terça-feira, 26 de julho de 2011

I got seven hundred dollars!

1- Em um cenário de crueldade não podemos dissociar Bush, Bin Laden, e Blair de Bob, Bill e Ben, ora, George, Osama e Tony na condição de promotores do genocídio dispunham de poderio militar para tamanhos feitos, por outro lado os modestos assalariados Silva, Souza e Soares liberam a compulsiva ira na face de suas mulheres, eles aliviam o contido rancor na pele das suscetíveis e indefesas mulheres, se trata de uma prática em menor escala em relação aos memoráveis massacres promovidos por líderes estatais, porém, de intento semelhante, divergentes apenas em proporção.

2- Na Meditação sobre a gula, sobre o desejo insaciável pelo consumo percebemos aquisições desnecessárias que acarretam no acúmulo de bens resultantes em desperdícios, gula é a prejudicial ingestão movida pelo anseio egoísta, resulta na má aplicação causadora de gastos e falsa satisfação. A mesa de bilhar semi nova, o mini buggy, a mobilete e acessórios eletrodomésticos doados mensalmente aos serviçais dos residenciais de Alphaville, são de utilidade inferior às reais necessidades dos contemplados por esses bens dispensados pelo patronato, seria de maior valia um considerável aumento de salário ou um subsídio financeiro à educação dos empregados e seus filhos do que às generosas doações de fliperamas e geladeiras, fosse assim, todos ganhariam, patrões e funcionários, contudo, a glutonaria prevalece sobre a sensatez altruísta.

3- Cabe ao Kléber (gladiador) se aproximar de Jorge Valdívia e lhe pedir dicas e conselhos de como se conduzir uma bola de modo pleno, compete ao The Edge cortar os pulsos e dedicar o derramado sangue a Belzebul, talvez assim ele se aproxime das unhas dos pés de Jimmy Page, bem como à Gisele Bündchen aprender a sorrir com a graciosidade da filha de Elis, pois, mal aventurados são aqueles que são incapazes de contemplarem com alegria o talento e as virtudes alheias, pobre daquele que se aborrece com os privilégios do próximo, pois para que este não viva submerso nas profundezas da amargura seria necessário que suas aptidões e condições prevalecessem sobre as virtudes do invejado, salientando porém, que o invejado geralmente alça vôos altos, logo assim, difícil de ser acompanhado, quem dirá superado!

4- A supervalorização do próprio mérito nem sempre é irreal no caso de gênios e prodígios, há aqueles que repousam na modéstia e contrariam a opinião pública acerca de tributos concedidos à seu próprio nome, há aqueles que se comprazem publicamente com títulos de louvores e adoração proferidos em seu nome, com isso, ecoam com grande ufanismo ditos reais acerca de seus primorosos feitos, entretanto, o perigo residente nessa impetuosa vaidade põe o ego do orgulhoso numa condição centralizada, onde quaisquer circunstâncias que possa comprometer o apogeu desse ego seria combatida sem a menor hesitação pelo titular do posto, de modo que o vaidoso desconsideraria os meios para se manter centralizado, ainda que isso implique no auto flagelo. Hoje temos poucos camisas 10, poucos percussionistas, poucos engenheiros; certamente teríamos mais Claptons, Vaughans e Pelés não fosse o tropeço na própria soberba por parte desses gênios vaidosos.

5- A gana desenfreada por riquezas é negativa quando a apreciação pela peça de metal que representa o valor dos objetos passa a ser prazerosa, quando o apego monetário passa a representar a alucinação por poder diante de tantos zeros no monitor LCD. Na realidade socioeconômica homo sapien não é homo sapien sem dinheiro, onde é medido a capacidade aquisitiva, não pensar em riquezas é pensar em modestas aquisições, assim, é benéfico buscar saúde financeira, doentio é cultivar cédulas e moedas como seres animados possuidores de identidade própria, cultivar o dinheiro como promotores de todos os desejos possíveis.

6- Deixar o sol do nordeste, a neve de Vancouver e os neons de Chicago pra mais tarde é uma dolorosa procrastinação, o ato de protelar geralmente vem acompanhado de um insuficiente empenho, em outras palavras, acompanhado da preguiça, se considerarmos que o tempo perdido é irrecuperável e que nem sempre o arrependimento corrige decisões equivocadas, ter preguiça é a doença mais fatal nessa boa vida bela.

7- O humano de coração casto bem como o de bêbado coração lascivo são comumente animais possuidores de instintos, o estímulo natural inerente aos animais é negativo quando age de modo violento e insaciável; seria um erro condenar ações instintivas por serem naturalmente inevitáveis, inevitáveis porém ponderáveis pelos possuidores de controle próprio.

Nos sete cenários que representam aqui as principais transgressões humanas aos preceitos institucionais e religiosos, me vi inserido em todos, no parágrafo da Ira eu certamente seria tomado por uma ilimitada fúria caso estivesse diante de um agressor do ser feminino, no parágrafo da Gula eu carregaria o título de rei do desperdício, hoje reconheço que nem só de leite e mel vivará o homem, no parágrafo da Inveja eu faria o caminho inverso e mergulharia nas profundezas, talvez assim eu conquiste a conquista do invejado em questão, no parágrafo da Vaidade felizmente ocuparia a condição do modesto, porém, a pompa da anunciada barba falaria por mim, no parágrafo da Avareza não consigo me posicionar, afinal, o material nunca foi meu forte, contudo entendo a importância do poder aquisitivo, no parágrafo da Preguiça seria salvo pela ambição, pois entendo que o cultivo do verdadeiro ócio é uma dádiva dos ambiciosos e por fim no parágrafo da Luxúria me confrontei com um tênue jazz causador de um ligeiro sangramento nos lábios, uma situação muito mais carnal do que a carnalidade de salões vermelhos.

Resta agora descobrir, quem aqui é santo?

Por tal razão meu filho não terá nome de santo, se chamará Edmundo, Animal e jogará com a camisa 7.


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