sexta-feira, 11 de julho de 2014

Amor dos Deuses.



“Como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura, e olhando nós para ele, não havia boa aparência nele para que o desejássemos”.

 No capitulo 53 do livro que leva seu nome o profeta Isaías diz sobre a ausência de beleza física em Jesus Cristo, fala da formosura que o redentor não possuía, isso surpreende os artistas que ilustravam as belas figuras do “Renascimento”, o Cristo representado em telas e nas telas de cinema goza de atributos estéticos admiráveis, dispõe de características atraentes, há portanto, a clara indiferença por parte dos ilustradores acerca da descrição feita pelo profeta que anunciou a chegada do salvador, desse ponto, imaginar uma figura divina desprovida de atrativos que encantam os olhos seria bastante embaraçoso, assim, fica possível justificar a versão dada pelos responsáveis em ilustrar a imagem de Cristo, uma versão em oposição a verdadeira face daquele que trouxe a salvação.

 O grande personagem do cristianismo vai no caminho inverso dos demais deuses das principais mitologias, Jesus conforme descrito em seu evangelho não possui uma deusa a quem dedicar seu infinito amor, mesmo encarnado na figura masculina, se trata de um deus sem gênero, fixo apenas em sua divindade neutra, a saga de Jesus contada por Marcos, Matheus, Lucas e João mostra um deus com a única missão de ensinar ao mundo valores altruístas, transmitir a mensagem do amor ao próximo, Cristo traz consigo a promessa de uma nova Jerusalém, com ruas e calçadas de ouro e anjos cantando hosana nas alturas. A saga de Jesus Cristo é basicamente isso, onde as ações calcadas no amor garantirão ao bom samaritano o eterno deleite na dourada Jerusalém.

 Não se pode ignorar que em toda boa história existe a necessidade de haver um antagonista, um vilão que se oponha ao mocinho, que se objete ao herói, mesmo Cristo sendo onipotente, sendo a maior personalidade de todos os tempos, o ser mais influente, o maior mito narrado pelo homem, mesmo ele não poderia deixar de ter um adversário, um vilão para apimentar sua caminhada na batalha contra o pecado do mundo, surge então Satanás, originalmente nomeado por Lúcifer, não poderia haver vilão mais apropriado para Jesus cristo, afinal, Lúcifer conhecido também como Belzebu era ninguém menos que o modelo de perfeição, repleto de sabedoria e de perfeita beleza, Satanás era a mais sábia criatura que Jeová inventou, o deus Jeová jamais criou um anjo ou outro ser com a inteligência dessa criatura, Deus diz que essa criação é "de perfeita beleza", aparte da Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, esta criatura é hoje o ser mais elevado.  

 Antes e depois de Cristo Satanás foi quem sustentou o grande ibope no âmbito dramático da narrativa cristã, os contos relatados na bíblia sagrada tiveram infinitos personagens, histórias de amor e traição, milagres, fábulas, comédia, ação e tragédias, todavia, todas elas eram representadas por humanos atingidos pela glória do deus Jeová, estavam esses personagens inseridos em episódios fadados, episódios com um fim certo, seja ao sucesso ou ao fracasso o enredo dramático dos contos bíblicos dispunham de um desfecho e resultados pré-destinados, uma vez que a onisciência de Deus já havia determinado o fim da trama envolvendo seus servos humanos, seria como ler revistas de fofoca que anunciam o que vai acontecer nos episódios seguintes da novela, seria como ser vítima de spoilers e saber antecipadamente o desfecho de um bom filme antes mesmo de tê-lo assistido, tudo isso põe Satanás na condição do personagem do mal mais curioso e completo em comparação aos vilões de outras mitologias, pois mesmo já  derrotado, mesmo sendo um poderoso e habilidoso rival, Satanás de nada vale diante da glória de Deus, Satanás é conhecido como o mestre da sedução, o arquiteto do marabalismo político que conduz esse mundo corrupto a perdição, é considerado uma entidade milenar de astúcia inigualável, é mencionado diariamente como aquele que irá tragar a alma daqueles que cederem a tentação, falar da missão de Satanás enquanto vilão nos obriga a admitir que ele de fato é um grande sedutor, afinal, ele conseguiu convencer o onipotente Jeová a assistir e permitir suas ações malignas que levarão parte de seus amados filhos para o fogo e tormento eterno, mas não podemos subestimar o criador do céu e da terra, talvez antes da consolidação dos tempos ele mude esse plano criado através dos séculos, pois nem homens e nem o Diabo podem alterar esse final glorioso cheio de amor e dor.

 Aparte todas essas circunstâncias que resumem a trama dos contos bíblicos, não pude deixar de ignorar que diferente da narrativa cristã, os grandes imbróglios que alimentam os enlaces e desenlaces embutidos nos enredos das principais mitologias não estão focalizados no irredutível ego do principal deus, a grande graça que dá ritmo aos contos das mitologias grega, egípcia, asiática, nórdica, amazônica e outras não mencionadas aqui, é a contextura criada pela diversidade de deuses, pois elas não se limitam em uma única ordem absoluta, a divindade existente nos demais folclores politeístas permite ao leitor se debruçar num universo dramático mais difuso, a inserção do leitor na fantasia se torna mais abrangente em razão da pluralidade do caráter divino, uma vez que os anseios e vontades dos personagens não estão centralizados em uma única entidade absoluta.

 A famosa Maria Madalena protagoniza polêmicas junto ao clero, a mais célebre prostituta do novo testamento talvez seja a personagem que mais tenha despertado interesse nos estudiosos em razão de sua suposta  tentativa de seduzir Jesus, enquanto teólogos especulam esse provável envolvimento, Freya a deusa da fertilidade e da beleza derrama suas lágrimas à espera de seu grande amor o deus Odur, aquele que anda pelos céus, a bela Freya líder das Valquírias, das guerreiras do território de Asgard é conhecida como a deusa da luxúria, tais qualidades despertaram o desejo em Loki o deus do fogo, mas esse amor não foi permitido por Odin, já nos contos gregos, amores proibidos transcorriam de modo diferente, veja o  caso de Perséfone a deusa da primavera que posteriormente viria a ser também a deusa do submundo, Perséfone a filha de Zeus a mais bela deusa do Olimpo negava seu amor a todos que lhes desejavam, Hades o deus do submundo também foi uma das vítimas do poderoso charme de Perséfone, Hades contudo, tomou o amor da jovem deusa a força, raptou Perséfone e a levou para o submundo tornando-a conhecedora tanto da luz quanto das sombras, tornando-a senhora das magias ocultas.

 Nas paredes das ruínas do Egito foi registrado que o amor do deus Osíris e da deusa Isis foi mais forte do que as leis da vida, Osíris foi traído pela ambição de seu irmão e perdeu a vida após uma cilada mortal, Isis reuniu os restos mortais de Osíris e o reconstitui, através da força desse amor divino Isis deu a Osíris novo fôlego e assim ambos viveram um amor póstumo e conceberam um filho, já nos contos japoneses, o amor entre Izanami e Izanagi  deram frutos maiores, mais do que um filho esse amor deu origem a vida humana, os deuses primordiais elegeram a jovem deusa Izanami e o jovem deus Izanagi para criarem o “céu e a terra”, a forte paixão que havia na relação de Izanagi e Izanami os inspirou a criar todas as formas de vida na terra.

 Dentre os mitos e lendas registrados ao longo dos séculos pouco se fala sobre a mitologia Amazônica, milhares de obras de ficção foram inspiradas por esses contos mitológicos citados à cima, entretanto, o espaço reservado ao folclore amazônico é insignificante em relação as mitologias mais famosas. Tupã o criador do universo, o deus do trovão, o deus que habita no sol, goza de uma imponência superior a de Zeus, criou o bem e o mal assim como Jeová, porém não há interesse por parte dos autores de ficção em realizar obras a partir das lendas que falam acerca da glória de Tupã, de certo modo é compreensível, pois as características de Tupã muito se assemelham aos adjetivos dos deuses de outros povos.

 Seria válido portanto, realizar uma fusão desses contos, levar Tupã à Asgard para se embriagar com barris de cerveja, convidar Odin ao Olimpo para apreciar as medéias em seus dolorosos cantares, mostrar a Hades a escuridão existente nos subterrâneos das pirâmides do Egito, levar Zeus ao sol e mostrar-lhe o tropicalismo, mostrar a Izanagi os encantos de Valhalla.

 Essa mistura daria origem a novas divindades, tanto Freya, Isis, Izanami, Perséfone mostrariam novos encantos aos novos deuses, mas o maior problema passional seria causado pela deusa Aracy, a deusa lua, aquela que governa a noite e as estrelas, se Hades a raptasse e a levasse ao submundo ela o iluminaria com sua tênue luz lunar, se Izanagi a convidasse para criar novas ilhas ou um novo mundo ela lhe mostraria as belezas da América, Osíris certamente agradeceria a Isis por lhe dar uma nova vida, permitindo assim que ele contemplasse tamanha beleza, se Zeus clamasse por um conto ela recitaria maravilhas homéricas jamais ouvidas, se Odin a convidasse para beber em Valhalla ela brindaria em nome da terra e causaria encanto aos assentados à mesa, Thor e Loki sentiriam-se crianças diante da celebração da bela Aracy, tais situações foram imaginadas por Tupã, por isso ele se omite e se esconde diante dessa guerra de vaidades travada pelos deuses, ele é o grande privilegiado pelo amor da mais belas dentre as deusas, Tupã bem sabe que se o esplendor da bela Aracy vier a tona, até mesmo Jeová e Satanás entrarão nessa briga para conquistá-la.

 Todos Eles são pegos pelo movimento da lua, mas apenas Tupã sabe o que tem por traz do mais belo astro que ilumina o universo. Tupã sabe que diferente dele mesmo e de todos os deuses existentes, Aracy é a única entidade que de fato sabe o que é amar, dela não emana ódio e nem justiça, não emana vaidade,  ela não clama por adoração.

Glórias à Aracy a verdadeira deusa do amor!

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Sorria


Ela sorriu, que decepção, o sorriso nos tempos atuais é o maior gesto de crueldade por parte da humanidade, nem a mais cruel das hienas se atreveria a sorrir em tempos de tamanha violência, um carnívoro que sobrevive de carcaças sabe muito bem o que é a miséria, os restos deixados pelos predadores maiores é o que garante a sobrevivência das hienas, talvez isso justifique aquele sorriso sádico, aquele riso demoníaco sob o instinto do “rir para não chorar”, é de se supor então que a hiena seja o mais repugnante dos predadores, o predador que fica a espreita, se aproveitando do trabalho alheio, que se diverte com a tragédia a qual a natureza lhe submeteu, neste mundo tenebroso então, sorrir é o grande pecado, muitos não vivem a tragédia, nem todos são vítimas da violência, contudo, a violência aí está, chacinas em hospitais, violência contra a saúde,  assaltos em escadões, violência contra o indivíduo, mas tudo bem, faça como as hienas, sorria da tragédia, sorria da desgraça, sorria e admita a ignorância, a ideia de que quem canta os males espanta é totalmente equivocada, quem canta  os hipócritas encanta, é um erro cantar enquanto o mundo grita de dor, aquela linda bola na trave que não altera o placar, que leva a torcida ao delírio não é tão impressionante quanto o menino que vai pra fera vender suas laranjas, o gesto do menino que vai pra fera vender suas laranjas tem pouco valor em comparação aos negrinhos da Somália que jamais viram uma laranja, o menino que vai pra fera deveria se envergonhar de vender  laranjas,  com muito suor ele vende laranjas enquanto as crianças da Somália suam de fome, que vergonha menino, que vergonha!

A diversão pois então está proibida, proibido também está o prazer e por extensão o tesão, prazer de apreciar um suco gelado, de saborear um bom prato, tá tudo proibido, tá tudo errado, seria um grande egoísmo gozar enquanto a outra parte dos nossos irmãos humanos agonizam em miséria, parte do mundo em luto e a outra parte em festa, sendo assim, só uma saída nos resta, convocar o militantes de sofá, convocar os revolucionários de Facebook, aqueles que cobram dos eleitores consciência na hora de votar como se houvessem bons candidatos, eles são frutos da pseuda-intelectualidade, aqueles que bravejam por vaidade e não por buscarem a real mudança, afinal, quem de fato busca a solução não procede com amargura, age de bom coração, quem busca a mudança não se engrandece com a ignorância alheia, mas sim busca elucidar quem sofre de cegueira.

Esse seu maldito sorriso meu bem é decepcionante tanto quanto interessante, é uma ofensa aos politizados das redes sociais que atacam com empolgação vazia nosso corrupto e lindo país tropical, esses indignados proibiram o encontro com a alegria, eles agem amargamente e fazem como as hienas, proíbem o riso, mas riem sobre as carcaças, proíbem a alegria mas não hesitam em se aproveitar das sobras e da carniça, se divertem as escondidas, gritam gol, vibram com nocautes, mas são incapazes de dar o outro lado da face para um novo tapa, enquanto os ignorantes que sequer sabem o que é uma democracia praticam o altruísmo, os intelectuais de Facebook ostentam o conhecimento em política após uma rápida pesquisa no Wikipédia, enquanto as vítimas da desigualdade social, enquanto os  mal educados praticam a caridade, eles dissertam sobre a criminalidade.

O mundo está torto, as vias congestionadas, os noticiários vermelhos de sangue, o Palmeiras em má fase e nesse exato instante ela surge radiante, em meio a tanta injustiça, em meio a confusão ela aparece, penso em como é possível haver tanta desigualdade, estava ela em torno da nata da beleza mundial, no fluxo do maior evento esportivo que o mundo já teve, havia ali então belezas desiguais, uruguaias pálidas, colombianas escuras, argentinas magras, boliviana gordas, havia ali européias baixinhas, asiáticas altivas, marfinenses ricas e costa-riquenhas pobres, mas mais do que toda essa diversidade ali estava a brasilidade, ela sorria para esse machucado mundo em festa, um mundo com suas feridas atenuadas pela manha brasileira, pelo gesto tropical, pelo toque, pelo divino e pelo profano.

Havia claramente expresso naquele olhar sorridente a chave do bem e do mal, o sorriso acolhedor, convidativo, capaz de lenir a angústia dos chateados, ou um sorriso acolhedor, convidativo, capaz de ampliar a agonia dos indignados.

A energia contida nessas terras tropicais estava ali concentrada naquele sorriso sutil, pro bem ou pro mal quem o viu renasceu, conforme é proposto pelo nome dessa agente brasileira, os atingidos pelo sorriso nasceram novamente, como se houvesse uma segunda chance. Aos indignados foi dada a nova chance de aprenderem um pouco do que é o amor e aos chateados de voltarem a sorrir sem pudor. 

Viva ao Brasil, rumo ao hexa!

terça-feira, 3 de junho de 2014

Vestida para matar.




 Não seja tolo nobre homem, o seu requinte não irá me comprar, minha ambição é maior do que imaginas, nem só de pão e sapatos viverá a mulher, sua ingenuidade muito me espanta, mesmo com essa katana apoiada em seu pescoço você ainda não entendeu que sou mais afiada que sua conta bancária? O seu dinheiro é capaz de estuprar, capaz até de estripar, mas não necessariamente capaz de conquistar, com isso, levarei sua cabeça em sinal de conquista, Adeus!

 De nada valeu todo esse aparato de segurança, esse circuito interno de filmagem servirá apenas para registrar o seu fim, os ruídos do alarme servirão apenas para abafar seu desespero, abafar seus gritos promovidos por esse açoite, talvez nem Alá te ouça em meio a esse barulho infernal, que vergonha, seguranças de primeiro escalão treinados em Israel enganados por um simples sorriso, por esse mesmo sorriso que você quis escravizar, uma pena que essa barulheira abafará o estralo do seu pescoço, Adeus!

 Não chora meu bem, tamanha lamúria não diminuirá a injúria, tenha vergonha e não chore diante de uma mulher, o estrago que essa Magnum calibre 44 fará em sua testa te libertará de um mal maior,  me recuso a disparar enquanto essas lágrimas estiverem escorrendo, quero dar-te um fim digno, foi contigo que aprendi que da mulher nasce a poesia, embora elas sejam incapazes de escrever uma única estrofe por falta de fonte inspiradora, exemplo vivo (por enquanto) é este diante de mim, você, homens por essência são insuficientes para nos dar aquele frio na barriga, não posso negar que toda essa testosterona nos fazem vibrar, mas ainda assim é insuficiente, muito trivial, é preciso algo a mais e isso vocês não compreendem, as maravilhosas poesias bem como os maravilhosos cânticos entoados por vocês tentam entender e explicar um pouco de nós mulheres, saiba contudo meu bem que tudo isso é vão, é muito poderoso, porém não fatal, levante-se e descanse seus joelhos, mesmo contudo lhe darei a honra de cair de pé,  Adeus!

 Há quem condene meu julgamento, mas  não tolero farelos no meu novo carpete, nem tampouco manchas de lágrimas no meu piso envernizado, se voltar contra o belo pode ser cruel, pois o belo é capaz de cegar, o belo é capaz de trazer luz ao cego, pois na beleza até a crueldade é permitida , pois sim, beleza se põe na mesa, look out!  

terça-feira, 20 de maio de 2014

Gumbo


 Desvendar os caminhos, ferramentas e os meios necessários pra incentivar o uso de produtos daria aos fornecedores de tais produtos a solução para os problemas de comercialização.

 Desvendar os meios necessários pra incentivar o consumo de uma idéia daria ao difusor do plano a força necessária para garantir não somente o uso de produtos, garantiria também o poder de fidelização, permitiria ao autor da idéia ações de grande apelo público.

 Valeria pois então explorar os segredos contidos nos subterrâneos do Vaticano, valeria considerar as técnicas empregadas pelos grandes meios de comunicação que têm consigo a chave da morte e do inferno, que trazem pra si conforme seus interesses adeptos que seguirão religiosamente o que é proposto. 

 Nasce então a dúvida sobre o real valor embutido nos produtos, da autenticidade de um pensamento, dos agentes que produzem sentimentos, surge a incerteza da existência da espontaneidade, se de fato existe instinto, se existe essência ou se tudo isso foi extinto e tragado por uma grande idéia.

 A verdade é que nessa máquina existe primeiro mundo e também existe fome, a distribuição feita pelo detentor e difusor da grande idéia é desigual, Ele plantou o famoso e mentiroso clichê, "quem pode pode que não pode se sacode", assim, a desigualdade soa natural e com isso consumiremos o que Ele puser na prateleira, e não adianta reclamar, dizer que os produtos estão estragados, você não tem opção, mas Ele dirá pra você escolher melhor, e que é culpa sua se você comprou um produto estragado, pois bem lá no fundo da prateleira havia um produto razoável que evitaria essa enorme dor de barriga. 

 Assim, na prateleira próximo ao litoral sudeste temos Valesca popozuda, os insatisfeitos com essa opção reclamam a um dos gerentes e partem pra violência, agridem e amarram com justiça os pobres consumidores que roubam de seus bolsos o valioso Catra, na prateleira mais a baixo ainda no sudeste temos maconha, guerreiros do rap que duelam em batalhas pra ver quem consome mais, quem ostenta mais, quem fraseia melhor a filosofia de uma realidade vazia.

 Diferente da tendência, na prateleira do nordeste Jackson do Pandeiro disse que só botará bee bop no samba quando o Tio Sam tocar o tamborim, ele ignorou a grande idéia e misturou Miami com Copacabana, ignorou a presente prateleira e garimpou fora dela produtos naturais, produtos que não foram forjados pela pseuda intelectualidade manipulada pela grande idéia, algo essencial, sem referência, puro, livre de contaminação.

 Contudo, Jackson não escapou da mistura, foi contaminado por januário o kengo mais fino do nordeste, se apaixonou pela embriagada boca de Billie holiday, aprendeu a dançar com Juke do miserável viciado Walter Jacobs,  batucou o som dos morros cariocas quando eles ainda eram limpos e ganhou a alcunha de Pandeiro, não resistiu e eletrificou o triângulo, o som outrora acústico amplificou-se, todos esses ingredientes engrossaram o caldo da sopa, cheia de especiarias, contudo, todas livres de produtos tóxicos.

 Tomem dessa sopa, cheia de nutrientes e de caldo consistente, ela não causa dor de barriga, pois dessa sopa não se encontra na grande prateleira.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

27


Minha sobrinha completou sete anos e eu a parabenizei como se ela tivesse quinze, ela ficou extremamente feliz quando a fiz acreditar que eu estava comemorando seu décimo quinto ano de vida, chegar aos quinze anos de idade é a grande ambição de toda criança do ensino fundamental, seria como conquistar o respeito de todos, sob a sensação de liberdade e autonomia nas escolhas e decisões, adolescentes de quinze anos são observados pelas crianças mais novas como objeto de admiração, naquilo que elas pretendem se tornar.

Adolescentes de quinze anos vivem a intensa fase de transição da fase infantil para a fase adolescente onde se desenvolve a consciência do futuro e da vida adulta, surge assim os grandes anseios e planos para a vida futura, o adolescente é preso na ilusória mágica que os faz acreditar que são tão capazes quanto os adultos, passam então a projetar a carreira profissional, a vislumbrarem um futuro promissor associado às aptidões e vontades, essa empolgação que dá força ao sonho adolescente é própria da idade e muitas vezes os levam ao sucesso precoce.


Alguns anos adiante vem a decepção, o ex-adolescente se dá conta de que é impossível ser bem sucedido com 20 anos de idade, percebe com mais clareza as pedras no caminho, percebe o quão tenebroso é o sistema e a concorrência, esses benditos pés no chão do ex-adolescente o faz regredir alguns passos para em seguida retomá-los calcados na coerência, tal percepção sob o efeito da razão somado com a ressuscitada empolgação adolescente produz uma luz que o guiará pra anseios mais sólidos, à iminente realização, essa realização todavia não se trata do tão perseguido sucesso, mais sim do encontro com uma perspectiva palpável, o que permitirá ao adulto calouro galgar posições e conseguir ferramentas para realizações maiores.

Se estivermos falando de sucesso ou fracasso, um homem ainda que tenha muitas conquistas só terá a ilusão de estar bem sucedido a partir dos trinta anos, uma ilusão parecida com a do adolescente, ele consegue se enxergar realizado de alguma maneira, no entanto, ele perceberá que o divisor de águas que garantiu boas condições pra vida que seguirá surgiu entre 26 e 28 anos, período esse que costumo chamar de período da criatividade, onde se viveram grandes amores, grandes perigos, as grandes fraudes, as verdades verdadeiras.

Imagino que essa explosão de criatividade e improviso nesse período da vida seja porque o homem ou mulher de 26/28 anos são tão adolescentes quanto adultos, não é nem adolescente e nem adulto é exatamente os dois, essa vantagem o adulto e nem tampouco o adolescente têm, é um privilégio exclusivo do ser de 26/28 anos, do ser de 27 anos, 27 anos é o auge da forma do homem criativo, não estou falando de eficiência, qualidade, nada disso, me refiro à criação, à criatividade.

Robert Johnson, Janis e Hendrix que o digam. Morreram no auge. O mundo não resistiu à tamanha criatividade.  Tomem cuidado meus caros contemporâneos.


terça-feira, 6 de maio de 2014

Crossover



O caminho da direita leva à metrópole o caminho da esquerda leva ao campo e o caminho adiante leva ao litoral.

Na metrópole depararemos com falantes da língua anciã, encontraremos falantes de dialetos tribais, até mesmo a língua dos anjos é falada na metrópole, na metrópole há gatunos, maníacos, há também obreiros e doutores. A eletricidade dessa cidade é composta por barracos amontoados, o lixo do esgoto corre por entre os quintais, crianças descalças com a bola no pé e o nariz escorrendo, senhores alinhados em ternos com destino a arranha-céus, haja arranha-céus! Na metrópole presenciamos a beleza das grandes edificações, vemos a primazia da engenharia humana, os olhos se enchem com a plástica dos monumentos, há quem tenha vontade de gritar em meio a tantos carros, olhos cegos por banners luminosos e pela ganância, é tudo muito lindo, o artificial brilho metálico em duelo com o céu cinzento,  o perfume de jasmim exalado pelas mulheres da vida noturna, na metrópole testemunhamos o contraste entre a organizada civilização do crime e a desorganizada honestidade civil, os arquivos que contam a história da humanidade e dos animais encontram-se nos cofres dessa grande metrópole, nessa metrópole está o conhecimento, aqui está o aborrecimento.

No campo presenciamos a beleza do horizonte, somos tragados pela aterrorizante imensidão do firmamento, o leite é grosso, a água é fresca e o tempero é forte, o verde lidera o colorido da natureza, sobretudo na primavera, o silencio que traz a paz é facilmente encontrado, a pouca intervenção do homem na forma do campo permite o contato real com a herança deixada pelos ancestrais, a sabedoria deixada  pelos antepassados só pode ser adquirida no campo, pois a cena do crime foi minimamente alterada pelo homem, foi sim fortemente alterada pela força da natureza, vale dizer que em muitos casos a natureza também tem culpa, basta ver lavouras destruídas pela chuva que vem sem avisar, casebres que não resistem a fúria do vento, a exemplo da metrópole o campo também traz aborrecimentos.

No litoral é possível ver o mar, o oceano, além do oceano está a outra parte do mundo, estão novas metrópoles, novas regiões rurais, novas praias, a única maneira de ter acesso a esse todo, ao conhecimento de novos povos é passando pelo oceano, para chegar ao oceano é necessário chegar no litoral, é possível dizer então que as técnicas de cultivo do campo, a pecuária, agricultura, que as línguas existentes na metrópole, o metal presente na inteligência artificial desenvolvida nela, de alguma maneira passaram pelo litoral, a origem do novo conhecimento teve seu inicio na praia, as grandes invasões, tratados, batalhas deixaram vestígios na areia e foram levados pelo mar, em outras palavras, olhar pro mar é olhar pra própria história é também olhar pro futuro, pois o novo mundo está além dele, de certo modo o litoral tem em si aborrecimentos tanto da metrópole quanto do campo.

A violência, a velocidade, o aquecimento e a dinâmica tecnologia encontrada na metrópole darão ao cidadão metropolitano a necessária insensibilidade para que ele tenha olhos atentos e pés ligeiros diante do mal, para que ele tenha frieza quando as coisas esquentarem, menos emoção e mais razão.

O ar puro e as cores encontradas no campo darão ao cidadão campestre sabedoria para que ele seja sagaz quando o tédio bater à porta, a unidade da natureza conduzirá ele a paixão, assim como ocorreu no jardim do Éden, a paixão prevaleceu e as coisas ficaram mais interessantes, mais emoção e menos razão.

Já o mar será a válvula de escape, se ainda assim as coisas estiverem sem graça, cruze o oceano e encontre novas metrópoles, novos vilarejos, acredite, do outro lado também haverá muita tensão, muita paixão, muita razão, muita emoção, muitos aborrecimentos.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Futebol no Salão


 A uma lisa quadra de concreto com duas balizas deram o nome de salão, nesse salão é praticado um tipo de futebol reduzido, reduzido em número de atletas, reduzido na extensão do campo de jogo e no tamanho das traves, ao pensar em salão, pensa-se em um ambiente espaçoso de teto alto, bem ventilado e capaz de comportar algumas centenas de pessoas que se reúnem ali para diversos fins em comum, ao pensar na diversidade de atividades que podem ser desenvolvidas em uma sala grande, em um salão, certamente as atividades de cunho artístico serão as mais consideradas. Em um salão vazio é possível visualizar pessoas entretidas com a cênica trilha brasileira que leva a dança e ao canto conjunto, vê-se ali olhos embriagados e brindes espalhafatosos, surge então a idéia de levar o futebol pra esse ambiente, admito no entanto que não me atentei em buscar elementos acerca da origem do futsal e nem tampouco buscarei tais informações, ficarei com essa teoria fantasiada, certamente se essa teoria fantasiosa fosse verdadeira o futsal teria um número maior de adeptos, as quadra seriam circundadas por arquibancadas estruturadas com mesas e com espaço para o livre trânsito de garçons, cada degrau das arquibancadas  funcionaria como pisos ou estágios de um bar, a quadra de jogo seria literalmente um palco visualizado de cima para baixo onde a bola por muitas vezes derrubaria as bebidas das mesas dando graça maior ao espetáculo, a tensão dos atletas em meio ao prélio da partida seria lenida pelas canções tocadas pelos grupos musicais presentes em um palco superior acima do gol, onde os músicos seriam protegidos por uma tela de modo que a música não fosse interrompida mantendo assim o ambiente sempre harmônico.

 É bom destacar contudo que esse ambiente perderia o seu sentido sem bons jogadores do futsal de rua, o ingrediente principal desse ambiente primoroso seria o espetáculo dado pelos atletas amadores e amantes do futsal, no futsal amador surgem manobras, lances, improvisos, rusgas e polêmicas possíveis apenas dentro dessa conjuntura cultural, as brigas e vaidades dentro de quadra fogem do padrão profissional e portanto gozam de verdadeira essência dando assim vida ao drama vivido nos quarenta minutos de bola rolando.

O exibicionismo alegórico dos atletas  encheriam os olhos dos expectadores, não somente pela estética mas sim com principal objetivo de abreviar o caminho do gol.

Na quadra o coro come enquanto a gafieira come solta nos habilidosos pés fora de quadra, os habilidosos pés dentro de quadra condecoram musas com gols enquanto essas mesmas musas cantadas no palco superior agraciam os presentes com enorme gracejo.

Mudar o nome do esporte mais praticado no Brasil foi um erro.

Futsal para os mansos, mas aos folgados malandros de fino trato, Futebol de Salão.


quarta-feira, 2 de abril de 2014

Inútil magia.


Considerem um eunuco cujo suas experiências profissionais são provenientes de barracões de escola de samba e suítes luxuosas de cruzeiros de primeira classe, se trata de um mordomo de fino trato que passou a fase adolescente em rigoroso treinamento, estudando idiomas, bons modos no atendimento, treinado na arte de servir, se trata de um fino artista que conquistou fama e reconhecimento ao abortar a função de serviçal e assumir o enrustido papel de artista, um sensível artista nato que concedeu aos amantes da arte incríveis obras plásticas, um criador de fantásticas alegorias e fantasias.

Poderia este mencionado eunuco com apenas 29 anos, com seu frágil-alto e leve corpo de 49 quilos ser nomeado ministro da defesa? Poderia esse singelo artista liderar o exército russo? Poderia esse nobre rapaz que jamais matou uma mosca assumir frias decisões? Orquestrar genocídios? Certamente não, nitidamente esse admirável carnavalesco não dispõe das qualidades necessárias para a barbárie, o grandioso poder que emana desse artista é inútil para os propósitos de guerra.

Seria como edificar uma casa sobre dunas de areia, em dias de tempestade tal edificação ruiria, seria como preparar um sexagenário com osteoporose pro campeonato mundial de muay thay e condenar seus ossos de vidro ao espatifamento.

Todavia, se o poder de decisão em nomear o ministro da guerra da extinta união soviética estivesse nas mãos dos comandantes da Sociedade Esportiva Palmeiras,  esse cenário hipotético mencionado  acima não seria um absurdo, nomear uma "bixinha" (com o perdão do uso do termo) seria algo bem possível para os ufanista da herança italiana, Tirone, Paulo Nobre e porque não mencionar também Eu, Ronaldo Correia, encontraríamos argumentos por não enxergarmos os fatos, pois assim como diz o famoso clichê, onde os fatos são ignorados os argumentos reinam, o que significa que certamente encontraríamos bons argumentos (embora vazios) pra justificar vergonhosa decisão.

Por se tratar de uma crônica direcionada, não haverá a necessidade de revelar o sentido dessa metáfora, mas pra não deixar tão vazio caso um dos destinatários tenha dificuldade em assimilar essa DIRETA, finalizo com o seguinte provérbio:

A força de um exército é o reflexo de seu comandante, já as conquista e a fama de um exército depende dos fatos construídos por seu Rambo (camisa 10), pois a metralhadora que trará a vitória depende do bom condicionamento, habilidade e desempenho do dedo que puxará o gatilho.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Feliz dia de São Valentim!


O Antônio não acredita no amor, certamente Santo Antônio deve estar frustrado, a progenitora de Antônio assim o nomeou em homenagem ao santo casamenteiro, a mãe de Antônio assim o nomeou por crer que o amor é a solução de tudo, mas foi esse amor que deu início a desgraça de Antônio, Antônio não mais crê no amor desde o dia em que ele ouviu as portas do fundo de sua casa baterem, sua fé desfaleceu quando percebeu um aroma amadeirado em seus lençóis de seda.

Hoje Antônio vive com a mente perturbada, o amor mal vivido que ele teve outrora prejudicou sua fé, talvez se a mãe de Antônio o nomeasse por Expedito ele poderia voltar a amar, pois para Antônio o amor é uma causa impossível.

Não perca a fé Antônio, peça a Deus que ele colocará um Valentim em seu caminho.

Happy Valentine’s Day!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Ventura



A tragédia de milhões pode vir após 90 minutos, ora, estão todos lá mergulhados na paixão, rangendo os dentes em uma agradável tarde de domingo, cânticos de louvor, cerveja sem álcool pra enganar a mente já embriagada, a embalada euforia já iniciada pela manhã atinge o auge em meio aos 50 mil fanáticos que cantam e vibram, basta um único gol em favor do adversário pra acabar com toda a festa e alegria geral.

A tristeza de milhões pode findar antes mesmo dos 90 minutos, basta as redes balançarem  4 vezes favoravelmente, não há depressão que resista à emoção de 4 gols, a angústia ainda que por alguns minutos dá lugar a alegria, a cerveja sem álcool engana a mente perturbada, o sofrimento iniciado já pela manhã enfim dá uma trégua ao deprimido em meio aos 50 mil fanáticos que vibram e cantam.

Tristeza ou alegria? Tragédia ou comédia? Nunca se sabe, é necessário esperar o fim da dobradinha de 45 minutos, tudo isso dependerá da boa vontade do árbitro, do bom humor e desempenho dos atletas, se será uma semana de euforia ou de cansaço, dependerá do vento que conduz a bola, dependerá do vento que barra a trajetória da bola, dependerá do acaso.

Tal pensamento por si só já justifica o nome do nosso time de futebol. Ventura por definição significa “prosperidade”, ‘‘fortuna’’, significa “sorte”, não bastassem as definições positivas inerentes ao termo Ventura, Ventura se contradiz ao significar também “perigo”, “risco”, assim como uma partida de futebol, ainda contudo, além dessas definições que dão significado ao nome Ventura, o nome Ventura também significa “acaso”, que dentre todos os significados ligados a essa palavra difusa é o de maior impacto, afinal, nada se opõe ao acaso, nem mesmo Deus, basta consideramos que Ele torce por nossas escolhas que nos levarão a salvação, ou seja, se por um acaso escolhermos "bem" teremos a salvação, se por ventura escolhermos "mal" não a teremos . Eis então o porquê de “Ventura”.

Quanto as cores do time, as razões são óbvias, amarelo e preto, amarelo indica prosperidade, riqueza, assim como o termo, já o preto significa as trevas e a escuridão e onde há escuridão há perigo.

De modo que é possível dizer que a tristeza pode durar uma noite inteira e a alegria vir pela manhã, assim como uma linda manhã ser tragicamente terrível e ainda assim as trevas e a escuridão revelarem uma luz no fim do túnel.

Pois bem, VENTURA é o nosso nome. 




quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Physical Air



A Central Intellingence Agency não pôde prever e assim evitar o famoso feito de 11 de setembro, a brilhante mente regida pelo terror driblou a segurança refinada com inteligência de primeiro mundo, o rapto de duas aeronaves foi o suficiente para arrebatar vidas e arrebentar um sistema, foi um feito digno de respeito, diria até que elegante, afinal, sequestrar uma aeronave em território norte americano exige muita manha e frieza, dentro da visão geral e óbvia é possível dizer que foi um feito movido pelo terror, contudo, não podemos descartar que tal ação tenha sido motivada apenas por pura vaidade do autor, movida por uma mera diversão do regente do atentado.

Crimes e atentados contra a humanidade independentemente do nível de psicopatia por parte do criminoso, são analisados unicamente pelo lado do escândalo e da maldade proveniente do agente do crime, a visão artística e criativa na elaboração do crime passa desapercebida, fossem esses crimes analisados de modo imparcial, considerando também a dificuldade em sua elaboração, a realidade criminal poderia dispor de males maiores e ganhariam mais adeptos; de tal modo, vale dizer que os tantos latrocínios não gozam de valor artístico, se o crime em sim dentro de sua essência fosse considerado alheio a valores morais, assaltantes jamais concorreriam ao Oscar, afinal, a força bruta por si só não caracteriza astúcia, pois o mérito da força bruta está apenas na aquisição de algo promovido por sua ação devastadora, seja através dos próprios punhos ou através de ferramentas de destruição, não dispõe de mérito escultural.
Desse ponto, gatunos da meia noite merecem mais respeito do que a infantaria do crime organizado, pois o sucesso de suas missões exigem manha e lisura, eles aguardam pela cruviana que entocará testemunhas, calculam a força do vento e os obstáculos arquitetônicos que ocultam as ambicionadas iguarias a serem saqueadas, gatunos violam sem violência, o silêncio é a sua principal arma.
A prática de tomar pra si, de afanar, é antiga, seja no ato de ludibriar, ou no ato de “estuprar”, seres de diversos níveis conquistam bens e glórias através do poder que lhes foi concedido, não em vão Moisés exortou em sua pedra no velho testamento acerca da cobiça e do roubo, pois ambos combinados originam males diversos, a atividade de levar pra si o que não lhe é de direito varia conforme o padrão partidário das facções infratoras, a facção governamental por exemplo tramita sob o amparo da lei, dispõe de  manobras constitucionais em busca de aquisições indevidas, corsários aterrorizam portos e legislam em alto mar com imponência mortal, hackers infiltram-se e apoderam-se virtualmente causando danos reais, até o menino que vai pra feira vender sua laranja se apodera da tangerina alheia, logo, é visto que, desde épocas remotas a prática de se apossar de bens alheios é uma prática que caiu na banalidade, pois dentre as mais variadas mentes e classes o ato de roubar é banal pela facilidade de sua execução.
Não há elegância nas formas convencionais de fraude e roubo, pois conforme mostrado, qualquer ser pode desempenhar bem tais tarefas por falta de plástica e grandeza, elegante será aquele que roubar o timbre de voz de Sonny Boy Williamson e inflamar o reino unido através de perfeita fraude, Robert Plant que o diga, usurpou o grande usurpador Rice Miller, bem aventurado será aquele que pegar no ar as perturbadoras notas emitidas pelas cordas de Hendrix e guarda-las em um pote, de fino trato é aquele que desmaterializa o abstrato, bom homem é aquele que arredonda a ponta da faca e que vaza por entre a laminada pólvora, acima de todos esses será aquele que dar corpo à paixão, nesse exemplo a mencionada paixão denota o anseio em todas suas formas, forte será  aquele que  tornar o anseio humano em matéria palpável, onde tal paixão possuiria massa e forma, a ponto de ser possível incinerá-la levando-a a completa extinção, tal fenômeno não impediria o sangue de jorrar, mas permitiria o imediato estancamento da hemorragia que tinge o chão de vermelho e o ar de invisível. Fosse tudo isso possível certamente esse ar denso que nos alimenta teria cor assim como o sangue e a seiva que corre nas veias daqueles que têm vida..

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Imaginário.


Beto no auge dos trinta em seus 1.80 metros de altura mostra em seu visual eclesiástico cabelos longos, pele pálida e barba lisa, é comum nessa idade a camisa substituir camisetas, o desconfortável sapato é justificado pela elegância, a vaidade é pouca, porém necessariamente elegante conforme exigido pela cultura porn adquirida ao longo dos anos.

Enquanto Beto aguarda por sua dose de uísque, Miguel escapa por entre a brutamonte dupla de zaga, mata no peito e de queixo erguido carimba o travessão, de um lado gritos de alívio, moleque filho da puta, de outro lado mãos desesperadas sobre a cabeça em sinal de lamento, apito final, jogo perdido, um a zero, Miguel segue rumo ao vestiário com a derrota no peito e a camisa na mão, maldito moleque, emocionando senhoras e senhores com futebol safado, com apenas 17 anos umedecendo senhoras e meninas com seus dribles rápidos. A pele escura de sol  do Jovem craque é castigada pelo forte calor de verão, marias e mariazinhas miram o suor que escorre pelo musculoso corpo magro do menino prodígio, ansioso por um banho, Miguel sequer percebe o clamor das fãs através do alambrado.

A água fria do chuveiro escorre sobre as reflexões de Miguel no instante em que o quente uísque escoa pela gorja de Beto, Beto movido pelo efeito da primeira ingestão percebe enfim a bela configuração do ambiente, ele então se posiciona de maneira pra melhor contemplar o presente mulheril, essa contemplação dura por algumas horas após doses e mais doses, Miguel então surge no mesmo ambiente que Beto, é aclamado pelos fãs e viola a lei ao lhe servirem doses de tequila e cerveja malzibier, a ordem do bar é restabelecida e a sofreguidão das fãs é contida, Miguel enfim pode relaxar e lenir a dor da derrota, Beto sequer percebe a presença do craque e pede mais uma dose e percebe enfim a altivez da menina, uma menina inabalável, antes de notá-la Beto pôde observar a grande competição travada entre as moças presente, todas muito belas, claramente duelando entre si através da indumentária, das gargalhadas, duelam ao moverem os cabelos, duelam de todas as maneiras possíveis, Beto entende então a postura indiferente dessa menina, ela com grande gracejo está alheia a essa guerra estética, ela permanece em meio as amigas-rivais de modo friamente doce, do outro lado Miguel então percebe uma menina, a única dentre as tantas presentes que não se ouriçou com sua chegada, assim, Miguel passa então a observá-la com afinco, se trata da mesma menina que cativou Beto, de um lado o galã e do outro o craque, a doce menina se torna objeto de admiração, o menino se encanta pela a delicadeza enquanto o homem se apaixona pela sutileza, o menino repara no lindo rostinho enquanto o homem observa o belo sorriso, contudo, o jovem craque bem como o nobre galã são os maiores objetos de cobiça das moças presentes, porém, é como se elas não estivessem lá, ambos focados no mesmo propósito, focados na contemplação da doce menina, no entanto, quase que sincronizadamente, tanto Beto quanto Miguel se levantam, deixam algumas notas na mesa e se retiram do bar, eles optam pelo não antes mesmo que ele viesse, cientes de que o não da incerteza caberia melhor do que o verdadeiro não. 

Optaram então pela imaginação.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Mulher brasileira.



 A maior agência de advocacia do Rio de Janeiro indicou seu advogado mais jovem para cuidar dos negócios locais do senhor Edmundo, de volta à cidade maravilhosa Edmundo se encontra com seu novo advogado na famosa rede de fast food Cheesechickens Hermanos, eles se acomodam junto às janelas em uma mesa que lhes permite uma visão privilegiada da turística praça fluminense:

- Olha lá jovem doutor, olha aquela mulher, de certo ela é brasileira, brasileiríssima! É por isso que eu digo que essa é uma terra abençoada!

- Perdão senhor, mas estamos no Brasil, por que ela não seria brasileira?

- Eu que te pergunto, por que ela não seria brasileira? Poderia ela não ser brasileira? Seria possível haver no mundo terra tão fértil capaz de germinar fruto tão doce?

- Não me entenda mal senhor...

- Me responda moleque! O que te faz pensar que aquela moça logo adiante parada do outro lado da rua não seja brasileira? Observe o desenho daquelas pernas, a sinuosidade... 

- Boa tarde, meu nome é Renata, bem vindos ao Cheesechicken! Posso ajudá-los?

- Um conhaque, e pra ele uma limonada, muito obrigado!

- Veja moleque! A perfeita sinuosidade entre cintura, quadris e coxas, veja que linda pele branca castigada por esse sol tropical...

- Ela realmente é muito linda...

- Sim! Consegue ver? Olha só a corpulência!

- Senhor, a maioria das mulheres que passam por essa praça são brasileiras, afinal estamos no Brasil, boa parte delas não correspondem ao nível de beleza da moça do outro lado da rua, considerando que aquela moça do outro lado da rua poderia facilmente ser confundida com uma turista estrangeira em meio as tantas brasileiras que aqui estão, isso por estarmos em um cidade turística e por ela possuir pele branca e cabelos loiros, o fato dela estar vestida com a camisa do tricolor paulista não a torna brasileira, ser brasileira não é sinônimo de padrão de beleza, logo, seu ufanismo por essa pátria no que tange as mulheres não se justifica.

- Menino, antes de considerar seu ponto de oposição às mulheres dessa nação, considere a diversidade étnica espalhada pelo globo terrestre, considere as regiões mais remotas desse planeta, os idiomas mais complexos, os ritos e comportamentos, a diversidade cultural; agora imagine a fusão de tudo isso, a união dessas raças, a junção de todos os costumes culturais existentes nesse planeta, ao imaginar isso, o cenário mais próximo dessa imaginação seria a república federativa do Brasil, ao visualizarmos a união de todos os povos o cenário mais provável seria algum lugar aqui no Rio de Janeiro, não obstante a essa hipotética representação, o Brasil é o país com a maior diversidade cultural e racial do mundo, é conhecido como o país da miscigenação, existe portanto aqui no Brasil a fusão genética de todas as mulheres do mundo, aqui nesse país existe o privilégio de contemplar a junção da nata racial, seja de modo distribuído ou até mesmo em uma única mulher, e são nesses motivos que reside a graça desse país, apenas na mulher brasileira é possível encontrar todas as qualidades estéticas numa tacada só, resta agora entender o porquê desse seu desprezo pela mulher brasileira.

- Não Senhor, não seja injusto, não estou desprezando, não se trata de desprezo, apenas não compartilho da idéia de um padrão que regule a beleza dos seres, pois o conceito de beleza é algo bem particular...

- É bom deixar claro que a conversa iniciada aqui é especificamente sobre a mulher, mas já que tu levas a conversa pra outro caminho, não vou mais me prender nos valores estéticos, porém, antes de tratarmos dos negócios, continuaremos a falar da mulher.

- Eu assim prefiro, falar de beleza estética é algo irrelevante.

- Pois bem menino, olhe novamente para aquela bela loira, já que você prefere ignorar os belos traços daquela moça vamos tentar nos desprender daquelas pernas, tentemos ignorar o desenho daquela boca, pois mesmo dessa distância é possível perceber a força de seus traços.

- Sim, o que tem de mais naquela menina além de um corpo e um rosto bonito?

- Com licença senhores! -A garçonete interrompe o diálogo e serve as bebidas-

- Veja bem meu jovem, para que eu não lhe desfira um tapa na cara com lado de fora da mão, permita-me antes dar um gole nesse conhaque para privá-lo dessa desnecessária agressão, pense no que acabei de dizer acerca da diversidade racial e cultural difusa aqui no Brasil, pois bem, da mesma maneira que aquela moça foi abençoada esteticamente por ter uma ascendência multirracial ela também pode ser considerada abençoada por herdar valores e costumes de múltiplas culturas...

- Me parece que agora o senhor irá falar de algo que realmente valha a pena...

- Acredite meu jovem não há tema mais valioso do que o tema inicial dessa nossa conversa, devo dizer que a vontade de desferir o tapa está voltando, mas não se preocupe prometo que vou me conter, então pra evitar a barbárie voltemos a considerar a grandeza daquela bela saopaulina logo adiante, aquela moça ali claramente goza de um privilégio comportamental raro de se encontrar fora desse país...

- O senhor diz isso baseado na idéia da brasilidade inerente àquela mulher?

- Isso! Exatamente isso, o trato da brasileira é profundamente singular, de uma sensualidade incomum, há um verdadeiro calor na interação com a mulher brasileira, é algo vivo, elas são munidas de um cinismo poderoso, um feeling acima do comum, o jargão “jeitinho brasileiro” se justifica em várias frentes, pois das brasileiras podemos esperar desde o mais profundo altruísmo a eficácia da vigarice... Receio que essa rara capacidade da mulher brasileira se sustente nos tantos hábitos culturais e comportamentais herdados em virtude da miscigenação.

- É um teoria inegavelmente válida, cheia de sentidos, contudo...

- Chega de poréns! Irei te dar um exemplo prático pra justificar a verdade sobre tudo isso... Pegue sua limonada e a beba levemente em um único gole, em seguida me descreva a sensação.

- A sensação refrescante é a mais marcante, seguida de uma agradável e sutil acidez adocicada, delicioso!


- Essa sensação sentida é como beijar uma argentina, mesmo com um ligeiro azedume não deixa de ser deliciosa, é como lamber uma inglesa, ainda que fria não menos doce, bem como as italianas e colombianas, tão ácidas quanto sutis...

- Moça por gentileza me traz mais um suco de limão...

- Não senhorita, não traga nada, traga a conta por gentiliza.

- Sim senhor!

- Como assim “traga a conta”? Acabamos de chegar, não definimos nada ainda...

- Agora beba esse conhaque numa golada só e descreva a sensação.

- Aarrrgh! A única coisa que tenho a dizer é que isso é muito forte e tem um gosto horrível!

- Errado, esse conhaque é igual a mulher brasileira, macio, tantos são os sabores inerentes a essa bebida, sabores que vão sendo descobertos ao longo de sua apreciação, quem não está preparado pra um bom conhaque certamente será queimado pela sua força, assim como a mulher brasileira, esteja pronto ou ela lhe será seu maior terror, todavia, aqueles que souberem apreciar os prazeres ligados a ela sentirão a verdadeira embriaguez, sentirão o poderoso elixir feminino capaz de embriagar até Deus no alto de sua onipotência.

- Perdão senhor, mas não entendo onde queres chegar...

- Jamais esperei que fosse entender, não há mais nada a dizer, me perdoe, mas não posso mais me conter.

Edmundo se levanta defronte pro jovem doutor Lucas: 

SNAP!!! (com o lado de fora da mão) e em retirada finaliza:

 - Tenha uma boa tarde! Fique com a conta e mande saudações ao doutor Saul.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Nunca vi "menino" ter querer


Mr. Waters, semente para gerações futuras, foi falando brasileiro que Zeca aprendeu a embolar, a nova safra de malandros entristece Buarque, o pouco rock aqui encontrado repele Belchior, esses aí não migram em volkswagens, vão de Cadillacs, vão em caminhões de zepelim, no último pau de arara Gonzaga trovejou acordes dissonantes em alento aos passageiros, Dixon produziu com sua poesia estrelas do rock, o Crossroads Center recupera os perdidos, Buddy Guy compôs o poderoso time da Chess, Dio canta o caminho, Page encanta o caminho, Ray Vaughan desencanta e caminha, Wolf uiva, Raimundo Nonato não meche com carneiro,  Little Walter fez coisas proibidas, o Hoochie Coochie man conquistou a trilha de John o conquistador.

Muddy Waters eletrificou o blues, Zeca embalou o coco, Buarque bateu uma bola, Belchior alforriou ricos acordes, Gonzaga saracoteou a casa do Zé, Dixon orquestrou o time, Buddy Guy provocou os tímidos, Dio emancipou o fogo, Page disse não ao cinema, Stevie invocou a morte, Howling Wolf conheceu a morte, Raimundo Nonato rasgou o cachorro preto, Walter Jacobs largou a Pepsi cola.

Todo esse jogo de bola Mané, tem que ser de coração, livre com a bola no pé, vejo um ataque de cão, olho para o seu José, lanço para o meu irmão, ele domina olé, deixa o zagueiro no chão.

Isso tudo dá fim ao ócio, dá fim à prazerosa preguiça, já não se pode mais repousar na emoção, o caminho tem que ser mostrado para as novas gerações, frente a frente com os pequenos discípulos, há um tabuleiro que mostra os caminhos, com endereços, indicações, tais preceitos ensinarão aos bons meninos as coordenadas, os becos, os caminhos mais remotos, os atalhos mais próximos, depois de doutrinados, se depararão com o rock de doer cacunda, nessa dor eles serão aprovados, aceitos e promovidos,por fim, conforme o ciclo, serão removidos pelos novos prodígios.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Vem pra misturar.


Em 73 a.C a casa de Batiatus possuiu grande fama na comuna de Cápua, conhecida por ser uma casa que proporcionava a seus convidados e hóspedes grandes prazeres, Batiatus tinha em seus domínios os melhores gladiadores da península Itálica, isso no campo do entretenimento permitia a Batiatus dar a seus convidados o melhor espetáculo que se poderia ter na época, sua adega comportava os vinhos mais nobres cultivados na região da Campânia, os aposentos de seu palácio foram confeccionados a fim de criar um ambiente lascivo, dando assim o devido conforto aqueles que buscavam os deleites da carne.

Em 1920 Aleister Crowley fundou a Abadia de Thelema, os moradores dessa abadia cultivavam os seus desejos, faziam tudo o que queriam, praticavam todos os anseios, procediam conforme a lei de Thelema, "Fazes o que tu queres pois é tudo da lei", de tal modo, os discípulos de Mr. Crowley dispunham de total liberdade filosófica e religiosa nas mediações da abadia, tais princípios foi a razão da construção da Abadia de Thelema no sul da Itália a fim de propiciar a seus discípulos a liberdade proposta em seus ensinamentos.

Diversas celebridades que compartilham da amizade de Chico Buarque de Holanda, de pessoas que dividiram o convívio com o grande Chico, relatam sobre a grande espirituosidade que envolve a casa onde chico foi criado, "lá se respira o futebol clássico, as artes plásticas configuram o cenário de modo espontâneo", amigos de infância falam acerca dos ensinamentos transmitidos pelo historiador Sérgio Buarque, pai de Chico, das experiências de grande valor cultural assimilados no ambiente onde Chico Buarque foi educado, permitindo assim que o talentoso e boêmio Chico pudesse desenvolver suas grandes obras. 

Os princípios morais e éticos que são transmitidos hereditariamente não são os únicos responsáveis pela formação do ser, tanto a educação acadêmica, quanto o convívio em outras casas, com outras famílias de valores comportamentais diferentes também contribuem com a formação moral e comportamental dos seres, os preceitos familiares assimilados em outros lares gozam de grande força de influência por se tratar de algo novo, de um novo conhecimento, com isso é possível dizer que a capacidade dos seres dependem necessariamente das experiências que tiveram ao longo da vida, dos lugares por onde andaram, das personalidades com as quais conviveram, afinal do novo ambiente, da nova companhia nascem as possibilidades de se aprender algo novo, pois distintos ambientes dão distintas lições.

terça-feira, 11 de junho de 2013

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Guerra Santa.

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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Bem x Mal


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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Chapadão de Glória.



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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Força Arbitrária.




 É possível julgar e condenar aquele que decidiu se embriagar e dirigir e que através de tal ato, vidas foram tiradas, é possível culpar o estuprador que violentou a menor de idade impingindo à vítima uma gravidez indesejada, todavia, a culpa atribuída aos infratores é invalida de acordo com determinadas crenças, ora, se considerarmos a definição de destino e a concepção daqueles que no destino crê, toda a ação seja ela falha ou honrada é desmerecida, pois tais ações foram determinadas antecipadamente por uma força maior, prendendo assim o agente do delito ou da boa ação a algo já fadado a acontecer, no caso do estupro, antes mesmo da fundação do mundo, o Deus revelado no livro dos Gênesis já chamava essa criança fruto do estrupo pelo nome, antes mesmo que a criança se formasse no ventre de sua mãe esse Deus já sabia de sua futura existência, o mesmo vale para o pai da criança (o estuprador) que antes mesmo do seu nascimento num berço de ouro em um nobre palácio, antes mesmo da fundação do mundo, Deus já o chamava de filho, esse exemplo dado, mostra que crenças ligadas à profecias, calcadas no conceito de predestinação, livram todos os seres de suas culpas, retiram o mérito de heróis, ao passo que, os acontecimentos já estavam escritos e determinados, permitindo dizer que os acontecimentos são de responsabilidade dos autores, pois os personagens componentes desse universo escrito por uma força maior são incapazes de mudar o curso da realidade da qual eles foram forjados, logo, são imunes de culpa.

 Haverão aqueles que de modo desconexo irão justificar suas crenças na teoria do livre arbítrio,  entretanto, o Deus que concedeu aos seus subordinados o poder de decidir por si mesmo, de escolher o próprio caminho, é o mesmo Deus que sabe do futuro, que por ser onisciente sabe das tragédias, dores, felicidades e prosperidades que recairão sobre suas criaturas, seja um fim de felicidade ou de dor, esse Deus através de sua onipotência tem a ciência absoluta de tudo o que aconteceu, acontece e acontecerá, logo, o suposto livre arbítrio nunca foi concedido, nunca existiu, pois de modo incontestável, onde há predestinação não há livre arbítrio, portanto, se existe um ser superior capaz de ver o futuro, por uma questão óbvia e exata, impossibilita a capacidade de escolha, pois o que passou, o que se passa e o futuro já estão escritos.

 Cabe então decidir, crer no destino e admitir que tragédia ou glória, sejam elas presentes ou futuras, não dependem das próprias forças para que elas venham, ou cabe pensar no Acaso e saber que glória e tragédia virão, não se sabe como, e a beleza da dúvida é que faz do jogo mais interessante.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Mama!




  A concepção de que a mulher é o sexo frágil diverge com o papel ao qual ela foi incumbida, considerem a importância da figura materna, a imprescindível presença fundamental pra formação do ser, presença de caráter protetor, proteção transmitida ao filho lhe assegurando dos males reais e irreais, o afã materno em amar seus filhos transcende inspirações, é maior que a máxima adrenalina, puramente instintivo de profundeza animal. Incondicional.

  Rhea conhecida como a mãe dos deuses, mãe de Hades, Démeter, Héstia, Hera, Poseidon e Zeus, se opôs ao seu marido Cronos em favor da vida de seus filhos, Maria de Nazaré, conhecida como a virgem Maria, mesmo sabendo que seu filho Jesus era um Deus ainda que menino, ficou profundamente angustiada e preocupada com o desaparecimento do menino Jesus durante as festividades da páscoa em Jerusalém.  Mães ainda que “frágeis” movem-se em proteção aos filhos, mesmo que estes sejam suficientemente fortes ou até mesmo deuses, é mais que incondicional é sobrenatural.

Mães ainda que tenham seus filhos submetidos ao relativo fracasso, inexplicavelmente desenvolvem orgulho verdadeiro baseado nas desconhecidas virtudes de seus filhos, ainda que não haja virtudes, certamente haverá algo que justifique tamanha apreciação.

 O famoso sinal feito com as mãos, símbolo do rock, foi instituído e popularizado no Heavy Metal através da avó de Ronnie James Dio, a Grande Mama preocupada com a proteção de seu neto, o ensinou a fazer tal movimento a fim de repelir o mau olhado, é recomendável então as futuras mães que solicitem consultoria as mães do rock, seria sensato indagar à Senhora Page quais eram os elementos que ela acrescentava na comida de seu menino, talvez ali estejam os ingredientes que permitiu a Jimmy Page invocar raios e trovões através de sua poderosa guitarra, seria sábio as futuras mães copiarem os métodos pedagógicos da senhora Young, progenitora de filhos enérgicos, os irmãos Malcom e Angus controlam a eletricidade através de seus reefs, talvez tenha sido o severo método pedagógico da mãe Young que tenha conduzido seus meninos ao grandioso sucesso.

 Basta Imaginar a mãe de Zinedine Zidane no instante do golaço de voleio que ele fez na final da champions league de 2002, possivelmente ela não se conteve, possivelmente tomada por uma euforia desenfreada, desse ponto,  tanto a destreza de Zidane como os tenebrosos solos em penta-blues-menor dedilhados pelos sofridos dedos de Tommy Iomi, são resultados de talento somado com trabalho duro, e é bem possível que essa dureza tenha sido adquirida no seio materno.

 Portanto, às mães que militam e pelejam pelos seus filhos, lhes dou meus sinceros parabéns por serem instintivamente animais e incondicionalmente sobrenaturais na luta por seus descendentes, devemos a vocês todo o talento que há por aí nesse mundo transmitido através de suas crias.

Parabéns mamães!