quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Garrafa na locomotiva

A bela alagoana Thaís que a muito não via surgiu no verão noturno na movimentada praça da tradição nordestina, os motores dos teclados trilhavam o cenário daquele diálogo e nessa matança de saudades ela me propôs a participação da minha banda em um evento de conscientização a preservação do meio ambiente, em gratidão a difusa amizade que há entre nós aceitei o convite, logo, ela mostrou-me o roteiro do evento, nesse projeto que a Thaís Samaritana me apresentou vi uma vasta composição de adolescentes adeptos a causa, percebi o profundo interesse desses jovenzinhos em poupar o planeta da excessiva poluição e esse curioso apego as questões ambientais são decorrentes da mais positiva hipocrisia que já testemunhei, vejam, no último final de semana eu e um grupo de bons amigos fomos para uma cidade turística de arquitetura tombada e de valores ambientais, fomos para Paranapiacaba com o intento de comemorar o trigésimo sétimo ano de vida do Nivas Guerra, na exploração desse ambiente rico de natureza vimos as sucessivas repreensões dos guias locais referindo-se a preservação e não poluição do lugar, porém no ano anterior em que estive nesse mesmo lugar esses mesmos guias e moradores eram indiferentes a preservação da vila, um ano depois essa indiferença converteu-se em dedicação e zelo, parabenizo portanto os veículos de comunicação e os programas televisivos destinados a jovens de 12 a 18 anos, programas de seriados, desenhos animados, clipes musicais, dentre outros, programas esses que trazem mensagens de conscientização a não poluição e através desses programas surgiu a mais nova moda, moda essa que chamo de “Ecologia Moderna”, essa ecologia moderna produz de modo hipócrita nos adolescentes a repulsão a atitudes poluentes, o “desejo de reciclar” , contudo, procedem de tal maneira unicamente por ser a mais nova tendência do verão, longe de uma real preocupação com o planeta, contudo, não concebam essa observação de modo generalizado e pejorativo, pois quero dar destaque a essa bela ecologia moderna, afinal, ela está gerando nos jovens a positiva prática de não deteriorar os rios, as matas e o ar, portanto, quero me desculpar a todos os ecologistas, biólogos e moradores de Paranapiacaba pela garrafa de cerveja que esqueci no gramado que cerca um solitário e enferrujado trem que de modo artificial embeleza aquele gigante quintal.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A vitrola escarlate de Armélie.



Eric Clapton dizia que para executar perfeitamente o que Robert Johnson fazia em suas músicas seriam necessários dois violonistas, pois a progressão de acordes de Mr Johnson soavam com efeito duplo, como se ele tivesse acompanhamento de outro músico, e acrescente a isso o fato de Mr Johnson cantar numa linha atemporal do que é tocado o que torna virtualmente impossível de imitar, um trabalho duro que levaria uma vida inteira, essas palavras de Clapton foram desdenhadas por muitos músicos consagrados, entretanto, quando eles foram tirar a prova disso constataram a veracidade na teoria do deus da guitarra e comprovaram que o trabalho duro jamais irá superar a genialidade, a dedicação eleva o talento, mas não se sobrepõe ao dom, existiram e existem mitos do jazz e do blues que foram precursores e portanto insuperáveis, tanto homens quanto mulheres deixaram seus nomes eternizados na música de modo incontestável.

A citada genialidade musical diverge à idéia preconceituosa de um determinado professor de música que suprimiu o desejo musical de um grupo de meninas, ele alegava que o ser feminino não dispunha das mesmas aptidões e facilidade de aprendizado que o homem, ele dizia que para mulher desenvolver bem as habilidades em algum instrumento musical seria necessário dedicar-se arduamente, pois as mulheres não nasceram para tocar, não dispõem de talento nato para tornarem-se boas instrumentistas, esse conceito imposto por esse professor entristeceu Armélie em sua fase infantil, Armélie era uma criança que adorava tocar violino, mas desistiu do sonho de se tornar uma grande violinista em razão da supressão que seu professor lhe causou. Dez anos depois, mesmo desistindo de seu instrumento, Armélie não abandonou a música, frequentava pubs de jazz, garimpava sobre a música brasileira e era intimamente ligada à ela.

Armélie estava sentada distraída ouvindo seu Ipod num banco de esquina situado na região central de sua cidade esperando um táxi, nesse intervalo de tempo Raimundo um guitarrista de jazz aproximou-se dela e perguntou onde ela morava, como eles moravam na mesma região ele propôs à ela que dividissem o valor da corrida do táxi, Armélie não sentiu-se acuada com a abordagem do nobre homem e aceitou a proposta, sentiu-se atraída pela abordagem envolvente do gracioso rapaz, no táxi a sintonia e a convergência entre Raimundo e Armélie inspirou a bela moça a convidar Raimundo para jantar em sua casa, Raimundo não hesitou e aceitou o amigável convite, quando Raimundo entrou na casa de Armélie ele admirou-se com a decoração da casa, era enfeitada por vinis distribuídos pelas paredes e tetos, com recortes de jornais referentes a música e composta por plantas ornamentais, Raimundo sentiu-se acolhido por aquele lar, enquanto ele vasculhava a coleção de vinis de Armélie, ela preparava o jantar, Raimundo encontrou nessa discografia raridades do jazz, desde Billie Hollyday a Armstorng, de Chet Baker a Miles Davis, quando ele dirigiu-se à cozinha para saudar e parabenizar a linda moça por seus valores musicais, ela posicionou a agulha de sua vitrola na canção número cinco do primeiro álbum de "Clarence Gatemouth Brown", Gatemouth foi o único grande violinista de Blues, ele imperava com seu violino no ombro, aquela trilha sonora devorou todo ambiente, a muito tempo Raimundo não cultivava esse jazz-blues-fusion, os acordes dos naipes de metais e a linha melódica do violino de Gatemouth climatizaram aquele lugar e arremessaram Armélie nos braços de Raimundo, eles eram levados pelo rabecão percussivo e cadenciados pela rabeca de Mr Gate, eles seguiram a condução rítmica dançando institivamente e de modo lascivo, entregaram-se a volúpia paixão promovida pelo poderoso Jazz, cessaram apenas quando deram-se conta de que as panelas estavam em chamas, o jantar estava queimado por conta dessa agradável distração, eles foram obrigados a apelarem ao disk pizza, foi uma noite essencialmente calcada no jazz e alimentada pela grande harmonia entre Armélie e Raimundo, a vitrola de Armélie nunca havia testemunhado um clima tão impetuoso, passou a noite executando valiosos discos que orquestravam esse clamor aos céus, nessa bela interação Armélie disse a Raimundo da sua frustração por não ter seguido com o violino, falou de sua desistência promovida pelas duras palavras de seu antigo professor, na semana seguinte Raimundo teria uma apresentação no mais famoso pub de jazz da região oeste, convidou Armélie para fazer um dueto de "Song for Renee" de Gatemouth na noite de seu show, Armélie pensou em recusar o convite, mas aceitou para não prevalecerem as palavras de seu antigo professor, mesmo a muitos anos sem sequer tocar em seu violino ela aceitou o desafio confiantemente, ela estava nos braços de Raimundo e isso lhe deu segurança para aceitar esse encargo que estava por vir.

Armélie, passou a semana que antecedeu o show praticando e ensaiando "Song for Renee", desenvolveu muito bem, todavia estava temerosa pois nunca havia tocado para um público tão expressivo, no dia do show ela pensou em desistir, mas a presença de Raimundo transmitiu segurança à bela moça, quando finalmente ela subiu no palco, de modo genial ela ofuscou o experiente Raimundo com seus perfeitos solos, mostrou seu oculto talento que outrora fora suprimido por palavras vãs, exibiu a essência e genialidade musical que sempre esteve consigo, demonstrou grande habilidade para homem nenhum botar defeito, no final da noite em plena efusão com Mr Raimundo, Armélie prometeu a ele que iria retomar a prática de instrumentista, abençoar os ouvintes do jazz e contribuir para a difusão desse grandioso som.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Eu não tenho tempo.

No sétimo dia o senhor descansou, um cansaço curioso, a conotação desse cansaço cria uma incógnita, visto que o onipotente Jeová está a cima da limitação fisiológica humana, disse ontem a meu pai que estava cansado, vi em seu olhar um enorme ponto de interrogação, "esse moleque está cansado de quê?" "Não o vejo fazendo esforços físicos", talvez o cansaço de Deus seja igual ao meu, um cansaço de sobrecarga espiritual, por isso, tirei o dia de ontem para descansar e a bendita chuva contribuiu com o meu ócio, acordei de manhã não olhei no relógio mas vi que ainda era antes do meio dia pelo clima matinal, selecionei a discografia completa de Ronnie James Dio para me envenenar no tenebroso heavy metal, objetivava um descanso sem paz, queria ser atormentado pelo subliminar, parar o corpo e acelerar a mente, completada a sessão de DIO fui condicionar as artérias com B.B.King, a sua Lucile me levou ao sono profundo, pela primeira vez me vi sonâmbulo pelo corredor da minha sala, estava buscando algo que a muito não tinha, essa minha busca novamente me feriu nessa mesma sala, andando procurando pelo inacessível escorreguei no chão húmido em virtude das reformas que meu castelo passa e acordei desorientado, felizmente dessa vez não estava com um copo de vidro na mão, levantei pensei em tomar um banho mas voltei pra cama para retomar minha sessão de absorção do Mistério, dessa vez coloquei Malte & Vinil, tentei esquecer da essência desse som que foi criado por nós e ver algo que não vi no processo de criação, incrivelmente vi, vi o poder desse som, e sei qual foi e qual é a fonte dele, essa fonte valiosa não tem valor pois ela mesmo não se valoriza pelos valores que a cercam, por isso valorizei os valores paralelos que se valorizam, nesse ritmo caí no sono novamente, como o repertório era curto despertei pelo silêncio e fui alimentar meu corpo com caldo de mocotó para vigorar o físico pois a mente estava inflada e explodindo de tanto alimento, nesse ritmo fui até altas horas, as 23 horas decidi ir para o mundo real confraternizar com umas putas que me cortejavam ferozmente, decidi atender a esses clamores e exercitar a gana da Correagem, pus meu tênis novo e ao sair de casa me deparei com uma fina chuva e ciente de que o indomável Luiz Gonzaga Correia meu pai não iria liberar o carro para tal intento e para evitar a fadiga voltei pra minha cama para cultivar esse dia de folga, o meu erro foi colocar Led Zeppelin, pois ao tragar a tradução do sintetizador de John Paul Jones surgiu-me o desejo de ir a um boteco qualquer confraternizar com algum panguão ou com alguma cachaceira independentemente do nível, esse súbito interesse prevaleceu e mesmo tendo a opção do guarda chuva optei por contemplar o choro do céu sem proteção, apenas trajei meu famoso sobretudo verde e fui sem destino com o destino de parar no primeiro boteco que me inspirasse, antes de prosseguir rumo à seleção de botecos, passei numa boca de tráfico perto de casa para pegar uma lata de Skol pois os mesmos são incapazes de vender Brahma e vi o tamanho do temor que o tamanho da minha barba causa naquele bando de nóias, eles não tinham troco para notas de cem e não queriam me vender, mas a fixação do meu semblante negro os persuadiu de modo temeroso, portanto eles cederam, parti e logo na seguinte esquina entrei num bar, os presentes no bar eram uma moça de estilo rapper e um nordestino pernambucano, quando entrei no estabelecimento fui recepcionado amigavelmente pelo dono do bar, dei a ele o cd "Riding With The King" e ele gentilmente interrompeu a black music que o presente casal ouvia e pôs a faixa número cinco conforme eu havia pedido, sentei na mesa de bilhar com minha garrafa de cerveja na mão pensando em como iria introduzir o diálogo com os "colegas de bar", quando dei o primeiro gole o rapaz pernambucano perguntou-me que tipo de música era aquela que eu estava ouvindo, antes que eu respondesse a mocinha que estava com ele disse que me conhecia e que estava espantada com a mudança que sofri da infância para a fase adulta, as palavras dessa moça levaram-me à reflexão da evolução humana, das mudanças pelas quais passamos com o tempo, dos aprendizados que adquirimos e do tempo que perdemos com sentimentos banais, ela lembrou-me da época em que me dava pedradas pelas pirraças de criança que fazíamos e da emoção que sente em entender as fases que o ser humano passa, isso me levou ao entendimento de que nos próximos anos irei me envergonhar das minhas atuais limitações em virtude do progresso para o qual estou caminhando, essa é a tendência da humanidade, pelo menos para os que não se limitam e não se contentam com aquilo que é imposto pelo MEIO, pelo menos para aqueles que não tem rabo preso à nada, que fazem e vivem conforme o desejo próprio, não tem sua identidade dependente à identidade alheia, são essencialmente talentosos desvinculados a interesses materiais, essa positiva concepção de vida é para os que vivem em abundância por não se esconderem atrás de pequenas fortalezas, no futuro irei bordar um retrato de tudo aquilo que não sei dizer, mas enquanto isso irei correr atrás da consolidação do presente pois o meu grande clichê é: A vida está passando e eu estou sem tempo.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

River of tears


Esperando nesse lugar, onde a luz do sol nunca brilha, te esperando aqui onde as sombras fogem de si, esse sorriso trakina foi a razão de eu esperar por tanto tempo, eu perdi o caminho de casa, você não consegue lembrar do meu nome, ninguém tem as chaves da libertação, vamos voltar para casa, não sei se aponto para o norte ou para o sul, algum dia você estranha e tardiamente irá se lembrar, o Espírito disse às nossas almas que certos lugares são inacessíveis, minha cética e teimosa alma negou-se a crer, sua crédula e alma boba acreditou e se distanciou, o Espírito ordenou ao Tormento que se oposse em meu caminho, estávamos em frequentes combates, o Espírito lhe concedeu falso conforto através dos pobres de alma, aqueles lugares proibidos traziam consigo mistérios e segredos milenares, esses segredos ocultos conquistados após a derrota do Tormento deram-me a receita e ensinaram-me a matar o Espírito que doma o seu manso coração, eu o matei, agora estou num novo cenário sombrio onde o antagonista é o poderoso sucessor do Espírito, "o Distância", o Distância é um astuto demônio que derrotou diversos guerreiros mitológicos, ele venceu Poseidon manipulando a Deusa ateniense, agora ele quer vencer-me para vingar a morte do seu mestre Espírito, mas a minha força oculta e minha arma mais poderosa está aí contigo, você está numa outra estação, contemplando o céu os céus e o inferno e eu aqui do outro lado curando-me das chagas que adquiri no duro combate com o Distância, estou escondido para que as feridas que adquiri nesse combate se cicatrizem, e para quem esperava um final feliz, caiam em pranto, pois o Distância me encontrou, me rendi e um golpe mortal foi desferido, o Distância fardava uma armadura forjada de prata e carvão, em sua cabeça um elmo dourado, era um cavalheiro de baixa estatura e pele alva, enquanto eu agonizava esperando a morte chegar, esse guerreiro retirou seu elmo balançando seus lisos cabelos revelando ser uma bela mulher:

- Lhe darei o golpe de misericórdia, eu mulher sou seu ponto fraco, receba o "cólera da libertação".

Desferiu com sua espada enferrujada um profundo golpe no meu pulmão, o sangue não jorrou para fora, afogou os meus órgãos internos enquanto a doce Distância chorava um rio de lágrimas por minha dolorosa e lenta morte.

domingo, 16 de agosto de 2009

Seres divinos não pecam


Transgredir um preceito religioso dá ao transgressor um fardo chamado pecado, na conotação bíblica de fundo etimológico em seu idioma original pecar significa errar o alvo.

Crer naquilo que não se pode ver caracteriza a fé, fé é a adesão absoluta à um crença espiritual é a crença incontestável ao sobrenatural, certa metáfora bíblica classifica como bem-aventurado aqueles que acreditam em algo sem comprovação evidente, isso é a fé, algo que transpassa o empirismo humano, o injustificável, desprendido de análises científicas.

Episódios recentes alienaram-me, ensinaram-me a crer no sobre natural de modo absoluto, logo eu que sempre respeitei a essência implícita daquilo que não foi revelado, eu que não faço julgamento daquilo que foge da natureza humana, livre de intuições e apegos religiosos, o primeiro episódio que evidenciou a existência de fatos que estão fora das leis naturais foi a explosão das pupilas do Mr Tuco ao ver de sua bateria Jimmy Page revelado na Les Paul de Nivas Guerra, Tuco em seu banquinho diante de seus pratos testemunhou a aparição de um ser inexistente no plano terrestre que era concebido pela presente guitarra, os bends representavam os gritos da feliz dor do parto, eu estava lá naquele estúdio sombrio situado nos confins da margem do Cocitos e vi o nascimento do filho de Maria Raimunda, aquela criança que saiu da vibração contundente das seis cordas umbilicais impulsionou a gana eufórica de Mr Tuco, enquanto o Nivas tocava sua Maria Raimunda com acordes e trinados insinuantes, Tuco George cadenciava de modo agressivo a regência percussiva, provocando com seu bumbo plástico a sensação de frenesi absoluto no poderoso rock zeppeliano, no fim de tudo isso a calmaria baixou no compacto ambiente e comprovou a existência de fatos sobre naturais.

Outro fato sobre natural foi a mística magia noturna presente em uma mulher que é perseguida pelos invejosos inquisidores que a condenam por sustentar a suposta heresia de ser um ser dos anjos, os inquisidores em reunião no concílio objetivavam caçar essa bela bruxa, discutiam sobre os atos dessa mulher que emana divindade, apenas 2% dos presentes nessa assembléia absolveram a doce bruxa, portanto, ela foi convocada para julgamento a fim de prestar conta de seus dizeres hereges, caso ela fosse condenada teria a severa sentença de ser queimada em praça pública diante de seus seguidores e admiradores, os amantes da eminente beleza angelical iriam chorar essa perda irreparável.

No dia do julgamento, Ela compareceu no tribunal exibindo a plenitude de sua divindade, a promotora que iria conduzir as acusações à gloriosa moça estava excessivamente ansiosa e tomada por um sentimento de fúria, queria provar a todos a falsidade nos dizeres da famosa bruxa, ela iniciou as acusações tomada por um forte ódio:

- Com que autoridade e em nome de quem você proclama por todos os cantos sua suposta divindade?

A promotora iniciou o processo de acusação de modo sutil, pretendia deixar pro final os argumentos agressivos, entretanto, a autenticidade dos poderes da bruxa dos anjos calou a perseguição de todos os inquisidores presentes:

- Eu venho em meu nome, tenho a autoridade dos anjos, vocês creem na verdade e de modo silencioso desconhecem a essência do que viria ser a mentira, vocês creem na cronologia e no calendário ocidental, mas jamais se perguntaram o que é o tempo, vocês dizem que toda ação gera reação, mas não sabem o que é causa ou efeito, vocês constituem famílias, alimentam sentimentos passionais, mas jamais perguntaram o que é o amor, você nobre mulher, que me questiona e me condena pelas maravilhas dos meus dizeres não consegue ver a trave que está cravada em seu busto, você religiosa me persegue pelo bem que faço ao meu próximo e não vê o mal que te rodeia, assenta-se à roda dos escarnecedores submetendo-se a agressões físicas, vocês todos presentes nesse tribunal alimentam a hipocrisia de canalizarem suas fragilidades para seres fortes, vocês transferem a terceiros a responsabilidade de errarem o alvo, portanto minha gente eu voz digo, dentro da lei de vocês eu já estou absolvida dessa maldita sentença, pois olhem bem pra mim, vejam a beleza manifesta nessa carne que estou encarnada e saibam que os seres divinos não pecam, portanto retiro-me desse tribunal terrestre e irei de encontro aos meus.

Ela levantou-se calmamente, todos presentes ouviam calados, dissolveram-se com as palavras da doce moça, o seu poder divino paralisou os presentes, presentes esses que apenas assistiram ela saindo daquele ambiente acompanhada de si mesmo e de sua inerente glória, após sua saída todos os que presenciaram tal episódio retornaram a si maravilhados com tamanha preeminência, nesse dia vi a ação divina de um ser, não posso mais ser chamado de cético, pois vi o sobrenatural.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O estranho reconhecimento


Dizem que os bêbados são verdadeiros em suas palavras, um determinado rival, um certo adversário, compartilhava de um mesmo ambiente festivo que eu, estávamos bebendo na mesma mesa e nesse dia ele ofendeu-me agressivamente por questões que não vêm ao caso, e curiosamente nesse dia, mesmo ele se opondo a mim, o "miserável" fez questão de enumerar e dar destaque ao meu talento com jogador de futebol, no meu blog nunca mencionei as minhas aptidões como boleiro, talento atípico que desenvolvi com duros treinamentos ministrado pelo meu irmão mais velho, porém esse recente episódio que envolveu esse bêbado revoltado obrigou-me a verbalizar de modo mais apropriado as palavras de louvor que ele atribuiu as minhas característcas nos gramados e nas quadras, segue portanto de modo mais retórico o que esse belo homem me disse:

"Correia Bluesman dispõe de uma técnica apurada, ele soma sutileza com agressividade, é detentor de uma elegância similar a de Ademir da guia. Tem a serenidade e a astúcia de um zagueiro sacana, malandro, seguro e convicto com a bola no chão, dribles curtos, lentos e desconcertantes. Regula e tranquiliza a saída de bola. A sua cadência envolvente desmancha o marcador. Não é um artilheiro, mas o seu arremate é venenoso. Zidane, Alex dentre outros são tão engenhosos e de fino trato quanto ele, decisivo com suas cortantes estratégias e ligeiras catimbas, um volúpio mago da bola".

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Eu amo esse camarada

Que todos me perdoem e podem me considerar um blasfemo por referir-me a Ele, a Buddy Guy, o melhor guitarrista dos universos paralelos.

Homem de guitarra preponderante e arrogante, virtuosismo incalculável, há eternidade na sustentação de seus bends, tênue, explosivo na progressão mentirosamente ascendente que decai em sentimento verbalizado na sua preta de bolinhas. um guitar player que ensina a essência do ser amante no palco que o revela, que mostra e se mostra, um monstro, devora o tempo em ação; ação de um vocal tenebroso, esse cabra é bom, cabra da peste, misericordioso e fraterno para com seu público, Buddy Generoso. Pilantra, tem sempre uma carta na manga, confiem em Buddy Guy.

No show chega e não tem hora pra parar, se lhe recair a palavra e lhe sobrevir o clamor, ele lá estará entoando o lamento, estará vibrando, ecoa a comemoração sem saber que o fim está próximo, Buddy não é cronológico, ouve o ruído do relógio de areia e o observa.

Aparição impactante, aparições impactantes, é necessário ser político e respeitar as palavras que saem de sua guitarra, pois se elas caírem no esquecimento e forem desrespeitadas com palavras torpes, Buddy Guy aparecerá como um ladrão da noite e surpreenderá a todos, aparecerá diante da black sweety little angel acompanhada de seu demônio.

Buddy Guy eu vi, o xero viu o seu cheiro, Buddy we love you.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

A big-legged woman ain't got no soul.

Misericordiosa, piedosa, move-se para os seus não moverem-se a perdição.

Invado seu castelo inesperadamente, ela manda-me subir, é como se estivesse no vale das bruxas, um vale arejado onde o vento não sopra, lá não encontro os meus bens esquecidos.

Ela é a luz para os bonzinhos, ela condiciona-se a fofura do menininho.

É a senhora maldade, alimenta a escuridão que não me pertence, pelo menos não deveria ser direcionada a mim.

É a senhora luz, leva luz a quem precisa.

Amaldiçoa os que desafiam o perigo, suas maldições refletem em si, os vilões que duelam com o mal e contra os maus rebatem os encantos da principiante bruxa.

Uma bela bruxa, imperou com várias cores de cabelo, detém certo desequilíbrio mental que deteriora o meio ambiente, perfeita em cálculos, é cénica, não é cínica, no executivo pode ser prefeita, ou uma perfeita presidenta, mas isso, só no futuro quando desvincular-se do desgoverno temperamental, afinal os grandes chefes estatais são brandos, eles machucam em tom tênue, palavras torpes e chulas aparecem em tom figurativo nunca em sinal de nervosismo.

Ela não tem alma, ela tem pernas, que pernas meu Deus!

Afugenta-se na estupidez alheia, bem próxima de seu travesseiro.

Moça delgada em seus desvios imprecisos e talvez desnecessários, afinal isso sim é vencer a luta vã.

Tenham-na como campeã, pois a força de sua respiração é a justificativa dessas eternas referências, essa mulé incita a questão do "eterno ou o não dá", pois os caracteres que justificam o "não dá" são solúveis, já os componentes que contribuem para "o eterno" são rígidos.
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Não fujo dessa maga mística do Piauí, desconheço a covardia, não esquivo-me dessa boa moça, pois sei do bem que faço e do mal que ela me faz, mas como estou do lado do mal posso fazer um bem para essa que está má e que é má, meu bem.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Caminhos de uma motocicleta sem setas.

O sistema está em constante variação, a incapacidade de prever declínios e contratempos futuros sugere que se tenha sempre uma carta na manga, ter um plano B, afinal, as oscilações humanas contribuem para o desandamento de planos e projetos, se há tempo hábil para retificar os erros cometidos no desenvolvimento de tais intentos, corra contra o tempo para honrar com os compromissos assumidos, considerando isso e sapiente do caótico trânsito de São Paulo uma motocicleta seria de grande utilidade por sua mobilidade e rapidez, e foi a rapidez de uma motocicleta sem setas que possibilitou que reparássemos dentro de um intervalo curto de tempo os danos causados nos atuais empreendimentos.

Por rodovias, avenidas, ruas, vielas e até mesmo em becos sem saída, encontramos destroços passionais, vimos o refugo do desconsolo, deparamos com a consolação etílica, novas faces, umas de fácil entendimento, outras de face difícil, projetamos os impasses do viver de modo ativo, a cada face visitada um encontro diferente, bons e maus, na rua da tristeza derrapamos na felicidade da feliz, na radiante avenida iluminada colidimos com a amargura da indecisa, fomos alcançados e ultrapassados pela destreza das estradeiras de plantão e assim mantivemos velocidade equivalente, nos becos éramos acuados pela obscuridade, mas o farol aceso revelava que aquela escuridão era falsa e assim prosseguíamos rumo ao alvo, assimilávamos cada caminho, cada endereço, o mapa dos algures estava anexado na mente, muitos foram os pontos de referência, no fim dessa rota houve um ligeiro ar de hipnose promovido pela arquitetura vegetariana, a flora manifesta nas paredes conduzia olhares, a ilusória hostilidade fora justificada por timidez e mesmo inadepto aos místicos ares que rondava aquele cerco, fui enganado pelo sorriso maligno, esse sorriso driblou as tropas de defesa, confundiu as sentinelas da madrugada, habilmente infiltrou-se em minha fortaleza e de modo solene aplicou o golpe de misericórdia no imponente Rei, foi um impiedoso xeque mate, esse sorriso extinguiu com o aparato do nobre rei e saiu vitorioso desse duelo desleal, no final desse "genjutsu" prossegui para o próximo endereço sangrando a face, assimilando a sujeição anterior causada pela menina das meninas.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Eu a chamo de menina


O baterista da "Traditional Jazz Band" fez uma referência ao jazz perfeitamente cabível dizendo que 98% das letras jazzeiras dispõem de palavras como "baby", "darling" e "women", essa é a prova de que um jazzeiro é intensamente linkado e viciado na figura "mulher" (De fato os jazzeiros são viciados nelas).

Uma amiga disse-me que as grandes composições poéticas e as grandiosas canções são referências à mulher, é a prova da causa e efeito que as mulheres submetem os homens, isso no blues pode ser posto num sentido literal (verdadeiramente um bluesman não pensa em nada que não vá levar à elas).

Um amigo meu artista plástico, autor, ator, figurinista, não conhecia grandes nomes do blues, em função disso eu o apresentei grandes músicos como Robert Johnson, Muddy Waters, Sonny Boy Williamson, Jonh Lee Hoocker, Son House dentre outros mestres, em uma semana ele disse-me: "Meu caro, afaste-me disso que você chama de blues ou eu irei me tornar um verdadeiro heterossexual, amante incondicional do ser feminino, que letras maravilhosas e extremamente - surpreendentemente bem feitas em sua construção, quisera eu entender o poder que essas mulheres exercem sobre vocês homens do blues, definitivamente tenho que creditar à elas o mérito dessas maravilhosas composições".

Eu compus um blues para uma moça e essa canção está em plena difusão no nosso meio, e esses conceitos me veio à memória por ter me encontrado com ela ontem e entender através de seus olhos os porquês que me inspiraram a criar essa grandiosa música, entendi o poder que uma moça especial pode causar no lado artísitco de um jazzeiro, conforme é dito no meio dos diplomatas do blues: "precisamos delas em nossas canções", por mais que as letras agreguem valores políticos ou manifestantes, saibam que sempre há uma mulher por trás que move a revolução do compositor do blues.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Criança vingativa

A artéria pulsante proclama o desejo, um desejo que jamais existiu, foi apenas um gesto de vingança infantil, brincadeiras indevidas.

Não busque a desforra através de um ser alheio aos seus desvarios, busque sim naquele que te entortou, vingue-se sim, mas não vitime o inocente em troca de satisfação vingativa, afinal no final tudo volta a ser como era, mesmo com a vingança instituída a insolência passiva é retomada e maquiada pela inexplicável obsessão mútua de ambos personagens, personagens compostos por igualdades, eles são iguais em seus vergonhosos desejos implícitos, eles gritam internamente e mostram-se incapazes de se desprenderem pela eminente compatibilidade, magoam-se desnecessariamente pois a quentura da paixão resfria-se pelos ventos novos que sopram em seus novos e curiosos semblantes, em sumo crescimento deslumbram-se e machucam petulantemente os seus verdadeiros parceiros, escondem, mas, mostram que o amor está alí revelado na tolerância dos pecados cometidos entre si, sempre se perdoando em respeito à bela infância vivida juntos, carregada de risos e configurada por desrepeito que é humanamente compreensível e naturalmente condenado, o valor de tudo isso está na liberdade arbitrária que é judicial e divinamente lícita, então para nós que estamos de fora eles nos dizem "malmequer", eles se aquecem nesse inverno e que tudo mais vá para o inferno, principalmente aquele que fora vítima dessa linda vingança urbana.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

She shook me all night long!

Fomos impulsionados pelo sentimento verbalizado na harmônica blues regida pela excelente banda que comandava o grandioso show no centro cultural São Paulo, as injeções de ânimo que recebíamos gradualmente no decorrer do show nos obrigaram a ingerir cada nota daquele show de modo minucioso, com isso, fomos abastecer o refrão que envolvia o bom funcionamento cerebral com chops e tequilas, desse modo, instaurou-se uma paixão desenfreada, difusa e essencialmente mútua, esse desejo compulsivo que me envolvia e que consumia a minha nobre acompanhante nos teletransportou do bar para o táxi, do táxi para a hidromassagem, na margem da hidro o nosso combustível estava presente ostentando os seu 12 anos de cultivo, a trilha sonora do ambiente era propagada pela guitarra de Angus Young e liderada pelo vocal de Ian Gilan, um clima altamente fervoroso e tenebroso, tamanha foi a força da união dos flamejantes corpos que as paredes tremiam, o universo tremia, o firmamento tremia. Tremiam! She shook me all night long!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Janelas de Adeus


Chinesa, em seu globo ocular se formava o sonho, o verão, a flora, poluição com cheiro de liberdade.

Colombiana, contagiada pelos arranha-céus, humedecida pela garoa, colore a metrópole acinzentada.

Inglesa, o fervor do sol do meio dia tingia o rubor em sua alvura, impactante na transposição do seu par de jóias azuis.

Indiana, misticamente hipnótica, confunde a sofisticação de modo exótico.

Argentina, hermana má, imponente em solo vizinho, os vizinhos agradecem.

Welcome to Brazil.

No mercado municipal. Chinesa seduzida por nossas especiarias.

No bar do corisco. Colombiana mostra a "caliência" latina.

Na esquina do samba. Inglesa acanhada por falta de swing, grandiosa por excesso de esplendor.

Na estação do metrô. Indiana incita super lotação num mesmo vagão, o poder da atração.

No Parque Antárctica. Argentina vestida de Boca, deixa palmeirenses de boca aberta.

Façam como elas, descubram por si mesmo que a terra é redonda, mas cuidem para não se perderem na imensidão desse planeta, vos digo, a hora do adeus pode ser fatal.

sábado, 9 de maio de 2009

33 horas de olhos abertos ( The Vision never die )

De pé as 5h, concebendo the New Orleans songs before sunrise, despertei cedo em razão da inquietação cardio-respiratória causada pelas aparições da moça de natureza bucólica em meus turbulentos sonhos, e no momento de sua fuga, esse sonho tomou forma de pesadelo e com isso a continuidade do meu sono fora rompida. Já de pé perambulando pela casa, projeto um belo roteiro com vários níveis de entretenimento a fim de cativar e ter um "dia gentil" com a personagem dos sonhos em sua forma real, todavia, foi um esforço vão, ela recusou esse nobre convite, e de modo irredutível ela fez-me vítima de um desprezo eminente, contudo, utilizei do clima matinal para retomar minhas atividades físicas que a muito tempo não fazia.

Altas doses de um bom e velho bourbon, fizeram-me desviar de rota assim que saí do centro cultural Fiesp av Paulista, o relógio marcava 22h, eu deveria voltar pra casa para passar as músicas que seriam executadas no ensaio do dia seguinte, ensaio que começaria as 7h e sem horário para terminar, eu porém movido pelo estado etílico aproveitei o ensejo para rever alguns amigos da noite que trabalham na região do Paraíso, e nessa longa interação lembrei-me repentinamente de uma moça que foi um dos meus grandes affair, bela mulher e grande amiga, eu havia lhe suprimido de minhas lembranças por estarmos em pólos distintos, embora fôssemos extremamente compatíveis, seguimos estradas diferentes; eu estava a poucos metros de sua residência no bairro do Paraíso, celular descarregado, comprei um cartão telefônico, porém cético quanto a sua presença em casa, afinal era uma agradável sexta-feira noturna , eram 23h, ela deveria estar saindo da faculdade rumo aos botecos da noite paulistana, porém ignorei minha presunção e liguei em seu celular:


-Hello Baby!

-Quem fala?

-É o seu mestre, onde você está?

-Nossa! A quanto tempo Ronald, eu estou em casa, de pijama, pronta para dormir.

-Estava com saudades desse seu "Ronald", tire esse pijama, coloque uma roupa bem sensual, que eu passarei em sua casa para tomarmos várias tequilas lá na rua Vergueiro, naquele bar onde eu e você costumávamos interagir de modo maligno para com os frágeis...

-Sim claro, naquele bar onde você me fez passar tanta vergonha, bons tempos! Porém, não poderei estender muito, terei aula de inglês amanhã as 7h.

-Se liga mulé, eu também tenho compromisso amanhã, 7h, esse sim é um compromisso inadiável e se o caso for e certamente será, você vai direto pra aula fedendo a cigarro e eu pro ensaio bêbado, afinal tocar embriagado é mais produtivo.

-Então tá, estou te esperando.

-Tô chegando.

O clima romântico proposto pelo cenário da região de sua casa, sugeriu que fôssemos a pé de sua casa até o bar, não obstante a dificuldade de estacionar na rua Vergueiro; seguimos rumo ao bar como um par harmônico, ela entrelaçava o seu braço entre o meu, temerosa no trecho deserto e sombrio de sua rua, contudo, o meu olhar hostil, minha barba consistente e negra somados com o meu sobretudo verde repeliam os assaltantes em potencial, a mocinha de beleza oriental estava em absoluta proteção e repousava em meus braços tranquilamente.

Um reencontro marcante, visto que ambos sofreram transformações notórias, os seus lisos cabelos curtos e tingidos cresceram e assumiram seu tom original, seu corpinho frágil surpreendentemente adquiriu vultosidade distribuída que gerava cobiça e atração física, eu 5 quilos mais pesado, absolutamente careca e barbudo o que também produzia uma extravagância atrativa. As mudanças não permaneceram nos valores estéticos, ela em sua nova área profissional adquiriu grande crescimento intelectual o que lhe propiciou uma visível evolução em seu comportamento, portanto, a sintonia que havia entre nós multiplicou-se consideravelmente.

Conforme o previsto, o temas e conspirações eram tantos que as inúmeras garrafas de cerveja não foram suficientes para ampliar o nosso humor, logo, apelamos para as diminutas doses de tequila acompanhadas de uísque irlandês, e nesse ritmo de estrago, nós expomos os amores mal vividos no decorrer desse longo tempo em que não nos víamos, e sintaticamente chegamos no consenso de que a flora está à nossa disposição com sua fauna abrangente e de que somos dois animais irracionais que gostam do estrago, por isso, procedemos de tal maneira.

No final dessa bela interação, que infelizmente fora interrompida em virtude dos nossos compromissos, afinal já era 6h e ambos tínhamos obrigações inadiáveis, eu a conduzi até sua casa, guiado pela luz da lua que se despedia para a entrada da luz do sol, nos despedimos com ar de "quero bis" episódio que certamente será repetido inúmeras vezes.

Do Paraíso direto para a Vila Yara, lugar do estúdio de gravação, todos os membros da banda esbanjando empolgação e disposição, curiosamente eu estava com vigor superior ao de todos, a adrenalina promovida pela dócil mestiça foi o combustível para eu aguentar altas horas de ensaio regado de muita cerveja e shuffles virulentos.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

37 horas de olhos abertos ( A visão nunca Morre )

Um belo ponto de partida foi a confraternização entre familiares num buffet na rodovia do amor, com todos meus irmãos, sobrinhos, pai e mãe, tios, primos, cunhados e cunhadas, amigos, todos presentes; essa confraternização serviu de preparação para a maratona que estava por vir, uma maratona recheada de loucos, amantes da música, de revolucionários insanos, de artistas intransponíveis, de meninos e meninas, velhos e novos, católicos e protestantes...

No final desse festejo familiar eu juntamente com meus irmãos e amigos migramos para o centro da maior metrópole da América do Sul, fomos prestigiar um evento peculiar que reúne em si legiões de demônios, poluição, ares de arte e amor, a essência da cultura, longas horas de pura efusão com o sobrenatural, porém essa visão crua e super-humana só seria possível para os detentores de espírito hábil; evento grandioso, capaz de atrair todas as possíveis facetas desse planeta, atende desde o pobres de coração ao ricos de espírito, tímidos e lascivos, "gênios e degenerados", um verdadeiro cortejo a cultura, um tapa na cara da limitação.

Vários segmentos artísticos disseminados por todos os cantos e altitudes da cidade, no espetáculo do Camelo destacou-se a resposta do público, a retumbância do Senhor Eliézio o regente da grande multidão, mulheres em nossos ombros gritando "assim é que se faz", cerveja caindo do céu e refrescando os sedentos, o swing da guitarra, da vida doce, e o "pois é" que torturava os corações não correspondidos, os presente nesse show foram além do que se vê.

A gana revolucionária sempre surje nesses ambientes, e o senhor Baleiro manifestou sua indignação ocultamente em suas grandiosas canções, a mensagem direta e conotativa de sua música hackeou o cérebro dos obtusos e o brado da galera corou sua bela apresentação.

Uma grande festa que fora encerrada de modo digno, a Deusa de pernas torneadas foi quem nos concedeu esse belo desfecho, com ultraje iluminado condizente ao seu brilho no palco, a simplicidade de sua interação com o público contrastava com o seu poderoso vocal e gingado, a disciplinada banda harmonizara o belo cantar da filha da rainha, sim, um belo desfecho.

Congratulo portanto os presentes nessa virada!

sábado, 25 de abril de 2009

Boca, queima feito fogo

Aterrorizante é a guerra estética travada entre mulheres, sempre foi assim desde épocas mitológicas, elas se envenenam através de elogios dissimulados, essa luta militar de vaidade cosmética é composta por armamento ornamental, creme hidratante, roupas sensuais, batons ditam o tom dessa batalha, elas se tragam e dizimam-se com a própria beleza.

Nesse duelo sangrenta são as batalhas, a diversidade de atributos estéticos é infinda, cada integrante dessa guerra dispõe de suas armas peculiares. Em guerras entre nações, a nação que dispõe de melhor recurso militar sempre vence, já nesse combate da soberba feminina a pequena menina de boca bordada tem em mãos a "bomba atômica" para acabar com essa batalha milenar, uma boca que queima feito fogo

domingo, 19 de abril de 2009

Bar do Corisco

Se você quiser vir aqui pra tomar uma pinga e fumar um cigarro solto será bem vindo!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Child

Hoje na reunião pedagógica de pais e mestres do meu filho-irmão, senti as distintas realidades de cada criança em seu seio familiar, o tema abordado na reunião de hoje foi a violência no ambiente escolar, foram dado vários exemplos de ocorrências criminosas dentro do ambiente escolar promovido por adolescentes de 14 a 15 anos, cada pai ali presente compartilhou de suas experiências similares ao tema com o professor que regia a reunião, avaliei cada fato isoladamente e vi as inúmeras dificuldades de aprendizado que os alunos encontram pela carência de boas influências dentro de sua dura realidade social, nesse ponto vi o quão privilegiado fui no meu período de infância e adolescência, isso deve-se ao meu estável padrão familiar, vejam, tenho um irmão 8 anos mais velho do que eu, que foi e é uma boa referência para mim, sempre me espelhei em suas ações, um exemplo de ser-humano, meu ídolo, tenho duas irmãs mais velhas que exerceram e exercem bem o papel de irmãs, e por serem mais velhas me isentam da responsabilidade de protegê-las e de sentimentos de ciúme, tenho um irmão dois anos mais novo que eu, irmão este que compartilha de anseios comuns ao meus, desde o mesmo time de futebol a preferências musicais a conceitos de moral, isso faz com que vivenciamos os mesmos ambientes, e como se não bastasse ainda tenho um irmãozinho que vejo como um filho, uma noite longe dele já me deixa saudoso.


Nessa referida reunião de pais, lamentei por ver o poder que o meio exerce na formação das crianças, muitos talentos são desperdiçados em virtude das más influências encontradas em meios sociais , vi crianças se empolgarem com a violência e se estimarem com ações maldosas, isso em razão do triste meio social que estas crianças compõem, lamentei sobretudo ao comparar essas crianças com dificuldades ao meu irmãozinho, meu irmão goza da vantagem de ter bons pais e 5 irmãos preocupados com sua formação pessoal e profissional, uma criança com valores altruístas adquirido através dos pais e ao mesmo tempo esperta em função dos ensinamento de seus irmãos mais velhos, isso portanto, facilita o aprendizado dele, com isso, é triste ver crianças promissoras se perderem no aprendizado e seguirem um caminho espinhoso por não terem estrutura familiar para seguir um caminho de realização.

Assim com dizia o sábio professor Girafales, as crianças são o futuro da nação, são eles que irão representar-nos no futuro.

terça-feira, 14 de abril de 2009

O eterno ou o não dá.



Dizem por aí que o Diabo é o criador do inferno, o promotor do mal sobre este mundo tenebroso, dizem até que o pai das luzes criou o mal. Belzebu, líder das potestades do ar, condutor dos anjos decaídos não dispõe de envergadura moral e preponderância suficiente para tamanha façanha, esse referido Satanás que interage confundindo os sábios, é tão criatura quanto nós humanos limitados, ele é proveniente de uma força maior, ele advém de uma onipotência superior, assim como o Rock provém do Blues, Lúcifer advém de um criador supremo, haja visto que o Blues "É" o resto é decorrência, bem como O Eterno, O Eterno não tem início nem tão pouco fim.


Tão desprendido de conceitos teológicos, ligo o empoeirado e rústico tocador de vinil e me perco na comum prática de pensar na mulher que um dia tive ao som de ''Me and Devil" de Robert Johnson, arrisco acompanhá-lo na minha harmônica desafinada, numa profunda consolação etil, movido pelo acorde atemporal de Mr Johnson, recordo-me das pernas vultosas, das feridas que ela deixava em meus lábios, do meu clamor por mais 10 minutos, mas ela era irredutível.

Recordações aleatórias que sobrevém na suma embriaguês, com isso driblo a lucidez e numa simples ingestão antecipo o são.

sábado, 11 de abril de 2009

Índia com doces em seu olhar


Já num estágio etílico elevado

Cabeça envenenada, muito ACDC

Conduzido e condutor de tantas "emboladas"

Em plena efusão com os "Lords e Ladis" Correias

As sucessões de poesias nordestinas ditavam o ritmo

Assim surgem grandes contribuintes da neologia

Surgiram sim!

Mas o grande surgimento da noite, deve-se a repentina aparição da doce moça dos doces

Ela fitou todos, todas

Silêncio automático, necessário para uma contemplação apropriada

Malevolente ela pouco ficou, se foi

Isso lá é bom?



sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

As guloseimas angelicais

Olhar que pede suco de uva no canudinho, o amargo desse lúpolu não tem a suavidade da uva.
Chocolate branco e preto, e não se esqueçam da salada de frutas com leite condensado.
Aqui tem chiclete de tutti frutti para todos, alguém quer?
O que você quiser eu compro para ti, só não me peça whyski, eles são muito caros.

Eu não quero cerveja, eu quero melancia (odeio cerveja, amarga)
A minha bolsa é uma loja de doces, é estranho eu não ser gorda!
será que o tiozinho do churros ainda está na praça?
Eu quero com muito doce de leite!

Não seus bobos, churros não são enjoativos
São uma delícia deliciosa, mas hoje eu quero um pastel de queijo
E lá vem ela com um pacotão de salgadinhos, você quer tantan?
Estou cansada do serrrviço, vou descansar

O gingado é negado, mas é promissor, comprovei no semba do Baleiro
Por fim ela olha e oferece suco de maracujá
hum! Está tão saboroso.
Preciso dessa calma.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Palmeirense sim, Mancha Verde Nunca!

É invejável ouvir Jonas um senhor de 63 anos dizendo: Rapaz, essa sua camisa é linda! Esse verde escuro da década de oitenta era ostentado pelo mestre Ademir da guia, era maravilhoso ir ao Palestra Itália em meados dos anos 70 e ver Leivinha, Pelé, eu nas arquibancadas com meus amigos corinthianos, saopaulinos, santitas, flamenguistas, todos juntos apreciando a arte que é o futebol, apreciando o futebol arte, eu era presente em todos os jogos do verdão, mas hoje meu jovem, não posso mais ir aos estádios de futebol, apreciar essa arte que tanto admiro, isso hoje não é possível para mim em função da ação dos baderneiros de plantão, que vão aos estádios em busca da violência.

Por mais que digam que o futebol é o ópio do povo, saibam que o único fenômeno capaz de unificar e parar o mundo, parar todas as instituições, igrejas, empresas, dentre outros é o futebol, o efeito que ele causa é sobrenatural, nem todos os esportes reunidos num mesmo evento é capaz de repercutir tanto quanto o futebol, ele é tão poderoso que afeta até os inadeptos, afinal todos mesmo de modo leigo tem um time de coração, portanto, por mais desdenhado que seja a arte de chutar a bola, o senso comum que o futebol gera é digno de respeito.

Existem aqueles torcedores mais "modernos", que se filiam a facções nomeadas por "torcida organizada", é bacana ver os estádios enfeitados, todos cantando e incentivando o time, um verdadeiro espetáculo, espetáculo esse regido pelas torcidas organizadas, contudo, vale ressaltar que essas referidas "torcidas organizadas", na verdade são facções criminosas, difusores da violência nos estádios, são eles que afastam pessoas de bem dos estádios, como o senhor Jonas, são essas facções que impedem as famílias de acompanhar seu time nos estádios, eles são empresas que comercializam seus produtos com o escudo do respectivo clube, agregam na sua grande maioria jovens alienados que se deslumbram com a ridícula incisão dos líderes de torcida, o clube é apenas um veículo para a difusão de suas ideologias bárbaries, são eles que deixam as mães preocupadas quando seus filhos vão aos estádios.

É triste ver o lamento e o saudosismo dos veteranos do futebol, relembrando como era bom ir ao estádio acompanhado da esposa, dos filhos, todas as torcidas juntas, unidas, contemplando o espetáculo, good times!

É lastimável ver jovens incentivando esse maldito vírus (Torcida Organizada) que contaminou o nosso futebol atual.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Blues with a feeling

A linha de composição do BLUES é essencialmente elementar, é sempre uma mensagem direta que é própria do blues, os sentimentos expressos nas letras são extremamente emotivos e minimalistas, talvez se o relacionamento humano seguisse o raciocínio da composição bluseira certamente o envolvimento seria mais promissor.

I can't quit you, baby
I Can't Quit You, Baby, so I'm gonna put you down for a while. X2
Said you messed up my happy home, Made me mistreat my only child.

Said you know I love you, baby, my love for you I could never hide. X2
Oh, when I feel you near me little girl, I know you are my one desire.

When you hear me moaning and groaning, you know it hurts me deep down inside. X2
Oh, when you hear me... You know you're my one desire. Yes, you are.

"Girl of castle"
Little girl, here I am !
Without know, you are smiling.
With such smile, you don't hurt me.

You stop to smile.
And then, began my tears.
You was vanishing and back.

You are back and smile again.
Smile with murderer intention
You're back to stay !

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Quem disse que árabe não mexe com carneiro?



Raimundo Nonato está cansado do misticismo do judaísmo, eles negam, mas a literatura hebraica deles revela.

Ele bradou na recepção do hotel: Busquei refúgio espiritual no cristianismo, iria levar uma vida ortodoxa, mas nesse meio existe um forte conceito de comercialização, fato que já fora em épocas antigas descoberto nos subterrâneos do Vaticano, quis encontrar paz nas reuniões budistas, repousar na virtude de Buda, contudo, os mecanismos de suas rezas me causam inflamações em meus tendões, a igreja de R.R.Soares fala muito no pai das luzes, Lúcifer, um inimigo presente na congregação, eles têm que contratar uma nova equipe de segurança, pois a atual não consegue barrar as presenças indesejadas, Satanás é um deles, presente em todos os cultos.

Nas rodas de capoeira, havia certo baiano que propagava as maravilhas de oxum, mas Nonato se esquivava, pois o pai de santo é irmão do padre da paróquia local, eles alternavam nos rituais e nas missas, a opção do Islamismo difuso no Alcorão era estudada por Raimundo Nonato, mas os cordeiros que são sacrificados em nome de Alá são contra o amor que ele tem pelos animaizinhos, quando ele soube dessa prática ele gritou com profunda indginação: Quem disse que árabe não mexe com carneiro?

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Cadê a idéia própria?

O desejo do adolescente por uma suposta intelectualidade, de certa maneira sufoca a sua capacidade de criar, de desenvolver a própria arte, adolescentes com boas tendências são influenciados por adultos renomados, adultos consagrados por suas obras, quer sejam elas musicais, esportivas, revolucionárias, etc, esses adolescentes, buscam o reflexo positivo transmitido por um ídolo, seja ele um grande líder político, escritor, compositor; e isso é um ponto positivo, útil por produzir essa boa influência, contudo, o poder dessa boa influência produz no adolescente um efeito tão grande que esse novo conceito adquirido é tomado por um fanatismo exacerbado, onde todas as suas ações e manifestações públicas são calcadas nesse novo aprendizado, é um sintoma típico em adolescentes bem intencionados, porém, o lado negativo dessa realidade é que parte desses "jovens discípulos" se esquecem da própria personalidade, tudo que é expresso por esses adolescentes é sempre frase de algum poeta consagrado, de uma figura histórica, ou trecho de alguma música marcante, isso também é percebido em páginas na internet, onde a auto descrição desses meninos e meninas é baseada no pensamento dos respectivos ídolos.

Entretanto, existem também, crianças e adolescentes que fogem a essa "regra", estes são fortemente influenciados por bons artistas, no entanto, possuem uma grande aptidão de criação, não são sufocados pela opinião alheia, ainda que sejam marcados por seus ídolos, não permitem que a própria personalidade e a capacidade de criação seja dissolvida, tenham como exemplo Malú Magalhães, uma mocinha de 16 anos de idade, absolutamente talentosa, mesmo rodeada por grandes nomes da música, não se deixa levar por isso, antes, é criadora de seus próprios métodos de composição e idealizações, é difusora das próprias frases, não menciona em seus discursos grandes filósofos, e sim o próprio pensamento, há também uma moça cujo o nome não vem ao caso, que segue o mesmo padrão, enquanto seus amigos buscam escritores modernistas famosos, ela busca o improvável, enquanto eles estudam guitarra, contrabaixo e bateria, ela procura um professor que leciona harpa.

Crianças e adolescentes também são formadores de idéias, criadores de novos métodos e valores, onde está escrito que só os adultos são capazes de criar?

domingo, 4 de janeiro de 2009

Drumembêis

Haviam rigorosamente 14 nordestinos, 7 piauienses, 2 maranhenses e 5 pernambucanos, mais precisamente 7 homens e 7 mulheres, essa reunião era para receber com boas vindas Manelão Pereira em São Paulo, Manelão é um senhor de 69 anos, natural da cidade de Pajeú-PI, Manelão é famoso pelas suas fantásticas fábulas, pelo seu "EU" caricato, pelos seus contos mirabolantes e principalmente por suas ações comediantes, uma verdadeira lenda no estado do Piauí.

Esses 14 amigos que estavam a espera de Manelão, não o viam a 7 anos, eu era o único neste ambiente festivo que não conhecia esse lendário Senhor, quando ele finalmente apareceu, foi uma verdadeiro cortejo a sua pessoa, um alvoroço generalizado, a euforia tomou conta de todos, nesse instante, eu tive a idéia de mover esse clima através da trilha sonora do mestre do baião Luiz Gonzaga, por mais improvável que pudesse parecer, o baião do Gonzagão foi repudiado por todos, inclusive por Manelão, eles se opuseram a essência do forró, falando que Luiz Gonzaga é coisa do passado: "A onda agora é Calipso, Motorzinho dos teclados, pelo amor de Deus seu maluco, tire isso e coloque Calcinha preta, vai logo!" Como se não bastasse, minutos depois chegaram mais 13 parentes de Manelão, todos por volta dos 22 anos de idade, esses rapazes, complementaram o escárnio e o desrespeito ao rei do forró, todos fãs incondicionais de música eletrônica, sustentando a idéia de que o forró é som pra velho, e que a modernidade requer algo mais forte que o forró, esses jovens nordestinos se envergonham de suas raízes e ostetam orgulhosamente o suposto status gerado pelos holofotes das raves européias ingetadas no Brasil.

A música "Drumembêis", composição de Zeca Baleiro, demonstra bem essa triste realidade, os nordestinos desconsiderando suas culturas regionais para impressionar inglês, maravilhados com a sugeira eletrônica que eles audaciosamente chamam de música, eles infelizmente esqueceram da música, eles infelizmente estão entrando na onda do drumembêis, "tá todo mundo apavorando na levada drumembêis".

sábado, 3 de janeiro de 2009

Êxodo indesejado

"Lá não tem muito carro, lá é difícil de morrer gente, é uma cidade pequena, tudo lá é perto, as pessoas lá só morrem de velhice, aqui em são paulo muitas crianças morrem de doença e atropeladas e de bala perdida também, a cidade aqui é muito grande, posso me perder, é bastante perigoso, aqui eles matam crianças, queria voltar pra lá, mas a minha mãe tem um trabalho aqui e não quer voltar". Esse foi o desabafo de uma criança de 9 anos, que deixou sua terra natal situada no interior da Bahia para acompanhar sua mãe em busca de melhores condições em São Paulo.

Esse garoto é vítima da zombaria de seus amiguinhos de escola, as crianças de sua idade ridicularizam esse menino pelo seu sotaque diferente, ele é esnobado por não ter sequer um par de tênis para ir a escola: "Olha lá o baianinho das havaianas", ele é desprezado por não dispor de condições favoráveis iguais a de seus coleguinhas, "credo baiano, você não tem video-game, não tem bicicleta, usa sempre essa mesma roupa... Nos passeios de escola, ele fica de fora por não ter dinheiro para pagar, as outras crianças vão a feiras de ciências e ele fica na rua imaginando como seria essa feira.

Eis as palavras que finalizaram o desabafo desse menino: "Torço para que a minha mãe volte para Itiúba e consiga um trabalho lá, sinto falta dos meus amigos de lá, não gosto daqui, os adultos e crianças olham feio pra mim, tenho medo de todos aqui".

Criança com medo de criança!

É triste ver um bando de paulistas, rockeiros, fãs da banda paulista Ira, cantarem:

"Não quero ver mais essa gente feia
Não quero ver mais os ignorantes
Eu quero ver gente da minha terra
Eu quero ver gente do meu sangue
Pobre São Paulo,Pobre paulista, Oh, Oh
Pobre São Paulo,Pobre paulista, Oh, Oh"

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O mundo em um edifício.

A grande virtude do ambiente hoteleiro é poder confraternizar com a diversidade étnica mundial sem sair do lugar, é possível encontrar povos de todas as regiões do Brasil e do planeta, o que permite entender um pouco da filosofia cultural de cada nação, compreender as noções culturais de vários povos e tribos, interagir com múltiplas personalidades, desde o mais arrogante ao mais humilde, orientais e ocidentais, mulçumanos e cristãos.

Olhando para as localidades brasileiras, é percebido o contraste cultural de região para região, os nordestinos num contexto geral dispõem de um humor contagiante, são altamente amigáveis e flexíveis à situações adversas.

A população da região norte valoriza ferrenhamente as suas culturas regionais, exibem um patriotismo incomum, e se deleitam na beleza natural do nosso país.

No extremo sul do país, existe uma forte influência da cultura mercosul, principalmente da Argentina, e portanto, são os que menos demonstram o calor humano e o swing que é genuinamente brasileiro.

Falar do sudeste requer maior critério, no campo artístico o carioca se assemelha muito ao nordestino, são essencialmente dedicados a tudo que envolve a arte; mineiros e capixabas possuem um estilo bastante ameno em todos os sentidos, não gostam de exibicionismo e carregam um grande ufanismo por sua natalidade. A população interiorana do estado de São Paulo é altamente hospitaleira, talvez tão receptiva quanto os nordestinos; já a cidade de São Paulo por ser uma das maiores metrópoles do mundo, comporta todos esses povos que foram mencionados, é terra de todos, talvez por isso seja a cidade mais desenvolvida do Brasil.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Old love

Sempre há quem olha saudoso para o passado relembrando os bons tempos, lembrando da embriaguez pitoresca, dos múltiplos ambientes inusitados, das conspirações conjuntas com as inspetoras escolares, dos calotes aplicados nos donos de cantina, do grito coletivo das mocinhas nos campeonatos de futsal, do gol perdido na semi-final, dos enquadros da polícia militar, da quebra da ética escolar movida pela complicidade entre aluno e professor, do primeiro solo de blues na harmônica e principalmente daquilo que não fora feito por determinadas insuficiências.

Hoje em dia é comum ver idosos olhando para os dias de sua juventude e dizendo: não tive neles contentamento, carregando a lamentação de não poder voltar para mudar o que fora feito, é terrível ver esses senhores e senhoras ostentarem um enorme desgosto pelos dias da vida que passaram.

Seria de suma importância a juventude em potencial reconhecer o quão valioso é o tempo, cada minuto bem empregado é de grande valor, cada minuto perdido é um grande desperdício, afinal, não se pode retomar o tempo que passou, logo, cada dia que se passa sem cultivar o próprio talento significa perder um pouco da grande identidade que poderia ser representada num futuro.

Jovens que escolherem a estrada errada para seguir nos dias de sua juventude dirão no dia de sua velhice: Não tive contentamento nos dias de minha juventude, lamento por ter me acostumado com a estrada errada que escolhi, meu filho, não siga os passos de seu pai.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Céus e terra passarão

A estimativa de vida do brasileiro de acordo com o IBGE é de 71 anos de vida. Do primeiro ano de vida ao décimo segundo é caracterizado a fase infantil, dos 12 anos aos 17 o período da adolescência, dos 17 em diante restam mais 54 anos para atingir os 71, considerando que uma vida de saúde plena nos tempos atuais é de até no máximo 45 anos, pois dos 46 em diante surge um série de distúrbios orgânicos no corpo humano, o que revela que a fase adulta de saúde plena é de apenas 28 anos.

Esses números variam, é uma estatística relativa, porém eles tendem a diminuir de 71 para 65, o que reduz também a dedução de vida adulta de saúde plena.

O poder do tempo a cada ano se mostra mais devastador, tanto para a humanidade, quanto para o planeta, as catástrofes naturais são a cada ano mais agravantes, e a mortalidade antes da estimativa também, observando essa realidade, mostra o quão frágil é a vida humana, e que para o vento arrebatá-la basta apenas ele passar.

Um pensamento pessimista para ser concebido tão naturalmente, principalmente para os amantes da vida, reconhecer esses conceitos lhe dá a opção de dedicar essa curta vida afim de receber uma recompensa sobrenatural, um prêmio após a morte, ou simplesmente dedicar a vida aquilo que fora revelado, sem prejulgar o sobrenatural, essa segunda opção traz consequências negativas e positivas, positiva por desenvolver no sujeito a gana de preservar impetuosamente essa curta vida, aproveitando o tempo da melhor maneira, pois existe a consciência de que essa vida logo passará, e negativa por entender que logo mais não restará lembranças de tudo o que fora feito no curso dessa vida.

Maldita inspiradora

Patricia Anne Boyd nasceu em 17 de Março de 1944 na Inglaterra. Modelo, atriz e fotógrafa, Pattie é conhecida por ter sido esposa de duas grandes estrelas do rock internacional, George Harrison e Eric Clapton, além de ser inspiração para algumas das músicas mais românticas de todos os tempos. Pattie foi uma modelo de sucesso durante a década de 1960 e 70, aparecendo na capa de várias revistas de moda como a versão britânica e italiana da Vogue.


Depois de conhecer George Harrison durante as filmagens de A Hard Day's Night em 1964, Pattie se casou com George no dia 21 de Janeiro de 1966. Ela foi a inspiração para uma das músicas mais famosas de George Harrison, Something de 1969 que é a segunda música mais regravada da história atrás apenas de Yesterday.

A amizade de Eric Clapton com Harrison o aproximou de Pattie, com quem ele se apaixonou profundamente. Quando ela o recusou, Clapton escreveu a maior parte do álbum Layla and Other Assorted Love Songs de 1970, da banda The Dominos. O grande sucesso Layla foi inspirado em um poema do poeta Nizami Ganjavi chamado "The Story of Layla and Majnun". A história mexeu muito com Clapton, que alimentou seu vício por heroína e quase enlouqueceu por não poder se casar com Boyd. Pattie deixou George por Clapton, com quem se casou em 27 de Março de 1979.

Eric Clapton escreveu "Wonderful Tonight" em 1976, "Pretty Blue Eyes", "Golden Ring", "Never Make You Cry", "Pretty Girl" e inúmeras outras canções para Pattie.

Pattie em 2007 concedeu uma entrevista a um jornal britânico dizendo sentir-se honrada e privilegiada por ter sido a inspiradora de grandes clássicos do rock: "Até hoje quando eu ouço essas canções, fico extremamente arrepiada, sinto como se fosse parte de mim, do meu corpo, da minha alma, me emociono muito com essas maravilhosas canções".

Amantes da música, agradeçam também as musas inspiradoras, se hoje existem e existirão músicas fantásticas, deve-se ao poder da inspiração promovida pela mulher, elas alegram e partem o coração vulnerável, não fosse a doce solidão e o triste contentamento causados pela desgraçada musa inspiradora, certamente a realidade musical seria mais vazia.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Virgens tropicais

A beleza tropical é a beleza que transcende a formosura física, é a beleza que atende a oculta lubricidade, um charme peculiar carregado de veneno, a peçonha proveniente dessa beleza tropical é semelhante a que é proferida pela víbora do jardim do éden (conduz ao "pecado"). O efeito desse veneno é também de essência singular, ele causa um mal-estar emocional, submetendo a vítima a uma abstinência desenfreada, depois de agonizar nessas alucinações o efeito do veneno acaba e juntamente com ele a primeira ilusão, a partir de então surge a decepção, e essa é a pior parte, pior por encontrar uma mulher em pele de menina e depois descobrir que era apenas uma mocinha desabrochando.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Imperialismo norte americano

Semanas atrás, um amigo meu enviou-me um e-mail pedindo-me que enviasse a ele uma frase falando sobre o natal, a abordagem do tema natalino seria essa: O que você faria para deixar o natal com sua cara? Essa pergunta era tema de um concurso promocional de uma determinada empresa, cujo o vencedor ganharia um lep top. No exato instante em que recebi o e-mail com esse pedido, visualizei uma série de frases envolvendo papai noel, guinomos, trenós, um verdadeiro tributo a cultura norte-americana, uma indiferença declarada a cultura brasileira, haja visto que os personagens natalinos são mais "simpáticos" e famosos que as figuras do nosso folclore, um folclore rico, repleto de tradições regionais e impactantes, contudo, vender a figura de papai noel é tão fácil quanto vender coca-cola, apreciar e respirar as cores do natal norte-americano é demasiadamente "elegante", produz um forte status, e é nesse ponto que reside o grande lamento, a desconsideração do povo brasileiro por suas raízes.

Vejam qual foi a frase que envie para o referido concurso: Natal sem sofismas, sem guinomos, sem duendes e sem papai noel, Saci me espere que eu vou já, bumba-meu-boi, meu irmão, no meu natal só tem baião , glórias ao folclore brasileiro! boitatá, curipira e até você caipora o natal já é agora!

Naturalmente, o meu amigo que solicitou-me a frase, repugnou-a incondicionalmente.
Embora, vejo que aos poucos, ao longo dos anos, o brasileiro está de modo evolutivo se desmembrando dessa lenda consumista e imperialista que é o natal desse papai noel "tricolor".

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Águas Lamacentas!

McKinley Morganfield, aquele que introduziu o Blues elétrico.
B.B.King e Buddy Guy hoje são as únicas lendas vivas do Blues, são o nomes que ilustram a vontade do mestre McKinley Morganfield (nome de batismo de Muddy Waters), de conduzir o legado do Blues por todos os cantos do mundo. O nosso lendário slow hand é um dos missionários de Mr Muddy, saibam que Muddy Waters dias antes de morrer incubiu a Eric clapton uma missão, vejam quais foram as palvaras de Clapton: "Perto do final de nosso tempo juntos, Muddy começou a me falar sério sobre levar avante o legado do Blues, chamando-me de filho adotivo, e garanti a ele que faria o meu melhor para honrar essa responsabilidade, era um encargo quase esmagador para assumir plenamente, mas levei-o ao pé da letra, e por mais que esse tipo de coisa seja jocosamente desdenhado hoje em dia, tenho absoluta certeza de que ele falou sério". Muddy Waters um verdadeiro chefe, apadrinhou grandes nomes da música mundial, não irei mencioná-los pois eles não vêm ao caso. Muddy foi a primeira grande celebridade do blues mundial, o mentor e precursor do blues elétrico, o homem que inspirou o rock and roll, o verdadeiro pai do Rock, não obstante a isso, ELE reuniu grandes nomes do Blues, esses sim convém mencionar, Willie dixon, Little Walter, Big Walter Horton, James Cotton, Junior Wells, Buddy Guy, Otis Spann, Pinetop Perkins e essa lista ainda vai longe, formando uma verdadeira big band, o feeling ímpar que reside no som de Muddy waters é concebido de modo pesado e profundo, é um Blues típico de salões esfumaçados que embaçam corpos bêbados, um blues de boteco mal iluminado, um Blues de cabarés, puteiros, casas de prostituição, um Blues que inspira moças strippers, o Blues mais depressivo e animado.
Portanto, lanço um apelo aos amantes do Blues, de levar adiante esse legado, de difundir o Blues pelo Brasil a fora, um apelo aos obstinados bluseiros em pleno país do futebol, façamos esse tributo a Muddy Waters, façamos isso pelo Blues.
Afinal, o Blues É, o resto é decorrência.

ai, que saudades da amélia

Amélia, personagem de Ataulfo Alves e Mário Lago, uma personagem clássica que pode-se considerar uma forte componente do folclore brasileiro, a mística que envolve a famosa amélia é solidificada pelas suas características cronópias, ela simboliza fielmente a mulher brasileira no período antecedente ao pró-feminismo.
A diversidade de efeitos de aprovação e desaprovação causada pela personagem Amélia, tem suas variantes, há aqueles que vêem como um modelo de mulher, com seus adjetivos subservientes, e seu atributos de submissão incondicional, ou os que vêem como um péssimo exemplo de esposa, mulher preguiçosa, conformada com suas limitações, há também a ótica que mostra uma mulher amorosa, altruísta que se compraz em servir e atender os seus queridos entes, uma mulher que se priva para satisfazer o próximo, e é esse modelo de Amélia que melhor ilustra Lúcia Correia, uma Amélia que não tem a menor vaidade e que é uma mulher de verdade!
Parabéns lucinha, pelo seu vigésimo oitavo ano!
Lúcia, nome proveniente da Luz!