quarta-feira, 4 de maio de 2016

Reluzente


 Em terra de arranha céu, banners luminosos, semáforos, leds e lustres monumentais ornamentam a iluminada cidade, em meio a essa eletrecidade há também espaço para a obscuridade, para o lado negro da força.

Forças regem o bom fluxo da cidade à luz da lei, por detrás das cortinas novas forças formam uma cidade à luz da lua. Veja ali a função naquele beco, a garrafa de vinho seco passa de mão em mão em torno de uma flamejante fogueira que aquece esta fria segunda-feira, resta saber o que eles planejam em volta daquela sombria roda viva.

Já aqui na fogueira sou bem-vinda, a presença hostil dos presentes marginais pouco assusta, quem se assustou foi a fogueira, o sinuoso fogo deu lugar a minha discreta luz, dei novo tom e calor pra esse obscuro debate.

Parti em retirada, minha despedida não foi evitada, não houve ali quem ousasse por a prova minha força e evitar minha partida, a carta na manga desta frágil menina está na intimadação do olhar, o mesmo olhar que seduz de modo violento é o mesmo que repele graciosamente.

Nas calçadas e vielas adiante, vil elas eram aos olhos inquisidores, no meio delas vi que a vida fácil de fácil nada tinha, bondosas belas madalenas subordinadas da própria coragem e necessidade.

Mais abaixo já no coração dessa elétrica cidade encerro meu passeio, a baixa luz dos bastidores me iluminou, esclarecida e cheia de desejo vou pra casa descansar e poupar minha luz, me manter acesa para os dias de escuridão que iluminam essa tenebrosa cidade.