado perfeitamente naquele cenário de ontem, a razão que me mantinha na pureza daquela roda era a impureza de uma determinada mulher, mulher de beleza questionável, entretanto emanava um incontestável poder de atração hipnótica, meu corpo clamava pelo dela, estava consciente de que uma noite ritmado pelas pernas daquela moça mulher me levaria a um supremo frenesi.

- E o que aconteceu? Você conduziu essa moça até sua lasciva ambição?

- Fatalmente fui mal sucedido no meu intento com aquela mulher, estávamos em plena harmonia naquela mesa, ela havia prometido beber da minha água, prometeu beber do meu conhaque, prometeu beber da minha vitamina fértil que me trás herdeiros ao mundo, iríamos até à casa dela onde esse famoso copo nos aguardava para o cumprimento dessas promessas.

- E você foi até a casa dessa moça para satisfazerem-se carnalmente?

- Estávamos prontos para partir, ela me aguardava ansiosa para a tão almejada execução, porém, um determinado tolo que compunha nossa mesa atreveu-se a colocar no meu consistente chope uma dose de groselha sem ao menos me consultar, imediatamente fui repreendê-lo, nesse intervá-lo de tempo a famosa moça dos copos disse-me que estaria me esperando lá fora no carro, (“Por favor Pedro seja breve, estou sedenta, estarei lá fora te esperando” ), contudo, cometi o grave erro de refutar a afronta do pobre rapaz com duras palavras, este por sua vez se opôs às minhas incisivas palavras, logo, eu tive que demorar no processo de educação desse rapaz para que eu não lhe arrancasse o nariz de modo abrupto, e acreditem, essa demora muito me custou, quando fui ao encontro dela, a impetuosa Naiana já não estava, cansou de me esperar e se foi.

- Que coisa! E o que fez depois disso?

- Depois disso vim pra cá lamentar o meu erro, sei que você não entenderá isso Douglas, mas vim lamentar por uma mulher que não tive, por um pequeno deslize estou aqui agora convosco, poderia estar nos átrios dela em seu leito depois de uma longa e calorosa interação, agora que já justifiquei o porquê da minha compulsiva ingestão de álcool, Mr. Douglas, permita que o Reginaldo o faça agora.

- Sim, claro, prossiga Reginaldo de onde estava antes que eu te interrompesse, consegue lembrar-se de onde estava?

- Iria introduzir a descrição da amável Madalena.

- De fato, realmente te interrompi nesse momento, prossiga.

- Madalena corresponde aos altos padrões da beleza feminina, bem como goza da benção intelectual, amante do jazz, vejam, ontem quando eu a encontrei na cervejaria estava indo me abastecer antes de um encontro com uma moça que a muito vinha cobiçando, entretanto, a presença de Madalena fez-me desviar o foco e deixar a linda Julia esperando, alimentei a ilusão de compor aquela noite na presença da bela Madalena, ela estava climatizada pela enorme sintonia que nos envolvia, porém subitamente o telefone dela tocou e de modo inexplicável ela retirou-se vorazmente de minha presença, quando olhei pela janela da cervejaria a fim de ver o destino de Madalena, a vi sendo golpeada por um homem que ela submetia-se obedientemente, ele a pôs dentro do carro violentamente e ela sem resistir seguiu junto com ele.

- Pelo que vejo, sua noite não foi tão trágica, foi trágica para essa mulher vítima da violência masculina.

- Entenda assim Douglas, foi uma noite de expectativas frustradas, tanto para mim, quanto para o Pedro, no meu caso de modo duplo, pois saí de casa com uma euforia inerente ao meu desejo pela linda Júlia, pois vinha cultivando o desejo de tê-la por longos meses, quando ela finalmente cedeu, abri mão da minha árdua conquista por priorizar a reedição do meu romance com a Madalena, afinal fazia anos que não a via, queria rememorar os bons tempos, no entanto, fui mal sucedido na minha escolha, pois a saudosa Madalena foi levada de modo agressivo pelo seu provável marido e quando fui ter com a Júlia ela já não estava mais me esperando no local combinado.

- É vejo que vocês não foram felizes na noite antecedente!

- Sim Douglas, eu e o Reginaldo estamos aqui nesse ambiente periférico cultivando o nosso insucesso de ontem, o nosso estado calamitoso de embriaguês é compreensível por causa de três pares de pernas, três moças.

- Eu e o Pedro estamos concretizando a essência do Blues, vivendo a realidade de um ser essencialmente diplomático que cultiva os efeitos causados pelas mulheres.

- Oh Rapazes! Não consigo compreender esse pensamento trivial que nasce de vossa mente, é incrível como tudo o que vocês fazem é apenas com a finalidade de dar notoriedade ao ser feminino, aprendam a se valorizarem, faça como eu, que antes de tudo me amo, me vejo no espelho diariamente e cultuo-me, não sofram e nem se destruam por causa de uma simples mulher, vocês são bem mais valiosos que elas, são bem maiores que isso!

Imediatamente, Pedro e Reginaldo, Reginaldo e Pedro, ambos caíram em risos, foram tomados por um eminente espírito de zombaria.

- Não entendi a razão de tanta graça! – Douglas colocou-se ofendido –

Pedro controlou sua emoção, recobrou a embriagada eloqüência dizendo:

- Me desculpe amigo, mas não pude conter, lhe sou grato por sua preocupação e por suas recomendações, contudo vos digo, todo êxito profissional que obtive até hoje, toda satisfação que tenho e todo progresso musical que tive eu credito às mulheres que compuseram minhas jornadas, as minhas valiosas canções são frutos dessas perigosas de pernas grandes, são obras provenientes da doçura feminina, isso é algo que está ligado a mim, não quero e não posso desmembrar-me disso, é algo essencial, pois os valiosos anseios transmitidos por elas alimentam a minha mente.

- No mesmo ritmo do meu amigo Pedro, desconsidere o meu riso descontrolado meu bom Douglas, não foi a intenção ofender, mas sua sugestão amigável não pode ser praticada por mim, pois a abrangência de minhas artes e saúde financeira são fatos que atribuo a inspiração feminina, não quero ser demagogo, mas saiba que prefiro ver-me em condições extremas a ver uma mulher sendo vítima de agressões, sou um idólatra fiel, quando você diz que tudo o que faço é com o intento de promovê-las, saiba que estás com a razão nesses dizeres, as minhas ações são inerentes ao louvor que é destinado às nobres mulheres que um dia conheci, de tal modo, sou um dos poucos que merecem carregar o título de homem do blues, pois assim como diziam e dizem, o Blues é apenas um bom homem sentindo-se mal por causa de uma mulher que ele um dia teve. (Essa frase jamais será redundante)

- De pleno acordo, hoje eu e o Reginaldo sabemos o valor dessa frase em virtude das experiências que tivemos nessa pedrosa estrada, tanto que acredito em sua provável conversão meu caro Douglas, sei que você em razão do seu grandioso amor próprio não teve a honra de experenciar isso, de sentir a essência do blues, mas tende bom ânimo, boto fé em ti.

Douglas não ingeriu muito bem as palavras finais de Pedro e Reginaldo, manteve-se calado sem refutações, mas como um bom amigo auxiliou-lhes em sua volta para casa, afinal Pedro e Reginaldo não estavam mais em condições de dirigir.

Naquela mesa de concreto ficou marcado o dia em que o blues manifestou-se de modo imponente em virtude do lamento de dois “cabras bons” que entoam seus rocks venenosos a fim de levantarem-se quando caírem diante da gloriosa figura feminina.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Prato do dia: milho assado com suco de manga

Ao confrontar minha barba consistente e negra no espelho embaçado vejo as responsabilidades que me cercam, entendo a saga ardente de ser um regente familiar, diferente da época de infância marcada pelos furtos de milhos num milharal a poucos metros de minha casa, furtava-os a fim de assá-los numa fogueira rodeada por uma legião de crianças infernais, milharal este que fora substituído por edifícios que aumentaram a população de meu bairro, considerando isso quero dividir a ação criminosa que cometi na infância com uma determinada moça, eu era um pivete desnutrido de canelas arranhadas e cinzentas, habilidoso com a bola nos pés e perito em apanhar do meu pai pelas sucessivas reclamações dos vizinhos intolerantes, reduzi a base de pedradas e bombinhas o bairro em que morava, fruto da agitação de um mal menino, na outra extremidade do mapa mais precisamente no estado de Minas Gerais, havia certa moça exatamente na mesma época, talvez nos mesmos instantes enquanto eu me apavorava no meio daquele vasto milharal escondido dos capatazes acompanhados de cachorros vira-latas, estava ela, a pequenina florzinha debaixo de uma mangueira, infringindo o oitavo mandamento da pedra de Moisés, furtando as mangas de seu vizinho, ela temperava essa saborosa manga com açúcar cristalino, sentava-se debaixo daquela enorme mangueira e saboreava lentamente sua manga recheada de açúcar, pensava na vida e contava o tempo conforme seu próprio entendimento cronológico, possuía uma destreza invejável em escalar árvores, o vento balançava seus cabelos despenteados enquanto ela subia no pé de manga com olhares atentos na provável aparição do guardião dos pomares, pois sempre que esse maldito guardião surgia ela escondia-se no vasto território inimigo repleto de árvores, quando ele finalmente desaparecia ela voltava para seu suave descanso debaixo da sombra da mangueira.

Na fase infantil, os antagonistas eram assombrosos com seus enormes bigodes e chicotes, alguns montados em cavalos e portando facões pontiagudos, mesmo mal encarados e bem armados sempre os vencíamos com a ligeireza pueril, com a astúcia da molecagem, eles perseguiam-nos incessantemente, mas jamais nos capturaram.

Na fase adulta os rivais são diferentes, não são homens que nos assombravam com bigodões e semblantes hostis, são belas moças que nos hipnotizam com doce sorriso, elas não utilizam de chicotes flexíveis, mas nos reduzem com gingado de um corpo sinuoso, não montam em cavalos monstruosos, geralmente estão envolvidas por belos ultrajes, não carregam consigo facões enferrujados, mas suas afiadas unhas nos arranham promovendo um frenesi singular, elas nos perseguem incessantemente e sempre vencem, nos capturam e nos submetem a um cárcere intransponível.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Garrafa na locomotiva

A bela alagoana Thaís que a muito não via surgiu no verão noturno na movimentada praça da tradição nordestina, os motores dos teclados trilhavam o cenário daquele diálogo e nessa matança de saudades ela me propôs a participação da minha banda em um evento de conscientização a preservação do meio ambiente, em gratidão a difusa amizade que há entre nós aceitei o convite, logo, ela mostrou-me o roteiro do evento, nesse projeto que a Thaís Samaritana me apresentou vi uma vasta composição de adolescentes adeptos a causa, percebi o profundo interesse desses jovenzinhos em poupar o planeta da excessiva poluição e esse curioso apego as questões ambientais são decorrentes da mais positiva hipocrisia que já testemunhei, vejam, no último final de semana eu e um grupo de bons amigos fomos para uma cidade turística de arquitetura tombada e de valores ambientais, fomos para Paranapiacaba com o intento de comemorar o trigésimo sétimo ano de vida do Nivas Guerra, na exploração desse ambiente rico de natureza vimos as sucessivas repreensões dos guias locais referindo-se a preservação e não poluição do lugar, porém no ano anterior em que estive nesse mesmo lugar esses mesmos guias e moradores eram indiferentes a preservação da vila, um ano depois essa indiferença converteu-se em dedicação e zelo, parabenizo portanto os veículos de comunicação e os programas televisivos destinados a jovens de 12 a 18 anos, programas de seriados, desenhos animados, clipes musicais, dentre outros, programas esses que trazem mensagens de conscientização a não poluição e através desses programas surgiu a mais nova moda, moda essa que chamo de “Ecologia Moderna”, essa ecologia moderna produz de modo hipócrita nos adolescentes a repulsão a atitudes poluentes, o “desejo de reciclar” , contudo, procedem de tal maneira unicamente por ser a mais nova tendência do verão, longe de uma real preocupação com o planeta, contudo, não concebam essa observação de modo generalizado e pejorativo, pois quero dar destaque a essa bela ecologia moderna, afinal, ela está gerando nos jovens a positiva prática de não deteriorar os rios, as matas e o ar, portanto, quero me desculpar a todos os ecologistas, biólogos e moradores de Paranapiacaba pela garrafa de cerveja que esqueci no gramado que cerca um solitário e enferrujado trem que de modo artificial embeleza aquele gigante quintal.

Corpo inativo


Naquele mesmo dia em que encontrei a Thaís na Praça do forró vi nela um semblante sereno, ela disse-me da profunda harmonia que existe entre ela e seu namorado, contou-me do conto de fada que foi a concretização de seu namoro, falou-me de suas recentes conquistas de suas aventuras em Alagoas e do tempo que passa, do tempo que a aguarda, ela questionou-me apontando:

- Veja aquele homem, tanta inteligência e não usa, tanta sabedoria guardada de modo egoísta, me diz, por quê?

Complementei:

- Veja aquele campo de futebol, tanto espaço vazio, há apenas quatro jogadores para cada time, para onde foram os outros dezoito?

- Oh Mr. Correia! Ele tem tanto swing, um excelente artista, mas se perdeu na própria arrogância, como poderemos salvá-lo a fim de cultivar seus talentos?

- Deixe-o de lado, vamos salvar aquele outro que está logo ali, ele quer mostrar ao mundo sua arte, optou em nos doar seus artifícios a ser narcisista.

- Nessa estou contigo, oh man! Como queria ver aquele campo completo, com todos os vinte e dois jogadores, queria ver aqueles laboratórios repletos de experimentalistas.

- Lady, tende bom ânimo, conforme disse a um novo amigo, por mais promissora que ela seja, ela também é minúscula por ser sem tempo diante do pouco tempo que todos temos, tem uma cabeça inativa, conforme esse novo amigo me disse, do que vale tanto cérebro e aptidões e não pensar? Conforme esse mesmo amigo disse-me sobre uma outra, do que vale esse belo corpo e não usar? Então digo, para esses que não utilizam do que tem, desejemos a eles só felicidades.

- Meu querido amigo Palmeirense assim como sou, não joguemos pérolas aos porcos!

- Amém!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Double Trouble


Grandes duplas marcaram a história:


Evair / Edmudo

Bebeto / Romário

Ronaldo / Rivaldo

Albert King / Stevie Ray Vaughan

Buddy Guy / Junior Wells

B.B. King / Eric Clapton

Robert Plant / Jimmy Page

Rodrigo Amarante / Marcelo Camelo

Arlindo Cruz / Sombrinha


Essa lista de grandes parcerias vai longe, no decorrer da história foram formadas grandes "double trouble" em vários segmentos, desde à música ao futebol, talvez a aparição individual dos componentes dessas referidas duplas não fosse tão promissora, esses exemplos mostram a importância da cumplicidade entre os parceiros, da união compatível, pois a harmonia e sintonia de idéias transpassavam o comum, eles procediam como se fossem um, eram dois parecendo um, um verdadeiro dueto, dentro da Malte & Vinil desenvolvo uma parceria poderosa ao lado de Nivas Guerra e não pretendo parar por aí, no decorrer dessa trajetória estou buscando parcerias com músicos de gêneros clássicos, a moça do violino bem como a da harpa estão se preparando para envenenar-se no rock-blues com seus instrumentos eclesiásticos, serão dois duetos peculiares, em cada formato faremos essa fusão musical de modo fundido como se fossemos dois num corpo só.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Escuro Profundo

As razões que justificam meu bom desempenho nas empresas pelas quais condicionei-me ao rótulo de funcionário foram as cartas brancas que conquistei sutilmente, existem regras padronizadas a serem seguidas sem contestação, o termo funcionário nunca caiu-me bem, contudo quando carregava esse título eu movia as condições em meu favor, estudava meios de isentar-me de tais regras, nunca gostei de confrontar a alvorada a fim de mover manufaturas alheias, com isso, adquiri na madrugada a fórmula de desviar dessa incômoda ofuscação, quando deparo-me ante ao alvor que é anunciado pela sinfonia aviária sei que é chegada a hora do descanso, afinal, o homem tem que ter o seu descanso*, e foi ironicamente na primeira claridade da manhã que fui transladado pela pronfunda escuridão, durante a madrugada a kind hearted woman cedia sua luz pois a claridade lunar era insuficiente para bronzear as mentes noturnas, no alvorecer a lua retirou-se e deu lugar ao fervor do sol, os raios solares atacavam minhas córneas, momento esse em que ela fitou-me revelando seu maior valor, vi a cor de seus olhos, um escuro profundo, nessa referida madrugada haviam oceanos azuis, mares verdes, lagos cristalinos, entretanto, mergulhei no rio negro, o sentido da visão foi arrebatado pela profunda escuridão.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A vitrola escarlate de Armélie.



Eric Clapton dizia que para executar perfeitamente o que Robert Johnson fazia em suas músicas seriam necessários dois violonistas, pois a progressão de acordes de Mr Johnson soavam com efeito duplo, como se ele tivesse acompanhamento de outro músico, e acrescente a isso o fato de Mr Johnson cantar numa linha atemporal do que é tocado o que torna virtualmente impossível de imitar, um trabalho duro que levaria uma vida inteira, essas palavras de Clapton foram desdenhadas por muitos músicos consagrados, entretanto, quando eles foram tirar a prova disso constataram a veracidade na teoria do deus da guitarra e comprovaram que o trabalho duro jamais irá superar a genialidade, a dedicação eleva o talento, mas não se sobrepõe ao dom, existiram e existem mitos do jazz e do blues que foram precursores e portanto insuperáveis, tanto homens quanto mulheres deixaram seus nomes eternizados na música de modo incontestável.

A citada genialidade musical diverge à idéia preconceituosa de um determinado professor de música que suprimiu o desejo musical de um grupo de meninas, ele alegava que o ser feminino não dispunha das mesmas aptidões e facilidade de aprendizado que o homem, ele dizia que para mulher desenvolver bem as habilidades em algum instrumento musical seria necessário dedicar-se arduamente, pois as mulheres não nasceram para tocar, não dispõem de talento nato para tornarem-se boas instrumentistas, esse conceito imposto por esse professor entristeceu Armélie em sua fase infantil, Armélie era uma criança que adorava tocar violino, mas desistiu do sonho de se tornar uma grande violinista em razão da supressão que seu professor lhe causou. Dez anos depois, mesmo desistindo de seu instrumento, Armélie não abandonou a música, frequentava pubs de jazz, garimpava sobre a música brasileira e era intimamente ligada à ela.

Armélie estava sentada distraída ouvindo seu Ipod num banco de esquina situado na região central de sua cidade esperando um táxi, nesse intervalo de tempo Raimundo um guitarrista de jazz aproximou-se dela e perguntou onde ela morava, como eles moravam na mesma região ele propôs à ela que dividissem o valor da corrida do táxi, Armélie não sentiu-se acuada com a abordagem do nobre homem e aceitou a proposta, sentiu-se atraída pela abordagem envolvente do gracioso rapaz, no táxi a sintonia e a convergência entre Raimundo e Armélie inspirou a bela moça a convidar Raimundo para jantar em sua casa, Raimundo não hesitou e aceitou o amigável convite, quando Raimundo entrou na casa de Armélie ele admirou-se com a decoração da casa, era enfeitada por vinis distribuídos pelas paredes e tetos, com recortes de jornais referentes a música e composta por plantas ornamentais, Raimundo sentiu-se acolhido por aquele lar, enquanto ele vasculhava a coleção de vinis de Armélie, ela preparava o jantar, Raimundo encontrou nessa discografia raridades do jazz, desde Billie Hollyday a Armstorng, de Chet Baker a Miles Davis, quando ele dirigiu-se à cozinha para saudar e parabenizar a linda moça por seus valores musicais, ela posicionou a agulha de sua vitrola na canção número cinco do primeiro álbum de "Clarence Gatemouth Brown", Gatemouth foi o único grande violinista de Blues, ele imperava com seu violino no ombro, aquela trilha sonora devorou todo ambiente, a muito tempo Raimundo não cultivava esse jazz-blues-fusion, os acordes dos naipes de metais e a linha melódica do violino de Gatemouth climatizaram aquele lugar e arremessaram Armélie nos braços de Raimundo, eles eram levados pelo rabecão percussivo e cadenciados pela rabeca de Mr Gate, eles seguiram a condução rítmica dançando institivamente e de modo lascivo, entregaram-se a volúpia paixão promovida pelo poderoso Jazz, cessaram apenas quando deram-se conta de que as panelas estavam em chamas, o jantar estava queimado por conta dessa agradável distração, eles foram obrigados a apelarem ao disk pizza, foi uma noite essencialmente calcada no jazz e alimentada pela grande harmonia entre Armélie e Raimundo, a vitrola de Armélie nunca havia testemunhado um clima tão impetuoso, passou a noite executando valiosos discos que orquestravam esse clamor aos céus, nessa bela interação Armélie disse a Raimundo da sua frustração por não ter seguido com o violino, falou de sua desistência promovida pelas duras palavras de seu antigo professor, na semana seguinte Raimundo teria uma apresentação no mais famoso pub de jazz da região oeste, convidou Armélie para fazer um dueto de "Song for Renee" de Gatemouth na noite de seu show, Armélie pensou em recusar o convite, mas aceitou para não prevalecerem as palavras de seu antigo professor, mesmo a muitos anos sem sequer tocar em seu violino ela aceitou o desafio confiantemente, ela estava nos braços de Raimundo e isso lhe deu segurança para aceitar esse encargo que estava por vir.

Armélie, passou a semana que antecedeu o show praticando e ensaiando "Song for Renee", desenvolveu muito bem, todavia estava temerosa pois nunca havia tocado para um público tão expressivo, no dia do show ela pensou em desistir, mas a presença de Raimundo transmitiu segurança à bela moça, quando finalmente ela subiu no palco, de modo genial ela ofuscou o experiente Raimundo com seus perfeitos solos, mostrou seu oculto talento que outrora fora suprimido por palavras vãs, exibiu a essência e genialidade musical que sempre esteve consigo, demonstrou grande habilidade para homem nenhum botar defeito, no final da noite em plena efusão com Mr Raimundo, Armélie prometeu a ele que iria retomar a prática de instrumentista, abençoar os ouvintes do jazz e contribuir para a difusão desse grandioso som.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Eu não tenho tempo.

No sétimo dia o senhor descansou, um cansaço curioso, a conotação desse cansaço cria uma incógnita, visto que o onipotente Jeová está a cima da limitação fisiológica humana, disse ontem a meu pai que estava cansado, vi em seu olhar um enorme ponto de interrogação, "esse moleque está cansado de quê?" "Não o vejo fazendo esforços físicos", talvez o cansaço de Deus seja igual ao meu, um cansaço de sobrecarga espiritual, por isso, tirei o dia de ontem para descansar e a bendita chuva contribuiu com o meu ócio, acordei de manhã não olhei no relógio mas vi que ainda era antes do meio dia pelo clima matinal, selecionei a discografia completa de Ronnie James Dio para me envenenar no tenebroso heavy metal, objetivava um descanso sem paz, queria ser atormentado pelo subliminar, parar o corpo e acelerar a mente, completada a sessão de DIO fui condicionar as artérias com B.B.King, a sua Lucile me levou ao sono profundo, pela primeira vez me vi sonâmbulo pelo corredor da minha sala, estava buscando algo que a muito não tinha, essa minha busca novamente me feriu nessa mesma sala, andando procurando pelo inacessível escorreguei no chão húmido em virtude das reformas que meu castelo passa e acordei desorientado, felizmente dessa vez não estava com um copo de vidro na mão, levantei pensei em tomar um banho mas voltei pra cama para retomar minha sessão de absorção do Mistério, dessa vez coloquei Malte & Vinil, tentei esquecer da essência desse som que foi criado por nós e ver algo que não vi no processo de criação, incrivelmente vi, vi o poder desse som, e sei qual foi e qual é a fonte dele, essa fonte valiosa não tem valor pois ela mesmo não se valoriza pelos valores que a cercam, por isso valorizei os valores paralelos que se valorizam, nesse ritmo caí no sono novamente, como o repertório era curto despertei pelo silêncio e fui alimentar meu corpo com caldo de mocotó para vigorar o físico pois a mente estava inflada e explodindo de tanto alimento, nesse ritmo fui até altas horas, as 23 horas decidi ir para o mundo real confraternizar com umas putas que me cortejavam ferozmente, decidi atender a esses clamores e exercitar a gana da Correagem, pus meu tênis novo e ao sair de casa me deparei com uma fina chuva e ciente de que o indomável Luiz Gonzaga Correia meu pai não iria liberar o carro para tal intento e para evitar a fadiga voltei pra minha cama para cultivar esse dia de folga, o meu erro foi colocar Led Zeppelin, pois ao tragar a tradução do sintetizador de John Paul Jones surgiu-me o desejo de ir a um boteco qualquer confraternizar com algum panguão ou com alguma cachaceira independentemente do nível, esse súbito interesse prevaleceu e mesmo tendo a opção do guarda chuva optei por contemplar o choro do céu sem proteção, apenas trajei meu famoso sobretudo verde e fui sem destino com o destino de parar no primeiro boteco que me inspirasse, antes de prosseguir rumo à seleção de botecos, passei numa boca de tráfico perto de casa para pegar uma lata de Skol pois os mesmos são incapazes de vender Brahma e vi o tamanho do temor que o tamanho da minha barba causa naquele bando de nóias, eles não tinham troco para notas de cem e não queriam me vender, mas a fixação do meu semblante negro os persuadiu de modo temeroso, portanto eles cederam, parti e logo na seguinte esquina entrei num bar, os presentes no bar eram uma moça de estilo rapper e um nordestino pernambucano, quando entrei no estabelecimento fui recepcionado amigavelmente pelo dono do bar, dei a ele o cd "Riding With The King" e ele gentilmente interrompeu a black music que o presente casal ouvia e pôs a faixa número cinco conforme eu havia pedido, sentei na mesa de bilhar com minha garrafa de cerveja na mão pensando em como iria introduzir o diálogo com os "colegas de bar", quando dei o primeiro gole o rapaz pernambucano perguntou-me que tipo de música era aquela que eu estava ouvindo, antes que eu respondesse a mocinha que estava com ele disse que me conhecia e que estava espantada com a mudança que sofri da infância para a fase adulta, as palavras dessa moça levaram-me à reflexão da evolução humana, das mudanças pelas quais passamos com o tempo, dos aprendizados que adquirimos e do tempo que perdemos com sentimentos banais, ela lembrou-me da época em que me dava pedradas pelas pirraças de criança que fazíamos e da emoção que sente em entender as fases que o ser humano passa, isso me levou ao entendimento de que nos próximos anos irei me envergonhar das minhas atuais limitações em virtude do progresso para o qual estou caminhando, essa é a tendência da humanidade, pelo menos para os que não se limitam e não se contentam com aquilo que é imposto pelo MEIO, pelo menos para aqueles que não tem rabo preso à nada, que fazem e vivem conforme o desejo próprio, não tem sua identidade dependente à identidade alheia, são essencialmente talentosos desvinculados a interesses materiais, essa positiva concepção de vida é para os que vivem em abundância por não se esconderem atrás de pequenas fortalezas, no futuro irei bordar um retrato de tudo aquilo que não sei dizer, mas enquanto isso irei correr atrás da consolidação do presente pois o meu grande clichê é: A vida está passando e eu estou sem tempo.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

River of tears


Esperando nesse lugar, onde a luz do sol nunca brilha, te esperando aqui onde as sombras fogem de si, esse sorriso trakina foi a razão de eu esperar por tanto tempo, eu perdi o caminho de casa, você não consegue lembrar do meu nome, ninguém tem as chaves da libertação, vamos voltar para casa, não sei se aponto para o norte ou para o sul, algum dia você estranha e tardiamente irá se lembrar, o Espírito disse às nossas almas que certos lugares são inacessíveis, minha cética e teimosa alma negou-se a crer, sua crédula e alma boba acreditou e se distanciou, o Espírito ordenou ao Tormento que se oposse em meu caminho, estávamos em frequentes combates, o Espírito lhe concedeu falso conforto através dos pobres de alma, aqueles lugares proibidos traziam consigo mistérios e segredos milenares, esses segredos ocultos conquistados após a derrota do Tormento deram-me a receita e ensinaram-me a matar o Espírito que doma o seu manso coração, eu o matei, agora estou num novo cenário sombrio onde o antagonista é o poderoso sucessor do Espírito, "o Distância", o Distância é um astuto demônio que derrotou diversos guerreiros mitológicos, ele venceu Poseidon manipulando a Deusa ateniense, agora ele quer vencer-me para vingar a morte do seu mestre Espírito, mas a minha força oculta e minha arma mais poderosa está aí contigo, você está numa outra estação, contemplando o céu os céus e o inferno e eu aqui do outro lado curando-me das chagas que adquiri no duro combate com o Distância, estou escondido para que as feridas que adquiri nesse combate se cicatrizem, e para quem esperava um final feliz, caiam em pranto, pois o Distância me encontrou, me rendi e um golpe mortal foi desferido, o Distância fardava uma armadura forjada de prata e carvão, em sua cabeça um elmo dourado, era um cavalheiro de baixa estatura e pele alva, enquanto eu agonizava esperando a morte chegar, esse guerreiro retirou seu elmo balançando seus lisos cabelos revelando ser uma bela mulher:

- Lhe darei o golpe de misericórdia, eu mulher sou seu ponto fraco, receba o "cólera da libertação".

Desferiu com sua espada enferrujada um profundo golpe no meu pulmão, o sangue não jorrou para fora, afogou os meus órgãos internos enquanto a doce Distância chorava um rio de lágrimas por minha dolorosa e lenta morte.

domingo, 16 de agosto de 2009

Seres divinos não pecam


Transgredir um preceito religioso dá ao transgressor um fardo chamado pecado, na conotação bíblica de fundo etimológico em seu idioma original pecar significa errar o alvo.

Crer naquilo que não se pode ver caracteriza a fé, fé é a adesão absoluta à um crença espiritual é a crença incontestável ao sobre natural, certa metáfora bíblica classifica como bem-aventurado aqueles que acreditam em algo sem comprovação evidente, isso é a fé, algo que transpassa o empirismo humano, o injustificável, desprendido de análises científicas.

Episódios recentes alienaram-me, ensinaram-me a crer no sobre natural de modo absoluto, logo eu que sempre respeitei a essência implícita daquilo que não foi revelado, eu que não faço julgamento daquilo que foge da natureza humana, livre de intuições e apegos religiosos, o primeiro episódio que evidenciou a existência de fatos que estão fora das leis naturais foi a explosão das pupilas do Mr Tuco ao ver de sua bateria Jimmy Page revelado na Les Paul de Nivas Guerra, Tuco em seu banquinho diante de seus pratos testemunhou a aparição de um ser inexistente no plano terrestre que era concebido pela presente guitarra, os bends representavam os gritos da feliz dor do parto, eu estava lá naquele estúdio sombrio situado nos confins da margem do Cocitos e vi o nascimento do filho de Maria Raimunda, aquela criança que saiu da vibração contundente das seis cordas umbilicais impulsionou a gana eufórica de Mr Tuco, enquanto o Nivas tocava sua Maria Raimunda com acordes e trinados insinuantes, Tuco George cadenciava de modo agressivo a regência percussiva, provocando com seu bumbo plástico a sensação de frenesi absoluto no poderoso rock zeppeliano, no fim de tudo isso a calmaria baixou no compacto ambiente e comprovou a existência de fatos sobre naturais.

Outro fato sobre natural foi a mística magia noturna presente em uma mulher que é perseguida pelos invejosos inquisidores que a condenam por sustentar a suposta heresia de ser um ser dos anjos, os inquisidores em reunião no concílio objetivavam caçar essa bela bruxa, discutiam sobre os atos dessa mulher que emana divindade, apenas 2% dos presentes nessa assembléia absolveram a doce bruxa, portanto, ela foi convocada para julgamento a fim de prestar conta de seus dizeres hereges, caso ela fosse condenada teria a severa sentença de ser queimada em praça pública diante de seus seguidores e admiradores, os amantes da eminente beleza angelical iriam chorar essa perda irreparável.

No dia do julgamento, Ela compareceu no tribunal exibindo a plenitude de sua divindade, a promotora que iria conduzir as acusações à gloriosa moça estava excessivamente ansiosa e tomada por um sentimento de fúria, queria provar a todos a falsidade nos dizeres da famosa bruxa, ela iniciou as acusações tomada por um forte ódio:

- Com que autoridade e em nome de quem você proclama por todos os cantos sua suposta divindade?

A promotora iniciou o processo de acusação de modo sutil, pretendia deixar pro final os argumentos agressivos, entretanto, a autenticidade dos poderes da bruxa dos anjos calou a perseguição de todos os inquisidores presentes:

- Eu venho em meu nome, tenho a autoridade dos anjos, vocês creem na verdade e de modo silencioso desconhecem a essência do que viria ser a mentira, vocês creem na cronologia e no calendário ocidental, mas jamais se perguntaram o que é o tempo, vocês dizem que toda ação gera reação, mas não sabem o que é causa ou efeito, vocês constituem famílias, alimentam sentimentos passionais, mas jamais perguntaram o que é o amor, você nobre mulher, que me questiona e me condena pelas maravilhas dos meus dizeres não consegue ver a trave que está cravada em seu busto, você religiosa me persegue pelo bem que faço ao meu próximo e não vê o mal que te rodeia, assenta-se à roda dos escarnecedores submetendo-se a agressões físicas, vocês todos presentes nesse tribunal alimentam a hipocrisia de canalizarem suas fragilidades para seres fortes, vocês transferem a terceiros a responsabilidade de errarem o alvo, portanto minha gente eu voz digo, dentro da lei de vocês eu já estou absolvida dessa maldita sentença, pois olhem bem pra mim, vejam a beleza manifesta nessa carne que estou encarnada e saibam que os seres divinos não pecam, portanto retiro-me desse tribunal terrestre e irei de encontro aos meus.

Ela levantou-se calmamente, todos presentes ouviam calados, dissolveram-se com as palavras da doce moça, o seu poder divino paralisou os presentes, presentes esses que apenas assistiram ela saindo daquele ambiente acompanhada de si mesmo e de sua inerente glória, após sua saída todos os que presenciaram tal episódio retornaram a si maravilhados com tamanha preeminência, nesse dia vi a ação divina de um ser, não posso mais ser chamado de cético, pois vi o sobre natural.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Mr Martin's


No leste da modesta Ryplei, bairro bucólico da capital do país de Gales, morava a família Castle, um bairro de economia agropecuária e de famílias de essência campestre, 90% dos trabalhadores de Ryplei obtinham o sustento familiar através da agricultura.

Miguel Castle foi um famoso carpinteiro que tornou-se uma lenda em toda capital galesa pelas suas mirabolantes histórias e contos, um senhor engenhoso, boa parte do padrão arquitetônico de seu bairro fora desenvolvido por ele, um homem de família, orgulhava-se de sua bela mulher Rose Castle e do seu casal de filhos, Miguel Castle vislumbrava grandes conquistas e um futuro de realização para suas crianças, empenhava-se na educação dos mesmos, tinha isso como sua grande meta e prioridade, viveu a década de 50 focado na educação de Eduardo e May Castle, sua dupla de filhos. Em meados de 1951 Edu Castle vivia de modo introspectivo, menino de poucos amigos, fechava-se em seu quarto e contentava-se com a companhia de seus livros de fábulas britânica, era um adolescente de quinze anos, um profundo amante do folclore britânico, bem diferente de seu pai, um homem extremamente sociável, conhecido e respeitado por todos os cantos da cidade, já May dispunha de adjetivos marcantes, similares ao de seu pai, era amante incondicional da música, das arte cénicas, menina sonhadora e ativa em seus anseios, essas qualidades a tornava notória no ambiente escolar, no seu último ano no ensino médio conquistou inúmeros prêmios pelo seu destaque como aluna, May foi boa influência para seu grupo de amigos, ela lhes ensinava sobre suas novas descobertas e compartilhava com eles do seu talento prodígio, de modo simplório e sem arrogância ela considerava-se feita de um material diferente das outras pessoas que lhe rondavam, sua boa tendência musical distinguia-se do mercado fonográfico popular, seus apreços musicais e artísticos eram extremamente criteriosos e fugiam de qualquer tendência comercial, esse foi um período de grandes descobertas para ela, um período de sumo amadurecimento. Imperceptivelmente ela passou a compor um grupo diferente do qual ela estava habituada nos tempos de escola, época essa em que ela constituiu boas amizades, e é nesse período que surge as amizades permanentes, conheceu seu primeiro namorado, uma paixão forte e indissolúvel, um rapaz de expectativas e almejos distintos aos dela, no entanto, amavam-se incondicionalmente, nesse novo grupo do qual May Castle passou a compor, ela viu-se em situações peculiares pelo formato desse novo grupo, essas novas companhias lhe permitiam verbalizar ideias das quais ela nunca havia manifestado, talvez pela diferente maneira de concepção de seu primeiro grupo de amigos.

May Castle portanto, vivia um período de transição do ensino médio para o superior, nesses instantes pré-vestibular ela confraternizava frequentemente com novos amigos que passaram por essa época, nesse meio ela pôde evoluir e difundir suas tendências musicais nesse novo ambiente, pois esses novos amigos de certo modo dividiam das mesmas tendências musicais que as de May, naturalmente ela passou a ser mais presente nesse novo quadro, e em virtude dessas inúmeras confraternizações May viu em Edmundo Martin's um belo símbolo a ser seguido, Edmundo Martin's era o mentor e o regente desse novo grupo do qual May fazia-se presente, Edmundo não dispunha de grande beleza estética, ele era destaque por sua postura galante e nebulosa, sempre portando-se em tom de liderança, olhos convictos e de agressividade arrogante, todavia, um rapaz extremamente altruísta e de simplicidade invejável, criador das próprias leis e original em seus intentos, todos que conheciam Edmundo, mesmo os inadeptos a ele, assimilavam novos conhecimentos, ele dispunha de um forte poder de influência, e isso produzia na parte frágil dos seres que o acompanhavam um sentimento de profunda admiração e isso gerava nesses admiradores a prática de querer copiá-lo em suas ações.

Os adjetivos de Edmundo Martin's de certo modo atraiu fortemente May Castle, May além de gozar de grandes atributos intelectuais e de valores culturais, também era detentora de uma exótica beleza campestre, tom de pele sedutor pelo "rubor moreno", corpo desenhado, caminhar harmônico, cabelos no ar e olhar sorridente, moça de pernas bordadas, de tal modo May Castle também produziu um desejo de cobiça em Edmundo, mas era um sentimento que era alimentado de modo inconsciente, da parte de Edmundo em relação a May ele pensava: "May é uma bela moça de futuro promissor e que vive um momento de felicidade ao lado de seu namorado", da parte de May: "Edmundo é um homem determinado, de futuro imprevisto pela abrangência de suas artes, um ser galante bem quisto pelas mulheres, bom homem."

A saga de May e Edmundo não parou apenas em sentimentos de admiração, a paixão maligna visitou ambos personagens, eles estavam despretensiosamente numa interação coletiva dominical, quando um simples diálogo poético despretensioso desencadeou em um súbito romance:

- Hello pessoal tem lugar pra mais um nessa mesa?

Essa referida mesa era composta por sete pessoas, três moças e quatro rapazes, dentre esses presentes estava May Castle, e foi ela quem se manifestou:

- Claro Edmundo, sente aqui ao meu lado, afinal você é o dono da casa.

Tacitamente ele sentou-se e traduziu o tom subliminar nas palavras de May, com isso ele sentiu-se envolvido pelo clima que movia aquela mesa, era como se ele e ela fossem os únicos presentes, em poucos segundos ele levantou-se e foi para a extremidade da sala onde o movimento de pessoas era menor, logo em seguida May levantou-se rumo a Edmundo, ela havia deixado o copo na mesa e aproximou-se dizendo:

- Posso beber em seu copo?
- Tenha a bondade baby, beba com calma (direcionando o copo à ela).
- Obrigada, (apanhando o copo) por que se levantou da mesa?
- Levantei-me com o intento de atrair-te até aqui, vejo que meu plano foi bem sucedido.
- Por que dessa exclusividade?
- São raras as oportunidades que tenho de interagir contigo de modo mais íntimo, geralmente estás acompanhada de seu amor, seu namorado, afinal, por que ele não está presente aqui hoje?
- Infelizmente não estamos vivendo uma boa fase, sinto que nosso romance está esfriando.
- Lamento, mas a intenção não é falar do Adrion, e sim de você, como está sua preparação para o ingresso na universidade?
- Está fluindo bem, estou bastante otimista.
- Mantenha-se focada nisso, quero ver você maior, meu bem.

De modo instintivo e súbito, o então diálogo amistoso converteu-se em cortejo recíproco:

- É incrível como sua presença eleva a chama da ressureição, fazia tempo que não me deparava com esse tipo de transmissão, está justificado o porquê da obsessão exacerbada do Adrion para contigo.
- Em você também sinto e vejo um magnetismo incomum, existe uma sintonia assustadora que nos move, talvez você não tenha percebido, mas isso vem desde aquele dia em que te vi discursando publicamente aos seus "subordinados".
- Receio que essa nossa resistência seja inevitável, afinal, onde você vai a subconsciência me leva, sou conduzido a ti de modo sobre natural.
- Então me leve, me sinto leve em sua presença, leve-me daqui!

Edmundo fitou May:

- Estarei em poucos minutos lá no moinho do rancho Fleet, na parte mais remota do bairro, lá é um lugar deserto inabitado, esteja lá.
- Sim, onde você for eu vou, faremos daquele lugar nosso lugar!

O antológico "Moinho Fleet" ficou marcado pelos sucessivos encontros matinais e noturnos do mitológico casal Edmundo e May, um romance que passou por grandes embaraços, afinal a paixão que May sentia por Edmundo confrontava-se com o amor por Adrion, ela dividia-se nesse duro dilema, tamanho era seu carinho por Adrion por conta do belo romance de infância que eles viveram, isso produziu um grande remorso em May Castle, Adrion era um bom rapaz dedicado em suas responsabilidades e verdadeiramente apaixonado por May, incapaz de fazer algo que fosse magoá-la, esses pensamentos perturbavam a doce senhorita Castle, seu bondoso coração deslustrou-se, sensações ruins fizeram May abortar seu belo romance ao lado do bom Edmundo.

As ruas de Ryplei eram assombrosas pelas manhãs frias típico daquela região, as noites eram místicas pelos ventos sombrios que sopravam com ruídos tenebrosos e hipnóticos, o cenário rural e renascentista do humilde bairro ditavam o tom e o ritmo obscuro do romântico bairro galês, um bairro sem tradição em pubs e bares, mas conhecido por suas belas colinas, mesmo com ares perniciosos era um lugar bastante seguro e pacífico, e foi nesse cenário que surgiram os dêmonios que passariam a fazer parte da vida de Edmundo Martin's, o ponta pé inicial para as nocivas aventuras sobre naturais de Edmundo começaram no dia em que May lhe disse Adeus.

May de modo bem convincente e decidido, numa noite de sexta-feira treze num bar de jazz no centro da capital de Gales, disse a Edmundo que o amor que existia entre eles chegou ao fim, ela disse tais palavras repentinamente bem no meio da noite:

- Sinto lhe dizer, mas não vamos prolongar essa noite, pois aquela paixão compulsiva que sentia por ti apagou-se, pretendo dar um ponto final definitivo nesse enredo e enterrar nossa história no cemitério do esquecimento.

- Estou surpreso com tal decisão, de fato não era uma postura que esperava de ti, mas diga-me, o que suprimiu a paixão que sentias por mim?

- Descobri que sou incapaz de viver longe do Adrion, o espírito dele alegra minha mente, sou viciada em seu lindo corpo, esse amor obsessivo que sinto por ele foi confirmado ontem numa consulta que fiz ao oráculo Alistër, nem minha mãe conhece-me tanto quanto essa oráculo, uma mulher sábia que consegue traduzir meus desvarios mais profundos, desde então não me sinto bem ao seu lado, fatalmente essa chama que queimava entre nós se apagou para todo sempre.

Edmundo Martin's sempre manteve-se sereno diante de quaisquer situação, e dessa vez não foi diferente, mesmo com o coração quebrantado ele permitiu que May partisse rumo a felicidade ao lado de seu bom namorado, agora noivo, pois nessa mesma noite depois de ter se despedido de Edmundo, May anunciou seu noivado com Adrion.

A longa noite que marcou o término de Edmundo com May, foi carregada de males ocultos, Edmundo jamais havia ingerido tanto uísque irlandês, aqueles jazz que orquestravam sua dor eram o combustível de consolo para o maldito Edmundo.

Essa mesma noite, foi uma noite de alívio para May, pois ela estava tranquilizada por ter finalizado esse perigoso romance, agora podendo voltar para os braços de seu noivo sem preocupar-se com repercussões negativas que envolviam sua ex-paixão.

Naquela noite, Edmundo acordou numa casa antiga de madeira sem saber onde estava, era um "dark room", um quarto demoníaco ornado por figuras e estátuas eclesiásticas, no canto direito da sala estava lá de terno vermelho, sentado de modo imponente, Belzebul o príncipe das potestades do ar, o príncipe das trevas, mais conhecido com Satan.

Lúcido e exalando superioridade Edmundo levantou-se:

- Hello Satan!

- Bom dia Senhor Martin's!

- O que fazes e o que faço nesse ambiente ?

- Ontem a noite foi longa, bom homem, aquelas "kengas" foram vítimas de sua volúpia, vossa excelência mostrou-se demasiado profano e lascivo para com aquelas amáveis prostitutas, comprovou que o relacionamento humano é resolvido na horizontal.

- É verdade! Estou me lembrando, e foi nesse quarto que tudo aconteceu, lembro-me do convite que uma bela "coroa" me fez para vir até aqui, ela gostou tanto de mim que presenteou-me com suas funcionárias, bendita cafetina! A propósito, onde ela e elas estão?

- Levante-se homem, vamos andar, no caminho te explico.

- Sim, para onde vamos?

- Vamos para um lugar onde os puros de coração não podem pisar.

Na parte de fora do prostíbulo estavam dois carros:
.
- Edmundo entre no Chevrolet e siga meu Ford, não posso dividir do mesmo carro contigo.

Satanás em forma de humano parecia-se muito com Jimmy Hendrix, porém de modo elegante, trajava um ofuscante terno vermelho escarlate, sapatos púrpuros, ambos entraram nos respectivos carros e seguiram rumo a uma encruzilhada próximo ao Lago das Lamentações a poucos metros do rancho Fleet.

Mr Martin's e Satanás estacionaram os carros a margem do Lago das Lamentações e seguiram para de baixo de uma árvore que ardia em chamas naquela deserta encruzilhada, Edmundo ansioso com o que o Diabo iria lhe propor retirou do bolso de seu terno um cantil de inox cheio de conhaque, conhaque esse que ele comprou numa viagem que fez a Pernambuco, estado situado no nordeste do Brasil, Edmundo deu um gole em seu conhaque e ofereceu ao Capeta:

- Não Mr Martin's, muito obrigado, eu lhe trouxe até aqui para lhe fazer uma oferenda.

- Ok Lúcifer, tenha a bondade de propor-me o que quiseres, use de sua astúcia milenar para me cativar, para que assim eu aceite sua proposta.

- Senhor Edmundo, tu és um rapaz admirado por muitos, um líder nato, amante incondicional do ser feminino, um homem de família e de muitos irmãos, de muitos amigos, eu te vejo como peça fundamental em meu quebra cabeça para angariar almas para o inferno.

- De fato demônio, você veio atrás da pessoa certa eu sei do poder de minha influência

- Pois bem, eu lhe ofereço riquezas e talento musical para que você me sirva em meus propósitos

- Receio que isso não será possível, pois mesmo eu sendo um ser influente, você veio atrás da pessoa errada, pois não sou conivente à suas maldades, estou do lado do mal, sou favorável ao meu conceito de maldade, seria incapaz de fazer algo contra o meu próximo, contra a humanidade.

- Você diz estar do lado do mal, Eu sou o mal propriamente dito, logo você deveria ser adepto às minhas causas

- Satanás, nenhum argumento que você utilizar, terá efeito diante dessa barba consistente e negra, recuso sua proposta, e quero que você... Ou melhor, o senhor, me permita fazer-te uma oferta.

- Claro que sim, pode fazer sua oferta.

- Ontem eu tive uma dura desilusão, mesmo confraternizando com aquelas lindas prostitutas, eu estava sofrendo por um amor que foi perdido, sei que jamais irei recuperar essa moça que me maltratou, mas queria apurar meu conhecimento e talento na guitarra para melhor tocá-la em tom de lamento por esse amor que um dia tive, quero que me dê essa aptidão e em troca eu lhe ofereço uma jam session gratuita em louvor ao seu nome, uma jam com minha banda em gratidão a esse auxílio que o senhor me concederá generosamente.

Dito isto, o Diabo ria abusivamente, entoou uma longa gargalhada e disse:

- Bom homem, seu humor é tão agudo quanto o meu, atribuir a mim adjetivos benevolentes como generosidade é no mínimo risível, acabei de perceber que realmente não conseguirei nada diante dessa sua barba consistente e negra, irei atrás de alguém mais maleável para persuadir.

Nesse instante Satanás juntamente com os carros evaporaram rapidamente e deixaram o senhor Edmundo sozinho, ele partiu até sua casa para descansar da longa noite que passou.

Assim que Edmundo despertou ele ligou sua vitrola na rádio local, estava tocando "Me and Devil" de Robert Johnson, ele pegou sua guitarra e acompanhou essa canção que simbolizava sua angústia, no final dessa canção ele decidiu estrear seus sapatos novos e caminhar pela praça arborizada perto de sua casa e tomar um chop no bar do Ocimar, no bar do Ocimar ele ouviu boatos de que May Castle havia mudado-se para Londres para estudar juntamente com seu noivo Adrion.

Semanas depois, Edmundo recebeu um telegrama de um conservatório brasileiro para que ele ministrasse um workshop de guitarra blues no Brasil na cidade do Rio de Janeiro, Edmundo em seus plenos 25 anos aceitou o convite afim de conhecer uma cultura distinta e suprimir as lembranças de May Castle que ainda o incomodavam.


Janeiro de 1952, enquanto a juventude de Ryplei migrava para o sul das capitais da Europa, Edmundo Martin's migrava para o nordeste brasileiro, essa caravana que partiu rumo às metrópoles europeias necessitava passar por esse estágio de descobertas, afinal eles não tinham a bagagem, o histórico e a envergadura de Edmundo para suportar a ida ao nordeste do Brasil, afinal os seres da família Martin's não temiam a morte, enquanto os seus amigos "patos" iam para o sul se descobrirem como ponto de desequilíbrio eles iam para o norte imperar e cultivar a malícia musical, subir nos palcos undergrounds numa turnê alternativa em louvor a música, onde o escárnio prevalecia.

Edmundo passou uma semana no Piauí conhecendo a escassez daquele curioso lugar, e foi na cidade do Pajeú que Edmundo conheceu alguns membros da família Correia, Edmundo estava num boteco com música ao vivo, o trio de forró que conduzia aquele show, encheu os olhos do deslumbrado britânico em terras brasileiras, Edmundo pôde testemunhar todo swing e tempero que os piauienses tinham, foi quando ele subiu no palco para uma jam session com o trio dos simpáticos velhinhos, os senhores do forró puxaram um baião em Lá maior e pela primeira vez um forró foi cantado em inglês em terras nordestina, Edmundo cantou e tocou sua canção "Girl of Castle", ouve aplausos e aceitação por parte do público que foi contagiado por aquele Baião-Blues, Edmundo desceu do palco grato pelo calor do povo nordestino e achegou-se até o balcão para tomar um conhaque, enquanto ele embriagava-se Raimundo Nonato mais conhecido como "Cachorro Preto" sentou-se ao lado do jovem Edmundo:

- Rapaz! impressionei-me com seu talento, o que te trás aqui no Brasil?

- Olá senhor, meu nome é Edmundo, vim ao Brasil para ministrar um micro curso de guitarra blues na cidade do Rio de Janeiro, esse workshop começará apartir da semana que vem, estou fazendo essa turnê pelo nordeste brasileiro afim de conhecer novas culturas.

- Muito bem jovem, nesse caso lhe deixarei um ensinamento, nos bares e nas noites cariocas você irá se deparar com situações inusitadas inexistente em outros lugares do mundo, quando estiveres na Lapa próximo ao Circo Voador não se escandilize com o que a de ver, quando fores abordado pelos demônios dos becos noturnos diga a eles que tu és um enviado de Cachorro Preto pois assim eles irão te respeitar e lhe auxiliar em suas buscas.

- Grato pela dica, caso eu me encontre com esses referidos demônios irei me lembrar de seu nome.

-Sim garoto, faça isso, saiba que os único que foram capazes de persuadir e derrotar esses anjos maus foram três sobrinhos meus que moram em São Paulo, eles são conhecidos por lá como "A Linhagem Real".

- Antes de ir para o Rio eu pretendo passar em São Paulo, me sentiria honrado de conhecer esses três senhores, "A Linhagem Real".

- Todas as sextas eles tocam seus blues numa casa do norte conhecida também com o Beco do Blues próximo ao metrô Ana Rosa, esteja lá e testemunhe a imponência desse trio de homens que honram o nome da família Correia.

- Estarei lá, grato pelas recomendações.

- Boa sorte nessa sua saga.

Edmundo passou dias de alucinações no Piauí, atormentado pela penúria do lugar e abençoado pelo espírito farto daquele povo feliz, absorveu lições de profunda sabedoria passada pelos patriarcas locais.

Mr Martin's passou a véspera da tão esperada sexta-feira se preparando e treinando em sua guitarra para impressionar a Linhagem Real.

Na manhã de sexta feira ele já havia ingerido altas doses de uísque, uma preparação pseudo-morfo para melhor se manifestar, na noite de sexta-feira, ele desceu do táxi rumo ao endereço que o Lord Cachorro Preto havia lhe passado, entrou no local situado no beco do blues e sentiu-se acolhido por aquele clima musical extremamente underground, viu o fulgor do dueto de guitarra e gaita expressos por Nivas Guerras e Correia Bluesman respectivamente, encantado com o que via e ouvia, pediu ao garçom que trouxesse uma dose tripla de vodka, o brilho que Edmundo emanava chamava a atenção das moças presentes no show, certa moça de cabelos longos e pescoço fino aproximou-se de Edmundo:

- Olá rapaz!

- Hello baby!

- O que trás um rapaz tão doce como você a um lugar tão obscuro e lascivo?

- Eu vim para testemunhar a mística do show da banda "Cachorro Molhado", eu soube que o guitarrista e o gaitista são membros da estimada Linhagem Real.

- Sim, aquele de boné e cabelos emaranhados que está fritando na guitarra é o Nivas Guerra, o careca barbudo que harmoniza em sua gaita é o Correia Bluesman e aquele forte que está sentado naquela mesa vip com aquelas prostitutas é o Renato mais conhecido como Son of gun.

O nome de batismo da moça que apresentou os membros da Linhagem Real para Mr Martin's é Mary Angel, curiosamente o nome dessa moça que atraiu-se por Edmundo era de pronúncia inglesa, tamanho foi o magnetismo que os envolveu, eles conversavam e contemplavam o show movidos por uma sintonia plena, e por um silencioso desejo, tácito, porém revelado nos olhares, antes que essa moça tragasse Edmundo e o levasse para outro ambiente, ele levantou-se interrompendo o belo clima dizendo:

- O único membro da Linhagem Real que está desocupado agora é Son of Gun, por isso, irei me achegar a ele afim de saudá-lo.

- Não faça isso bom rapaz! Para se achegar a um membro da Linhagem Real, você terá que passar por critérios rigorosos de avaliação, e se você bem observar verá que o senhor Renato está bem ocupado com aquelas lindas mulheres.

- E o que tenho que fazer para ser avaliado?

- Você já está sendo avaliado, todos forasteiros e novatos que entram nesse bar são observados, aqui nesse lugar as paredes tem olhos.

Mesmo com as recomendações da doce moça, Edmundo atreveu-se e aproximou-se do lendário Son of gun e o saudou estendendo a mão:

- Olá Renato, prazer em conhecê-lo!

- Quem é você para dizer meu nome em vão? Não lhe dei tal liberdade, abaixe essa mão (com olhar agressivo).

- Perdoe-me Senhor, eu vim sob orientação do lendário "Cachorro Preto".

- Está justificado o porquê de sua audácia, sendo assim aproxime-se e sente-se.

- Sinto-me honrado por assentar-me ao lado de um autêntico Correia.

- Aproveite rapaz, poucos gozam desse privilégio, beba e curta o show, afinal, como conheceste o Cachorro Preto?

- Estive pelos cantos remotos do Pajeú, num bar de baião, nesse dia toquei um Baião-Blues juntamente com os músicos locais, Cachorro Preto admirou-se com meu feeling de guitarrista e concedeu-me a graça de vir até aqui para que vocês me aconselhassem na minha maratona nos perigosos becos da Lapa.

- Qual é seu nome jovem?

- Edmundo Martin's!

- Edmundo, olhe para o palco, veja, se tu tocares 5% desse som que o Nivas guerra emite em sua guitarra, se você deixar sua barba negra crescer na mesma proporção de consistência daquela que você está vendo na face do meu Irmão e conseguir verbalizar o sentimento que ele expressa em sua gaita, você não terá problemas nas encruzilhadas cariocas, afinal, você sobreviveu diante do lendário Raimundo Nonato e bebeu na mesma mesa que eu, acredite bom rapaz, você não terá problemas caso encontre com aqueles anjos maus, agora levante-se, vá e siga seu caminho, esse lugar ficará perigoso para você jovem galês.

- Muito obrigado pelos conselhos, e como soube que sou natural do País de Gales ?

- Eu sei das coisas, agora vá.

Edmundo retirou-se do Beco do Blues e foi para o hotel refletir sobre as palavras de Son of Gun, nessa noite ele foi atormentado por uma profunda insônia, pouco dormiu, entretanto acordou disposto para pegar seu voo com destino ao Rio de Janeiro.

Edmundo passou momentos maravilhosos na cidade maravilhosa, ele respeitou os conceitos e as coordenadas que Son of Gun lhe transmitiu, tal postura possibilitou o sucesso em seu Workshop de rifes de guitarra para jazz e blues que ele ministrou na UFRJ, ele também teve êxito na via-sacra noturna naquele envenenado bairro conhecido como Lapa, procedeu de modo difuso nas tendas de percussão carnavalesca, nas mesas de samba, nos botequins de todos gêneros de jogatina, adequou-se a todas as tribos residentes alí, o clima tropical e a maresia que infectava solenemente seus pulmões ativaram em sua memória as doces palavras da amável Mary Angel, a arquitetura tombada daquela região e o alvoroço exacerbado da famosa Lapa ludibriaram positivamente o senhor Edmundo exibindo de modo ilusório a imagem daquela paulista zelosa que o encantara no Beco do Blues em São Paulo, tal efeito sugeriu a Edmundo que voltasse a São Paulo a fim de confrontar-se novamente com esse pseudo-passional proveniente da curta interação entre Mr Martin's e a doce Angel, contudo, ele optou por voltar a sua terra natal antes que esse sentimento o consumisse, retomou a lucidez e embarcou para Gales.

Já em seu berço materno Edmundo canalizou todo aprendizado passado por aqueles astutos brasileiros para suas áreas profissionais e de entretenimento, agregando tais conhecimentos para melhorar sua saúde financeira através de seu talento musical, o período da ausência de Edmundo passou desapercebido por parte de seus amigos, pois eles estavam focados em novas buscas profissionais, contudo a ida de Edmundo ao famoso bar do Ocimar na pequena Ryplei coincidiu no feliz encontro com boa parte de seu grupo de amigos, era a noite de apresentações musicais nesse modesto boteco e essa foi a oportunidade para Edmundo mostrar o seu crescimento musical adquirido nas noites brasileiras, ele subiu ao palco e tocou com grande swing e feeling uma música que aprendeu no Brasil chamada "Olinda Dolly" (Boneca de Olinda), enquanto Mr Martins executava esse blues latino, May Castle surge radiante e depara-se com sua antiga paixão no palco expressando um forte sentimento cantado em português, a presença de Edmundo avassalou com o brilho de May, a música que Edmundo tocava no palco o atormentava, pois essa canção lhe propunha voltar ao Brasil para reencontrar com a bela índia do pescoço fino e de nome britânico, novamente a presença surreal de Mary Angel pertubava Mr Martins, de longe May tentava comunicar-se com Edmundo oticamente, quando ele finalmente desceu do palco coberto de aplausos May Castle o abordou sem hesitação:

- Quanto tempo!

- Hello May, como o tempo te valorizou! Mui bela! Vejo que Mr Adrion está te fazendo muito bem.

- Você como sempre muito simpático, mas não atribua minha evolução ao meu noivo, nos amamos muito, porém nossas inúmeras incompatibilidades está me desgastando por demais.

- O amor basta, esse é o ingrediente principal para sustentar uma relação a dois, ainda que haja desgaste, stresse e renúncias em prol da paixão avassaladora, o sorriso de felicidade movido pelo amor compartilhado entre o casal compensará tais sacrifícios, isso vos mantêm feliz, vos faz bem, tenho que aludir e creditar sua boa forma ao seu grande amor, pois ele é o maior contribuinte de sua felicidade, ele alegra seu espírito, seu corpo aceita o dele, e isso lhe faz bem, lhe faz bela.

- Ouvi boatos de que esteves no Brasil, como foi lá no país do carnaval?

- As situações que experenciei e as pessoas com as quais vivenciei foram extremamente marcantes.

E o que houve de tão marcante?

- Quer que eu enumere por ordem alfabética? A peculiaridade do brasileiro é algo incognoscível para ti, saiba que boa parte do meu crescimento recente como humano eu credito a eles, o timbre e a gana que eles me transmitiram com ações práticas moldaram minhas concepções, só lamento não ter dado maior destaque para um certa moça de São Paulo, estava focado no ensinamento que a Linhagem Real iria me passar tanto no palco quanto fora dele e por isso não pude dar prioridade à ela, porém estou considerando a possibilidade de voltar ao Brasil para reencontrar a doce Mary.

- Vejo que essa moça é muito especial (num tom carregado de desdém).

- De fato, eu compartilhei com ela dos meus deslizes e erros cometidos em certos empreendimentos, as sinceras palavras de incentivo dela falaram alto ao meu coração, ela não mostrou interesse em meu dinheiro; quando estava no Rio de Janeiro, enviei a ela presentes valiosos, ela recusou todos alegando que na verdade queria uma lembraça de valor sentimental, uma moça desprendida de valores materiais, rica de sabedoria e abundante em sua beleza padrão.

As palavras de Edmundo emudeceram a bela May, logo ela recobrou a consciência dizendo em tom inconstante e desentoado:

- Confesso que fiquei parcialmente enciumada, pois tu és verdadeiro em suas palavras, mede muito bem aquilo que diz, nunca usou de dissimulações para comigo, a minha dúvida e indefinição sentimental vem me pertubando desde o dia em que te conheci, oscilo entre o amor que sinto por Adrion e as lembranças da nossa ex-paixão, percebi que os benefícios que o bom Adrion me proporciona não são suficientes para me saciar nessa curta e longa vida...

- É só isso que tens para dizer? Prossiga.

- Quero retomar nosso antigo enlace, estou disposta a renunciar meu noivado, quero casar-me contigo, venho remoendo isso a semanas, finalmente tive a oportunidade de vê-lo para manifestar esse sentimento assombroso.

- Linda May, saiba que jamais esquecerei da nossa quente paixão, caso você queira engrenar comigo novamente eu estarei a disposição, eu seria incapaz de negar fogo à mulher que me fez vibrar, no entanto não pretendo cultivar aquilo que seu noivo não soube terminar, porém, hoje isso não será possível, tenho um encontro com meus familiares logo mais, irei anunciar a eles minha ida definitiva para o Brasil, pretendo voltar a São Paulo e por lá ficar, quero reencontrar Mary Angel, serão raras as oportunidadades em que virei a Ryplei a fim de visitá-los, quero me estabilizar por lá, estarei aqui por mais três dias, se o caso for me ligue, tome meu cartão com meu novo número, aguardo ansioso por sua ligação, até (colocando o cartão em seu decote acintoso).

May não compreendeu muito o que Edmundo disse, apenas o observou virando-se e saindo daquele salão esfumaçado.

Edmundo passou esses três dias despedindo-se dos inúmeros camaradas residentes em toda capital galesa, passou por um ritual de despedida familiar onde seus irmãos lhe concederam a requerida benção já que seus falecidos pais não podiam, no terceiro dia ele partiu para São Paulo sem saber se seria aceito por Mary Angel, entretanto, ele foi otimista e altamente empolgado, pois assim com dizia a bela May Castle, "o talvez torna a vida um pouco mais atraente".

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O estranho reconhecimento


Dizem que os bêbados são verdadeiros em suas palavras, um determinado rival, um certo adversário, compartilhava de um mesmo ambiente festivo que eu, estávamos bebendo na mesma mesa e nesse dia ele ofendeu-me agressivamente por questões que não vêm ao caso, e curiosamente nesse dia, mesmo ele se opondo a mim, o "miserável" fez questão de enumerar e dar destaque ao meu talento com jogador de futebol, no meu blog nunca mencionei as minhas aptidões como boleiro, talento atípico que desenvolvi com duros treinamentos ministrado pelo meu irmão mais velho, porém esse recente episódio que envolveu esse bêbado revoltado obrigou-me a verbalizar de modo mais apropriado as palavras de louvor que ele atribuiu as minhas característcas nos gramados e nas quadras, segue portanto de modo mais retórico o que esse belo homem me disse:

"Correia Bluesman dispõe de uma técnica apurada, ele soma sutileza com agressividade, é detentor de uma elegância similar a de Ademir da guia. Tem a serenidade e a astúcia de um zagueiro sacana, malandro, seguro e convicto com a bola no chão, dribles curtos, lentos e desconcertantes. Regula e tranquiliza a saída de bola. A sua cadência envolvente desmancha o marcador. Não é um artilheiro, mas o seu arremate é venenoso. Zidane, Alex dentre outros são tão engenhosos e de fino trato quanto ele, decisivo com suas cortantes estratégias e ligeiras catimbas, um volúpio mago da bola".

Erro bem-vindo

Os níveis de rejeição são separados por níveis de condições, volto a bater na tecla de que a decepção é equivalente a expectativa, dentro dessa esfera, a rejeição talvez também seja do tamanho da espera que foi criada, mesmo considerando esse pressuposto, há situações relativas que fogem à essa regra, há casos de expectativas que nascem inspiradas pelo talento prodígio de determinados seres, todavia, em muitos casos esse referido talento nato desses supostos jovens promissores é mal aproveitado por outras dificuldades que também fazem parte desses "meninos de ouro" e em virtude dessas deficiências o "talento" é mal cultivado e suprimido e em casos como esses ocorrem sentimentos de frustração por parte dos expectadores, há casos de expectativas frustradas que surgem através de erros correntes em projetos que envolvem grandes massas, erros que são inerentes a projetos que estão em estágio embrionário, entretanto, não há rejeição por parte dos expectadores, do público e dos envolvidos no projeto, pois os envolvidos mantêm-se focados em seu alvo, de tal modo, esses erros são positivos por servirem de ensinamento e experiência, nesse caso acontece uma evolução gradativa e aquilo que foi esperado é compensado de modo mais amplo e magnético.

A palavra nunca volta vazia

Conforme fora dito por Leônidas rei de Esparta é imprescindível medir as palavras que são ditas diante de um rei, pois tais palavras irão determinar a sentença que será dada mediante a situação, dentro desse mesmo conceito, um de meus apóstolos respeitou esse ensinamento e assim mediu cada palavra que disse diante de duas rainhas, essas moças de graça monárquica eram destaque por serem demasiadas generosas, eram expectadoras de um show destinado à plebe, dividiam com os rudes a vossa companhia, os componentes desse ambiente eram privilegiados pela presença dessa dupla de rainhas e assim deslumbravam-se com tamanha excelência, todavia, um audacioso plebeu atreveu-se e achegou-se até às moças da corte e manifestou o louvor das quais elas são dignas, os expectadores observavam atentos a audácia do meu subordinado ansiosos pela repercussão desse feito, as nobres rainhas em resposta à postura petulante do pobre discípulo de abeirar-se à elas surpreenderam a todos com doce ternura e disseram intercaladamente: - Belo Rapaz, aproxime-se mais, venha você e os que estão contigo e se assentem ao nosso meio. Nesse episódio houve aproximação entre a nobreza e a plebe, ambas classes compartilhavam juntos do show do grande músico brasileiro Marcelo Camelo.

As palavras, os olhares e o calor que fora compartilhado entre as rainhas e os integrantes da plebe, proporcionaram uma bela recompensa para meu apóstolo o regente daquela interação e seu mestre Ronaldo Bluesman, elas nos presentearam em sinal de gratidão com quatro ingressos para o mega show do Marcelo Camelo no City Bank, no dia do show elas nos apanharam, estavam numa carruagem com uma linda motorista que nos conduziu até o show, os ingressos eram para o setor de camarote, nós porém as convencemos de ir para a pista defronte para o palco para que elas sentissem o fulgor do show hermânico, foram tantos "pois é", "todo sentimento me carrega", "é de se entregar a sorte", "pode rir agora", "cuida bem de mim", "sou de todo mundo", "golpes de pincel", "assim é que se faz", estive em quatro shows do Camelo, dois pockets (intimista), um grande show na virada cultural e outro super show em Moema, não obstante a esses vi um bom show mediano na Just fest com o Los hermanos e outro show tenebroso na Fundição Progresso, tudo isso "registrado em cartório", sendo assim, vale dar destaque às peculiaridades de cada show no campo "Cameliano", começarei pelo show intimista no Fnac, este foi bastante empolgante pelo contato direto ao artista, presenciamos a passagem do som que antecedeu o show e o gravamos por vários ângulos, já o show da Livraria cultura superou o do Fnac pela engenharia de som e pela redenção do Camelo em falar as interpretações de suas canções, (hoje eu entendo o Camelo em ver os nossos poucos fãs fazendo os mesmos apelos), o show da virada cultural foi de imensidão equivalente à grande metrópole São Paulo, com o Los Hermanos na just fest ele surpreendeu com "Assim será" e elevou o nível de um show morno, porém muito bom, quanto ao show na Fundição progresso, vos convido a assistir o DVD e tentarem traduzir a honra de testemunhar esse grande espetáculo registrado na própria pele, todos shows foram excelentes dentro das características da situação, contudo, dou maior relevância para o show que marcou o recesso da banda, o show no City Bank foi engenhoso pela postura exótica do público paulistano, eles estavam intimamente linkados à banda que orquestrava as poesias de Marcelo Camelo, um público sintonizado que ecoava as ondas sonoras provenientes do palco, um público ornamental, fica portanto a gratidão pelo agradável clima que as nobres moças nos concederam, o reconhecimento pelo sincero gesto de carinho, guardado na memória aquilo que fora dito por elas, afinal, aquilo que é dito sempre tem retorno, a palavra nunca volta vazia.

Meu povo, mecem bem suas palavras!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Eu amo esse camarada

video

Que todos me perdoem e podem me considerar um blasfemo por referir-me a Ele, a Buddy Guy, o melhor guitarrista dos universos paralelos.

Homem de guitarra preponderante e arrogante, virtuosismo incalculável, há eternidade na sustentação de seus bends, tênue, explosivo na progressão mentirosamente ascendente que decai em sentimento verbalizado na sua preta de bolinhas. um guitar player que ensina a essência do ser amante no palco que o revela, que mostra e se mostra, um monstro, devora o tempo em ação; ação de um vocal tenebroso, esse cabra é bom, cabra da peste, misericordioso e fraterno para com seu público, Buddy Generoso. Pilantra, tem sempre uma carta na manga, confiem em Buddy Guy.

No show chega e não tem hora pra parar, se lhe recair a palavra e lhe sobrevir o clamor, ele lá estará entoando o lamento, estará vibrando, ecoa a comemoração sem saber que o fim está próximo, Buddy não é cronológico, ouve o ruído do relógio de areia e o observa.

Aparição impactante, aparições impactantes, é necessário ser político e respeitar as palavras que saem de sua guitarra, pois se elas caírem no esquecimento e forem desrespeitadas com palavras torpes, Buddy Guy aparecerá como um ladrão da noite e surpreenderá a todos, aparecerá diante da black sweety little angel acompanhada de seu demônio.

Buddy Guy eu vi, o xero viu o seu cheiro, Buddy we love you.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Surge impactante

"Malte e Vinil" o poder desse título também passou pelos minérios do nosso compacto filtro.

Transmite ondas cortantes atravéz de rifes mordazes da guitarra rock-blues, acordes infernais de feeling mississipiano.
Nivas Guerra, O erudito senhor do som.

Traduz a forte linguagem da harmônica Blues, sapiente na improvisação etílica, voraz na negociação externa.
Correia, O diplomático senhor das letras

terça-feira, 21 de julho de 2009

Duras condições

Um caminho por onde ninguém vai, garimpar em busca de um sonho, para mim e pra você, um lugar distante daquele pequeno castelo que não cabe uma mulher grande em conivência a um homem grande, o rei permite apenas cavaleiros de média estatura e de zero astúcia em seu nobre castelo, uma prevenção compreensível, diferente da rainha que favorece a ambição do grande homem, com o consentimento da rainha ele partiria em uma longa jornada de descobertas, de escorregões em lisas trilhas, de quedas em profundos abismos, de escaladas em altas montanhas, de observações em imensos picos, de insolação e hipotermia nas variações climáticas da cruel natureza, por esses capítulos haveriam sagas místicas, tenebrosos enredos, jogos mortais e perigosas estradas onde a manha e a dolosa destreza humana iria se opor, haveriam diversas faces adversárias para travar e impedir as ações do cavaleiro com sua princesa, esses duros e pedrosos caminhos desalentaram a ingênua princesa, ela esmoreceu diante de tanta aventura e pediu que voltássemos para o castelo, lá ela tem a proteção, ela quis refugiar-se novamente em seus antigos costumes de quando ainda era uma criança, ela quis retornar ao seu descanso, descanso esse do qual ela jamais esquecerá. De tal modo, o cavalheiro partiu para esses desafios sozinho, imperando a sua diplomática eloquência e desferindo sua espada cortante nos demônios medievais.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

" Dispenso a previsão "


Ela me disse que aquelas canções ecoam pela liberdade, andar de bicicleta pelo infinito plano transpassando pela primavera e outono é como aquelas doces canções.

A menina de Castelo diz que minha estrada não faz parte de seu caminho, associando-me a um verme rastejante.

A bela diz que ama minha "liberdade", ama a essência musical mostrada nos compassos poéticos que são cruelmente crucificados pela moça que me aprisiona.

A bonita desembaraça minha barba e clama para que eu jamais a remova.

A senhora leva-me consigo concedendo-me a honra de participar de sua nobre e seleta seia social.

O bloco de músicos elevam a criação das minhas introduções harmônicas.

O visionário me põe numa condição desconfortável para que eu cumpra com as incumbências que me foram atribuídas.

Minhas leis quem cria sou eu

" Mas eu quem será "?

Cortar o mal e o mau pela raiz.


Um bom gestor mantêm sua equipe, ele a tem sob controle, ele raramente demite seus subordinados, ainda que não haja valores de amizade entre empregador e empregado, ainda que ambos sejam incompatíveis, o empregador deve portar-se profissionalmente desprendendo-se de picos emotivos, afinal, aquele empregado cujo as ações fora do ambiente de trabalho são condenadas, é o mesmo homem que faz sua empresa andar, mesmo ele odiando o seu patrão, ele assume posturas eficientes e positivas no que envolve sua profissão dentro da empresa que o emprega, desse modo não há razão para demitir um funcionário produtivo e eficiente pelo simples fato de não haver simpatia entre as partes, até o mais ingênuo dos seres não abre mão de algo que lhe convém, não dispensa alguém que lhe faz bem, de modo sábio preserva e mantêm ao seu lado os queridos entes e todos aqueles que mesmo não sendo queridos são mantidos no meio por determinados interesses que não abrange laços de amizade ou afeto.

Dentro da realidade de uma banda de blues as regras de profissionalismo são diferentes em relação à bandas de gênero pop, para compor uma banda de blues é necessário atender três requisitos indispensáveis, "camaradagem", "talento musical" e "comprometimento", esse três atributos são primordiais para que exista o progresso dentro da banda, pois se o integrante de tal banda for bom músico, gente boa e não tiver compromisso ele irá prejudicar a banda por irresponsabilidade, se ele for gente boa, comprometido, extremamente dedicado e não for bom músico ele irá comprometer a banda por insuficiência técnica e falta de talento, e se ele for excelente músico, dedicado e for um "pau no cú" arrogante, também não servirá para integrar o grupo, pois a mística que envolve o ambiente blueseiro é a camaradagem e a cumplicidade entre os membros, isso é dito em razão das inúmeras formações que nossa banda de blues teve, passamos por um processo de filtração onde vários integrantes passaram por testes para compor a "Cachorro Molhado", e hoje com o time fechado é possível dizer e compartilhar dessas regras básicas para o bom funcionamento de uma banda de Classic Rock-Blues, eliminamos aqueles que não atendiam esse padrão e mantivemos os que honram e atendem esses requisitos.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

A big-legged woman ain't got no soul.

Misericordiosa, piedosa, move-se para os seus não moverem-se a perdição.

Invado seu castelo inesperadamente, ela manda-me subir, é como se estivesse no vale das bruxas, um vale arejado onde o vento não sopra, lá não encontro os meus bens esquecidos.

Ela é a luz para os bonzinhos, ela condiciona-se a fofura do menininho.

É a senhora maldade, alimenta a escuridão que não me pertence, pelo menos não deveria ser direcionada a mim.

É a senhora luz, leva luz a quem precisa.

Amaldiçoa os que desafiam o perigo, suas maldições refletem em si, os vilões que duelam com o mal e contra os maus rebatem os encantos da principiante bruxa.

Uma bela bruxa, imperou com várias cores de cabelo, detém certo desequilíbrio mental que deteriora o meio ambiente, perfeita em cálculos, é cénica, não é cínica, no executivo pode ser prefeita, ou uma perfeita presidenta, mas isso, só no futuro quando desvincular-se do desgoverno temperamental, afinal o grandes chefes estatais são brandos, eles machucam em tom tênue, palavras torpes e chulas aparecem em tom figurativo nunca em sinal de nervosismo.

Ela não tem alma, ela tem pernas, que pernas meu Deus!

Afugenta-se na estupidez alheia, bem próxima de seu travesseiro.

Moça delgada em seus desvios imprecisos e talvez desnecessários, afinal isso sim é vencer a luta vã.

Tenham-na como campeã, pois a força de sua respiração é a justificativa dessas eternas referências, essa mulé incita a questão do "eterno ou o não dá", pois os caracteres que justificam o "não dá" são solúveis, já os componentes que contribuem para "o eterno" são rígidos.
..
Não fujo dessa maga mística do Piauí, desconheço a covardia, não esquivo-me dessa boa moça, pois sei do bem que faço e do mal que ela me faz, mas como estou do lado do mal posso fazer um bem para essa que está má e que é má, meu bem.

terça-feira, 14 de julho de 2009

"O céu está vermelho"

Oxigênio, atrito e calor são elementos indispensáveis para que haja combustão.

A chama nasce e necessita de alimento para se manter viva, de bom combustível para se manter vívida.

A chama se apagou por não dispor de oxigênio, faltou calor!

A música estava morna, os discos simbolizavam os maltratos, por falta de insanidade o fogo apagou, sem loucura não tem fogo, fogo artificial, precisa de elementos químicos e composições entorpecentes para ascender, paixão flamejante que queima e destrói famílias e sonhos, um fogo que tortura mais que o lago de chamas do juízo final revelado no livro de Apocalipse, esse fogo passa devastando com o breve tempo de vida, esse é o fogo da loucura.

O oxigênio que está no vento e que sempre esteve no tempo é uma ferramenta que utilizo para gerar notas, ele quando aspirado ou soprado produz escalas melódicas que harmonizam e aquecem os "ouvidos que ouvem".

No palco equipado com minhas harmônicas peço a mãe natureza que me empreste um pouco de seu oxigênio para causar uma combustão no público presente, em locais fechados tudo o que há derrete, em locais abertos o céu enrubesce e é o combustível para o "fireblues", e assim, acompanhado da desritmia percussiva promovida pela violenta bateria rock, do swing e fervor dos grooves do baixo e do feeling da safada guitarra, acontece um forte atrito que vibra acintosamente fazendo com que surja uma poderosa chama, essa é a chama da ressureição a chama que queima e que eleva a determinação do ser.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Santa Chuva

Do alto do topo avistava a feira, ele não era residente do condomínio para participar, viu-se obrigado a pular o muro pelos cantos longe da visão dos guardinhas, ele queria testemunhar o esplendor proveniente das barracas de frutas, queria participar do barraco das baianas, ver as crianças roubando frutas pelas margens das bancas; já dentro do condomínio particular e infiltrado na feira noturna, ele auxiliava as senhoras com o peso das sacolas de modo galante, chutava os cães miúdos que rondava a tenda do churrasco, os refletores resplandeciam a sua lata de cerveja, sua intuição inconsciente o premiou de modo inesperado, pois ela estava entre a banca de pastel e o carrinho de caldo de cana, de tal modo ele a abordou com sutileza nos movimentos e agressividade no olhar, a consistência da negrura de sua barba era repulsiva porém paralisante, de certa maneira sua barba prendia a atenção das ouvintes, e dessa vez ele finalmente a encontrou, encontrou justo essa moça que a muito tempo não se confrontava com o "perito invasor", justo ela que se tornou incapaz de fitá-lo por sustentar uma postura incondescendente e dissimulada, estava acuada, tom de voz alterado e hostil :

- Hello baby, eis-me aqui, diante de ti outra vez, dessa vez não abrirei meu coração, ele está selado, quero apenas tomar um copo de caldo de cana em sua companhia. Ele virou o último soneto de cerveja que remanescia em sua lata garganta a dentro e estendeu sua mão dizendo:

-Tenha a bondade moça, se porte como uma descendente do Piauí, deixe sair esse samba que está dentro de ti e acompanhe-me para um papo diplomaticamente blues, faça como o mestre Ademir da Guia, drible de modo elegante esse zagueiro que te trava e venha.

- Desculpe, mas não consigo mais, você tá me deixando nervosa, meu.. o que de novo irá falar ? Nada.

- Não jogo palavras no vento, confie nelas, elas serão reveladoras, quentes, tão quentes quanto o óleo que queima naquela concha de pastel.

- Pra mim não servirá de nada! Já disse que estou cansada, não quero ver você, não quero, que bosta! Ela dizia em tom exageradamente exaltado, com um profundo ódio.

- O meu lamento reside na importância do tema que iria tratar contigo, esqueça todo esse seu temor e siga-me, vejo nitidamente sua resistência, mas mesmo assim insisto.

- Não insista com esse papel rídiculo de querer se encontrar com uma pesssoa que não te quer por perto.

- Receio que de fato minhas condições não estão favoráveis para essa almejada interação, sinto que não terei a mesma facilidade que encontrei de invadir essa feira para invadir seu coração, estás segura e decidida.

- Entenda, eu não quero te ver... respeite isso.

- Assim será, não quero incitar a fera que habita no interior de sua alma, não quero que me atropele na primeira oportunidade que tiver, afinal, tu já tentou me matar em outras oportunidades, denunciando-me como o vilão da história para isentar-se da dor do repúdio, saiba que minha máquina é quente e sabe o momento de sair de cena para não se resfriar.

- Isso mesmo, faça isso desapareça, não atravesse meu caminho ou baterá no espinho e se machucará gravemente, e dessa vez não terá cura, não seja louco e deixe-me em paz.

- Não sabia que estava roubando sua paz, tenho fama de lobo mau, mas não sabia que promovia tanta pertubação em vosso ser, vim ao mundo para promover o novo, o bem e o mal, eu os faço, mas eu tenho muitos edifícios para explodir, não posso perder tempo, você até que seria uma boa aliada nessas engenhosas invasões, contudo, optou por condições mais amenas, mais sólidas e palpáveis, sem muitos riscos.

- De fato, prefiro não me aventurar em anseios levianos, quero acompanhar quem dispõe de ritmo igual ao meu, somos incompatíveis, eu estou começando a ficar com medo de você com essas idéias de como seria nós juntos, eu não gosto de você, nunca gostei, repito e repito, eu não quero você, nunca me despertou nada.

- Ok querida, lhe dou de volta o seu sossego, lhe devolvo a sua paz, te aconselho vigiar os males da vida, vigie e siga essa pedrosa estrada, não lhe digo adeus, pois talvez um dia quem sabe nos encontraremos nas encruzilhadas desse planeta para falarmos sobre os amores mal vividos, afinal isso é o blues. Em seguida ele a agarrou abruptamente e despediu-se com um beijo caloroso e longo, apenas nisso eles são incontestavelmente compatíveis, ele a soltou e teve novamente a chuva como antagonista em sua volta pra casa.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Caminhos de uma motocicleta sem setas.

O sistema está em constante variação, a incapacidade de prever declínios e contratempos futuros sugere que se tenha sempre uma carta na manga, ter um plano B, afinal, as oscilações humanas contribuem para o desandamento de planos e projetos, se há tempo hábil para retificar os erros cometidos no desenvolvimento de tais intentos, corra contra o tempo para honrar com os compromissos assumidos, considerando isso e sapiente do caótico trânsito de São Paulo uma motocicleta seria de grande utilidade por sua mobilidade e rapidez, e foi a rapidez de uma motocicleta sem setas que possibilitou que reparássemos dentro de um intervalo curto de tempo os danos causados nos atuais empreendimentos.

Por rodovias, avenidas, ruas, vielas e até mesmo em becos sem saída, encontramos destroços passionais, vimos o refugo do desconsolo, deparamos com a consolação etílica, novas faces, umas de fácil entendimento, outras de face difícil, projetamos os impasses do viver de modo ativo, a cada face visitada um encontro diferente, bons e maus, na rua da tristeza derrapamos na felicidade da feliz, na radiante avenida iluminada colidimos com a amargura da indecisa, fomos alcançados e ultrapassados pela destreza das estradeiras de plantão e assim mantivemos velocidade equivalente, nos becos éramos acuados pela obscuridade, mas o farol aceso revelava que aquela escuridão era falsa e assim prosseguíamos rumo ao alvo, assimilávamos cada caminho, cada endereço, o mapa dos algures estava anexado na mente, muitos foram os pontos de referência, no fim dessa rota houve um ligeiro ar de hipnose promovido pela arquitetura vegetariana, a flora manifesta nas paredes conduzia olhares, a ilusória hostilidade fora justificada por timidez e mesmo inadepto aos místicos ares que rondava aquele cerco, fui enganado pelo sorriso maligno, esse sorriso driblou as tropas de defesa, confundiu as sentinelas da madrugada, habilmente infiltrou-se em minha fortaleza e de modo solene aplicou o golpe de misericórdia no imponente Rei, foi um impiedoso xeque mate, esse sorriso extinguiu com o aparato do nobre rei e saiu vitorioso desse duelo desleal, no final desse "genjutsu" prossegui para o próximo endereço sangrando a face, assimilando a sujeição anterior causada pela menina das meninas.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Eu a chamo de menina


O baterista da "Traditional Jazz Band" fez uma referência ao jazz perfeitamente cabível dizendo que 98% das letras jazzeiras dispõem de palavras como "baby", "darling" e "women", essa é a prova de que um jazzeiro é intensamente linkado e viciado na figura "mulher" (De fato os jazzeiros são viciados nelas).

Uma amiga disse-me que as grandes composições poéticas e as grandiosas canções são referências à mulher, é a prova da causa e efeito que as mulheres submetem os homens, isso no blues pode ser posto num sentido literal (verdadeiramente um bluesman não pensa em nada que não vá levar à elas).

Um amigo meu artista plástico, autor, ator, figurinista, não conhecia grandes nomes do blues, em função disso eu o apresentei grandes músicos como Robert Johnson, Muddy Waters, Sonny Boy Williamson, Jonh Lee Hoocker, Son House dentre outros mestres, em uma semana ele disse-me: "Meu caro, afaste-me disso que você chama de blues ou eu irei me tornar um verdadeiro heterossexual, amante incondicional do ser feminino, que letras maravilhosas e extremamente - surpreendentemente bem feitas em sua construção, quisera eu entender o poder que essas mulheres exercem sobre vocês homens do blues, definitivamente tenho que creditar à elas o mérito dessas maravilhosas composições".

Eu compus um blues para uma moça e essa canção está em plena difusão no nosso meio, e esses conceitos me veio à memória por ter me encontrado com ela ontem e entender através de seus olhos os porquês que me inspiraram a criar essa grandiosa música, entendi o poder que uma moça especial pode causar no lado artísitco de um jazzeiro, conforme é dito no meio dos diplomatas do blues: "precisamos delas em nossas canções", por mais que as letras agreguem valores políticos ou manifestantes, saibam que sempre há uma mulher por trás que move a revolução do compositor do blues.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Criança vingativa

A artéria pulsante proclama o desejo, um desejo que jamais existiu, foi apenas um gesto de vingança infantil, brincadeiras indevidas.

Não busque a desforra através de um ser alheio aos seus desvarios, busque sim naquele que te entortou, vingue-se sim, mas não vitime o inocente em troca de satisfação vingativa, afinal no final tudo volta a ser como era, mesmo com a vingança instituída a insolência passiva é retomada e maquiada pela inexplicável obsessão mútua de ambos personagens, personagens compostos por igualdades, eles são iguais em seus vergonhosos desejos implícitos, eles gritam internamente e mostram-se incapazes de se desprenderem pela eminente compatibilidade, magoam-se desnecessariamente pois a quentura da paixão resfria-se pelos ventos novos que sopram em seus novos e curiosos semblantes, em sumo crescimento deslumbram-se e machucam petulantemente os seus verdadeiros parceiros, escondem, mas, mostram que o amor está alí revelado na tolerância dos pecados cometidos entre si, sempre se perdoando em respeito à bela infância vivida juntos, carregada de risos e configurada por desrepeito que é humanamente compreensível e naturalmente condenado, o valor de tudo isso está na liberdade arbitrária que é judicial e divinamente lícita, então para nós que estamos de fora eles nos dizem "malmequer", eles se aquecem nesse inverno e que tudo mais vá para o inferno, principalmente aquele que fora vítima dessa linda vingança urbana.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A paciência


É no mínimo curioso relembrar dos episódios inusitados de audição avaliativa para vocalista que minha banda de Classic Rock-Blues aplicou ao longo dos últimos dois meses, surgiram seres de diversas faces, tribos, religiões, de várias realidades sociais, de distintas idades e culturas. irei compartilhar convosco alguns fatos marcantes de algumas avaliações:

O primeiro candidato era um rapaz alto, magro, vistoso, bastante sorridente e de estilo hindu, este manifestou todo seu amor ao Renato Russo e às artes cénicas, classificando-se como um homem de voz bonita, com isso eu lhe fiz uma pergunta: Você conhece o cachorro preto? Ele respondeu que não, disse que tem pavor a cães e que adora gatos, imediatamente ele fora dispensado pelos olhares repulsivos dos auditores Nivas Guerra e Bluesman.

O segundo a princípio causou boa impressão por ostentar uma ligeira barba, vestia-se de modo bem "Baião", mostrou-se adepto ao Rock, contudo, conhecia absolutamente nada de Blues, ele teve a capacidade de perguntar o que viria a ser um Blues, nesse dia ele quase conheceu o limbo e fora descartado automaticamente pela blasfêmia.

O terceiro logo de cara mostrou-se bastante seguro em seu vocal, Geddy Lee incorporou esse rapaz, não demorou muito para ele dizer que abomina alcólatras, que basta o cheiro do álcool para ele enjoar, dito isto, bastou poucos minutos para ele perceber o nosso bafo de cerveja e se auto eximir de tal banda.

O quarto de modo bem arrogante disse não ter problemas para cantar em Inglês e que alcança timbres agudos e graves, nesse processo lhe fora proposto interagir com uma amiga nossa de natureza lasciva, ele recusou-se alegando não fazer amor por fazer, disse que tem que ser muito mais que prazer, nem será necessário dizer que ele foi desaprovado.

O quinto candidato atendia os requisitos necessários, 27 anos, idade perfeita, idade que reúne a gana e ambição que é própria da juventude e a segurança e firmeza da maturidade sem carregar vislumbres vãos típicos em adolescentes, excelente cantor e músico, gente boa, todavia, de postura totalmente provinciana, temeroso em se aventurar no novo, uma vela que está apagando, o comodismo dele é tão contagiante que na mesma semana o demitimos.

Após esses cinco primeiros, entrevistamos mais alguns e mudamos a manobra para encontrar um vocalista, estávamos perdendo muito tempo com as complexidades que envolvem a natureza de um cantor, ou de quem se considera como tal, não tivemos êxito nessa nova estratégia e assim decidimos repatriar o antigo vocalista da banda para honrarmos com os show que temos agendados para esse mês. Assim que passar a data desses shows, voltaremos a buscar um novo vocal pra fechar o time em definitivo e traçarmos metas para essa nossa tenebrosa aventura musical.

Boa sorte para nós!

domingo, 21 de junho de 2009

Eu sou pequeno.


Seres são distinguidos através de seus diversos níveis, onde patamares são estabelecidos mediante valores hierárquicos, uns ocupam altas posições privilegiadas, outros posições minúsculas de pouca relevância, essa diferenciação é fruto da distinção de qualidades e aptidões de cada ser, uma vez que, uns gozam de talentos supremos e outros não, com isso, são criados quadros para agrupar cada ser na sua posição adequada conforme o seus níveis de assimilação.

Maestros, executivos, legisladores, judiciários, ministros, "inquisidores", líderes de diversos postos por suas posições supremas assumem posturas grandiosas em razão do título que é ostentado, isso para dar valor a honraria que lhes fora concedida, entretanto, há quem se deslumbra com o poder e alimenta o monstro da arrogância e portanto são consumidos por esse devorador e assim perdem a própria identidade, por outro lado existem aqueles que usufruem desse poder sem esquecer-se de valores humanitários de tal modo que a postura humilde prevalece sobre a soberba e é aí onde reside a maturidade humanitária, visto que todos nós compartilhamos de condições fisiológicas e biológicas equivalentes dentro do pequeno globo terrestre, pois se olharmos e tentarmos conceber a grandeza do universo veremos o quão pequenos somos, de tal modo que estamos na condição de "lixos" equiparados às infinitas galáxias que brilham na imensidão do infinito.

sábado, 13 de junho de 2009

Child in time.

A evolução do ser é contínua em seus diversos níveis, existem aqueles que num curto intervalo de tempo adquirem novos conhecimentos e informações em grande proporção, isso no campo musical, profissional, humanitário, filosófico e principalmente no âmbito do auto-conhecimento, por outro lado existem aqueles de nível de assimilação mais retardado, que passam longos anos de estagnação, apreendem novos sabores, mas em baixa escala, dentro dessa ótica aniversariar tem duas vertentes, a positiva e a negativa, para aqueles que usufruíram bem do tempo adquirindo bastante conhecimento aniversariar se torna algo satisfatório, onde se vê uma vida abundante em razão da realização dos ideais, entretanto, aniversariar também pode ser negativo para quem conduz o tempo de modo errado, afinal, ver a vida passar e se distanciar de metas, de objetivos é uma tortura para aqueles que estão navegando no mar da ilusão.

A palavra "estrada" representa bem a faceta do "bom vivant", pois comprovar por si mesmo que a terra é redonda é a meta principal dos amantes da vida, esses levam a vida devagar pra não faltar amor, não agem baseado na consequência, não se prendem no "pecado", amam os bem intencionados com a arte de viver, desprendem-se de vaidades e envelhecem de modo rejuvenescedor, eles choram, choram apenas no momento da alegria e harmonizam de modo impetuoso a verbalização do sentimento.

Certo ser merece destaque por proceder de tal maneira, certa moça, a inspiradora! :

Vem meu bem vamos fazer um ritmo criar o que ninguém vai nos dar
Andando ao seu lado a vida é sem defeito e desse efeito te deixo sem jeito

Hello baby, hear I'm now
Without know you are smiling

Veja bem minha jovem, nossa lei quem cria é você
Cada quem, cada qual, cada quê, sem saber você sorri

Naquele desencontro o bem se fez de mal
Queimava a chama que não extinguiu

No mundo atribulado sobrevivo ao tempo
Envaidecido pois você me sorriu.

Hello baby, hear I'm now
With such smile, you don't hurt me

Veja bem minha jovem, minhas leis irão te comover
Eu criei esse bem pra você, seu mundo expresso em mim.

Música: Correia

segunda-feira, 1 de junho de 2009

She shook me all night long!

Fomos impulsionados pelo sentimento verbalizado na harmônica blues regida pela excelente banda que comandava o grandioso show no centro cultural São Paulo, as injeções de ânimo que recebíamos gradualmente no decorrer do show nos obrigaram a ingerir cada nota daquele show de modo minucioso, com isso, fomos abastecer o refrão que envolvia o bom funcionamento cerebral com chops e tequilas, desse modo, instaurou-se uma paixão desenfreada, difusa e essencialmente mútua, esse desejo compulsivo que me envolvia e que consumia a minha nobre acompanhante nos teletransportou do bar para o táxi, do táxi para a hidromassagem, na margem da hidro o nosso combustível estava presente ostentando os seu 12 anos de cultivo, a trilha sonora do ambiente era propagada pela guitarra de Angus Young e liderada pelo vocal de Ian Gilan, um clima altamente fervoroso e tenebroso, tamanha foi a força da união dos flamejantes corpos que as paredes tremiam, o universo tremia, o firmamento tremia. Tremiam! She shook me all night long!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Janelas de Adeus


Chinesa, em seu globo ocular se formava o sonho, o verão, a flora, poluição com cheiro de liberdade.

Colombiana, contagiada pelos arranha-céus, humedecida pela garoa, colore a metrópole acinzentada.

Inglesa, o fervor do sol do meio dia tingia o rubor em sua alvura, impactante na transposição do seu par de jóias azuis.

Indiana, misticamente hipnótica, confunde a sofisticação de modo exótico.

Argentina, hermana má, imponente em solo vizinho, os vizinhos agradecem.

Welcome to Brazil.

No mercado municipal. Chinesa seduzida por nossas especiarias.

No bar do corisco. Colombiana mostra a "caliência" latina.

Na esquina do samba. Inglesa acanhada por falta de swing, grandiosa por excesso de esplendor.

Na estação do metrô. Indiana incita super lotação num mesmo vagão, o poder da atração.

No Parque Antárctica. Argentina vestida de Boca, deixa palmeirenses de boca aberta.

Façam como elas, descubram por si mesmo que a terra é redonda, mas cuidem para não se perderem na imensidão desse planeta, vos digo, a hora do adeus pode ser fatal.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

"Paradois"


O ingrediente principal para garantir a sustentação em um relacionamento quer seja ele conjugal ou de namorados, é a mutualidade no sentimento expresso, quando existe reciprocidade nas declarações de afeto, não ocorre situações de constrangimentos para as partes relacionadas, o dia dos namorados se aproxima, há diversos casais que preservam anos de namoro, existe a distância interestadual e até intercontinental e mesmo assim o romance sobrevive em razão da autenticidade do amor declarado e assumido e é nessa época que sobrevêm a confirmação do amor entre os namorados, há casos também de relacionamentos que sobrevivem através de apelos emotivos, ameaças e até chantagens obsessivas, nesse caso, a data que comemora a paixão dos casais produz na parte não correspondida a dor e a angústia de saber que o seu(a) parceiro(a) não se alegra com tal data, pois o seu coração bate por aquele(a) que está ausente, portanto, o dia 12 de Junho é uma data destinada para dois, dois que falam a mesma língua e que se sintonizam de modo recíproco.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Camelando

Noite de paradoxos, meu irmaozinho de dez anos, foi ao palco e tocou bateria, os aplausos designados a ele foram mais intensos que o longo beijo de "Janta".

Tantos foram os críticos que condenaram o lindo romance do casal Marcelo Camelo e Malú Magalhães, foi altamente comovente para todos os apaixonados que estavam presentes no pocket show na livraria Cultura (Palestra Itália) ver ambos executando uma bela versão de "Janta", juntinhos em um dueto, compartilhando do mesmo microfone e no final da canção um longo beijo apaixonado, três rapazes presentes nesse show outrora crucificara essa relação atípica entre o "lobo mal e a princesinha", condenaram tal união em razão da distância de idade entre eles, esses rapazes foram traídos de modo irônico por esse conceito, um desses rapazes no ambiente do show, interagiu harmonicamente com uma doce moça de 16 anos de idade, moça de corpo robusto, de sorriso breve e marcante, destruiu com o coração do mesmo, os outros dois rapazes após o show num boteco na rua Cléia, encontraram duas mocinhas, ambas com 16 anos de vida e essas menininhas surpreenderam esses rapazes os conduzindo ao ato de copular, num mesmo dia três homens movidos por três menininhas, três brinquedinhos,três pequetitas que reduziram atravéz da doce puerilidade e "inocência" a sagacidade de três homens essencialmente diplomáticos.

Vale destacar que a Maluzinha do Camelo, também de 16 anos, nos deu a interpretação da engenhosa canção "Além do que se vê", o Camelão confirmou o enredo da música dizendo: Só a Malú que me faz dizer sobre minhas canções. Dei o tiro certo ao perguntar sobre a música para ele na presença dela, intuitivamente eu presumia que ela iria convencê-lo a dizer, tamanha foi minha presunção, tanto que ela de modo audacioso se sobrepôs ao mesmo e com um ufanismo exacerbado disse com sua doce voz a essência de "Além do que se vê" e ele obedientemente confirmou.

Homens, que no dia do show do Camelo "camelaram".

domingo, 17 de maio de 2009

Tristeza noturna e alegria matinal.

-Apreender a essência desse seu espírito de porco requer sensibilidade aguçada, para ti não há impasses, o ódio que lhe é dado é tão comum quanto o amor que lhe é concedido, o senhor absorve ambos categoricamente. Superou uma grande perda, uma perda recente ao som de New Orleans, foi até a caverna do dragão e fitou o demônio em forma de ovelha, sentou na roda dos puritanos e a bagunçou, assentou-se à roda dos escarnecedores e a silenciou, moveu-se até a classe dominante e os conquistou, desceu até a boca do tráfico e lhes libertou, olhou para o espelho e sua barba respeitou, manteve-a; tu estás contente com a descontente-felicidade e infeliz com o infeliz-contentamento, tu oh pobre-grande homem! Verbaliza as expressões de tantas facetas, não utiliza de psicologia barata mas sim da presunção infalível, não se condiciona e sabe o momento oportuno de recuar, ama os seus aliados, amigos, irmãos e subordinados, os mantém sob a proteção de seu braço forte e valoriza sobretudo a cumplicidade, tua liberdade escraviza-te, queres andar pelas margens compartilhando de fones de ouvido, de ventos e de interpretações, tu queres levá-la para longe para tê-la perto, tê-la perto para distancia-la do tempo perdido, talvez se tu fosses escravo da limitação teria a liberdade para dois, todavia, sapiente de que ninguém jamais alcançará seu carro, afinal ele é uma máquina assassina.

No boteco da loura robusta, viu seu futuro representado pelo Bandido 63 e Mr Califórnia, dois personagens da terceira idade, dois artistas eruditos e malandros por essência, a fusão perfeita da manha paulistana com a sagacidade nordestina, a fusão do doutor dos asfaltos com o compositor rural, o branco e o negro, alma não tem cor, exemplos de amizade duradoura.

O tempo que cura as dores é o mesmo tempo que mata, o tempo dispõe de adjetivos mórbidos, pois ele e a morte são inconjugáveis depois que acontecem, não tem retorno, mas trás consigo a beleza de acertar ou errar, a decisão está sobre a mesa, o tamanho da sua aposta será equivalente ao seu prêmio ou perda, pois a decepção é equivalente a expectativa criada.

sábado, 9 de maio de 2009

33 horas de olhos abertos ( The Vision never die )

De pé as 5h, concebendo the New Orleans songs before sunrise, despertei cedo em razão da inquietação cardio-respiratória causada pelas aparições da moça de natureza bucólica em meus turbulentos sonhos, e no momento de sua fuga, esse sonho tomou forma de pesadelo e com isso a continuidade do meu sono fora rompida. Já de pé perambulando pela casa, projeto um belo roteiro com vários níveis de entretenimento a fim de cativar e ter um "dia gentil" com a personagem dos sonhos em sua forma real, todavia, foi um esforço vão, ela recusou esse nobre convite, e de modo irredutível ela fez-me vítima de um desprezo eminente, contudo, utilizei do clima matinal para retomar minhas atividades físicas que a muito tempo não fazia.

Altas doses de um bom e velho bourbon, fizeram-me desviar de rota assim que saí do centro cultural Fiesp av Paulista, o relógio marcava 22h, eu deveria voltar pra casa para passar as músicas que seriam executadas no ensaio do dia seguinte, ensaio que começaria as 7h e sem horário para terminar, eu porém movido pelo estado etílico aproveitei o ensejo para rever alguns amigos da noite que trabalham na região do Paraíso, e nessa longa interação lembrei-me repentinamente de uma moça que foi um dos meus grandes affair, bela mulher e grande amiga, eu havia lhe suprimido de minhas lembranças por estarmos em pólos distintos, embora fôssemos extremamente compatíveis, seguimos estradas diferentes; eu estava a poucos metros de sua residência no bairro do Paraíso, celular descarregado, comprei um cartão telefônico, porém cético quanto a sua presença em casa, afinal era uma agradável sexta-feira noturna , eram 23h, ela deveria estar saindo da faculdade rumo aos botecos da noite paulistana, porém ignorei minha presunção e liguei em seu celular:


-Hello Baby!

-Quem fala?

-É o seu mestre, onde você está?

-Nossa! A quanto tempo Ronald, eu estou em casa, de pijama, pronta para dormir.

-Estava com saudades desse seu "Ronald", tire esse pijama, coloque uma roupa bem sensual, que eu passarei em sua casa para tomarmos várias tequilas lá na rua Vergueiro, naquele bar onde eu e você costumávamos interagir de modo maligno para com os frágeis...

-Sim claro, naquele bar onde você me fez passar tanta vergonha, bons tempos! Porém, não poderei estender muito, terei aula de inglês amanhã as 7h.

-Se liga mulé, eu também tenho compromisso amanhã, 7h, esse sim é um compromisso inadiável e se o caso for e certamente será, você vai direto pra aula fedendo a cigarro e eu pro ensaio bêbado, afinal tocar embriagado é mais produtivo.

-Então tá, estou te esperando.

-Tô chegando.

O clima romântico proposto pelo cenário da região de sua casa, sugeriu que fôssemos a pé de sua casa até o bar, não obstante a dificuldade de estacionar na rua Vergueiro; seguimos rumo ao bar como um par harmônico, ela entrelaçava o seu braço entre o meu, temerosa no trecho deserto e sombrio de sua rua, contudo, o meu olhar hostil, minha barba consistente e negra somados com o meu sobretudo verde repeliam os assaltantes em potencial, a mocinha de beleza oriental estava em absoluta proteção e repousava em meus braços tranquilamente.

Um reencontro marcante, visto que ambos sofreram transformações notórias, os seus lisos cabelos curtos e tingidos cresceram e assumiram seu tom original, seu corpinho frágil surpreendentemente adquiriu vultosidade distribuída que gerava cobiça e atração física, eu 5 quilos mais pesado, absolutamente careca e barbudo o que também produzia uma extravagância atrativa. As mudanças não permaneceram nos valores estéticos, ela em sua nova área profissional adquiriu grande crescimento intelectual o que lhe propiciou uma visível evolução em seu comportamento, portanto, a sintonia que havia entre nós multiplicou-se consideravelmente.

Conforme o previsto, o temas e conspirações eram tantos que as inúmeras garrafas de cerveja não foram suficientes para ampliar o nosso humor, logo, apelamos para as diminutas doses de tequila acompanhadas de uísque irlandês, e nesse ritmo de estrago, nós expomos os amores mal vividos no decorrer desse longo tempo em que não nos víamos, e sintaticamente chegamos no consenso de que a flora está à nossa disposição com sua fauna abrangente e de que somos dois animais irracionais que gostam do estrago, por isso, procedemos de tal maneira.

No final dessa bela interação, que infelizmente fora interrompida em virtude dos nossos compromissos, afinal já era 6h e ambos tínhamos obrigações inadiáveis, eu a conduzi até sua casa, guiado pela luz da lua que se despedia para a entrada da luz do sol, nos despedimos com ar de "quero bis" episódio que certamente será repetido inúmeras vezes.

Do Paraíso direto para a Vila Yara, lugar do estúdio de gravação, todos os membros da banda esbanjando empolgação e disposição, curiosamente eu estava com vigor superior ao de todos, a adrenalina promovida pela dócil mestiça foi o combustível para eu aguentar altas horas de ensaio regado de muita cerveja e shuffles virulentos.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Não feche a mente do jovem.

Ontem os deputados se reuniram na comissão geral da Câmara, discutiram sugestões para a reforma política, trataram do financiamento público com o intento de abolir com o financiamento privado em campanhas eleitorais e sobre o voto em lista fechada para cargos legislativos.

Entendam o que é o voto em lista fechada: O voto em lista aberta é o modelo que utilizamos aqui no Brasil, onde os partidos políticos dispõem seus candidatos ( deputados e vereadores) em uma lista aberta onde se tem a liberdade de escolher um candidato dentre uma diversidade, o voto em lista fechada porém, é o voto destinado ao partido, à legenda do partido, na lista fechada, partido ou coligação realizam convenções e elaboram uma relação de seus candidatos em ordem de preferência, onde os líderes do partido determinam quem serão os representantes para os cargos no poder legislativo(deputados federais, estaudais e vereadores), assim, impossibilitando o eleitor de escolher o seu candidato preferido, ele votará numa lista já pré-definida pelo partido, o que culminaria no distanciamento do eleitor de seu representante, dificultando a cobrança direta do eleitor ao seu candidato eleito, pois o voto foi destinado ao partido e não à figura do candidato, diferentemente do voto distrital que aproxima o representante do representado, pois o voto distrital facilita a cobrança dos eleitores a seu representante distrital eleito pela maioria do distrito.

Em suma, seria facilitar situações para a sujeira do congresso, embora esse método de lista fechada seja usado na maioria dos países democráticos, seria um verdadeiro regresso dentro da democracia brasileira, afastando seres de boa conduta da vida política, uma vez que seria instaurada uma "panela" de interesses dentro dos partidos, um desrespeito a opinião pública, sufocaria as pretensões revolucionárias de jovens políticos, daria maior força e poder aos interesses do partido e diminuiria e dificultaria o desejo de mudança do jovem que almeja ingressar na carreira política.

Não ao voto em lista fechada!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

From the cradle



1994 ano da produção do melhor álbum de blues do Deus da guitarra, nesse ano Mr Clapton por estar numa fase de realização profissional decidiu redescobrir suas raízes e homenagear grandes nomes do blues, músicos e cantores que o inspiraram durante toda sua vida, como, Elmore James, Muddy Waters, Jimmie Rodgers e Robert Johnson.

"Entrei em estúdio com o vislumbre de que tudo seria gravado ao vivo, e, tendo escolhido as canções iríamos tocá-las o mais parecido possível com as versões originais, até mesmo no tom em que eram tocadas. Foi muito divertido e adorei cada minuto, foi o que sempre havia desejado fazer." Palavras de Eric Clapton.

Aconselho a todos os seres em sã consciência a ficarem distante desse álbum, esse material é altamente perigoso, possui em si mordazes canções, elas corroem sua lucidez assim como o sal derrete a lesma, letras com sentimento dramático e contagiante, possui um naipe de metais com arranjos melódicos e percussivos, detém uma clara e ferrenha harmônica blues, e como se não bastasse o Lord Clapton castiga os impuros com seus bendings e slides em sua Fender-Gibson.

1-Blues Before Sunrise - Essa é fatal, abre o álbum de modo impositor e prepotente, mostra para os ouvintes quem é que manda e lhe aconselha a ter o Blues antes do romper da aurora.

2-Third Degree - Essa é dilacerante, a progressão melódica dessa música mostra o verdadeiro desespero, nela o desespero toma corpo e se transforma num ser concreto.

3-Reconsider Baby - Representa o autêntico apelo de um homem triste, saudoso, deprimido, descontente com a separação, porém esperançoso com o retorno da moça de pernas grandes.

4-Hoochie Coochie Man - Esse sim, o verdadeiro clássico do blues, eternizado pelo grande Muddy Waters, mostra toda a grandeza do cabra do blues, a astúcia, o talento singular, o homem que não vê barreiras em seu caminho, o gostosão da vez, o que não mede nem tempo e nem medo, música inspiradora no momento da adversidade, e bem-vinda, afinal um bluesman nunca está conformado.

5-Five long years - Bela música, solo poderoso, vocal carregado de fulgor, mostra o quão condicionado o homem é a sua mulher.

6-I'm Tore Down - Um blues altamente alegre e dançante, porém mostra o tamanho da queda que um homem pode sofrer por causa de um moça.

7-How Long Blues - Um blues no violão dobro, bem raiz.

8-Goin' Away Baby - O swing dessa gaita é de matar.

9-Blues Leave Me Alone - Possui rifes de gaita tenebrosos e representa o que um certo homem um dia disse-me, sua mulher pode deixá-lo, a música não, então eu digo, no blues reside e sempre residirá o consolo.

10-Sinner's Prayer - O homem arrependido pedindo clemência.

11-Motherless Child - A criança sem mãe.

12-It Hurts me too - A lástima do homem de ver sua mulher amando outro homem, um homem que não dá o devido crédito e a expõe publicamente a constrangimentos, isso também me machuca.

13-Someday After While -Verdadeiramente o Eric Clapton mostra todo feeling de sua voz, ele diz que ela futuramente irá se arrepender, mas na verdade não é isso que ele quer, ele quer vê-la num caminho promissor.

14-Standin' Round Crying - A constância do amor proibido em sua mente.

15-Driftin' - Blues de violão é sempre bom, o desnorteado, como um navio fora do mar.

16-Groaning the Blues - O desespero propriamente dito.


O meu romance é o Blues em sua essência.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

37 horas de olhos abertos ( A visão nunca Morre )

Um belo ponto de partida foi a confraternização entre familiares num buffet na rodovia do amor, com todos meus irmãos, sobrinhos, pai e mãe, tios, primos, cunhados e cunhadas, amigos, todos presentes; essa confraternização serviu de preparação para a maratona que estava por vir, uma maratona recheada de loucos, amantes da música, de revolucionários insanos, de artistas intransponíveis, de meninos e meninas, velhos e novos, católicos e protestantes...

No final desse festejo familiar eu juntamente com meus irmãos e amigos migramos para o centro da maior metrópole da América do Sul, fomos prestigiar um evento peculiar que reúne em si legiões de demônios, poluição, ares de arte e amor, a essência da cultura, longas horas de pura efusão com o sobrenatural, porém essa visão crua e super-humana só seria possível para os detentores de espírito hábil; evento grandioso, capaz de atrair todas as possíveis facetas desse planeta, atende desde o pobres de coração ao ricos de espírito, tímidos e lascivos, "gênios e degenerados", um verdadeiro cortejo a cultura, um tapa na cara da limitação.

Vários segmentos artísticos disseminados por todos os cantos e altitudes da cidade, no espetáculo do Camelo destacou-se a resposta do público, a retumbância do Senhor Eliézio o regente da grande multidão, mulheres em nossos ombros gritando "assim é que se faz", cerveja caindo do céu e refrescando os sedentos, o swing da guitarra, da vida doce, e o "pois é" que torturava os corações não correspondidos, os presente nesse show foram além do que se vê.

A gana revolucionária sempre surje nesses ambientes, e o senhor Baleiro manifestou sua indignação ocultamente em suas grandiosas canções, a mensagem direta e conotativa de sua música hackeou o cérebro dos obtusos e o brado da galera corou sua bela apresentação.

Uma grande festa que fora encerrada de modo digno, a Deusa de pernas torneadas foi quem nos concedeu esse belo desfecho, com ultraje iluminado condizente ao seu brilho no palco, a simplicidade de sua interação com o público contrastava com o seu poderoso vocal e gingado, a disciplinada banda harmonizara o belo cantar da filha da rainha, sim, um belo desfecho.

Congratulo portanto os presentes nessa virada!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Faz muito tempo e eu tenho o Rock and roll


O recado é transmitido de forma direta, o rifes são cortantes.
A finalidade é que você Queime, arda em chamas!
O objetivo é torná-los perfeitos estranhos!
Fazer o seu sangue podre jorrar!
Torturar sua mente com sua ex-moça excitante!
Fazê-lo botar fogo no céu.

It's only Rock, but I like
Levá-lo para a terra do gelo e do sol da meia noite.
Ensinar-te a manipular o martelo dos deuses.
Dizer-te que uma mulher de pernas grandes não tem alma.
Reduzir o tempo e o espaço.
Desvendar todas as línguas.
Driblar os caminhos cruéis do amor.
It's only Rock, but I want

Agressivo estou, eliquibrado por ter o Blues antes que surja o sol.

sábado, 25 de abril de 2009

Boca, queima feito fogo

Aterrorizante é a guerra estética travada entre mulheres, sempre foi assim desde épocas mitológicas, elas se envenenam através de elogios dissimulados, essa luta militar de vaidade cosmética é composta por armamento ornamental, creme hidratante, roupas sensuais, batons ditam o tom dessa batalha, elas se tragam e dizimam-se com a própria beleza.

Nesse duelo sangrenta são as batalhas, a diversidade de atributos estéticos é infinda, cada integrante dessa guerra dispõe de suas armas peculiares. Em guerras entre nações, a nação que dispõe de melhor recurso militar sempre vence, já nesse combate da soberba feminina a pequena menina de boca bordada tem em mãos a "bomba atômica" para acabar com essa batalha milenar, uma boca que queima feito fogo e olhar nuclear.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

So Funny



No alto do nono andar, quarto iluminado apenas pela luz da tv, repousado na janela apreciando o meu uísque 8 anos, ouço a barulhenta 23 de maio, o trânsito caótico de São Paulo obriga-me a fechar as janelas e ligar o ar condicionado, deito na cama e pertubo-me por sentir a ausência da esquisita mulher dos anjos, a esquisitisse dessa referida musa deve-se ao seus traços hindus mesclados com movimentos de ingenuidade; deitado e lembrando de seu pescoço fino que ela ostenta orgulhosamente. Finalmente o garçom chega com mais gelo para o meu uísque, eu levanto da cama, pego o balde com os gelos e abro novamente a janela, através dela consigo avistar todo o movimento no interior de uma loja de conveniência que situa-se defronte pro hotel, vejo belas moças e rapazes circulando por lá, logo, me sobreveio o desejo de confraternizar com aquelas moças que estavam na loja, coloquei minha roupa e desci rumo ao posto de gasolina, a calça que coloquei coincidentemente tinha uma gaita em seu bolso dianteiro, o que coincidiu também com fato de ter 4 músicos na loja falando do trabalho de sua banda para as meninas do atendimento, essa banda era composta por 3 homens e uma bela mulher, eu sutilmente sentei-me ao lado deles para ouvir o que eles diziam para as moças e me espantei quando eles disseram que John lee hooker era a grande influência deles, imediatamente eu intrometi-me no diálogo perguntando pra eles quem é John Lee Hooker, eles com todo ufanismo necessário responderam e disseram que eu também deveria conhecer, antes que eu esclarecesse a eles que eu conhecia John Lee Hooker desde o ventre da minha mãe, perguntei qual era o gênero musical que eles abordavam, a resposta foi: O blues puro; disseram que faziam cover de grandes nomes do blues, desde Muddy Waters a Albert King.

-Digam-me, algum de vocês toca gaita diatônica?
A simpática moça responde:
-Não, o nosso gaitista morreu recentemente num acidente de carro.
-Lamentável, pretendem encontrar um substituto?
-Por agora não.
-Suponho que você seja a vocalista da banda, acertei?
-Errado, sou guitarrista, o vocalista não está aqui hoje, ele também toca guitarra.
-Bacana! Desculpe-me pela presunção.
-Sem problemas, e você mora por aqui?
-Moro em Osasco, conheço um gaitista muito bom que mora lá, talvez seja pertinente eu deixar o telefone dele com vocês.
-Legal, agradeço, embora Osasco seja longe, mas não custa nada deixar o contato.

Nessa curta interação houve um consumo exarcebado de doses maciças de álcool, e movido pela profunda embriaguês, compartilhei com eles do meu sentimento pela moça dos anjos, falei pra eles da música que eu havia composto pra ela, nesse instante meu disfarce caiu, sem perceber falei pra eles que o mencionado gaitista de Osasco era eu, porém, Cláudio o baterista dessa banda, incrédulo em relação a essa revelação, sugeriu que eu tocasse algo, porém eu disse que seria impossível, afinal estava sem minhas gaitas, no ato ele sacou do bolso uma gaita master blues da hering e me deu para tocar, eu modestamente peguei a gaita de sua mão e toquei de modo simples "I need my baby " de Big Walter Horton, essa gaita tinha um timbre horrível e estava absurdamente desafinada, eles gostaram do que ouviram, aplaudiram e proporam um ensaio para medir minha compatibilidade com eles, a princípio eu aceitei o convite e logo em seguida desaceitei, disse pra eles do pacto que eu tinha com a minha atual banda, esse pacto consiste em participar unicamente da Super malte, que é o nome da minha banda, com isso sugeri que fizéssemos um som despretensioso e sem compromisso, em seguida eles foram embora, quando fui pagar o que eu havia consumido, pus a mão no bolso para tirar a carteira e vi que a minha gaita Hohner estava no bolso, o lamentável foi ter tocado um blues simples para os membros da referida banda com uma gaita limitada e ter no bolso uma Marine Band Hohner sem perceber, assim, voltei para o quarto do hotel e antes de dormir toquei uma fusão de duas músicas minhas, "Girl of Castle" e "Ventrilouca", sendo assim, na próxima oportunidade em que eu encontrar os integrantes da banda "Blues do Paraíso", irei mostrar a eles o Rock infernal da minha Harmônica Blues, agora inspirados pela menina esquisita .

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Ela é um Blues em Ré menor

Já entrosados e prontos para uma jam, no início ela até que relutou.

Renato desce a escada rumo ao segundo andar, de longe ele avista uma bela mocinha se deleitando nas prateleiras de livros, ele se aproxima a fim de fazer um piada:

-Hey Malú, pode ir embora pois o show do Camelo já acabou, ele tá te esperando.

Nessa aproximação ele não havia notado que de fato era a verdadeira senhorita Magalhães, ela então responde:

-Que bom que acabou, estava esperando por ele.

-Jesus Christ! É você my darling.

-Que bonitinho você falando "Jesus Christ" (Ela cheia de chamego pro lado do meu irmão).

Logo em seguida me aproximo com a câmera e digo:

-Bela Malú, uma foto com esse belo homem.

-Claro que sim!

Ela se aproxima insinuando um abraço, eu insinuo algo a mais, mas eu me pondero e peço para meu irmão tirar a foto.

-Então Malú, que milagre a senhora por aqui!

-Vim lhe trazer um hulmilde presente (Com um riso extremamente pueril).

Nesse instante surge o restante da multidão e a cerca, ela docilmente tira fotos com todos, no
final da sessão de fotos ela olha exclusivamente pra mim e diz:

-Quero vê-lo lá no meu show no city bank.

-Talvez eu apareça, quem sabe façamos uma jam.

-Seria uma honra.

-Então assim será, até o dia do show. Ide, pois o vosso homem vos espera.

-Ok, tchau, tchau!

-Mas antes vamos tirar a derradeira foto, nessa exijo um belo sorriso.

-Sim claro!

Dou a câmera na mão do Shyko que é o melhor tirador de fotos do grupo, moral da história, todos e todas fisgados por todo encanto dessa moça, vai ver era só dizer a ela assim: "Moça por favor cuida bem de mim".

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Mente congestionada.


Dóris Valentina, moça descendente de Alagoas, mulher agitada, cheia de swing e axé, ela tem um bom humor superlativo, adora pular os seus frevos, som no volume máximo, "profissional" em cantar no chuveiro os seus cânticos angelicais, é um modelo de mulher alegre, dá bom dia aos pássaros e aos cães matinais, contempla a flora de seu bairro como uma naturalista extremista, moça de consciência ecológica, incapaz de matar uma barata, na vida cotidiana é mais conhecida por Valentina moça doce, ela é saudada por todos os conhecidos da região, agrada a moça da bomboniere com sua mansidez de coração, inspira o rapaz da quitanda com um sutil movimento de cabelo, sorri para o sol ciente de que a vida é bela, menina de sorriso contínuo, sempre feliz e transbordante na puerícia.

No ambiente profissional, em seu local de trabalho ela é conhecida como Dóris, ela até que alegra a repressiva monotonia de seu escritório, é um ambiente obscuro, composto por pessoas amargas e descontentes, Dóris portanto é contagiada por esse clima incolor e hostil, o azedume de seus colegas de trabalho contamina a boa moça, logo assim, ocorre uma variação no humor da mesma, a agradável Valentina moça doce se transforma na Dóris sistemática, a partir dessa transformação Dóris se torna um símbolo de intolerância, ela perde toda a temperança que lhe é natural, e com isso surge uma moça de coração duro, uma rocha intransponível, nessa oscilação ela profere palavras de agressões aos seus colegas que a cercam, mesmo proferindo vários "palavrões" ela se mantém sublime, e é nessa hora que ela retoma a lucidez, respira fundo e retorna ao seu bom humor, os seus "doces palavrões" mostram a ela o quão grande é a beleza da envolvente Valentina, e é nesse momento que ele recupera a sua mansidez e serenidade.

Nessa guerra de humores travada entre Valentina e Dóris é curioso ver a força que os inúmeros ambientes exercem sobre o ser, a capacidade que eles têm de afetar o temperamento, porém no caso de Dóris Valentina, a afetuosidade sempre prevalece sobre a sordidez.

domingo, 19 de abril de 2009

Bar do Corisco

Se você quiser vir aqui pra tomar uma pinga e fumar um cigarro solto será bem vindo!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Child

Hoje na reunião pedagógica de pais e mestres do meu filho-irmão, senti as distintas realidades de cada criança em seu seio familiar, o tema abordado na reunião de hoje foi a violência no ambiente escolar, foram dado vários exemplos de ocorrências criminosas dentro do ambiente escolar promovido por adolescentes de 14 a 15 anos, cada pai ali presente compartilhou de suas experiências similares ao tema com o professor que regia a reunião, avaliei cada fato isoladamente e vi as inúmeras dificuldades de aprendizado que os alunos encontram pela carência de boas influências dentro de sua dura realidade social, nesse ponto vi o quão privilegiado fui no meu período de infância e adolescência, isso deve-se ao meu estável padrão familiar, vejam, tenho um irmão 8 anos mais velho do que eu, que foi e é uma boa referência para mim, sempre me espelhei em suas ações, um exemplo de ser-humano, meu ídolo, tenho duas irmãs mais velhas que exerceram e exercem bem o papel de irmãs, e por serem mais velhas me isentam da responsabilidade de protegê-las e de sentimentos de ciúme, tenho um irmão dois anos mais novo que eu, irmão este que compartilha de anseios comuns ao meus, desde o mesmo time de futebol a preferências musicais a conceitos de moral, isso faz com que vivenciamos os mesmos ambientes, e como se não bastasse ainda tenho um irmãozinho que vejo como um filho, uma noite longe dele já me deixa saudoso.


Nessa referida reunião de pais, lamentei por ver o poder que o meio exerce na formação das crianças, muitos talentos são desperdiçados em virtude das más influências encontradas em meios sociais , vi crianças se empolgarem com a violência e se estimarem com ações maldosas, isso em razão do triste meio social que estas crianças compõem, lamentei sobretudo ao comparar essas crianças com dificuldades ao meu irmãozinho, meu irmão goza da vantagem de ter bons pais e 5 irmãos preocupados com sua formação pessoal e profissional, uma criança com valores altruístas adquirido através dos pais e ao mesmo tempo esperta em função dos ensinamento de seus irmãos mais velhos, isso portanto, facilita o aprendizado dele, com isso, é triste ver crianças promissoras se perderem no aprendizado e seguirem um caminho espinhoso por não terem estrutura familiar para seguir um caminho de realização.

Assim com dizia o sábio professor Girafales, as crianças são o futuro da nação, são eles que irão representar-nos no futuro.

Essencialmente Diplomático

Sim, são triviais e sinuosamente virtuosos, elegantes de modo singelo, tragam com o olhar os frágeis, e são diplomáticos para com os que compartilham do mesmo ambiente, essa postura contundente própria de seres do Blues, confunde e dribla os mansos de coração.

É inimaginável um cabra do Blues ser submetido a uma cirurgia de lipoaspiração, pois estes não se comprazem com vaidades banais e seria altamente desonroso se por ventura este viesse a morrer nessa cirurgia, afinal homens do Blues morrem de velhice, sangramento no rim, esfaqueado pelas costas por uma namorada ciumenta, envenenado por uma prostituta revoltada ou acidente de helicóptero, nesse caso portanto, pessoas melindrosas, apelativas em seu frágil pranto não estão autorizadas a cantar ou tocar o Blues.

O Blues em seu consenso e mensagem direta, obriga que os ambientes nos quais ele é concebido seja apropriado em função de seu efeito, logo, escritórios, shopping centers não são lugares apropriados para se ter o Blues, pois a iluminação é totalmente inadequada, com isso, salões esfumaçados que embaçam corpos bêbados, pubs, botecos são lugares ideais para se ter o Blues, estradas também são perfeitas para cultivá-lo.

Isso não é uma apologia etílica, mas definitivamente refrigerantes não são bebidas Blues, drinks seguem a mesma temática, impossível ver um bluesman com um copinho enfeitado com um mini guarda-chuva, bebidas condizentes com o Blues são, whyski, vinho, cerveja, chop, cachaça de alambique e conhaque.

O Blues portanto, tem os seus requisitos, basta você nunca estar conformado e jamais repousar no comodismo, é um caminho árduo e pedroso, quem se julgar apto para corresponder a esse encargo esmagador, será bem vindo a terra do Blues

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Homem agitado


Bem, eu pergunto o que é exatamente a questão.
Criança você conhece o tempo.
Parecia uma hora.
Tudo feito mudou.


Eu seguro minha mão.
Menina, eu estou tentando fazer você perceber.
Pois bem, todos me dizem.
Alguém me diga feito um Correia, o Hoodoo man.


"É bom ter tesouras e lápis na mão
Montanhas, espadas, abismos e dragão
aprender as coisas como são"

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O clássico da Cachorro molhado será tocado no Buddy Guy's Legends/ Chicago


Retirante

Menino ambicioso é do norte preguiçoso, dorme tarde acorda cedo do seu lado a Caribé
Lá no seu Roque vira e mexe na zabumba, rock de doer cacunda como tiro de bodoque

Todo jeitoso mostra a gaita pra menina, copulou é sua sina mostra todo seu bordão

Muito calango caviar é uma besteira, bebe whyski o malandro
Improvisa por inteiro, Buddy Guy e Gonzagão

Vai sei moço, faz a vida melhorar
Compra logo esse bilhete pra em São Paulo se arranjar

Já em São Paulo Caribé não é pileque, cabra bom, cabra da peste, mescla o Blues com seu Baião

Casa alugada em São Paulo a Madrugada
B.B. King é guitarra, Januário acordeom

Todo jeitoso pois o Blues é sua sina o Baião é sua artéria, Lampião é Sonny Boy

Muito calango caviar é uma besteira, bebe whyski o malandro
Improvisa por inteiro, Buddy Guy e Gonzagão.

Música: Correia

terça-feira, 14 de abril de 2009

Renúncia


Os efeitos da renúncia traz boas e más consequências.

Renúncia Holocausto: Uma auto-tortura, eximir-se do bel prazer em sinal de sacrifício a um ente querido.

Renúncia da inconformidade: Esquivar-se de bons anseios em resposta a ações decepcionantes ( Traições, expectativas frustradas, etc ).

Renúncia da Conformidade: Renunciar a si mesmo, é perder a própria identidade a fim de aceitar os diversos arranjos de flores que foram confeccionados no topo de sua cabeça.

Renúncia altruísta: Equivalente ao amor materno.

Renúncia da comodidade: É ter tudo em mãos e perder por ser vencido pela adversidade, derrotado antes da batalha.

Renúncia da renúncia: Renunciar ao ato de renunciar, seguir rumo ao alvo em resposta ao tempo curto de vida útil.

Utilizar o tempo numa vida de renúncia é renunciar a própria curta vida doce.

O eterno ou o não dá.

Dizem por aí que o Diabo é o criador do inferno, o promotor do mal sobre este mundo tenebroso, dizem até que o pai das luzes criou o mal. Belzebu, líder das potestades do ar, condutor dos anjos decaídos não dispõe de envergadura moral e preponderância suficiente para tamanha façanha, esse referido Satanás que interage confundindo os sábios, é tão criatura quanto nós humanos limitados, ele é proveniente de uma força maior, ele advém de uma onipotência superior, assim como o Rock provém do Blues, Lúcifer advém de um criador supremo, haja visto que o Blues "É" o resto é decorrência, bem como O Eterno, O Eterno não tem início nem tão pouco fim.

Tão desprendido de conceitos teológicos, ligo o empoeirado e rústico tocador de vinil e me perco na comum prática de pensar na mulher que um dia tive ao som de ''Me and Devil" de Robert Johnson, arrisco acompanhá-lo na minha harmônica desafinada, numa profunda consolação etil, movido pelo acorde atemporal de Mr Johnson, recordo-me das pernas vultosas, das feridas que ela deixava em meus lábios, do meu clamor por mais 10 minutos, mas ela era irredutível.

Recordações aleatórias que sobrevém na suma embriaguês, com isso driblo a lucidez e numa simples ingestão antecipo o são.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Eu tenho a força!


E dirão: Ele era bom.

Bom homem, saiba que menestréis irão cantar canções em seu nome.

Igual a ele não houve, nem haverá de ter.

Humanos compartilham de um senso comum, a auto-confirmação, o desejo pelo reconhecimento em grande escala, pelo "tapinha nas costas". É raro deparar-se com humanos que se eximem de tal postura, cujo o ego é o regente da fogueira de vaidades que envolve a humanidade, nesse ponto egocentrista habita um grande rival inconsciente chamado "O poderoso "Eu" " e em virtude da coação desse personagem conhecido como ego, desenvolve-se no seres -a grosso modo-"Racionais'', um anseio de aquisição a todo custo, a gana de comprovar-se como detentor de grandes talentos, esse é o nutriente que alimenta esse animal não domesticável, afinal, não se pode controlar a força do ego, ele age livremente como um ser independente. Outra postura comum do ego humano é reduzir com palavras o talento e as virtudes alheias, criando a falsa ilusão de que a diminuição dos atributos positivos do outro implicaria no seu crescimento, portanto, é possível justificar o porquê do ego se ferir com o talento de outros seres, com isso, a ferramenta de defesa do ego é atacar as boas aptidões do "Outro".

Bem aventurados são os poucos que conseguem driblar o próprio ego, pois assim se isentam da tortura promovida por ele, esses prosseguem rumo ao alvo, e não se perdem no tormento causado pelo egoísmo.

sábado, 11 de abril de 2009

Índia com doces em seu olhar


Já num estágio etílico elevado

Cabeça envenenada, muito ACDC

Conduzido e condutor de tantas "emboladas"

Em plena efusão com os "Lords e Ladis" Correias

As sucessões de poesias nordestinas ditavam o ritmo

Assim surgem grandes contribuintes da neologia

Surgiram sim!

Mas o grande surgimento da noite, deve-se a repentina aparição da doce moça dos doces

Ela fitou todos, todas

Silêncio automático, necessário para uma contemplação apropriada

Malevolente ela pouco ficou, se foi

Isso lá é bom?



quinta-feira, 9 de abril de 2009

Frances


É verdade, eles quiseram roubar a cultura de Lampião, eles tentaram e quase conseguiram, pretendiam arrancar-lhe suas raízes, sua inteligência e sagacidade, buscavam arrancar sua cultura e em troca lhe dar religião, mas Lampião, cabra macho, astuto, cabra engenhoso, não permitiu tamanha imposição e de modo fino ele disse:

-Apartai-vos de mim malditos, pois não vos conheço, vocês com todo esse poder e força persuasiva conseguiram iludir os meus queridos irmãos, conseguiram sim, mas eu não, sou lá do norte da Barriguda, sou mais liso que os musgos das rochas, mais fino que o senhor da elegância, tão hábil quanto o negrinho descalço, sinuoso e inapreensível.

E lá se vai Lampião, em sua lamentação, triste por terem fisgado seus irmão de sangue e de alma, ele costuma dizer que aqueles que buscam sabedoria se perdem na imposição alheia, são tragados pela colocação do "outro", ele por outro lado, leva a vida devagar pra não faltar amor e é convicto em seus planos futuros, dizem que ele sabe das coisas.

Lampião reúne em si três grandes adjetivos: Incisão, inconformidade, perseverança, logo, ele saiu em busca de sua mulher que fora levada por aqueles loucos religiosos inquisidores, sua amada mulher foi iludida pela insanidade do atribulado moço da caverna, a missão era resgatá-la dessa prisão, quebrar os grilhões dos quais ela fora submetida. Ele partiu em busca de sua mulher, estava bem equipado com suas melhores armas, e com toda destreza que é própria dos cabras safados do nordeste, ele massacrou todos que estavam em seu caminho, por fim trouxe consigo sua mulher, trouxe ela de volta ao seu lar.

Dias depois, nos átrios de sua mulher, gozando do prazer de tê-la junto a si, a mulher de Lampião foge e lhe deixa o seguinte recado:

"Você é capaz de entender que o desinteresse também pode nascer em mim pela simples falta de anseio, pretensão e que não somente nasce de algo que você fez ou deixou de fazer, eu fui por não amá-lo mais e o porquê da minha ida é: eu não te quero".

A grande insatisfação de Lampião residia em todo seu esforço vão, na sua incessante luta de ter sua mulher a seu lado, os preparativos para o casamento debaixo do pé de seriguela estavam prontos, seria uma cerimônia atípica, desprendida de valores religiosos, o roteiro da cerimônia seria regido por ele, porém, ela o deixou.

Lampião conformou-se pois sabia que a fuga de sua mulher teria um efeito promissor para ambos, ele buscando consolo em viagens, aventuras e concubinas e ela em sua bela estrada ao lado de seu novo amor.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Era uma Black Blues


A dez anos atrás, num ônibus com a minha primeira gaita blues na mão, o cobrador observou-me e disse:

- Você toca?

- Não, acabei de comprar, talvez um dia eu aprenda.

- Escute jovem, não sei qual é a ligação que tu tens com a música, mas saiba que esse mundo musical é repleto de peculiaridades, ele te levará à lugares singulares, conhecerá excelentes exemplos de seres humanos, os envolvidos verdadeiramente com a música gozam de privilégio único, uma dádiva que não é encontrada em outros segmentos.

De fato, quando ouvi as palavras desse senhor, as recebi em tom de desdém. Contudo, hoje percebo que grande parte da minha formação pessoal eu devo a música, as minhas grandes aquisições eu atribuo as influências dos grandes músicos e amantes da música que conheci por esse vasto Brasil.

Agora numa fase de busca internacional, vos deixo essa concepção: A mística e astúcia que envolve o músico supera todas as ciências reveladas, um poder não encontrado em salas de aula.

Portanto, pega fogo cabaré!

E quanto aos limites, deixo para os condicionados!

terça-feira, 31 de março de 2009

Brasileiro


Etnocentrismo é a maneira com a qual definimos a nossa realidade étnica como centro das explicações para compreender as etnias alheias, onde as explicações das realidades sociais são encontradas dentro dos modelos sociais de comportamentos e valores da nossa sociedade e padrões culturais.

É possível afirmar portanto, que a fonte de compreensão das diversas realidades culturais é reduzida de modo coativo conforme os padrões pré-estabelecidos dentro de um meio isolado, em outras palavras, a referência dada a diversidade de culturas é concebida de modo arbitrário, onde tudo o que não provém da própria realidade racial e considerado “estranho”, é visto de modo “assustador” e inconcebível por não compartilharem dos mesmos costumes e sentimentos que são próprios de cada realidade, logo, toda as ações cotidianas e cultivos culturais de uma sociedade de etnia diferente é visto de modo pejorativo por não tomarem parte de práticas comuns. Assim, o etnocentrismo traz consigo, um conceito “tirânico”, levando a concepção de que tudo e toda a realidade sócio-cultural que é alheia a sua própria realidade étnica é tratada de modo primitivo, subdesenvolvido.

Por outro lado, o evolucionismo leva um consenso distinto pelo menos em partes dos conceitos etnocêntricos, os evolucionistas tratavam as raças distintas com explicações calcadas na teoria da evolução humana, o que a princípio dá-se a idéia de estar desvinculado a concepção do etnocentrismo, todavia, as razões dos evolucionista estão diretamente ligada a tendência etnocêntrica, os evolucionistas do século XV colocavam a sociedade civilizada em superioridade às “primitivas”, com base na “supremacia” do seu desenvolvimento, com isso, está necessariamente ligada ao padrão do etnocentrismo.

Já em meados do séculos XX, houve um novo conceito de referência a compreensão das raças alheias, os modelos culturais, costumes, e personalidades diferentes de outras etnias, foram disseminados de modo mais apropriado, desconsiderando a própria realidade racial como base na compreensão das culturas distintas, uma vez que as diferentes práticas de cada povo foram estudadas de modo que a antropologia assumisse um papel imparcial e puramente científico, considerando esse novo método desse grupo de pesquisadores do século XX, o etnocentrismo pelo menos dentro da antropologia, perdeu forças a partir desse novo conceito de pesquisa de campo, que visa destacar as diferenças das realidades culturais, sem “desrespeitar” a essência do sujeito, Franz Boas foi o antropólogo que trouxe essa nova concepção de análise a diversidade da raça humana, considerando as particularidades e características de cada uma sem associar ou ter a sua própria sociedade ou etnia como modelo padrão, possibilitando uma real aproximação a assimilação das normas e costumes essenciais de cada meio social.

As ciências sociais contribuíram para a dissolução do conceito etnocêntrico, permitindo a busca de compreender as peculiaridades de cada sociedade sem criar um julgamento impróprio, baseado no próprio “nariz”.

sábado, 28 de março de 2009

Os irmãos Correia


Puta que paril!

Buddy Guy elevou a chama da ressurreição.

" The gypsy woman told my mother"

Ele mexeu com São Paulo.

Em todos os lados, todos os solos, eu trancado na masmorra sangrando a face

Não houve impacto tão impactante, e digo: O restante, ou melhor, O RESTO é decorrência.


Cortejado pelo Blues propriamente dito, a lenda viva, o Blues em Pessoa, tão poderoso que esses momentos desligaram-me daquela que me desligou.


Eu lá sem ela cultivando um episódio sobrenatural

O dela cá contemplando suas inalações por ela não bastar


Renato, parabéns, agora pois, já nenhuma condenação há para aqueles que estão em espírito e em verdade, Buddy is Devil

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Linhagem Real!

Os arranjos estão harmonizando.
Os empreendimentos evoluindo.
E o convite aceito, agora pois, já não há condenação para aqueles que respeitaram os conceitos.
Assim portanto, Little Girl, esqueça e venha!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

As guloseimas angelicais

Olhar que pede suco de uva no canudinho, o amargo desse lúpolu não tem a suavidade da uva.
Chocolate branco e preto, e não se esqueçam da salada de frutas com leite condensado.
Aqui tem chiclete de tutti frutti para todos, alguém quer?
O que você quiser eu compro para ti, só não me peça whyski, eles são muito caros.

Eu não quero cerveja, eu quero melancia (odeio cerveja, amarga)
A minha bolsa é uma loja de doces, é estranho eu não ser gorda!
será que o tiozinho do churros ainda está na praça?
Eu quero com muito doce de leite!

Não seus bobos, churros não são enjoativos
São uma delícia deliciosa, mas hoje eu quero um pastel de queijo
E lá vem ela com um pacotão de salgadinhos, você quer tantan?
Estou cansada do serrrviço, vou descansar

O gingado é negado, mas é promissor, comprovei no semba do Baleiro
Por fim ela olha e oferece suco de maracujá
hum! Está tão saboroso.
Preciso dessa calma.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Palmeirense sim, Mancha Verde Nunca!

É invejável ouvir Jonas um senhor de 63 anos dizendo: Rapaz, essa sua camisa é linda! Esse verde escuro da década de oitenta era ostentado pelo mestre Ademir da guia, era maravilhoso ir ao Palestra Itália em meados dos anos 70 e ver Leivinha, Pelé, eu nas arquibancadas com meus amigos corinthianos, saopaulinos, santitas, flamenguistas, todos juntos apreciando a arte que é o futebol, apreciando o futebol arte, eu era presente em todos os jogos do verdão, mas hoje meu jovem, não posso mais ir aos estádios de futebol, apreciar essa arte que tanto admiro, isso hoje não é possível para mim em função da ação dos baderneiros de plantão, que vão aos estádios em busca da violência.

Por mais que digam que o futebol é o ópio do povo, saibam que o único fenômeno capaz de unificar e parar o mundo, parar todas as instituições, igrejas, empresas, dentre outros é o futebol, o efeito que ele causa é sobrenatural, nem todos os esportes reunidos num mesmo evento é capaz de repercutir tanto quanto o futebol, ele é tão poderoso que afeta até os inadeptos, afinal todos mesmo de modo leigo tem um time de coração, portanto, por mais desdenhado que seja a arte de chutar a bola, o senso comum que o futebol gera é digno de respeito.

Existem aqueles torcedores mais "modernos", que se filiam a facções nomeadas por "torcida organizada", é bacana ver os estádios enfeitados, todos cantando e incentivando o time, um verdadeiro espetáculo, espetáculo esse regido pelas torcidas organizadas, contudo, vale ressaltar que essas referidas "torcidas organizadas", na verdade são facções criminosas, difusores da violência nos estádios, são eles que afastam pessoas de bem dos estádios, como o senhor Jonas, são essas facções que impedem as famílias de acompanhar seu time nos estádios, eles são empresas que comercializam seus produtos com o escudo do respectivo clube, agregam na sua grande maioria jovens alienados que se deslumbram com a ridícula incisão dos líderes de torcida, o clube é apenas um veículo para a difusão de suas ideologias bárbaries, são eles que deixam as mães preocupadas quando seus filhos vão aos estádios.

É triste ver o lamento e o saudosismo dos veteranos do futebol, relembrando como era bom ir ao estádio acompanhado da esposa, dos filhos, todas as torcidas juntas, unidas, contemplando o espetáculo, good times!

É lastimável ver jovens incentivando esse maldito vírus (Torcida Organizada) que contaminou o nosso futebol atual.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Domingo, 22 de Março de 2009


Adeus vocês.
É que todo carnaval tem seu fim, e o pouco que sobrou disso tudo me faz chorar a toa, apesar de feito pra rir.eu antes brincava de ser feliz sob o som de uma banda qualquer, sem saber que o fim já estava pra chegar.agora, é de lágrima que faço da nossa voz uma só nota.não me julguem sentimental, mas essas coisas vão além do que se vê.porque será?poderia até pensar que foi tudo sonho e quem sabe tirar esse azedume do meu peito, que mais parece pierrot apaixonado achando que sofrer é amar demais.sem mais reviravoltas, quero dizer que sem vocês sou pá furada. e que vai ser ruim demais.eu sou o que vocês são, não solta da minha mão.(até o fim raiar). Palavras de lamento de Larissa Conforto, agora ela poderá sorrir, a mesma era cética quanto ao retorno, para a nossa felicidade o ceticismo dela não prevaleceu.

Um mega show na chácara do Jockey em São Paulo, assim será, quem sabe um dos melhores de todos os tempos, quem já garantiu os seus ingressos considerem-se como um vencedor, pois toda trilha andada com a fé confirmou um novo show, um show além do que se pode ver.
Mesmo com esse show, a banda ainda continuará em recesso, iremos contemplar o final de mais uma canção. E até o efetivo retorno, afinal como já dizia Mr Camelo, "somos a melhor platéia do planeta".

sábado, 17 de janeiro de 2009

Ventura

Grupos de amigos convencionais, geralmente limitam-se nas relações básicas da sociedade, onde há a troca de afeto, ajuda, brigas e sobretudo comprometimento, já no caso do "time Ventura", o conceito de relação amigável é mais panorâmico, farei um apanhado sintético bem lúcido para ilustrar a faceta desse grupo. Parta do pressuposto de que o grande ponto em comum que há entre os membros do Ventura é a intolerância a falta de cumplicidade, parte do grupo tem os seus apegos religiosos, outra parte não, todos com valores éticos distintos, aptidões divergentes, porém, o fator que caracteriza a camaradagem difusa entre eles e elas é o holocausto, holocausto é a atribuição dada a ação de sempre atender a então solicitação entre os membros do Ventura, ainda que essa solicitação implique num auto-sacrifício, pois a confiança é incondicional, e essa credibilidade existe em virtude do talento particular de cada um, e só é possível por serem seres resolvidos em suas artes e ciências.

Num lampejo aleatório vi que nos bons eventos que estive por esse Brasil, eventos marcantes por seus enigmas e peculiaridades, faltou o formato uniforme do "time Ventura", numa postagem anterior já havia falado sobre o poder da interação coletiva, citado que o bom funcionamento do corpo requer a atividade conjunta de todos os órgãos.

Experienciar das armadilhas que tem pelo mundo, saborear de todos os manjares, vivenciar as infindas opções de entretenimento, contemplar o desconhecido, embriagar-se nos 3 maiores oceanos, explorar as ruínas mais remotas, esmiuçar os mistérios da vida, e viver em abundância.

São inúmeras atividades abrangentes, porém simples, basta pô-las em prática, difícil mesmo é usufruir dessas viagens, shows, prazeres, iates e mulheres com o grupo completo, sempre há um membro que não está disponível, dos tantos eventos que foram realizados, sempre houve aqueles que se fizeram ausentes por algum motivo, perfeito seria um turnê mundial por todos os cantos do mundo com o "time Ventura" completo, onde haveria a difusão das peculiaridades individuais de cada um, onde a união desses adjetivos culminaria numa explosão de idéias inspiradoras.

Já que esse pensamento veio a tona, faremos com que haja uma turnê pelas capitais brasileiras com o formato uniforme do "time Ventura", onde todos estarão acompanhados, acompanhados de seus naipes de percussão, dos violões, das faixas e bandeiras, das luvas de boxe, dos pedais de guitarra, dos microfones, dos patins, dos acessórios futibolísticos, do setup de harmônicas, de seus acessórios inseparáveis, pois o vento está passando e vida é simples.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Blues with a feeling

A linha de composição do BLUES é essencialmente elementar, é sempre uma mensagem direta que é própria do blues, os sentimentos expressos nas letras são extremamente emotivos e minimalistas, talvez se o relacionamento humano seguisse o raciocínio da composição bluseira certamente o envolvimento seria mais promissor.

I can't quit you, baby
I Can't Quit You, Baby, so I'm gonna put you down for a while. X2
Said you messed up my happy home, Made me mistreat my only child.

Said you know I love you, baby, my love for you I could never hide. X2
Oh, when I feel you near me little girl, I know you are my one desire.

When you hear me moaning and groaning, you know it hurts me deep down inside. X2
Oh, when you hear me... You know you're my one desire. Yes, you are.

"Girl of castle"
Little girl, here I am !
Without know, you are smiling.
With such smile, you don't hurt me.

You stop to smile.
And then, began my tears.
You was vanishing and back.

You are back and smile again.
Smile with murderer intention
You're back to stay !

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Na estrada não há despedidas.

O riso catarinense, poderoso riso daquela simpática moça do sul, a maneira com a qual ela agradecia aos passeios turísticos era bem peculiar :
-Obrigado Ronaldo!
Desci do oitavo andar deslumbrado com aquele sorriso.

O sotaque italiano da senhora bêbada de todos os sábados, era hipnótico, aquela italiana filha da puta adorava humilhar nós brasileiros, e eu adorava desbancá-la com minha sutileza: Esses brasileiros vigaristas, ladrões, o moço da banca de jornal me vendeu o cartão errado a fim de me enganar, Então Ronaldo disse: Eis aqui o valor do seu desfalque, faço questão de reembolsá-la para que a senhorita perdoe "o meu povo subdesenvolvido". Ela ficou profundamente constrangida, desde então ela me abençoava com o seu olhar vulgar de prostituta, com o seu caminhar sinuoso e insinuante, eu perdia noites de sono idealizando aquela bela italiana.

O ar de castidade da chinesa me causava um desejo curioso, ela por ser pseudamente intocável, produzia em mim uma inquietude sobrecomum, ela de modo vão tentava me explicar em mandarim o problema de conexão de seu lep top, eu em português falava em bom tom do meu desejo compulsivo de tê-la, uma chinesa simplória, mas os mistérios por trás de seus óculos me empolgavam.

A ingenuidade da linda cearense, ativava em mim a gana de auxiliá-la, queria ajudá-la na sua simplicidade, mas a moça era tão segura em suas ações erradas que todas as gafes cometidas por ela, eram facilmente perdoadas por todos que a rodeavam, bastava ela cruzar as pernas que o seu perdão estava concedido, ela sabia utilizar muito bem a sua arma mais eficaz, as pernas.

Atrás do balcão da recepção, uma pequenina japonesa-brasileira, todos os lobos maus que passavam próximo a esse balcão a cobiçavam como se ela fosse chapeuzinho vermelho.

Era doloroso encontrar a mais linda das inglesas no super-mercado com seu bebezinho no colo, ela totalmente perdida por não conhecer sequer uma palavra de nossa língua, até que surge Eu, ela fitou-me, respirou com ar de satisfação, como se tivesse encontrado em mim o repouso e a solução para a sua dificuldade na língua portuguesa, sem dizer uma única palavra, peguei o bebe dela no colo, com a outra mão empurrei o carrinho com as mercadorias, ela me acompanhava atenta e silenciosa, já no caixa, paguei suas mercadorias, no ato ela tentou me impedir de pagar, mas eu fingi que não estava entendendo, ela sabia que eu a compreendia e que eu não iria ceder e por isso ela cedeu, coloquei suas mercadorias no táxi apertei o cinto de segurança do bebe do banco traseiro, abri a porta para ela entrar, bastou ela olhar-me com ar de gratidão através do intenso azul de seus olhos para compensar todo o meu esforço.

A maranhense doutora Regina, me fazia tropeçar com o bronze de sua pele, aproximar-se dela era um perigo, o seu agradável cheiro era tão viciante que continuamente eu me percebia literalmente em cima de seu pescoço, o movimento de seus longos cabelos lançava por todo o ambiente a sua maravilhosa fragrância.

Ai, ai, as norte americanas! Me faziam pensar nas noites de jazz paulistana, elas gostam de falar, falam muito por sinal, e conversar com essas belas loiras, sugeria altas doses de um bom e velho bourbon.

O momento mais lastimável era no dia da despedida, afinal, todas essas moças tinham que voltar para a terra natal, ficavam as boas lembranças dos abraços, dos olhares, dos beijos, dos risos e até das brigas.

Saibam portanto, que na estrada não há despedidas.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O ponto fraco do Pedreiro

Um harmonica player de ritmo pesado, de astúcia acelerada, dizem que acompanhá-lo é demasiado penoso, fitá-lo seria emergir nas trevas, as incisões operada por esse improvisador são tão catastróficas quanto o "Domingo sangrento" de São Petersburgo, Lá na Rússia houve pranto pelo sangue dominical, no Brasil houve pranto pelo calor do sangue empregado na composição vã, vã mas poderosa. Um Regente hábil no antro familiar, um líder contraditoriamente preguiçoso e sempre eficaz.

De nada vale tamanho vigor diante do ritmo leve da menininha do portão, a astúcia fraqueja perante a inocência da virgem tropical, fitar os olhos pueril da menina é entrar num tribunal revelador, os pecados são revelados, onde a sentença do juíz é severa e inflexível, o sorriso da mocinha por mais irônico que seja é consolador e ameniza a saga ardente de ser um regente familiar.

Quem disse que árabe não mexe com carneiro?



Raimundo Nonato está cansado do misticismo do judaísmo, eles negam, mas a literatura hebraica deles revela.

Ele bradou na recepção do hotel: Busquei refúgio espiritual no cristianismo, iria levar uma vida ortodoxa, mas nesse meio existe um forte conceito de comercialização, fato que já fora em épocas antigas descoberto nos subterrâneos do Vaticano, quis encontrar paz nas reuniões budistas, repousar na virtude de Buda, contudo, os mecanismos de suas rezas me causam inflamações em meus tendões, a igreja de R.R.Soares fala muito no pai das luzes, Lúcifer, um inimigo presente na congregação, eles têm que contratar uma nova equipe de segurança, pois a atual não consegue barrar as presenças indesejadas, Satanás é um deles, presente em todos os cultos.

Nas rodas de capoeira, havia certo baiano que propagava as maravilhas de oxum, mas Nonato se esquivava, pois o pai de santo é irmão do padre da paróquia local, eles alternavam nos rituais e nas missas, a opção do Islamismo difuso no Alcorão era estudada por Raimundo Nonato, mas os cordeiros que são sacrificados em nome de Alá são contra o amor que ele tem pelos animaizinhos, quando ele soube dessa prática ele gritou com profunda indginação: Quem disse que árabe não mexe com carneiro?

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

" Beba filho " !!!

Meu filho não jogue pérolas aos porcos

Nove anos cultivando e contemplando a força do blues

Nunca houve aquele ou aquela que transmitisse o devido respeito

Não raro diziam: "deixa disso cabra, vá atrás de algo dançante, ninguém ouve isso"

Então a minha mãe disse: Meu filho, não jogue pérolas aos porcos

Impressionantemente, até que houve um progresso, um pequeno número de partidários

Partidários adeptos a causa do Jazz, do blues, da música brasileira, eu digo, da musica brasileira

A esses partidários um "Beba filho"

sábado, 10 de janeiro de 2009

Até a chuva se opôs

Uma ladeira monstruosa, no percurso tive que enfrentar uma matilha noturna de cães raivosos e assustados, de sandálias de couro, o que me inibia de acertar esses cães com chutes, consegui driblá-los provisoriamente, pois em seguida tive que correr, na matilha sempre tem o cão que não está disposto a negociar, assobios e passos lentos nunca convence o líder da matilha, ainda recuperando o fôlego, surge um trio de bêbados determinados a arrancar alguns centavos de mim para a tão desejada dose de água ardente, eu não tinha essas moedas, demorei longos minutos para convencê-los da minha carência financeira, livre dos bêbados e já próximo do local, ouço gritos ressonantes a 10 metros, eram duas senhoras luxuosas ultrajando vestidos clássicos similares ao da era renascentista, com jóias abundantemente ofuscantes, o esplendor dessas senhoras era demasiado envolvente, elas corriam assustadas em minha direção, corriam de um enxame de abelhas que as perseguiam, eu friamente ignorei o pedido de ajuda delas e prossegui me desviando das abelhas, logo a frente uma legião de crianças, todos meninos, transbordando em risos, o olhar dessas pestes denunciava que o episódio envolvendo as abelhas era obra deles.

Essa maldita ladeira nunca foi tão longa, só enfrentei essa turbulenta maratona pelo anseio de encontrar a moça do castelo, a casa dela situava-se rigorosamente no topo da ladeira, uma casa tão grande que se confundia com um castelo de épocas mitológicas, o fulgor do azul de seu castelo simbolizava o amor ao fauvismo, já em frente ao complexo azul, a moça desce de seu castelo com tom de despedida, os lentos passos ao descer as escadas denunciava o eminente desinteresse a minha aparição, ela foi direta e breve:

-Não estou disposta, você pode voltar, ou ficar, mas não estou disposta

-Não vou me queixar, vou voltar

-Você é quem decide, pode ir então

-Sim, até um dia

Na descida do morro, encontrei outros contratempos, o céu foi a única testemunha do meu sacrifício vão, não contente com o desdém que me foi dado, castiga-me com uma violenta chuva, a sandália de couro molhada e escorregadia certamente iria me impedir de correr daqueles cães que se tornaram meus rivais, retirei a sandália, e descalço piso numa madeira aguda que quase atravessa o meu pé, a dor da perfuração impossibilitou-me de correr, a sorte é que cães não gostam de chuva, portanto, ausentes.

Já em casa, molhado pela chuva e angustiado pela secura da moça do castelo.

Ela tem todo o direito de me privar desse castelo que fora construído pelo seu pai, que é o Rei do Castelo.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Último show do Los hermanos, eu fui!

-Alô, quem está falando?

-Olá, sua voz é bem diferente do que imaginava

-Oi paulista!

-Esse seu seu "esse" arrastado é maravilhoso

-Esse seu "erre" forçado é assombroso

-Sotaques a parte, finalmente consegui falar contigo, esse seu telefone me repele

-Finalmente atendi o telefone, mas vamos direto ao ponto, você vem ou não?

-Porra! infelizmente não, estou zerado de grana, irei perder esse show de despedida

-Vai se foder! Não dá pra crer que você o "senhor do blues" vai perder esse show

-De fato, porém a minha situação é desfavorável, anseio também por conhecê-la pessoalmente mas receio que ficará para a próxima oportunidade

-Não brinque com coisa séria, eu tenho poucos minutos para ir até a fundição para comprar os ingressos, você tem que me dar certeza agora

-Então moça, já estou te dando certeza, não irei

-Se você está sem grana, não se preocupe, será bem recebido aqui, o ingresso eu pago, e tudo o que você quiser consumir eu irei atender a medida do possível

-Estou sem grana até para as passagens aéreas

-Vejo que você não é aquele cara do blues que estimei, me parece que você é do tipo que mede tempo e medo, no seu lugar, eu viria nem que fosse de bicicleta, vá até a estrada e peça carona, seja homem e encontre uma maneira de vir, não aceito não como resposta

Ela foi totalmente apelativa na abordagem, ela literalmente atingiu o meu ponto fraco, questionou o meu lado aventureiro, sempre me orgulhei das minhas ações impetuosas, mas excepcionalmente nesse caso eu estava hesitante, mas as suas palavras de incentivo naquele momento reavivou o meu ''EU'' inconsequente.

-Ok garota, vá logo comprar os nossos ingressos ou eles esgotarão, a minha resposta definitiva é sim, conte comigo aí no dia do show

No outro lado da linha houve um brado retumbante, em comemoração a minha ida

-Sim, já estou indo buscar os ingressos

-Ok carioca, amanhã eu te ligo para agilizarmos as coordenadas da minha ida, um abraço

-Beijos e até mais

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Cadê a idéia própria?

O desejo do adolescente por uma suposta intelectualidade, de certa maneira sufoca a sua capacidade de criar, de desenvolver a própria arte, adolescentes com boas tendências são influenciados por adultos renomados, adultos consagrados por suas obras, quer sejam elas musicais, esportivas, revolucionárias, etc, esses adolescentes, buscam o reflexo positivo transmitido por um ídolo, seja ele um grande líder político, escritor, compositor; e isso é um ponto positivo, útil por produzir essa boa influência, contudo, o poder dessa boa influência produz no adolescente um efeito tão grande que esse novo conceito adquirido é tomado por um fanatismo exacerbado, onde todas as suas ações e manifestações públicas são calcadas nesse novo aprendizado, é um sintoma típico em adolescentes bem intencionados, porém, o lado negativo dessa realidade é que parte desses "jovens discípulos" se esquecem da própria personalidade, tudo que é expresso por esses adolescentes é sempre frase de algum poeta consagrado, de uma figura histórica, ou trecho de alguma música marcante, isso também é percebido em páginas na internet, onde a auto descrição desses meninos e meninas é baseada no pensamento dos respectivos ídolos.

Entretanto, existem também, crianças e adolescentes que fogem a essa "regra", estes são fortemente influenciados por bons artistas, no entanto, possuem uma grande aptidão de criação, não são sufocados pela opinião alheia, ainda que sejam marcados por seus ídolos, não permitem que a própria personalidade e a capacidade de criação seja dissolvida, tenham como exemplo Malú Magalhães, uma mocinha de 16 anos de idade, absolutamente talentosa, mesmo rodeada por grandes nomes da música, não se deixa levar por isso, antes, é criadora de seus próprios métodos de composição e idealizações, é difusora das próprias frases, não menciona em seus discursos grandes filósofos, e sim o próprio pensamento, há também uma moça cujo o nome não vem ao caso, que segue o mesmo padrão, enquanto seus amigos buscam escritores modernistas famosos, ela busca o improvável, enquanto eles estudam guitarra, contrabaixo e bateria, ela procura um professor que leciona harpa.

Crianças e adolescentes também são formadores de idéias, criadores de novos métodos e valores, onde está escrito que só os adultos são capazes de criar?

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Doutores calouros

De uma hipotética confraternização entre amigos empresários a uma consultoria ministrada por um jovem sem formação acadêmica. Estavam esses homens num bar estruturalmente estratégico, uma arquitetura subdivida em blocos disseminados ao longo de um vasto corredor, blocos posicionados aleatoriamente permitindo que os dois pólos do ambiente se visualizem. Um mero bacharel não atenderia o requisito desse grupo de 4 doutores empresários, eram dois engenheiros, um civil e o outro mecânico, um cirurgião diretor de uma rede de hospitais e um promotor do ministério público, os 4 estavam na faixa dos 47 anos, esses tinham em comum a ocupação de cargos no poder público em um município da Grande São Paulo.

Esses 4 estavam no happy hour debatendo questões cotidianas na vigente vida política que lhes cercam, falavam de modelos top de motos e automóveis, de suas especialidades profissionais e da vida familiar, o enredo dessa conversa mudou drasticamente quando eu surgi para ocupar a quinta cadeira que estava vazia, um desses senhores é um amigo recente que conheci anos atrás, sentei a fim de cumprimentá-lo e tomar uma dose de whisky, afinal eu estava de passagem, porém, bastaram 3 minutos na mesa para eu perceber a variedade de belas mulheres nesse bar, um alto padrão de beleza cercava esse ambiente.

Esse amigo empresário, apresentou parte de um projeto que estou desenvolvendo aos outros 3 senhores que estavam conosco na mesa, eles bem intencionados avaliaram o mesmo, e anteveram o êxito desse projeto, depois do discurso de louvor ao projeto, manisfestado pelo cirurgião, eu desvie o foco da conversa para as belas moças que estavam no bar, eles no entanto, bastante desligados a isso, justificaram esse desinteresse por serem casados, por não usufruírem da mesma virilidade da juventude e por considerarem esse tipo de abordagem bastante ostensiva, eles lapidaram o meu projeto com a visão empreendedora e me presentearam com o apoio financeiro para a difusão do mesmo, eu por outro lado, por possuir a referida virilidade e não ser casado, quis recompensar esse grande apoio que me foi dado por eles utilizando de minha especialidade, fui ostensivo, e trouxe a nossa mesa 3 moças, cada moça tinha no máximo 29 anos, não foi difícil interá-las com eles, pois além de endinheirados eles também possuíam pinta de galã de novela, porém eu e meu amigo ficamos sobrando, e portanto, propus a ele que fossemos em um outro lugar, um lugar regado de delicinhas, ele hesitou mas aceitou o convite, nos despedimos dos rapazes e das moças e seguimos para um boteco na rua vergueiro, já no boteco, eu assumi o papel ostensivo e interagimos com duas moças maravilhosas.

São doutores em seus ofícios, hábeis em suas profissões, determinantes no poder público, todavia, leigos no relacionamento humano, essa é uma ciência adquirida fora dos edifícios acadêmicos.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Carnaval selvagem

Cachoeiras, colinas verdejantes, riachos e 25 pessoas, serão o prato principal para um final de semana envolvente, um final de semana configurado por belas paisagens naturais, por 9 homens lascivos e 16 mulheres esbanjando disposição e lubricidade, o roteiro desse evento será basicamente explorar esse território selvagem, cultivar a essência dos "artifícios naturais" para incitar o calor humano e desenvolver uma aproximação carnal, um contato efetivo e afetivo entre homens e mulheres, veja, estamos em pleno desenvolvimento tecnológico, na era da informação, o mundo foi reduzido consideravelmente graças ao poder da internet, os dois hemisférios comunicam-se instantaneamente em função desse poderoso veículo de comunicação, entretanto, é uma aproximação superficial, pois a verdadeira afeição entre humanos está no contato corporal, olhos nos olhos.

Sendo assim, orquestrarei esse carnaval selvagem, a fim de estabelecer uma efetiva interação, uma confraternização concreta, palpável, diferente do contato por internet, muitas amizades são feitas através dela, contudo, são apenas personagens idealizados, existem inúmeras vítimas de MSN e ORKUT, aprisionados a esse vício supérfluo, e deixando o deleite do verdadeiro relacionamento, esqueceram-se do prazer que é sentir o calor humano, e se comprazem no mundinho dos computadores.
Os 25 participantes do mencionado evento, irão usufruir do real prazer carnal, do poder da interação coletiva, da unidade da natureza, e sobretudo estarão libertos dessa prisão cibernética.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Drumembêis

Haviam rigorosamente 14 nordestinos, 7 piauienses, 2 maranhenses e 5 pernambucanos, mais precisamente 7 homens e 7 mulheres, essa reunião era para receber com boas vindas Manelão Pereira em São Paulo, Manelão é um senhor de 69 anos, natural da cidade de Pajeú-PI, Manelão é famoso pelas suas fantásticas fábulas, pelo seu "EU" caricato, pelo seus contos mirabolantes e principalmente por suas ações comediantes, uma verdadeira lenda no estado do Piauí.

Esses 14 amigos que estavam a espera de Manelão, não o viam a 7 anos, eu era o único neste ambiente festivo que não conhecia esse lendário Senhor, quando ele finalmente apareceu, foi uma verdadeiro cortejo a sua pessoa, um alvoroço generalizado, a euforia tomou conta de todos, nesse instante, eu tive a idéia de mover esse clima através da trilha sonora do mestre do baião Luiz Gonzaga, por mais improvável que pudesse parecer, o baião do Gonzagão foi repudiado por todos, inclusive por Manelão, eles se opuseram a essência do forró, falando que Luiz Gonzaga é coisa do passado: "A onda agora é Calipso, Motorzinho dos teclados, pelo amor de Deus seu maluco, tire isso e coloque Calcinha preta, vai logo!" Como se não bastasse, minutos depois chegaram mais 13 parentes de Manelão, todos por volta dos 22 anos de idade, esses rapazes, complementaram o escárnio e o desrespeito ao rei do forró, todos fãs incondicionais de música eletrônica, sustentando a idéia de que o forró é som pra velho, e que a modernidade requer algo mais forte que o forró, esses jovens nordestinos se envergonham de suas raízes e ostetam orgulhosamente o suposto status gerado pelos holofotes das raves européias ingetadas no Brasil.

A música "Drumembêis", composição de Zeca Baleiro, demonstra bem essa triste realidade, os nordestinos desconsiderando suas culturas regionais para impressionar inglês, maravilhados com a sugeira eletrônica que eles audaciosamente chamam de música, eles infelizmente esqueceram da música, eles infelizmente estão entrando na onda do drumembêis, "tá todo mundo apavorando na levada drumembêis".

sábado, 3 de janeiro de 2009

Êxodo indesejado

"Lá não tem muito carro, lá é difícil de morrer gente, é uma cidade pequena, tudo lá é perto, as pessoas lá só morrem de velhice, aqui em são paulo muitas crianças morrem de doença e atropeladas e de bala perdida também, a cidade aqui é muito grande, posso me perder, é bastante perigoso, aqui eles matam crianças, queria voltar pra lá, mas a minha mãe tem um trabalho aqui e não quer voltar". Esse foi o desabafo de uma criança de 9 anos, que deixou sua terra natal situada no interior da Bahia para acompanhar sua mãe em busca de melhores condições em São Paulo.

Esse garoto é vítima da zombaria de seus amiguinhos de escola, as crianças de sua idade ridicularizam esse menino pelo seu sotaque diferente, ele é esnobado por não ter sequer um par de tênis para ir a escola: "Olha lá o baianinho das havaianas", ele é desprezado por não dispor de condições favoráveis iguais a de seus coleguinhas, "credo baiano, você não tem video-game, não tem bicicleta, usa sempre essa mesma roupa... Nos passeios de escola, ele fica de fora por não ter dinheiro para pagar, as outras crianças vão a feiras de ciências e ele fica na rua imaginando como seria essa feira.

Eis as palavras que finalizaram o desabafo desse menino: "Torço para que a minha mãe volte para Itiúba e consiga um trabalho lá, sinto falta dos meus amigos de lá, não gosto daqui, os adultos e crianças olham feio pra mim, tenho medo de todos aqui".

Criança com medo de criança!

O mais revoltante é ver um bando de paulistas idiotas, rockeiros, fãs da banda paulista Ira, cantarem:

"Não quero ver mais essa gente feia
Não quero ver mais os ignorantes
Eu quero ver gente da minha terra
Eu quero ver gente do meu sangue
Pobre São Paulo,Pobre paulista, Oh, Oh
Pobre São Paulo,Pobre paulista, Oh, Oh"

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O primeiro blues do ano

Mares foram atravessados, ônibus, táxis e bicicletas não bastaram para dedicar esse blues a linha do horizonte, ainda tive que enfrentar um longo trecho a pé.

A imensidão dessa linha representava as extremidades do mundo, ilustrava os cantos mais remotos do planeta, possibilitando assim fazer um culto de louvor e adoração justo, pois assim, nem as habitantes das regiões mais distantes desse planeta seriam esquecidas nessa homenagem, um tributo dedicado as mulheres de todas as etnias, pois a fusão genética dessa diversidade de mulheres permite contemplar na íntegra todas qualidades estéticas de modo simultâneo, sendo assim, seria justo nós brasileiros nos vangloriarmos por gozarmos do privilégio de poder usufruir da junção da nata racial em nossas mulheres, pois há o reconhecimento de que a raça brasileira é a mais miscigenada, logo, a mulher brasileira detém em si as inúmeras qualidades de todas a etnias do planeta Terra.

Esse blues tocado, por mais que fosse uma sad song, harmonizou bem diante da alegria que só a mulher brasileira consegue transmitir.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Dinheiro e conhecimento, não "é" pecado

Os laços familiares nos tempos atuais perderam suas forças, a união entre parentes já não é tão intensa em relação à décadas atrás, hoje é comum ver irmãos trocarem rancor e pancadas, pai invejando filho, filho agredindo pai, mães e filhas amaldiçoando-se, são práticas tão correntes que desenvolve certa insensibilidade no ser, a naturalidade desse ódio entre familiares mostra o progresso da dissolução dos valores familiares.


Um amigo recente, rapaz financeiramente e profissionalmente realizado, engenheiro civil renomado, a meses atrás comparou a sua realidade com o padrão de vida de seus funcionários, pedreiros de obra, e essa analogia feita por ele mostrou-se parcialmente coerente e explica parte desse crescimento de desafeto entre familiares. Ele compartilhou a distância que há entre ele e os filhos, aduzindo essa distância ao seu poder econômico: Os meus meninos estão sempre ocupados com os estudos, namoradas, carros e eu extremamente sobrecarregado na gestão de minhas empresas, super atarefado, nunca encontramos tempo para confraternizarmos em ambientes como esse que estamos agora , queria poder tomar cerveja com eles e falar besteiras, ter esse tipo de diálogo saudável e amistoso, e em seguida falou da realidade de alguns de seus funcionários: É incrível o bom humor que eles têm, parece que não existe problemas para eles, estive por essa semana com um deles e invejei a harmonia que este tem com seus filhos e esposa, por mais que eles tenham uma grande carência financeira estão sempre dispostos e unidos, este meu funcionário é sábio por dedicar-se a sua família.

Esse exemplo dado, talvez ilustre um pouco da distância que há entre os membros de algumas famílias, entretanto, um dos rapazes que testemunhou esse exemplo, complementou esse raciocínio de modo imprudente: No caso da minha família, eu atribuo a desunião que existe entre nós ao nosso nível de intelectualidade, todos os membros de minha família são altamente polidos, possuem um alto padrão de conhecimento, e isso nos conduz a desunião em função da nossa grande capacidade de discernimento, e é por essa razão que eu e meus irmãos não nos falamos, é por isso que sempre me oponho ao meu pai, diferentemente da família do Ronaldo, família de pais analfabetos, os seus irmão não foram abençoados com o dom da inteligência, a falta de cultura os torna menos críticos, contudo, são fortemente unidos.

Esse pensamento insensato desse rapaz, mostra o tamanho de sua tolice, ter grandes conhecimentos e faculdades não implica necessariamente em ser mau caráter, temperamental ou egoísta, se esse conceito procedesse, certamente eu levantaria o troféu do rei dos ignorantes, seria orgulhosamente um poderoso analfabeto, um bronco amado pela minha família.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O mundo em um edifício.

A grande virtude do ambiente hoteleiro é poder confraternizar com a diversidade étnica mundial sem sair do lugar, é possível encontrar povos de todas as regiões do Brasil e do planeta, o que permite entender um pouco da filosofia cultural de cada nação, compreender as noções culturais de vários povos e tribos, interagir com múltiplas personalidades, desde o mais arrogante ao mais humilde, orientais e ocidentais, mulçumanos e cristãos.

Olhando para as localidades brasileiras, é percebido o contraste cultural de região para região, os nordestinos num contexto geral dispõem de um humor contagiante, são altamente amigáveis e flexíveis à situações adversas.

A população da região norte valoriza ferrenhamente as suas culturas regionais, exibem um patriotismo incomum, e se deleitam na beleza natural do nosso país.

No extremo sul do país, existe uma forte influência da cultura mercosul, principalmente da Argentina, e portanto, são os que menos demonstram o calor humano e o swing que é genuinamente brasileiro.

Falar do sudeste requer maior critério, no campo artístico o carioca se assemelha muito ao nordestino, são essencialmente dedicados a tudo que envolve a arte; mineiros e capixabas possuem um estilo bastante ameno em todos os sentidos, não gostam de exibicionismo e carregam um grande ufanismo por sua natalidade. A população interiorana do estado de São Paulo é altamente hospitaleira, talvez tão receptiva quanto os nordestinos; já a cidade de São Paulo por ser uma das maiores metrópoles do mundo, comporta todos esses povos que foram mencionados, é terra de todos, talvez por isso seja a cidade mais desenvolvida do Brasil.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Old love

Sempre há quem olha saudoso para o passado relembrando os bons tempos, lembrando da embriaguez pitoresca, dos múltiplos ambientes inusitados, das conspirações conjuntas com as inspetoras escolares, dos calotes aplicados nos donos de cantina, do grito coletivo das mocinhas nos campeonatos de futsal, do gol perdido na semi-final, dos enquadros da polícia militar, da quebra da ética escolar movida pela complicidade entre aluno e professor, do primeiro solo de blues na harmônica e principalmente daquilo que não fora feito por determinadas insuficiências.

Hoje em dia é comum ver idosos olhando para os dias de sua juventude e dizendo: não tive neles contentamento, carregando a lamentação de não poder voltar para mudar o que fora feito, é terrível ver esses senhores e senhoras ostentarem um enorme desgosto pelos dias da vida que passaram.

Seria de suma importância a juventude em potencial reconhecer o quão valioso é o tempo, cada minuto bem empregado é de grande valor, cada minuto perdido é um grande desperdício, afinal, não se pode retomar o tempo que passou, logo, cada dia que se passa sem cultivar o próprio talento significa perder um pouco da grande identidade que poderia ser representada num futuro.

Jovens que escolherem a estrada errada para seguir nos dias de sua juventude dirão no dia de sua velhice: Não tive contentamento nos dias de minha juventude, lamento por ter me acostumado com a estrada errada que escolhi, meu filho, não siga os passos de seu pai.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Céus e terra passarão

A estimativa de vida do brasileiro de acordo com o IBGE é de 71 anos de vida. Do primeiro ano de vida ao décimo segundo é caracterizado a fase infantil, dos 12 anos aos 17 o período da adolescência, dos 17 em diante restam mais 54 anos para atingir os 71, considerando que uma vida de saúde plena nos tempos atuais é de até no máximo 45 anos, pois dos 46 em diante surge um série de distúrbios orgânicos no corpo humano, o que revela que a fase adulta de saúde plena é de apenas 28 anos.

Esses números variam, é uma estatística relativa, porém eles tendem a diminuir de 71 para 65, o que reduz também a dedução de vida adulta de saúde plena.

O poder do tempo a cada ano se mostra mais devastador, tanto para a humanidade, quanto para o planeta, as catástrofes naturais são a cada ano mais agravantes, e a mortalidade antes da estimativa também, observando essa realidade, mostra o quão frágil é a vida humana, e que para o vento arrebatá-la basta apenas ele passar.

Um pensamento pessimista para ser concebido tão naturalmente, principalmente para os amantes da vida, reconhecer esses conceitos lhe dá a opção de dedicar essa curta vida afim de receber uma recompensa sobrenatural, um prêmio após a morte, ou simplesmente dedicar a vida aquilo que fora revelado, sem prejulgar o sobrenatural, essa segunda opção traz consequências negativas e positivas, positiva por desenvolver no sujeito a gana de preservar impetuosamente essa curta vida, aproveitando o tempo da melhor maneira, pois existe a consciência de que essa vida logo passará, e negativa por entender que logo mais não restará lembranças de tudo o que fora feito no curso dessa vida.

Maldita inspiradora

Patricia Anne Boyd nasceu em 17 de Março de 1944 na Inglaterra. Modelo, atriz e fotógrafa, Pattie é conhecida por ter sido esposa de duas grandes estrelas do rock internacional, George Harrison e Eric Clapton, além de ser inspiração para algumas das músicas mais românticas de todos os tempos. Pattie foi uma modelo de sucesso durante a década de 1960 e 70, aparecendo na capa de várias revistas de moda como a versão britânica e italiana da Vogue.


Depois de conhecer George Harrison durante as filmagens de A Hard Day's Night em 1964, Pattie se casou com George no dia 21 de Janeiro de 1966. Ela foi a inspiração para uma das músicas mais famosas de George Harrison, Something de 1969 que é a segunda música mais regravada da história atrás apenas de Yesterday.

A amizade de Eric Clapton com Harrison o aproximou de Pattie, com quem ele se apaixonou profundamente. Quando ela o recusou, Clapton escreveu a maior parte do álbum Layla and Other Assorted Love Songs de 1970, da banda The Dominos. O grande sucesso Layla foi inspirado em um poema do poeta Nizami Ganjavi chamado "The Story of Layla and Majnun". A história mexeu muito com Clapton, que alimentou seu vício por heroína e quase enlouqueceu por não poder se casar com Boyd. Pattie deixou George por Clapton, com quem se casou em 27 de Março de 1979.

Eric Clapton escreveu "Wonderful Tonight" em 1976, "Pretty Blue Eyes", "Golden Ring", "Never Make You Cry", "Pretty Girl" e inúmeras outras canções para Pattie.

Pattie em 2007 concedeu uma entrevista a um jornal britânico dizendo sentir-se honrada e privilegiada por ter sido a inspiradora de grandes clássicos do rock: "Até hoje quando eu ouço essas canções, fico extremamente arrepiada, sinto como se fosse parte de mim, do meu corpo, da minha alma, me emociono muito com essas maravilhosas canções".

Amantes da música, agradeçam também as musas inspiradoras, se hoje existem e existirão músicas fantásticas, deve-se ao poder da inspiração promovida pela mulher, elas alegram e partem o coração vulnerável, não fosse a doce solidão e o triste contentamento causados pela desgraçada musa inspiradora, certamente a realidade musical seria mais vazia.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Virgens tropicais

A beleza tropical é a beleza que transcende a formosura física, é a beleza que atende a oculta lubricidade, um charme peculiar carregado de veneno, a peçonha proveniente dessa beleza tropical é semelhante a que é proferida pela víbora do jardim do éden (conduz ao "pecado"). E o efeito desse veneno é também de essência singular, ele causa um mal-estar emocional, submetendo a vítima a uma abstinência desenfreada, depois de agonizar nessas alucinações o efeito do veneno acaba e juntamente com ele a primeira ilusão, a partir de então surge a decepção, e essa é a pior parte, pior por encontrar uma mulher em pele de menina e depois descobrir que era apenas uma mocinha desabrochando.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Marionetes "racionais".

Dois casos distintos conduziram-me a essa visualização: No primeiro caso, uma moça privilegiada por nascer num berço de ouro, a realidade social que a cercava em sua infância era satisfatória, essa criança nasceu num lar estável, uma família conservadora de valores morais e éticos, dispunham de boa educação acadêmica, saúde financeira e bons padrões de cunho religioso. Essa moça em sua fase adulta era facilmente amada por aqueles que a cercavam, convivi com a mesma por 12 meses no mesmo ambiente de trabalho e foram 12 meses promissores em sua presença, a sua simpatia e benevolência singular contagiavam os ambientes pelos quais ela passava, ela era admirada de modo unânime, possuidora de uma beleza única, uma mestiça esteticamente poderosa, e não obstante ao seu poder físico ela também usufruía de características intelectuais, a sua humildade para com o próximo era um modelo de humanidade.

No segundo caso, uma moça relativamente desfavorecida pelos fatos sociais, nasceu num ambiente turbulento e desprovido de saneamento básico, um lar carente financeiramente, veio ao mundo sem ter a representação da figura paterna, mãe desempregada e sem profissão, cresceu num ambiente marginalizado, e como se não bastasse, essa moça possuía uma terrível dicção e um rosto desfigurado, uma garota amargamente estúpida, ostentava uma arrogância incomum, extremamente violenta e se comprazia em operar o mal.

Comparando esses dois pólos é possível visualizar o efeito coativo dos fatos sociais sobre o indivíduo de uma sociedade, a realidade social da primeira moça contribuiu para sua formação pessoal, tudo no que ela se formou foi fruto das influências de seu meio, são valores externos ao indivíduo, todo o aprendizado assimilado por essa moça já existia vigorosamente em seu seio familiar antes mesmo de sua existência, a mesma lógica é válida para a segunda moça, a formação de conduta adquirida por ela foi proveniente do ambiente que ela compunha.

As correntes afetivas de sentimento, piedade, indignação, entusiasmo, etc, são frutos de ensinamentos que vieram de fora do indivíduo, independentemente de sua existência esses conceitos emotivos já vigoravam na sociedade, em outras palavras as inúmeras maneiras de ser, fazer, pensar, agir e sentir variam de cultura para cultura, se hoje sou um palmeirense fanático é pelo simples fato de ter nascido no estado de São Paulo, existe portanto a ilusão de acreditarmos que fomos criadores daquilo que na verdade veio de fora.
Desse modo cria-se a concepção da idéia de que o ser é o que o seu meio determina.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Pingaiada é o dono do bar, eu sou consumidor!

Um grande talento desperdiçado sempre é alvo da boca do povo, seres com aptidões promissoras desenvolve grandes expectativas, e quando essas expectativas são frustradas, esses seres prodígios tornam-se alvos de perseguições alheias, viram manchete em torno de seu "fracasso", existem seres fantásticos detentores de inúmeras faculdades, seres de habilidades atípicas, e mesmo possuindo um enorme dom, eles optam por levar a vida devagar, preferem buscar a felicidade na simplicidade, eles renunciam a suas milagrosas habilidades para caminhar tranquilamente, eles ocultam a inteligência sobre-natural para viverem em paz, esses referidos seres são poderosos em suas dádivas, gozam do privilégio de possuírem aptidões superiores, todavia, vale esclarecer que essa escolha de não seguir ou cultivar o próprio talento, não significa que estes seres sejam fracassados, rotulá-los como talento desperdiçado é no mínimo pretensioso, eles simplesmente escolheram qual estrada queriam seguir e se acostumaram com ela, são felizes por essa estrada que escolheram trilhar, e não há quem possa querer condenar essa escolha.

E por essas estradas já vi doutores, senhores, mestres em suas artes, eruditos em seus talentos, eles renunciaram a esse talento por verem a felicidade na outra extremidade, a busca pela alegria divergia com o seu poderoso dom, e portanto, abandonaram uma carreira promissora a fim de encontrar a alegria, uma decisão corajosa tanto quanto nobre.

Ontem, nos bares por onde andei, encontrei um ex-craque do futebol brasileiro, este jogou em todas as ligas européias, desde Espanha a Alemanha, um fino centro avante, um verdadeiro goleador, este ex-jogador de futebol, sofre com a perseguição do povo, dizem que ele largou a sua carreira de jogador por causa da cachaça, por onde ele passa gritam: Olha ali o pinguinha, diariamente ele houve boatos sobre o seu fracasso, mas ele sabiamente responde: a minha vida de alcoólatra foi um decisão feita quando estava sóbrio, sou feliz nessa simplicidade, não preciso de um reconhecimento em grande escala, e digo mais, pingaiada é o dono do bar eu sou consumidor. Essa foi a estrada que ele escolheu, temos que respeitar. E acreditem ele é feliz!

domingo, 21 de dezembro de 2008

Wake up Rio

Vivemos na era da prontidão, onde tudo é necessariamente instantâneo, quem desprezaria hoje em dia a eficiência gerada pelos controles remotos? É um mundo informatizado onde a internet é um dos principais veículos de transação comercial, imaginar uma cozinha sem um forno microondas hoje em dia é quase que inimaginável, a cada dia é desenvolvido ferramentas que visam promover a praticidade em todos o segmentos, tecnologias que buscam facilitar as ações humanas, é cômodo saber que no final do último gole de cerveja o garçom levará até a mesa a máquina de débito automático, o senhor da ociosidade louva os engenheiros que promovem a facilidade através de seus engenhos tecnológicos.

Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa, um verdadeiro paraíso turístico, um forte representante, que leva o nome do nosso país para fora, descrever a beleza natural da cidade maravilhosa seria um tanto quanto redundante, realmente a mãe natureza abençoou essa cidade, bons modelos culturais em nosso país é possível serem testemunhados nas regiões nobres da cidade do Rio de Janeiro, e curiosamente, é uma realidade exemplar que flue de modo natural, a propagação da visão artística acontece enfaticamente nesse meio carioca, os segmentos musicais são bem concebidos e o prestígio pelos patrimônios históricos são tratados de modo "religioso". Entretanto, existe um triste ponto que diminui a grandeza do Rio de janeiro, em pleno século XXI em meio a era da prontidão, o Rio carece de uma boa estrutura de trânsito, uma cidade mal sinalizada, um estrutura de trânsito amadora, encontrar estabelecimentos que dispõe de máquinas de débito automático é absurdamente difícil, praias mundialmente conhecidas como Copacabana, Ipanema, possuem kiosques estruturalmente deploráveis, a logísitca dos estabelecimentos comerciais carecem de atualizações necessárias, são essencialmente conturbados e desordenados.

O grande mistério envolvendo a maravilhosa cidade do Rio de janeiro é o fato de em meio a tanta tecnologia um lugar que atrai personalidades de todos os cantos do mundo necessitar de estrutura tecnológica satisfatória para atender a esse encargo, e paradoxalmente bairros periféricos da Grande São Paulo que não tem valor turístico, usufruem de tecnologia de ponta para simplemente se auto-atenderem, até o camelô que vende dvd pirata nas calçadas de São Paulo, dispõe de melhores recursos em relação aos grandes estabelecimentos cariocas.

Talvez aplicar no Rio o exemplo de desenvolvimento encontrado na terra da garoa, seja a solução para o Rio ser "maravilhoso".

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O porquê dos Correias serem assim !

Existem doutrinas e ensinamentos que são concebidos no antro familiar, uma ordem hereditária que é seguida de modo rigoroso, valores que são passados de geração a geração.

No decorrer dos anos muitos preceitos de tradição familiar são perdidos, caem inevitavelmente no esquecimento.
Fazendo um apanhado sintético desse valores familiares, é percebido que os poucos conceitos dessas tradições que resistiram ao tempo, conduz os atuais seguidores desses valores a resgatar o que fora perdido, as normas remanescentes que sobreviveram a evolução, de alguma maneira traz a tona a essência da raiz que fora esquecida, buscar recordações na raiz familiar é um ponto que possibilita entender os atuais porquês da atual realidade de um grupo social.

Os membros da família Correia são alvos de repúdio, eles geram escândalo por serem essencialmente brutos, eles possuem características arcaicas, esses adjetivos que são próprios dos Correias é possível justificá-los buscando explicações em suas raízes, nessa árdua busca arqueológica pelas ruínas das cidades situadas no estado do Piauí, foi encontrado um manuscrito de autenticidade comprovada , nesse manuscrito dizia: "Toda boa dádiva é própria da mulher, aquilo que há de excelso nesse planeta é por direito de nossas mulheres", esse manuscrito, facilitou a compreensão da eminente brutalidade dos homens da família Correia, eles assumem tal postura para realçar a finura que é própria da espécie feminina, essa é real mensagem oculta nesse manuscrito de Manoel Correia (O precursor).

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Seria numa moldura clara e simples.

A ociosidade eminente de três rapazes, por muito pouco não desenvolveu uma poderosa seita, antes de descrever os episódios que quase culminaram num novo conceito religioso, irei esclarecer de modo sintático a moralidade de cada um.

O número 1 desde criança sempre sustentou um grau de arrogância, e era comumente bem quisto entre os seus e ainda hoje o é, e juntamente com o número 3 no período da infância estes dois, 1 e 3 possuíam o hábito de fazerem acepção de pessoas, criando regras e ideais inquestionáveis, onde os adeptos a idéia não eram bem-vindos, permitindo a eles apenas a admiração desses ideais, não obstante ao fato da imposição dessas regras, que geralmente era aderida pelos seguidores da idéia.

Mais pra frente surge o número 2, amigo de escola do 1, e esse segundo personagem curiosamente e de modo paradoxal, dispunha de uma personalidade totalmente aversa a do 1 e 3. O 2 sempre foi um símbolo de bom menino, do tipo que estabelecia grandes sacrifícios para ver um sorriso no rosto de alguém, dedicava-se de corpo e alma para operar o bem nesse planeta, vivia para ver o próximo feliz, um verdadeiro bom samaritano, renunciava a seus prazeres na condição de ajudar o necessitado.

Em função do vínculo familiar e parentesco, o 1 e 3 jamais perderam o contato, anos se passaram e a sintonia entre ambos permaneceu, estes que sempre levaram consigo valores morais e éticos provenientes de uma cidade remota do Piauí chamada Barriguda. O número 2 sempre teve a admiração de todos, um rapaz extremamente altruísta, anos se passaram e a amizade entre o 1 e 2 também permaneceu, e em torno da frequente presença do 2 nos ambientes que o 1 frequentava, surgiu a antiga tendência arrogante do 1 e 3 de se destacar sobre aqueles que não acompanhavam o então raciocínio, e como a tradição era sempre haver três membros nesse isolado meio, o 1 e 3 precisavam de alguém para fechar esse grupo, tempos atrás o critério de escolha para selecionar a segunda pessoa era determinar aquele que melhor atendesse os requisitos da então finalidade, e nesse caso não houve critério, o 1 e 3 envolveram o número 2 pela autêntica amizade demonstrada por ele, ele realmente era um verdadeiro amigo e portanto eles o incluíram. Contudo, o número 2 era muito bonzinho para acompanhar a astúcia e malícia do 1 e 3, com isso, eles assumiram a missão de ingetar no 2 e ensinar alguns conceitos de maldades para ele, pois a bondade infinda do 2 divergia com alguns conceitos do 1 e 3, porém essa foi uma missão vã, por mais que eles tentassem, o 2 era incapaz de abandonar suas boas práticas, logo, 1 e 3 tiveram que se acostumar com isso.

A partir de então, esse três rapazes tinham um senso comum (ressaltando que o número 3 sou eu, Ronaldo Correia), tudo o que eles literalmente faziam era criar algo que atraísse mulheres, eles estavam num período de absoluta ociosidade, o que lhes permitiam maquinar planos para a aquisição de suas desejadas meninas, e isso para eles era um encargo quase que esmagador, levavam essa prática de adoração a Mulher de modo religioso, a fidelidade e determinação que eles tinham para essa causa de louvor ao ser feminino era muito forte, as suas tardes resumiam-se basicamente em ficar nas calçadas tomando cerveja e desenvolvendo tributos a figura feminina.

Essa prática de modo desapercebido e súbito tomou uma enorme proporção, quando fomos perceber, já havíamos criado um pergaminho com dez mandamentos, e esses mandamentos serviam para nos disciplinar quanto ao reconhecimento do ser supremo que é a Mulher, esses dez mandamentos foram criados apenas para nós três, entretanto, havia uma grande dimensão de seguidores, desde fanáticos a meros seguidores, as palavras de louvor e adoração que eram atribuídas a mulher no referido pergaminho, viraram hinos de tributo à imagem feminina , todo o conceito sobrenatural que fora criado em cima dessas regras, atraiu uma infinidade de seguidores. Porém com é de praxe, não permitimos que isso acontecesse, afinal ainda mantíamos o hábito de fazer acepção de pessoas, e nesse período, aprendemos a verdadeiramente cultivar as maravilhas que são próprias das mulheres, aprendemos a colocar a MULHER em prioridade, pois as mulheres são o que há de melhor.

Adorar a imagem feminina foi a grande lição que tirei nos anos que passaram.

Preciso de um bela fotografia feminina, preciso da imagem de uma bela mulher para por em uma moldura, afim de prestar os meus louvores matinais.

Houve aquela que recusou-se a conceder-me uma bela fotografia, porém, estou a procura de uma fotografia que ilustre uma bela Mulher, para render homenagens a mesma, a moldura que ostentará essa foto será simples, contudo a imagem manifestada nela será suprema. Amém.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Imperialismo norte americano

Semanas atrás, um amigo meu enviou-me um e-mail pedindo-me que enviasse a ele uma frase falando sobre o natal, a abordagem do tema natalino seria essa: O que você faria para deixar o natal com sua cara? Essa pergunta era tema de um concurso promocional de uma determinada empresa, cujo o vencedor ganharia um lep top. No exato instante em que recebi o e-mail com esse pedido, visualizei uma série de frases envolvendo papai noel, guinomos, trenós, um verdadeiro tributo a cultura norte-americana, uma indiferença declarada a cultura brasileira, haja visto que os personagens natalinos são mais "simpáticos" e famosos que as figuras do nosso folclore, um folclore rico, repleto de tradições regionais e impactantes, contudo, vender a figura de papai noel é tão fácil quanto vender coca-cola, apreciar e respirar as cores do natal norte-americano é demasiadamente "elegante", produz um forte status, e é nesse ponto que reside o grande lamento, a desconsideração do povo brasileiro por suas raízes.

Vejam qual foi a frase que envie para o referido concurso: Natal sem sofismas, sem guinomos, sem duendes e sem papai noel, Saci me espere que eu vou já, bumba-meu-boi, meu irmão, no meu natal só tem baião , glórias ao folclore brasileiro! boitatá, curipira e até você caipora o natal já é agora!

Naturalmente, o meu amigo que solicitou-me a frase, repugnou-a incondicionalmente.
Embora, vejo que aos poucos, ao longo dos anos, o brasileiro está de modo evolutivo se desmembrando dessa lenda consumista e imperialista que é o natal desse papai noel "tricolor".

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Ocupante da primazia


Ocupar o primeiro lugar em uma classe hierárquica, ou num determinado posto, implica em gozar de privilégios e preferências.

O patriarca de uma determinada aldeia usufrui dos melhores manjares, o cacique de tribos indígenas dispõe de iguarias e vestes nobres, o monarca tem a companhia da melhor tropa militar de seu reino, o conde e sua soberania inquestionável no condado, o presidente de uma nação democrata e seu avião particular...

Aquele que ocupa o grau maior em um certo posto, sempre desfrutará das melhores condições, sempre será posto em prioridade, pois a sua condição suprema exige que seja assim, a sua qualidade e importância obriga atender a essa hegemonia, colocando as outras importâncias em segundo plano.

Considerando esse conceito, é possível medir o nível e a importância das prioridades, organizando de modo ordinal, e verificando a posições de cada meta e alvo, aquelas que encabeçarem essa lista, serão as metas prioritárias, as que ficarem no meio serão as consideráveis e as que estiverem na base serão as irrelevantes.
Bendito é aquele que ocupa o "topo" da cadeia alimentar.

domingo, 14 de dezembro de 2008

O poder da interação coletiva


As particularidades individuais de cada ser são em sua essência de diversos modos, conceber a substância peculiar do indivíduo humano separadamente mostra o quão abrangente é a personalidade humana. Considere um rapaz caricato, carismático, que detém uma graça humorística singular, um verdadeiro artista, do tipo que tem fôlego para gritar 19 horas em alto brado incessantemente, imagine um outro rapaz que de tão sossegado, consegue perturbar o sossego de todos com o seu silêncio inquebrável, visualize uma moça agitada em seus conceitos obtusos do tipo que se exibe de modo enfático afim de atrair atenções, a outra no entanto, consegue a atenção de todos com um simples movimento de cabelo, há aquelas de características definidas, maduras, que por deterem experiência de vida ficam de fora regendo o ambiente; tem também aquele que só fala em cerveja e que em tudo alude ao álcool a razão de sua presença, há também aquele que é indesejado por suas folgas, e liberdade exagerada, porém, mesmo indesejado se faz necessário pela sua figura ativa em prestar ajuda e atender as necessidades da situação, ainda que isso implique num auto sacrifício, há também a mulher destaque, um destaque que transcende o valor estético, conserva consigo o apreço de todos por suas incisões e afabilidade, existe aqueles que são essenciais pelas sucessões de trapalhadas pitorescas, uns assumem uma postura mais sensata e ponderada, já outros com tendências de criar climas de constrangimento e risos, tem até o evangélico, TJ, ateu, budista, ortodoxos, pagodeiros e eruditos.
A verdade é que essas figuras reunidas num mesmo ambiente de confraternização, são capazes de criar situações ridículas, extraordinárias, surge portanto um clima peculiar onde todos encontram um meio comum de expor as suas especialidades, uma orquestra fundamental para quem está afim de encontrar o riso, esse é o poder da interação coletiva.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Águas Lamacentas!

McKinley Morganfield, aquele que introduziu o Blues elétrico.
B.B.King e Buddy Guy hoje são as únicas lendas vivas do Blues, são o nomes que ilustram a vontade do mestre McKinley Morganfield (nome de batismo de Muddy Waters), de conduzir o legado do Blues por todos os cantos do mundo. O nosso lendário slow hand é um dos missionários de Mr Muddy, saibam que Muddy Waters dias antes de morrer incubiu a Eric clapton uma missão, vejam quais foram as palvaras de Clapton: "Perto do final de nosso tempo juntos, Muddy começou a me falar sério sobre levar avante o legado do Blues, chamando-me de filho adotivo, e garanti a ele que faria o meu melhor para honrar essa responsabilidade, era um encargo quase esmagador para assumir plenamente, mas levei-o ao pé da letra, e por mais que esse tipo de coisa seja jocosamente desdenhado hoje em dia, tenho absoluta certeza de que ele falou sério". Muddy Waters um verdadeiro chefe, apadrinhou grandes nomes da música mundial, não irei mencioná-los pois eles não vêm ao caso. Muddy foi a primeira grande celebridade do blues mundial, o mentor e precursor do blues elétrico, o homem que inspirou o rock and roll, o verdadeiro pai do Rock, não obstante a isso, ELE reuniu grandes nomes do Blues, esses sim convém mencionar, Willie dixon, Little Walter, Big Walter Horton, James Cotton, Junior Wells, Buddy Guy, Otis Spann, Pinetop Perkins e essa lista ainda vai longe, formando uma verdadeira big band, o feeling ímpar que reside no som de Muddy waters é concebido de modo pesado e profundo, é um Blues típico de salões esfumaçados que embaçam corpos bêbados, um blues de boteco mal iluminado, um Blues de cabarés, puteiros, casas de prostituição, um Blues que inspira moças strippers, o Blues mais depressivo e animado.
Portanto, lanço um apelo aos amantes do Blues, de levar adiante esse legado, de difundir o Blues pelo Brasil a fora, um apelo aos obstinados bluseiros em pleno país do futebol, façamos esse tributo a Muddy Waters, façamos isso pelo Blues.
Afinal, o Blues É, o resto é decorrência.

ai, que saudades da amélia

Amélia, personagem de Ataulfo Alves e Mário Lago, uma personagem clássica que pode-se considerar uma forte componente do folclore brasileiro, a mística que envolve a famosa amélia é solidificada pelas suas características cronópias, ela simboliza fielmente a mulher brasileira no período antecedente ao pró-feminismo.
A diversidade de efeitos de aprovação e desaprovação causada pela personagem Amélia, tem suas variantes, há aqueles que vêem como um modelo de mulher, com seus adjetivos subservientes, e seu atributos de submissão incondicional, ou os que vêem como um péssimo exemplo de esposa, mulher preguiçosa, conformada com suas limitações, há também a ótica que mostra uma mulher amorosa, altruísta que se compraz em servir e atender os seus queridos entes, uma mulher que se priva para satisfazer o próximo, e é esse modelo de Amélia que melhor ilustra Lúcia Correia, uma Amélia que não tem a menor vaidade e que é uma mulher de verdade!
Parabéns lucinha, pelo seu vigésimo oitavo ano!
Lúcia, nome proveniente da Luz!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Passa Menino !

Que diabo de tanto menino! Essas pestes de crianças estão por aí, cultivando suas brincadeiras de roda, isentos do perigo maior que é saber, elas estouram o joelho, elas ralam as canelas, e no mesmo segundo já estão sorrindo e prontas para se debulharem novamente, é uma dor passageira, é uma dor que surge na hora da diversão, é o sofrimento da alegria, eles e elas, esse diabo de meninos são tão fortes que machucam apenas o físico, estão imunes a dor e ao ferimento interno, essa peste de crianças !

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O sumo ditado do Blues

Um sábio homem disse: "O blues é apenas um bom homem sentindo-se mal por causa da mulher que ele um dia teve", um pensamento forte, poderoso e que configura bem a faceta do blues em suas minúcias. Lord of sound a rigorosamente 6 anos, disse-me: A plenitude desse provérbio consiste basicamente no seu sentido literal, isso é o blues, se você ainda não teve essa glória certamente terá. É uma reflexão jocosamente desdenhada por aqueles que não têm o blues, e respeitada despoticamente e de modo prepotente por aqueles que o têm. Partindo desse pressuposto, é possível afirmar que para consolidar a essência bluseira no sujeito é necessário haver esse "batismo", sentir a gloriosa dor de ser deixado por uma mulher, mulher esta que irá inspirar suas canções, mulher que partiu o coração de um pobre vagabundo, surge portanto o reconhecimento da preeminente figura feminina, a concepção das virtudes plenas que são próprias e exclusivas da mulher. Ostento o título de bluesman por assimilar esse conceito supremo, e por ser vítima do abandono de uma mulher, entretanto, criei uma maneira de prendê-la a mim, fixei-a numa escala de blues, escala que fora inspirada por essa "maldita", afinal o blues é apenas um bom homem sentido-se mal por causa da mulher que ele um dia teve.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

SRV


Eu não saberia dizer como seria hoje se Stevie Ray Vaughan estivesse vivo.Ele no que tange ao Blues de guitarra é a soma perfeita de impetuosidade com expressionismo, ele passeia pela vertente do virtuosismo e da sensibilidade, algo inconcebível além do que eu poderia aguentar. Fatalmente o miserável morreu, assim, não dando continuidade ao seu legado e dom sem igual. Com isso eu justifico a morte dele de uma maneira bem simples: Os níveis técnicos e expressivos de Mr SRV são tão além da compreensão humana, que o seu grande erro foi querer executá-los no planeta errado, o planeta Terra não resistiu a tamanha grandiosidade e o cuspiu para fora, arrancando sua vida. Disseram, dizem e sempre dirão o seu talento era sobre-humano!