quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Lenitivo


Qualquer ser racional pode responder a pergunta - o que é a vida? - Tal pergunta produz respostas de multifacetas, diria até que divertidas, respostas de criatividade incalculável, nessas respostas também encontramos definições exatas do conceito literal de vida em seus elementos essenciais, a verdade é que quaisquer resposta que visa desvendar a vida em seus mistérios é digna de respeito e reflexão, pois cada ser que se dispôs a responder essa espinhosa pergunta reuniu informações e experiências extraídas de particularidades de um certo grupo ou de individualidades de um determinado ser, ainda que essas definições tragam consigo conteúdos sobrenaturais sem fundo de evidências na tentativa de explicar a vida, não podemos deixar de considerar a experiência descrita, ao passo que, ainda que haja uma resposta que defina com propriedade e relativa sabedoria o que viria a ser a vida, essa “aceitável” resposta bem como as “banais”não soluciona o enigma inerente à pergunta, portanto, todas as respostas se equiparam em resultado.

Ousei perguntar o que é a vida a benévolos, a ímpios, a jovens e idosos, a orientais e ocidentais, a gregos e troianos, ao ter as respostas percebi um conceito unânime encontrado em todas elas, respostas provenientes de distintos seres, mas que carregam um desejo em comum, encontrei em todas as descrições sobre a vida um “Porém” implícito, um tom de adversidade posto sobre a própria afirmação dos porquês da vida, veja, essa idéia empregada na descrição que antagoniza-se com a idéia defendida pelo próprio descritor, não é exatamente um paradoxo, mas sim a necessária manifestação dos pesares que compõem a vida, logo assim, a exposição desses pesares é um modo de atenuar o fardo pesado de viver, não obstante aos prazeres da vida é claro, porém, tais prazeres deixam de existir quando surgem inevitáveis algozes ligados a vida, assim portanto, conseguimos identificar o desejo em comum em todas as respostas, se trata do desejo de lenir a dor, desejo de abrandar a angústia que surge quando respondemos essa difícil pergunta.

Atrevi-me a me perguntar o que é a vida, enquanto ponderava a resposta, pensei nos combustíveis que irei queimar, nos cocos que irei cantar, nas cartas, nos descartes, no descarte, nas cantadas, cânticos e canções, considerei decisões, omissões, riscos e certezas, após isso, tive a certeza de não me arriscar em responder uma questão tão embaraçosa, não me afobei, não me apressei, poderia até responder a pergunta e na resposta encontrar a solução pro indecifrável, contudo, não tive pressa e com quarenta graus de febre olhei pro garçom e pedi uma doce dose de uísque.

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