terça-feira, 16 de setembro de 2014

Alvorecer


 Não critique o atendimento, sua postura abrupta garantirá mililitros de saliva em nossos copos, meu uísque servido na mesa está protegido, mas o peixe assado ainda está à mercê, contenha pois então seu ímpeto milorde e nos prive da mucosa alheia, todos vocês aqui assentados a essa mesa escarnecedora não se iludam com esse chafariz de mármore, não se deixem levar por esse forçado sotaque francês, ao preterirem o modesto estabelecimento da tia Lu, vocês se privaram do deleitoso leitão na brasa, renunciaram ao suculento feijão branco e aos temperados petiscos especialidade da casa, pessimismo meu aparte, não posso negar que a configuração dessa nobre casa nos dará melhores condições pra avaliarmos esse momento adverso. 

 A você Miss, peço um sorriso, nos acalme nem que por alguns segundos,  antes de começarmos sorria pra todos nós e diminua essa tensão que nos consome, Tungão te aviso desde já que o seu gracejo não será tolerado se manifeste apenas quando for acionado, quanto a você  varão, receio que agora sim seja uma boa hora pra você apelar pro seu deus de milagres, já você rapaz da arte pop, deve saber que nesse momento a criatividade será de grande valia, mostre que sua arte pode ser uma saída, já sob sua ótica velho homem sei que somos todos crianças, as estradas pelas quais o senhor percorreu lhe deram suficiente experiência para abrandar essa tormenta, todos aqui presentes, doutores e calouros, são todos essenciais, até mesmo você com esse alface nos dentes e com as mãos meladas, por mais asqueroso que tu sejas sua vitalidade será determinante na hora do confronto real, por fim, a você bom soldado vale dizer que és o membro mais hábil e competente desta organização, essa silenciosa exclamação e serenidade estampada em sua face é o que nos dá esperança, difícil é repetir essa sua serenidade diante desses crustáceos a passarinho, definitivamente essa crocante lagosta envolta por camarões não foi uma boa pedida, o barulhento mascar do nosso abominável amigo aqui está roubando a paz que não temos.

 De qualquer forma, tenhamos bom ânimo, esse é o pensamento do dia, testemunhamos hoje aqui o rigor e a intolerância do nosso nobre lorde, a espirituosidade do sempre bem humorado Tungão, a fé inabalável do bondoso e ingênuo varão, sentimos o potencial explosivo desse jovem artista, nos deparamos com as respeitáveis rugas desse clássico veterano de guerra, até as espumas expelidas por você abominável homem foram positivas, elas são a prova da sua energia e vigor físico, repito então, tenhamos bom ânimo, temos também em nosso favor a elegância e o intelecto do nosso talentoso soldado, basta unirmos o potencial particular de cada um de nós que em tempo venceremos essa adversidade, antes de dispensá-los, peço novamente a você doce Miss um breve sorriso, sorria e nos dispense a fim de encerarmos essa reunião noturna com a esperança de um novo amanhã.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Amor dos Deuses.



“Como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura, e olhando nós para ele, não havia boa aparência nele para que o desejássemos”.

 No capitulo 53 do livro que leva seu nome o profeta Isaías diz sobre a ausência de beleza física em Jesus Cristo, fala da formosura que o redentor não possuía, isso surpreende os artistas que ilustravam as belas figuras do “Renascimento”, o Cristo representado em telas e nas telas de cinema goza de atributos estéticos admiráveis, dispõe de características atraentes, há portanto, a clara indiferença por parte dos ilustradores acerca da descrição feita pelo profeta que anunciou a chegada do salvador, desse ponto, imaginar uma figura divina desprovida de atrativos que encantam os olhos seria bastante embaraçoso, assim, fica possível justificar a versão dada pelos responsáveis em ilustrar a imagem de Cristo, uma versão em oposição a verdadeira face daquele que trouxe a salvação.

 O grande personagem do cristianismo vai no caminho inverso dos demais deuses das principais mitologias, Jesus conforme descrito em seu evangelho não possui uma deusa a quem dedicar seu infinito amor, mesmo encarnado na figura masculina, se trata de um deus sem gênero, fixo apenas em sua divindade neutra, a saga de Jesus contada por Marcos, Matheus, Lucas e João mostra um deus com a única missão de ensinar ao mundo valores altruístas, transmitir a mensagem do amor ao próximo, Cristo traz consigo a promessa de uma nova Jerusalém, com ruas e calçadas de ouro e anjos cantando hosana nas alturas. A saga de Jesus Cristo é basicamente isso, onde as ações calcadas no amor garantirão ao bom samaritano o eterno deleite na dourada Jerusalém.

 Não se pode ignorar que em toda boa história existe a necessidade de haver um antagonista, um vilão que se oponha ao mocinho, que se objete ao herói, mesmo Cristo sendo onipotente, sendo a maior personalidade de todos os tempos, o ser mais influente, o maior mito narrado pelo homem, mesmo ele não poderia deixar de ter um adversário, um vilão para apimentar sua caminhada na batalha contra o pecado do mundo, surge então Satanás, originalmente nomeado por Lúcifer, não poderia haver vilão mais apropriado para Jesus cristo, afinal, Lúcifer conhecido também como Belzebu era ninguém menos que o modelo de perfeição, repleto de sabedoria e de perfeita beleza, Satanás era a mais sábia criatura que Jeová inventou, o deus Jeová jamais criou um anjo ou outro ser com a inteligência dessa criatura, Deus diz que essa criação é "de perfeita beleza", aparte da Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, esta criatura é hoje o ser mais elevado.  

 Antes e depois de Cristo Satanás foi quem sustentou o grande ibope no âmbito dramático da narrativa cristã, os contos relatados na bíblia sagrada tiveram infinitos personagens, histórias de amor e traição, milagres, fábulas, comédia, ação e tragédias, todavia, todas elas eram representadas por humanos atingidos pela glória do deus Jeová, estavam esses personagens inseridos em episódios fadados, episódios com um fim certo, seja ao sucesso ou ao fracasso o enredo dramático dos contos bíblicos dispunham de um desfecho e resultados pré-destinados, uma vez que a onisciência de Deus já havia determinado o fim da trama envolvendo seus servos humanos, seria como ler revistas de fofoca que anunciam o que vai acontecer nos episódios seguintes da novela, seria como ser vítima de spoilers e saber antecipadamente o desfecho de um bom filme antes mesmo de tê-lo assistido, tudo isso põe Satanás na condição do personagem do mal mais curioso e completo em comparação aos vilões de outras mitologias, pois mesmo já  derrotado, mesmo sendo um poderoso e habilidoso rival, Satanás de nada vale diante da glória de Deus, Satanás é conhecido como o mestre da sedução, o arquiteto do marabalismo político que conduz esse mundo corrupto a perdição, é considerado uma entidade milenar de astúcia inigualável, é mencionado diariamente como aquele que irá tragar a alma daqueles que cederem a tentação, falar da missão de Satanás enquanto vilão nos obriga a admitir que ele de fato é um grande sedutor, afinal, ele conseguiu convencer o onipotente Jeová a assistir e permitir suas ações malignas que levarão parte de seus amados filhos para o fogo e tormento eterno, mas não podemos subestimar o criador do céu e da terra, talvez antes da consolidação dos tempos ele mude esse plano criado através dos séculos, pois nem homens e nem o Diabo podem alterar esse final glorioso cheio de amor e dor.

 Aparte todas essas circunstâncias que resumem a trama dos contos bíblicos, não pude deixar de ignorar que diferente da narrativa cristã, os grandes imbróglios que alimentam os enlaces e desenlaces embutidos nos enredos das principais mitologias não estão focalizados no irredutível ego do principal deus, a grande graça que dá ritmo aos contos das mitologias grega, egípcia, asiática, nórdica, amazônica e outras não mencionadas aqui, é a contextura criada pela diversidade de deuses, pois elas não se limitam em uma única ordem absoluta, a divindade existente nos demais folclores politeístas permite ao leitor se debruçar num universo dramático mais difuso, a inserção do leitor na fantasia se torna mais abrangente em razão da pluralidade do caráter divino, uma vez que os anseios e vontades dos personagens não estão centralizados em uma única entidade absoluta.

 A famosa Maria Madalena protagoniza polêmicas junto ao clero, a mais célebre prostituta do novo testamento talvez seja a personagem que mais tenha despertado interesse nos estudiosos em razão de sua suposta  tentativa de seduzir Jesus, enquanto teólogos especulam esse provável envolvimento, Freya a deusa da fertilidade e da beleza derrama suas lágrimas à espera de seu grande amor o deus Odur, aquele que anda pelos céus, a bela Freya líder das Valquírias, das guerreiras do território de Asgard é conhecida como a deusa da luxúria, tais qualidades despertaram o desejo em Loki o deus do fogo, mas esse amor não foi permitido por Odin, já nos contos gregos, amores proibidos transcorriam de modo diferente, veja o  caso de Perséfone a deusa da primavera que posteriormente viria a ser também a deusa do submundo, Perséfone a filha de Zeus a mais bela deusa do Olimpo negava seu amor a todos que lhes desejavam, Hades o deus do submundo também foi uma das vítimas do poderoso charme de Perséfone, Hades contudo, tomou o amor da jovem deusa a força, raptou Perséfone e a levou para o submundo tornando-a conhecedora tanto da luz quanto das sombras, tornando-a senhora das magias ocultas.

 Nas paredes das ruínas do Egito foi registrado que o amor do deus Osíris e da deusa Isis foi mais forte do que as leis da vida, Osíris foi traído pela ambição de seu irmão e perdeu a vida após uma cilada mortal, Isis reuniu os restos mortais de Osíris e o reconstitui, através da força desse amor divino Isis deu a Osíris novo fôlego e assim ambos viveram um amor póstumo e conceberam um filho, já nos contos japoneses, o amor entre Izanami e Izanagi  deram frutos maiores, mais do que um filho esse amor deu origem a vida humana, os deuses primordiais elegeram a jovem deusa Izanami e o jovem deus Izanagi para criarem o “céu e a terra”, a forte paixão que havia na relação de Izanagi e Izanami os inspirou a criar todas as formas de vida na terra.

 Dentre os mitos e lendas registrados ao longo dos séculos pouco se fala sobre a mitologia Amazônica, milhares de obras de ficção foram inspiradas por esses contos mitológicos citados à cima, entretanto, o espaço reservado ao folclore amazônico é insignificante em relação as mitologias mais famosas. Tupã o criador do universo, o deus do trovão, o deus que habita no sol, goza de uma imponência superior a de Zeus, criou o bem e o mal assim como Jeová, porém não há interesse por parte dos autores de ficção em realizar obras a partir das lendas que falam acerca da glória de Tupã, de certo modo é compreensível, pois as características de Tupã muito se assemelham aos adjetivos dos deuses de outros povos.

 Seria válido portanto, realizar uma fusão desses contos, levar Tupã à Asgard para se embriagar com barris de cerveja, convidar Odin ao Olimpo para apreciar as medéias em seus dolorosos cantares, mostrar a Hades a escuridão existente nos subterrâneos das pirâmides do Egito, levar Zeus ao sol e mostrar-lhe o tropicalismo, mostrar a Izanagi os encantos de Valhalla.

 Essa mistura daria origem a novas divindades, tanto Freya, Isis, Izanami, Perséfone mostrariam novos encantos aos novos deuses, mas o maior problema passional seria causado pela deusa Aracy, a deusa lua, aquela que governa a noite e as estrelas, se Hades a raptasse e a levasse ao submundo ela o iluminaria com sua tênue luz lunar, se Izanagi a convidasse para criar novas ilhas ou um novo mundo ela lhe mostraria as belezas da América, Osíris certamente agradeceria a Isis por lhe dar uma nova vida, permitindo assim que ele contemplasse tamanha beleza, se Zeus clamasse por um conto ela recitaria maravilhas homéricas jamais ouvidas, se Odin a convidasse para beber em Valhalla ela brindaria em nome da terra e causaria encanto aos assentados à mesa, Thor e Loki sentiriam-se crianças diante da celebração da bela Aracy, tais situações foram imaginadas por Tupã, por isso ele se omite e se esconde diante dessa guerra de vaidades travada pelos deuses, ele é o grande privilegiado pelo amor da mais belas dentre as deusas, Tupã bem sabe que se o esplendor da bela Aracy vier a tona, até mesmo Jeová e Satanás entrarão nessa briga para conquistá-la.

 Todos Eles são pegos pelo movimento da lua, mas apenas Tupã sabe o que tem por traz do mais belo astro que ilumina o universo. Tupã sabe que diferente dele mesmo e de todos os deuses existentes, Aracy é a única entidade que de fato sabe o que é amar, dela não emana ódio e nem justiça, não emana vaidade,  ela não clama por adoração.

Glórias à Aracy a verdadeira deusa do amor!

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Sorria


Ela sorriu, que decepção, o sorriso nos tempos atuais é o maior gesto de crueldade por parte da humanidade, nem a mais cruel das hienas se atreveria a sorrir em tempos de tamanha violência, um carnívoro que sobrevive de carcaças sabe muito bem o que é a miséria, os restos deixados pelos predadores maiores é o que garante a sobrevivência das hienas, talvez isso justifique aquele sorriso sádico, aquele riso demoníaco sob o instinto do “rir para não chorar”, é de se supor então que a hiena seja o mais repugnante dos predadores, o predador que fica a espreita, se aproveitando do trabalho alheio, que se diverte com a tragédia a qual a natureza lhe submeteu, neste mundo tenebroso então, sorrir é o grande pecado, muitos não vivem a tragédia, nem todos são vítimas da violência, contudo, a violência aí está, chacinas em hospitais, violência contra a saúde,  assaltos em escadões, violência contra o indivíduo, mas tudo bem, faça como as hienas, sorria da tragédia, sorria da desgraça, sorria e admita a ignorância, a ideia de que quem canta os males espanta é totalmente equivocada, quem canta  os hipócritas encanta, é um erro cantar enquanto o mundo grita de dor, aquela linda bola na trave que não altera o placar, que leva a torcida ao delírio não é tão impressionante quanto o menino que vai pra fera vender suas laranjas, o gesto do menino que vai pra fera vender suas laranjas tem pouco valor em comparação aos negrinhos da Somália que jamais viram uma laranja, o menino que vai pra fera deveria se envergonhar de vender  laranjas,  com muito suor ele vende laranjas enquanto as crianças da Somália suam de fome, que vergonha menino, que vergonha!

A diversão pois então está proibida, proibido também está o prazer e por extensão o tesão, prazer de apreciar um suco gelado, de saborear um bom prato, tá tudo proibido, tá tudo errado, seria um grande egoísmo gozar enquanto a outra parte dos nossos irmãos humanos agonizam em miséria, parte do mundo em luto e a outra parte em festa, sendo assim, só uma saída nos resta, convocar o militantes de sofá, convocar os revolucionários de Facebook, aqueles que cobram dos eleitores consciência na hora de votar como se houvessem bons candidatos, eles são frutos da pseuda-intelectualidade, aqueles que bravejam por vaidade e não por buscarem a real mudança, afinal, quem de fato busca a solução não procede com amargura, age de bom coração, quem busca a mudança não se engrandece com a ignorância alheia, mas sim busca elucidar quem sofre de cegueira.

Esse seu maldito sorriso meu bem é decepcionante tanto quanto interessante, é uma ofensa aos politizados das redes sociais que atacam com empolgação vazia nosso corrupto e lindo país tropical, esses indignados proibiram o encontro com a alegria, eles agem amargamente e fazem como as hienas, proíbem o riso, mas riem sobre as carcaças, proíbem a alegria mas não hesitam em se aproveitar das sobras e da carniça, se divertem as escondidas, gritam gol, vibram com nocautes, mas são incapazes de dar o outro lado da face para um novo tapa, enquanto os ignorantes que sequer sabem o que é uma democracia praticam o altruísmo, os intelectuais de Facebook ostentam o conhecimento em política após uma rápida pesquisa no Wikipédia, enquanto as vítimas da desigualdade social, enquanto os  mal educados praticam a caridade, eles dissertam sobre a criminalidade.

O mundo está torto, as vias congestionadas, os noticiários vermelhos de sangue, o Palmeiras em má fase e nesse exato instante ela surge radiante, em meio a tanta injustiça, em meio a confusão ela aparece, penso em como é possível haver tanta desigualdade, estava ela em torno da nata da beleza mundial, no fluxo do maior evento esportivo que o mundo já teve, havia ali então belezas desiguais, uruguaias pálidas, colombianas escuras, argentinas magras, boliviana gordas, havia ali européias baixinhas, asiáticas altivas, marfinenses ricas e costa-riquenhas pobres, mas mais do que toda essa diversidade ali estava a brasilidade, ela sorria para esse machucado mundo em festa, um mundo com suas feridas atenuadas pela manha brasileira, pelo gesto tropical, pelo toque, pelo divino e pelo profano.

Havia claramente expresso naquele olhar sorridente a chave do bem e do mal, o sorriso acolhedor, convidativo, capaz de lenir a angústia dos chateados, ou um sorriso acolhedor, convidativo, capaz de ampliar a agonia dos indignados.

A energia contida nessas terras tropicais estava ali concentrada naquele sorriso sutil, pro bem ou pro mal quem o viu renasceu, conforme é proposto pelo nome dessa agente brasileira, os atingidos pelo sorriso nasceram novamente, como se houvesse uma segunda chance. Aos indignados foi dada a nova chance de aprenderem um pouco do que é o amor e aos chateados de voltarem a sorrir sem pudor. 

Viva ao Brasil, rumo ao hexa!

terça-feira, 3 de junho de 2014

Vestida para matar.



 Não seja tolo nobre homem, o seu requinte não irá me comprar, minha ambição é maior do que imaginas, nem só de pão e sapatos viverá a mulher, sua ingenuidade muito me espanta, mesmo com essa katana apoiada em seu pescoço você ainda não entendeu que sou mais afiada que sua conta bancária? O seu dinheiro é capaz de estuprar, capaz até de estripar, mas não necessariamente capaz de conquistar, com isso, levarei sua cabeça em sinal de conquista, Adeus!

 De nada valeu todo esse aparato de segurança, esse circuito interno de filmagem servirá apenas para registrar o seu fim, os ruídos do alarme servirão apenas para abafar seu desespero, abafar seus gritos promovidos por esse açoite, talvez nem Alá te ouça em meio a esse barulho infernal, que vergonha, seguranças de primeiro escalão treinados em Israel enganados por um simples sorriso, por esse mesmo sorriso que você quis escravizar, uma pena que essa barulheira abafará o estralo do seu pescoço, Adeus!

 Não chora meu bem, tamanha lamúria não diminuirá a injúria, tenha vergonha e não chore diante de uma mulher, o estrago que essa Magnum calibre 44 fará em sua testa te libertará de um mal maior,  me recuso a disparar enquanto essas lágrimas estiverem escorrendo, quero dar-te um fim digno, foi contigo que aprendi que da mulher nasce a poesia, embora elas sejam incapazes de escrever uma única estrofe por falta de fonte inspiradora, exemplo vivo (por enquanto) é este diante de mim, você, homens por essência são insuficientes para nos dar aquele frio na barriga, não posso negar que toda essa testosterona nos fazem vibrar, mas ainda assim é insuficiente, muito trivial, é preciso algo a mais e isso vocês não compreendem, as maravilhosas poesias bem como os maravilhosos cânticos entoados por vocês tentam entender e explicar um pouco de nós mulheres, saiba contudo meu bem que tudo isso é vão, é muito poderoso, porém não fatal, levante-se e descanse seus joelhos, mesmo contudo lhe darei a honra de cair de pé,  Adeus!

Há quem condene meu julgamento, mas não tolero farelos no meu novo carpete, nem tampouco manchas de lágrimas no meu piso envernizado, não podemos nos voltar contra o belo, pois ele pode ser cruel, injuriar a fera é sentenciar-se, apenas o belo é capaz de cegar, apenas o belo é capaz de trazer luz ao cego, apenas o belo tudo pode, até a crueldade é permitida , pois sim, beleza se põe na mesa, look out!  

terça-feira, 20 de maio de 2014

Gumbo


 Desvendar os caminhos, ferramentas e os meios necessários pra incentivar o uso de produtos daria aos fornecedores de tais produtos a solução para os problemas de comercialização.

 Desvendar os meios necessários pra incentivar o consumo de uma idéia daria ao difusor do plano a força necessária para garantir não somente o uso de produtos, garantiria também o poder de fidelização, permitiria ao autor da idéia ações de grande apelo público.

 Valeria pois então explorar os segredos contidos nos subterrâneos do Vaticano, valeria considerar as técnicas empregadas pelos grandes meios de comunicação que têm consigo a chave da morte e do inferno, que trazem pra si conforme seus interesses adeptos que seguirão religiosamente o que é proposto. 

 Nasce então a dúvida sobre o real valor embutido nos produtos, da autenticidade de um pensamento, dos agentes que produzem sentimentos, surge a incerteza da existência da espontaneidade, se de fato existe instinto, se existe essência ou se tudo isso foi extinto e tragado por uma grande idéia.

 A verdade é que nessa máquina existe primeiro mundo e também existe fome, a distribuição feita pelo detentor e difusor da grande idéia é desigual, Ele plantou o famoso e mentiroso clichê, "quem pode pode que não pode se sacode", assim, a desigualdade soa natural e com isso consumiremos o que Ele puser na prateleira, e não adianta reclamar, dizer que os produtos estão estragados, você não tem opção, mas Ele dirá pra você escolher melhor, e que é culpa sua se você comprou um produto estragado, pois bem lá no fundo da prateleira havia um produto razoável que evitaria essa enorme dor de barriga. 

 Assim, na prateleira próximo ao litoral sudeste temos Valesca popozuda, os insatisfeitos com essa opção reclamam a um dos gerentes e partem pra violência, agridem e amarram com justiça os pobres consumidores que roubam de seus bolsos o valioso Catra, na prateleira mais a baixo ainda no sudeste temos maconha, guerreiros do rap que duelam em batalhas pra ver quem consome mais, quem ostenta mais, quem fraseia melhor a filosofia de uma realidade vazia.

 Diferente da tendência, na prateleira do nordeste Jackson do Pandeiro disse que só botará bee bop no samba quando o Tio Sam tocar o tamborim, ele ignorou a grande idéia e misturou Miami com Copacabana, ignorou a presente prateleira e garimpou fora dela produtos naturais, produtos que não foram forjados pela pseuda intelectualidade manipulada pela grande idéia, algo essencial, sem referência, puro, livre de contaminação.

 Contudo, Jackson não escapou da mistura, foi contaminado por januário o kengo mais fino do nordeste, se apaixonou pela embriagada boca de Billie holiday, aprendeu a dançar com Juke do miserável viciado Walter Jacobs,  batucou o som dos morros cariocas quando eles ainda eram limpos e ganhou a alcunha de Pandeiro, não resistiu e eletrificou o triângulo, o som outrora acústico amplificou-se, todos esses ingredientes engrossaram o caldo da sopa, cheia de especiarias, contudo, todas livres de produtos tóxicos.

 Tomem dessa sopa, cheia de nutrientes e de caldo consistente, ela não causa dor de barriga, pois dessa sopa não se encontra na grande prateleira.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

27


Minha sobrinha completou sete anos e eu a parabenizei como se ela tivesse quinze, ela ficou extremamente feliz quando a fiz acreditar que eu estava comemorando seu décimo quinto ano de vida, chegar aos quinze anos de idade é a grande ambição de toda criança do ensino fundamental, seria como conquistar o respeito de todos, sob a sensação de liberdade e autonomia nas escolhas e decisões, adolescentes de quinze anos são observados pelas crianças mais novas como objeto de admiração, naquilo que elas pretendem se tornar.

Adolescentes de quinze anos vivem a intensa fase de transição da fase infantil para a fase adolescente onde se desenvolve a consciência do futuro e da vida adulta, surge assim os grandes anseios e planos para a vida futura, o adolescente é preso na ilusória mágica que os faz acreditar que são tão capazes quanto os adultos, passam então a projetar a carreira profissional, a vislumbrarem um futuro promissor associado às aptidões e vontades, essa empolgação que dá força ao sonho adolescente é própria da idade e muitas vezes os levam ao sucesso precoce.


Alguns anos adiante vem a decepção, o ex-adolescente se dá conta de que é impossível ser bem sucedido com 20 anos de idade, percebe com mais clareza as pedras no caminho, percebe o quão tenebroso é o sistema e a concorrência, esses benditos pés no chão do ex-adolescente o faz regredir alguns passos para em seguida retomá-los calcados na coerência, tal percepção sob o efeito da razão somado com a ressuscitada empolgação adolescente produz uma luz que o guiará pra anseios mais sólidos, à iminente realização, essa realização todavia não se trata do tão perseguido sucesso, mais sim do encontro com uma perspectiva palpável, o que permitirá ao adulto calouro galgar posições e conseguir ferramentas para realizações maiores.

Se estivermos falando de sucesso ou fracasso, um homem ainda que tenha muitas conquistas só terá a ilusão de estar bem sucedido a partir dos trinta anos, uma ilusão parecida com a do adolescente, ele consegue se enxergar realizado de alguma maneira, no entanto, ele perceberá que o divisor de águas que garantiu boas condições pra vida que seguirá surgiu entre 26 e 28 anos, período esse que costumo chamar de período da criatividade, onde se viveram grandes amores, grandes perigos, as grandes fraudes, as verdades verdadeiras.

Imagino que essa explosão de criatividade e improviso nesse período da vida seja porque o homem ou mulher de 26/28 anos são tão adolescentes quanto adultos, não é nem adolescente e nem adulto é exatamente os dois, essa vantagem o adulto e nem tampouco o adolescente têm, é um privilégio exclusivo do ser de 26/28 anos, do ser de 27 anos, 27 anos é o auge da forma do homem criativo, não estou falando de eficiência, qualidade, nada disso, me refiro à criação, à criatividade.

Robert Johnson, Janis e Hendrix que o digam. Morreram no auge. O mundo não resistiu à tamanha criatividade.  Tomem cuidado meus caros contemporâneos.


terça-feira, 6 de maio de 2014

Crossover



O caminho da direita leva à metrópole o caminho da esquerda leva ao campo e o caminho adiante leva ao litoral.

Na metrópole depararemos com falantes da língua anciã, encontraremos falantes de dialetos tribais, até mesmo a língua dos anjos é falada na metrópole, na metrópole há gatunos, maníacos, há também obreiros e doutores. A eletricidade dessa cidade é composta por barracos amontoados, o lixo do esgoto corre por entre os quintais, crianças descalças com a bola no pé e o nariz escorrendo, senhores alinhados em ternos com destino a arranha-céus, haja arranha-céus! Na metrópole presenciamos a beleza das grandes edificações, vemos a primazia da engenharia humana, os olhos se enchem com a plástica dos monumentos, há quem tenha vontade de gritar em meio a tantos carros, olhos cegos por banners luminosos e pela ganância, é tudo muito lindo, o artificial brilho metálico em duelo com o céu cinzento,  o perfume de jasmim exalado pelas mulheres da vida noturna, na metrópole testemunhamos o contraste entre a organizada civilização do crime e a desorganizada honestidade civil, os arquivos que contam a história da humanidade e dos animais encontram-se nos cofres dessa grande metrópole, nessa metrópole está o conhecimento, aqui está o aborrecimento.

No campo presenciamos a beleza do horizonte, somos tragados pela aterrorizante imensidão do firmamento, o leite é grosso, a água é fresca e o tempero é forte, o verde lidera o colorido da natureza, sobretudo na primavera, o silencio que traz a paz é facilmente encontrado, a pouca intervenção do homem na forma do campo permite o contato real com a herança deixada pelos ancestrais, a sabedoria deixada  pelos antepassados só pode ser adquirida no campo, pois a cena do crime foi minimamente alterada pelo homem, foi sim fortemente alterada pela força da natureza, vale dizer que em muitos casos a natureza também tem culpa, basta ver lavouras destruídas pela chuva que vem sem avisar, casebres que não resistem a fúria do vento, a exemplo da metrópole o campo também traz aborrecimentos.

No litoral é possível ver o mar, o oceano, além do oceano está a outra parte do mundo, estão novas metrópoles, novas regiões rurais, novas praias, a única maneira de ter acesso a esse todo, ao conhecimento de novos povos é passando pelo oceano, para chegar ao oceano é necessário chegar no litoral, é possível dizer então que as técnicas de cultivo do campo, a pecuária, agricultura, que as línguas existentes na metrópole, o metal presente na inteligência artificial desenvolvida nela, de alguma maneira passaram pelo litoral, a origem do novo conhecimento teve seu inicio na praia, as grandes invasões, tratados, batalhas deixaram vestígios na areia e foram levados pelo mar, em outras palavras, olhar pro mar é olhar pra própria história é também olhar pro futuro, pois o novo mundo está além dele, de certo modo o litoral tem em si aborrecimentos tanto da metrópole quanto do campo.

A violência, a velocidade, o aquecimento e a dinâmica tecnologia encontrada na metrópole darão ao cidadão metropolitano a necessária insensibilidade para que ele tenha olhos atentos e pés ligeiros diante do mal, para que ele tenha frieza quando as coisas esquentarem, menos emoção e mais razão.

O ar puro e as cores encontradas no campo darão ao cidadão campestre sabedoria para que ele seja sagaz quando o tédio bater à porta, a unidade da natureza conduzirá ele a paixão, assim como ocorreu no jardim do Éden, a paixão prevaleceu e as coisas ficaram mais interessantes, mais emoção e menos razão.

Já o mar será a válvula de escape, se ainda assim as coisas estiverem sem graça, cruze o oceano e encontre novas metrópoles, novos vilarejos, acredite, do outro lado também haverá muita tensão, muita paixão, muita razão, muita emoção, muitos aborrecimentos.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Aero Mulher


Caiu a par, eu mato a ímpar, mas caiu a par e não adianta dizer que foi por culpa do taco, dizer que ele espirrou, de fato espirrou, já nem me lembro mais se mato as azuis ou as amarelas, pouco importa as cores agora, joga o jogo que tá tudo certo, mas antes, desce outro Campari, ora, não há aqui quem repare nesse jogo, nem nós estamos reparando, na verdade não passa de uma boa justificativa pra falarmos daquela boca sorridente que jamais beijei, pra divagarmos sobre os verdes olhos que voam por esse céu azul, olhos que maquinam o mal a cada capital, a cada pouso, até mesmo na hora do repouso. 

Receio que essas tantas e sucessivas tacadas erradas sejam intervenções da magia que se ativa durante a pronúncia do nome dela, uma mágica do mal mais forte que o voodoo do bem, se é que existe voodoo do bem, bem sei que pra ganhar esse amor a mandinga tem que ser da boa, não haveria água ardente, pimenta e arruda suficiente, até nas mãos que bateriam o tambor faltaria fulgor, mesmo que houvesse as melhores especiarias ainda assim muito faltaria, sendo assim, assim como esse jogo de bilhar, o importante não é ganhar, joga o jogo e vamos lá.


segunda-feira, 7 de abril de 2014

Futebol no Salão


 A uma lisa quadra de concreto com duas balizas deram o nome de salão, nesse salão é praticado um tipo de futebol reduzido, reduzido em número de atletas, reduzido na extensão do campo de jogo e no tamanho das traves, ao pensar em salão, pensa-se em um ambiente espaçoso de teto alto, bem ventilado e capaz de comportar algumas centenas de pessoas que se reúnem ali para diversos fins em comum, ao pensar na diversidade de atividades que podem ser desenvolvidas em uma sala grande, em um salão, certamente as atividades de cunho artístico serão as mais consideradas. Em um salão vazio é possível visualizar pessoas entretidas com a cênica trilha brasileira que leva a dança e ao canto conjunto, vê-se ali olhos embriagados e brindes espalhafatosos, surge então a idéia de levar o futebol pra esse ambiente, admito no entanto que não me atentei em buscar elementos acerca da origem do futsal e nem tampouco buscarei tais informações, ficarei com essa teoria fantasiada, certamente se essa teoria fantasiosa fosse verdadeira o futsal teria um número maior de adeptos, as quadra seriam circundadas por arquibancadas estruturadas com mesas e com espaço para o livre trânsito de garçons, cada degrau das arquibancadas  funcionaria como pisos ou estágios de um bar, a quadra de jogo seria literalmente um palco visualizado de cima para baixo onde a bola por muitas vezes derrubaria as bebidas das mesas dando graça maior ao espetáculo, a tensão dos atletas em meio ao prélio da partida seria lenida pelas canções tocadas pelos grupos musicais presentes em um palco superior acima do gol, onde os músicos seriam protegidos por uma tela de modo que a música não fosse interrompida mantendo assim o ambiente sempre harmônico.

 É bom destacar contudo que esse ambiente perderia o seu sentido sem bons jogadores do futsal de rua, o ingrediente principal desse ambiente primoroso seria o espetáculo dado pelos atletas amadores e amantes do futsal, no futsal amador surgem manobras, lances, improvisos, rusgas e polêmicas possíveis apenas dentro dessa conjuntura cultural, as brigas e vaidades dentro de quadra fogem do padrão profissional e portanto gozam de verdadeira essência dando assim vida ao drama vivido nos quarenta minutos de bola rolando.

O exibicionismo alegórico dos atletas  encheriam os olhos dos expectadores, não somente pela estética mas sim com principal objetivo de abreviar o caminho do gol.

Na quadra o coro come enquanto a gafieira come solta nos habilidosos pés fora de quadra, os habilidosos pés dentro de quadra condecoram musas com gols enquanto essas mesmas musas cantadas no palco superior agraciam os presentes com enorme gracejo.

Mudar o nome do esporte mais praticado no Brasil foi um erro.

Futsal para os mansos, mas aos folgados malandros de fino trato, Futebol de Salão.


quarta-feira, 2 de abril de 2014

Inútil magia.


Considerem um eunuco cujo suas experiências profissionais são provenientes de barracões de escola de samba e suítes luxuosas de cruzeiros de primeira classe, se trata de um mordomo de fino trato que passou a fase adolescente em rigoroso treinamento, estudando idiomas, bons modos no atendimento, treinado na arte de servir, se trata de um fino artista que conquistou fama e reconhecimento ao abortar a função de serviçal e assumir o enrustido papel de artista, um sensível artista nato que concedeu aos amantes da arte incríveis obras plásticas, um criador de fantásticas alegorias e fantasias.

Poderia este mencionado eunuco com apenas 29 anos, com seu frágil-alto e leve corpo de 49 quilos ser nomeado ministro da defesa? Poderia esse singelo artista liderar o exército russo? Poderia esse nobre rapaz que jamais matou uma mosca assumir frias decisões? Orquestrar genocídios? Certamente não, nitidamente esse admirável carnavalesco não dispõe das qualidades necessárias para a barbárie, o grandioso poder que emana desse artista é inútil para os propósitos de guerra.

Seria como edificar uma casa sobre dunas de areia, em dias de tempestade tal edificação ruiria, seria como preparar um sexagenário com osteoporose pro campeonato mundial de muay thay e condenar seus ossos de vidro ao espatifamento.

Todavia, se o poder de decisão em nomear o ministro da guerra da extinta união soviética estivesse nas mãos dos comandantes da Sociedade Esportiva Palmeiras,  esse cenário hipotético mencionado  acima não seria um absurdo, nomear uma "bixinha" (com o perdão do uso do termo) seria algo bem possível para os ufanista da herança italiana, Tirone, Paulo Nobre e porque não mencionar também Eu, Ronaldo Correia, encontraríamos argumentos por não enxergarmos os fatos, pois assim como diz o famoso clichê, onde os fatos são ignorados os argumentos reinam, o que significa que certamente encontraríamos bons argumentos (embora vazios) pra justificar vergonhosa decisão.

Por se tratar de uma crônica direcionada, não haverá a necessidade de revelar o sentido dessa metáfora, mas pra não deixar tão vazio caso um dos destinatários tenha dificuldade em assimilar essa DIRETA, finalizo com o seguinte provérbio:

A força de um exército é o reflexo de seu comandante, já as conquista e a fama de um exército depende dos fatos construídos por seu Rambo (camisa 10), pois a metralhadora que trará a vitória depende do bom condicionamento, habilidade e desempenho do dedo que puxará o gatilho.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Feliz dia de São Valentim!


O Antônio não acredita no amor, certamente Santo Antônio deve estar frustrado, a progenitora de Antônio assim o nomeou em homenagem ao santo casamenteiro, a mãe de Antônio assim o nomeou por crer que o amor é a solução de tudo, mas foi esse amor que deu início a desgraça de Antônio, Antônio não mais crê no amor desde o dia em que ele ouviu as portas do fundo de sua casa baterem, sua fé desfaleceu quando percebeu um aroma amadeirado em seus lençóis de seda.

Hoje Antônio vive com a mente perturbada, o amor mal vivido que ele teve outrora prejudicou sua fé, talvez se a mãe de Antônio o nomeasse por Expedito ele poderia voltar a amar, pois para Antônio o amor é uma causa impossível.

Não perca a fé Antônio, peça a Deus que ele colocará um Valentim em seu caminho.

Happy Valentine’s Day!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Ventura



A tragédia de milhões pode vir após 90 minutos, ora, estão todos lá mergulhados na paixão, rangendo os dentes em uma agradável tarde de domingo, cânticos de louvor, cerveja sem álcool pra enganar a mente já embriagada, a embalada euforia já iniciada pela manhã atinge o auge em meio aos 50 mil fanáticos que cantam e vibram, basta um único gol em favor do adversário pra acabar com toda a festa e alegria geral.

A tristeza de milhões pode findar antes mesmo dos 90 minutos, basta as redes balançarem  4 vezes favoravelmente, não há depressão que resista à emoção de 4 gols, a angústia ainda que por alguns minutos dá lugar a alegria, a cerveja sem álcool engana a mente perturbada, o sofrimento iniciado já pela manhã enfim dá uma trégua ao deprimido em meio aos 50 mil fanáticos que vibram e cantam.

Tristeza ou alegria? Tragédia ou comédia? Nunca se sabe, é necessário esperar o fim da dobradinha de 45 minutos, tudo isso dependerá da boa vontade do árbitro, do bom humor e desempenho dos atletas, se será uma semana de euforia ou de cansaço, dependerá do vento que conduz a bola, dependerá do vento que barra a trajetória da bola, dependerá do acaso.

Tal pensamento por si só já justifica o nome do nosso time de futebol. Ventura por definição significa “prosperidade”, ‘‘fortuna’’, significa “sorte”, não bastassem as definições positivas inerentes ao termo Ventura, Ventura se contradiz ao significar também “perigo”, “risco”, assim como uma partida de futebol, ainda contudo, além dessas definições que dão significado ao nome Ventura, o nome Ventura também significa “acaso”, que dentre todos os significados ligados a essa palavra difusa é o de maior impacto, afinal, nada se opõe ao acaso, nem mesmo Deus, basta consideramos que Ele torce por nossas escolhas que nos levarão a salvação, ou seja, se por um acaso escolhermos "bem" teremos a salvação, se por ventura escolhermos "mal" não a teremos . Eis então o porquê de “Ventura”.

Quanto as cores do time, as razões são óbvias, amarelo e preto, amarelo indica prosperidade, riqueza, assim como o termo, já o preto significa as trevas e a escuridão e onde há escuridão há perigo.

De modo que é possível dizer que a tristeza pode durar uma noite inteira e a alegria vir pela manhã, assim como uma linda manhã ser tragicamente terrível e ainda assim as trevas e a escuridão revelarem uma luz no fim do túnel.

Pois bem, VENTURA é o nosso nome. 




quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Physical Air



A Central Intellingence Agency não pôde prever e assim evitar o famoso feito de 11 de setembro, a brilhante mente regida pelo terror driblou a segurança refinada com inteligência de primeiro mundo, o rapto de duas aeronaves foi o suficiente para arrebatar vidas e arrebentar um sistema, foi um feito digno de respeito, diria até que elegante, afinal, sequestrar uma aeronave em território norte americano exige muita manha e frieza, dentro da visão geral e óbvia é possível dizer que foi um feito movido pelo terror, contudo, não podemos descartar que tal ação tenha sido motivada apenas por pura vaidade do autor, movida por uma mera diversão do regente do atentado.

Crimes e atentados contra a humanidade independentemente do nível de psicopatia por parte do criminoso, são analisados unicamente pelo lado do escândalo e da maldade proveniente do agente do crime, a visão artística e criativa na elaboração do crime passa desapercebida, fossem esses crimes analisados de modo imparcial, considerando também a dificuldade em sua elaboração, a realidade criminal poderia dispor de males maiores e ganhariam mais adeptos; de tal modo, vale dizer que os tantos latrocínios não gozam de valor artístico, se o crime em sim dentro de sua essência fosse considerado alheio a valores morais, assaltantes jamais concorreriam ao Oscar, afinal, a força bruta por si só não caracteriza astúcia, pois o mérito da força bruta está apenas na aquisição de algo promovido por sua ação devastadora, seja através dos próprios punhos ou através de ferramentas de destruição, não dispõe de mérito escultural.
Desse ponto, gatunos da meia noite merecem mais respeito do que a infantaria do crime organizado, pois o sucesso de suas missões exigem manha e lisura, eles aguardam pela cruviana que entocará testemunhas, calculam a força do vento e os obstáculos arquitetônicos que ocultam as ambicionadas iguarias a serem saqueadas, gatunos violam sem violência, o silêncio é a sua principal arma.
A prática de tomar pra si, de afanar, é antiga, seja no ato de ludibriar, ou no ato de “estuprar”, seres de diversos níveis conquistam bens e glórias através do poder que lhes foi concedido, não em vão Moisés exortou em sua pedra no velho testamento acerca da cobiça e do roubo, pois ambos combinados originam males diversos, a atividade de levar pra si o que não lhe é de direito varia conforme o padrão partidário das facções infratoras, a facção governamental por exemplo tramita sob o amparo da lei, dispõe de  manobras constitucionais em busca de aquisições indevidas, corsários aterrorizam portos e legislam em alto mar com imponência mortal, hackers infiltram-se e apoderam-se virtualmente causando danos reais, até o menino que vai pra feira vender sua laranja se apodera da tangerina alheia, logo, é visto que, desde épocas remotas a prática de se apossar de bens alheios é uma prática que caiu na banalidade, pois dentre as mais variadas mentes e classes o ato de roubar é banal pela facilidade de sua execução.
Não há elegância nas formas convencionais de fraude e roubo, pois conforme mostrado, qualquer ser pode desempenhar bem tais tarefas por falta de plástica e grandeza, elegante será aquele que roubar o timbre de voz de Sonny Boy Williamson e inflamar o reino unido através de perfeita fraude, Robert Plant que o diga, usurpou o grande usurpador Rice Miller, bem aventurado será aquele que pegar no ar as perturbadoras notas emitidas pelas cordas de Hendrix e guarda-las em um pote, de fino trato é aquele que desmaterializa o abstrato, bom homem é aquele que arredonda a ponta da faca e que vaza por entre a laminada pólvora, acima de todos esses será aquele que dar corpo à paixão, nesse exemplo a mencionada paixão denota o anseio em todas suas formas, forte será  aquele que  tornar o anseio humano em matéria palpável, onde tal paixão possuiria massa e forma, a ponto de ser possível incinerá-la levando-a a completa extinção, tal fenômeno não impediria o sangue de jorrar, mas permitiria o imediato estancamento da hemorragia que tinge o chão de vermelho e o ar de invisível. Fosse tudo isso possível certamente esse ar denso que nos alimenta teria cor assim como o sangue e a seiva que corre nas veias daqueles que têm vida..

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Imaginário.


Beto no auge dos trinta em seus 1.80 metros de altura mostra em seu visual eclesiástico cabelos longos, pele pálida e barba lisa, é comum nessa idade a camisa substituir camisetas, o desconfortável sapato é justificado pela elegância, a vaidade é pouca, porém necessariamente elegante conforme exigido pela cultura porn adquirida ao longo dos anos.

Enquanto Beto aguarda por sua dose de uísque, Miguel escapa por entre a brutamonte dupla de zaga, mata no peito e de queixo erguido carimba o travessão, de um lado gritos de alívio, moleque filho da puta, de outro lado mãos desesperadas sobre a cabeça em sinal de lamento, apito final, jogo perdido, um a zero, Miguel segue rumo ao vestiário com a derrota no peito e a camisa na mão, maldito moleque, emocionando senhoras e senhores com futebol safado, com apenas 17 anos umedecendo senhoras e meninas com seus dribles rápidos. A pele escura de sol  do Jovem craque é castigada pelo forte calor de verão, marias e mariazinhas miram o suor que escorre pelo musculoso corpo magro do menino prodígio, ansioso por um banho, Miguel sequer percebe o clamor das fãs através do alambrado.

A água fria do chuveiro escorre sobre as reflexões de Miguel no instante em que o quente uísque escoa pela gorja de Beto, Beto movido pelo efeito da primeira ingestão percebe enfim a bela configuração do ambiente, ele então se posiciona de maneira pra melhor contemplar o presente mulheril, essa contemplação dura por algumas horas após doses e mais doses, Miguel então surge no mesmo ambiente que Beto, é aclamado pelos fãs e viola a lei ao lhe servirem doses de tequila e cerveja malzibier, a ordem do bar é restabelecida e a sofreguidão das fãs é contida, Miguel enfim pode relaxar e lenir a dor da derrota, Beto sequer percebe a presença do craque e pede mais uma dose e percebe enfim a altivez da menina, uma menina inabalável, antes de notá-la Beto pôde observar a grande competição travada entre as moças presente, todas muito belas, claramente duelando entre si através da indumentária, das gargalhadas, duelam ao moverem os cabelos, duelam de todas as maneiras possíveis, Beto entende então a postura indiferente dessa menina, ela com grande gracejo está alheia a essa guerra estética, ela permanece em meio as amigas-rivais de modo friamente doce, do outro lado Miguel então percebe uma menina, a única dentre as tantas presentes que não se ouriçou com sua chegada, assim, Miguel passa então a observá-la com afinco, se trata da mesma menina que cativou Beto, de um lado o galã e do outro o craque, a doce menina se torna objeto de admiração, o menino se encanta pela a delicadeza enquanto o homem se apaixona pela sutileza, o menino repara no lindo rostinho enquanto o homem observa o belo sorriso, contudo, o jovem craque bem como o nobre galã são os maiores objetos de cobiça das moças presentes, porém, é como se elas não estivessem lá, ambos focados no mesmo propósito, focados na contemplação da doce menina, no entanto, quase que sincronizadamente, tanto Beto quanto Miguel se levantam, deixam algumas notas na mesa e se retiram do bar, eles optam pelo não antes mesmo que ele viesse, cientes de que o não da incerteza caberia melhor do que o verdadeiro não. 

Optaram então pela imaginação.